Rui, o Homem e o Mito – 1

Em pleno 1890, eclode a crise no gabinete Deodoro. O Ministro da Fazenda Rui Barbosa decide implementar uma nova política monetária. ‘Sem consultar ninguém, elege o Conselheiro Mayrink como o beneficiário, o banqueiro autorizado a emitir moeda com lastro em títulos públicos. Além do controle da liquidez, cumula-o de benesses. Tudo isso decidido individualmente, sem sequer consultar os demais colegas de ministério.

Explode uma crise na mídia e no governo. O gaúcho Demétrio Ribeiro, Ministro da Agricultura, autor da proposta de tornar o estado laico, insurge-se contra a medida e canta todas as peças do jogo. Estouraria um escândalo político; a maneira como se dava a remonetização provocaria uma explosão na Bolsa com uma profunda desvalorização cambial.

Perde a discussão porque Rui se valia de um recurso imbatível nesse país de botocudos: recheava seus argumentos com números, citações de autores estrangeiros e com a retórica de “em todo país moderno é assim”.

Demétrio foi derrotado, mas ouviu uma frase consoladora de um dos colegas de Ministério. Se tudo desse errado, ele entraria para a história como o Ministro que estava certo.

Aconteceu tudo da forma prevista por Demétrio. Alguém sabe quem é ele? Esta semana, mais uma revista, a Época -antes dela, a IstoÉ–, fez uma enquete sobre o brasileiro mais relevante da história. Deu Rui Barbosa.

Ah, Rui também entrou para a história como autor da proposta de laicização do Estado brasileiro. Que originalmente era do pobre Demétrio.

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