Scheinkman e Gianetti

Estou em Florianópolis participando do Futurecom, maior evento do setor de telecomunicações do país, mais de sete mil pessoas de todo o país, incluindo representantes de países e organizações estrangeiras.

São três dias de seminários, eventos paralelos, fóruns de discussão. Praticamente estão aqui palestrando todos os colegas do jornalismo econômico, o Sardenberg, o Celsão Ming, a Mirian.

Somos três os convidados para a palestra de encerramento de cada dia. Na segunda foi o Eduardo Gianetti, na terça foi a minha vez e hoje o José Alexandre Scheinkman, o economista brasileiro mais conhecido internacionalmente.

São curiosas as diferenças entre Gianetti e Scheikman. Ambos são economistas da linha liberal e, como tais, defensores da ação do Estado na promoção da igualdade de oportunidades -isto é, através de educação de qualidade, promoção social etc. Depois, o mercado que se incumba de selecionar os melhores.

Desde que se tornou professor do IBMEC, Gianetti, de livre-pensador foi se tornando progressivamente uma espécie de xiita dos juros. Tornou-se crítico dos gastos sociais, na palestra dividiu o Brasil entre os que produzem e os dependentes do Estado.

Depois que terminei minha palestra é que soube do teor da sua, por alguns executivos escandalizados com a falta de solidariedade social, de espírito nacional. É provável que para uma parte relevante o que disse fosse o que queriam ouvir e que meu otimismo em relação à emergência desse novo eleitor-consumidor tenha chocado outro tanto de executivos, lá sei eu.

Saio da minha palestra e encontro Scheickman no corredor. Foi ele quem ajudou a dar visibilidade para estudos modernos sobre políticas sociais, que já vinham sendo praticados por professores da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da USP) e da PUC-Rio, ajudou a consolidar o conceito de focalização (isto é, de políticas sociais “focadas” nos que realmente necessitam), e outros pontos relevantes do ideário liberal. Seu papel foi fundamental para que se constatasse, a partir de estudos do pessoal da FEA, que nos anos 90, no governo FHC, o sistema educacional brasileiro avançou substancialmente na universalização do acesso à escola.

Pergunto-lhe sobre a Bolsa Família. Diz-se encantado. Desde o início a Bolsa Família foi montada com o propósito de permitir a avaliação permanente das famílias assistidas e obrigar à contrapartida, entre as quais a mais relevante é a de colocar os filhos na escola.

Diz que o programa tem sistemas de avaliação completos e de contrapartidas sólidas. E que essas políticas de inclusão social serão fundamentais para permitir ao país superar o atraso.

Aliás, assim como existe a bancada da Saúde, em breve haverá a bancada Social: o Bolsa Família tornou-se definitivamente uma política de Estado, seja quem for o vencedor das próximas eleições.

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