Visões sobre políticas de inclusão

O leitor Weden pede que eu selecione manifestações estúpidas contra a inclusão negra, para contrapor às manifestações da Waleria Torres. Deixei bem claro no post da fina Waleria que sua manifestação não poderia ser debitada ao movimento negro, mas apenas ao oportunismo dos eternos caronas.

As manifestações odiosas contra a inclusão negra (e social) estão presentes em vários Blogs. Aqui, saí atrás de algumas que tinha reprovado (baixarias primárias), mas eram muito poucas. Não significa que não existam em abundância por aí. Estão à vista, embora o componente social, em minha opinião, ainda seja o determinante do preconceito.

Significa que as diferenças maiores entre os freqüentadores do Blog não se dão em torno da validade ou não das políticas de inclusão, mas do conceito racial.

Abaixo, dois posts, do Gesil e do Otávio, que sintetizam muito bem as diferenças de visão em relação às políticas que levam em conta o critério racial. Vou deixar para colocar minha opinião mais tarde.

Enviado por: Gesil

Só espero que não transformemos o Brasil num Estados Unidos da América do Sul nesta questão também.

Putz.. Para tudo lá você tem que preencher algum formulário dizendo se vc é branco,negro, asiático ou hispano! Da quarta vez que eu tive que preencher aquilo (em um mês e meio de estadia) eu surtei! Tem tanta coisa misturada na minha carga genética que mesmo que eu quisesse responder àquelas babaquices eu não conseguiria.

E isso é um vespeiro complicadíssimo de se livrar depois. Na Europa, onde as divisões são mais sutis ainda, há coisas ridículas como os descendentes dos Alemães que foram à Rússia com a Catarina (a Grande), que conservaram em suas “carteiras de identidade” a ascendência alemã (lá denominada nacionalidade, que tem sentido diferente do nosso conceito), mesmo após vários casamentos com russos. Depois da reunificação alemã e queda da URSS a eles foi dado o direito de voltar à Alemanha e tiveram até casas com financiamento facilitado, etc. Acontece que, se para os russos eles eram alemães, para os alemães eles não pasam de russos! E há problemas terríveis de aceitação e incorporação dessas pessoas na sociedade alemã.

Creio que não precisamos, sinceramente, exaltar as nossas diferenças. Temos sorte de não termos tantas questõs étnicas em nossa sociedade quanto em outras, como nos Bálcãs, por exemplo. Acredito que deveríamos caminhar mais e mais no sentido de eliminar completamente qualquer referência à origem étnica de qualquer documento ou procedimento com finalidades legais ou práticas. Minha raça é a humana e é só isso que eu preciso saber para me identificar como indivíduo. Posso me sentir atraído pelo estudo dos meus ancestrais, reverenciar heróis de causas justas, pelo fato de serem justas e exemplos em si, não por que são os heróis da “minha raça”. Considero Tiradentes, Zumbi, El Cid, Jesus, Zapata, Villa, Lenin, Einstein, Gandhi, Gerônimo e outros todos meus heróis pois de alguma forma seus exemplos me ajudaram a formar ou reforçar a personalidade e as opiniões. Não por serem da minha etnia.

Enviado por: Otavio Maia Chelotti

A questão chave, que é necessãrio responder, é a seguinte: que modelo ideal (ênfase em ideal) de sociedade desejamos? No que tange à questão racial, há duas possibilidades: a primeira corresponderia grosso modo à idéia da democracia racial, aos conceitos do “melting-pot”, da fusão das raças e à noção do que em inglês se chama “color-blindness”, ou seja, o respeito aos seres humanos enquanto seres humanos, apesar de todas suas eventuais diferenças. A segunda, seria a “racialização” da sociedade, que implica que todos as pessoas deveriam, em princípio, identificar-se por raças, todas as quais teriam direitos iguais. Francamente, como ideal, a primeira me parece muito melhor, pois afirma a igualdade essencial dos seres humanos -base, incidentalmente, de todo o conceito de direitos humanos- e, em si, reafirma a convivência pacífica como valor. A segunda -e aqui vou fazer uma afirmação certamente polêmica- ao perpetuar o conceito de raça, é inerentemente racista (embora tenha empregado o termo racialista anteriormente, considero-o eufemismo de primeira ordem). Corresponde a uma lógica de confrontação advinda de uma situação social diferente, norte-americana, onde a mestiçagem era condenada e a discriminação racial tinha, inclusive, amparo legal (por exemplo, as leis “Jim Crow” no sul dos EEUUA até a década de 60). Ignora totalmente a realidade brasileira de estensa miscigenação e busca criar diferenças e barreiras que são, no fundo, artificiais.

Antes que alguém diga que sou um idiota pois o primeiro modelo é idílico e existe racismo no Brasil, gostaria de enfatizar uma vez mais que estou falando de ideais. Sempre a prática não corresponderá perfeitamente ao ideal, o que não invalida a importância dos modelos. Para os desvios, existe a lei. O que é importante é que a primeira alternativa respeita o ser humano enquanto ser humano, em um modelo de convivência pacífica, enquanto o segundo implica um modo de existência baseado no perpétuo conflito, no que só posso chamar de tribalismo ressentido.

Enviado por: simone zachmann

Gente, tenho uma solução para essa coisa de discriminação, que venham todos os negros para a Europa e se casem com os europeus, como eu que sou negra casada dom alemão. Aqui tem de tudo: turco, árabe, africanos, e se tem uma boa educação com certeza pode trabalhar no setor que quiser basta capacidade. E qto a consciencia negra, nao preciso de uma dia, pois todos os dias tenho consciência da minha negritude…Como diz o Falcao do Rappa, cor da pele… %[email protected]$&@#se…E só misturando pra ver no que vai dar…

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora