Serra e a migração

É uma falsa discussão, esta em torno da afirmação do candidato ao governo de São Paulo, José Serra, de que a migração foi uma das causas principais da baixa qualidade de ensino do estado.

Foi mesmo, e obviamente não por culpa dos migrantes, mas da queda do investimento na manutenção da qualidade do ensino para enfrentar essa massificação. Não é fenômeno de hoje. Essa grande migração ocorreu no final dos anos 60, provocada por dois fenômenos simultâneos.

O primeiro, o processo de urbanização brasileira que se seguiu à industrialização de JK e ao fato do regime militar ter descuidado de políticas agrícolas compensatórias. Aliás, se reeleito, a grande bandeira de JK era fazer o “cinco anos em cinco” na agricultura.

O segundo fenômeno foi a enorme seca do Nordeste, na segunda metade da década. No começo de carreira, acompanhei o famoso trem dos migrantes, que saía da Bahia, passava por Belo Horizonte e chegava a São Paulo.

Tivesse havido políticas públicas adequadas, investimentos pesados na educação e na área social naqueles anos 70, o país teria dado um salto em termos de inclusão social, ampliação do mercado de consumo e da cidadania.

Sem os investimentos, ocorreu a deterioração gradativa da rede pública de ensino e o inchaço das grandes cidades.

Um pouco de estudo evitaria tanto alarido em torno de uma evidência histórica, e impediria alguns mais ligeiros de tachar de desinformação uma declaração embasada em fatos históricos.

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