Racismo Negro – 2

Também no ano passado, participei do debate com um professor da Bahia, que havia lançado um livro sobre os negros. Não havia botequim, não havia Ivone Lara, Paulinho da Viola. Havia só menção ao movimento negro americano, a vaidade de ter sido mencionado no “New York Times” por conta de um “happening” promovido na USP.

O livro era um amontoado de preconceitos, contra “europeus”, contra “portugueses”, contra homossexuais.

Essa rapaziada, tão internacionalizada e vazia quanto qualquer classe média internacionalizada, de qualquer cor, não tem raízes no país. Nunca ouviram Candeias, quando cantava “eu não sou americano, eu não sou africano, eu sou brasileiro”.

No dia em que aceitei participar do tal debate, levei comigo meu amigo o Negão Almeida, militante negro dos anos 60, primeiro negro a pular na piscina do Espéria, acabando com um histórico de discriminação. Ele ficou exasperado com o racismo infantil e importado desse pessoal.

No final do evento, apareceu um rapaz, queixo empinado como um negro americano, dizendo que só quem é negro sabe o que a “raça” passa. Eu lhe respondo que só quem é pobre pode saber o que o pobre passa. Perguntei-lhe qual a profissão do seu pai. Disse que era funcionário público, mas tinha sido favelado. Ora, mas quando você nasceu, ele já era classe média. Sim, concordou ele. E em que Universidade você estudou, insisti. E ele: nos EUA porque aqui não tem universidade que preste.

Essa rapaziada oportunista está criando enorme resistência a toda ação afirmativa, prejudicando a luta dos negros pobres apenas para ganhar visibilidade perante a opinião pública.

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