Reconstruindo o Estado – 3

Outro caso bastante similar ao da Secretaria de Cultura ocorreu com as políticas de meio ambiente em São Paulo. Historicamente a Sabesp cuidava do saneamento e do meio ambiente em São Paulo. Sempre teve os melhores quadros técnicos do Estado.

A Sabesp abriu capital. Sua lógica passou a ser a de uma empresa privada. Nada contra, desde que houvesse um órgão acima incumbido de definir a política ambiental e de saneamento. Mas tal não ocorreu. A privatização de fato da Sabesp não foi acompanhada pelo necessário fortalecimento das funções de Estado da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento. O Secretáro Mauro Arce, aliás, é também presidente do Conselho de Administração da Sabesp.

O resultado foi que jogaram para segundo plano todas as ações que não significassem “agregar valor” à Sabesp, inclusive proteção aos mananciais, combate a fontes poluidoras das águas.

Este ano, alguns bancos de investimento recomendavam compra de ações da Sabesp porque, no prospecto divulgado pela empresa, ela acenava com a perspectiva de aumento de 11% nas tarifas de saneamento no próximo ano.

Os técnicos que tratam de meio ambiente ficaram perdidos. São vocações nítidas de funcionários públicos responsáveis, mas não tem como trabalhar, porque a lógica da empresa não é mais a lógica do Estado.

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