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Durante toda a campanha, Lula bateu reiteradamente na idéia de que estavam dados todas as condições para o desenvolvimento. Foi cantada e decantada a geração de empregos, o crescimento de 4%, o início do ciclo virtuoso.

Era um discurso canhestro, porque sustentado também pela oposição mais aguerrida, Tasso Jereissatti e Arthur Virgílio, os que mais batiam no governo e os que mais enalteciam a “política econômica virtuosa” de Palocci.

Aliás, a grande fraqueza da campanha de Geraldo Alckmin foi não ter conseguido sair dessa armadilha a que foi colocado pelos próprios centuriões do PSDB: como propor uma política alternativa, se eles próprios diziam que a melhor coisa do governo Lula era a política de Palocci?

Agora, mais uma vez a frustração de crescimento. E Lula se sai com um festival de desculpas esfarrapadas, de quem não viu o crescimento escapar pelos seus dedos.

Primeiro, a história de que se surpreendeu com os estragos que o câmbio provocou na agricultura. Mas como assim? A crise agrícola vem do ano passado.

As últimas estimativas oficiais de crescimento recuaram dos 4% do “este é um país que cresce” para 3,2%. No mercado, já estão abaixo de 3%. E Lula manda esquecer as estatísticas.

Na entrevista de hoje na “Folha”, Marco Aurélio Garcia reclama contra os jornalistas econômicos que repetem a mesma ladainha de mercado, que espalham o pânico ao menor sinal de crescimento, que pregam a anorexia monetária.

O grande problema é que o maior baluarte dessa ortodoxia paralisante é Lula. E não se pode falar em ignorância. Quem tem ao seu lado Delfim Netto, os economistas do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Belluzzo e outros, não poderá alegar que nada sabia e nada viu.

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