A imparcialidade, por Neemias dos Santos Almeida

A imparcialidade, por Neemias dos Santos Almeida

A imparcialidade é no máximo um exercício. É presunçoso afirmar que algo ou alguém é imparcial. É como na teoria do espelho, onde se espera que se conte exatamente o que aconteceu.

Cada um carrega consigo suas próprias idiossincrasias, culturas e conhecimentos prévios, fora o posicionamento capitalista ou socialista. Acredito que a imparcialidade é algo deva ser perseguido.

No mundo de hoje o viés ideológico sempre tem haver com a grana. Sempre costumamos colocar a nossa opinião junto ao conteúdo. Talvez o que aconteça seja o peso de nossa opinião em determinado fato. Mas e a notícia como se informar do que acontece no mundo?

Para os jovens não há diferença entre notícia e informação. Colocam tudo no mesmo prato como se fosse notícia e as fontes são as timelines e compartilhamentos da vida. Tanto quanto possam suportar os grupos de whats app.

Isso ocorre da mesma maneira como a minha geração era refém dos meios tradicionais de comunicação, só mudou a forma de consumo, produção e distribuição, mas o princípio de dependência é o mesmo. Atualmente somos todos reféns dos algoritmos, portanto.

A exemplo disso vê-se a TV Globo, a qual está impondo seu canal digital Globo Play, em queda de braço com a atualidade aberta da rede. Entendo a proposta da Globo Play como: não querer dividir o bolo publicitário com o Google e o Youtube.

Os algoritmos são os novos gatekeepers na verdade. Tudo que sai na mídia a gente já cansou de ler e ver o dia todo. Os jovens são muito mais influenciados por marketing do que foi a geração dos trintões, pelo menos tínhamos apenas TV, jornais, revistas e o rádio para nos influenciar, hoje, recebemos muitos estímulos o dia todo através das mídias sociais.

 O Jornal Nacional ainda é a mídia principal de muitos brasileiros mais pobres, isso é nadar contra a correnteza. Esse produto eu não compro. Nós, os sujeitos da sociedade hodierna, não somos só consumidores de conteúdo, somos também produtores e difusores.

O contexto muda a todo instante.

Essa é uma verdade inefável. Veja o caso do facebook! Nasceu ontem e já está velho, mas na minha época TV Globo e outras mídias eram castilgas. Como mediação da cultura, sim; mas como cultura midiática, não.

No interior do Brasil mais pobre, o meio que chega para informar é a TV aberta e o rádio, a internet é cara e ruim, o que torna boa parte do território nacional ainda com a mesma lógica de consumo de informações. Vejo esse caso dos pobres como falta de opção, porque se eles tivessem oportunidade e opção eles não assistiriam mais a Globo.

Celulares baratos travam e celulares aqui ainda são muito caros, também não menosprezo, mas acredito que o dia que o país tiver mais pessoas lendo, consumindo e absorvendo cultura e produtos como Jornal Nacional, tais objetos tornar-se-ão dispensáveis e, quem sabe, não serão mais necessários. O Jornal Nacional é muito superficial, é apenas um resumo selecionado do cotidiano.

Boa parte do interior do Brasil está desconectada, mal tem telefonia móvel, o jornalismo e seus profissionais são valentes e sábios o suficiente para se adaptarem. O certo é que: notícia profunda, livros e reportagens são do interesse de uma minoria.

O telespectador ainda está em uma posição de alienado, o dia em que realmente mensurarmos o impacto dos grandes veículos no público, vamos nos assustar; prova disso é o efeito das Fake News, as quais tem maior adesão do público que as mídias tradicionais.

Essa é a realidade e grande parte da mídia e formadores de opinião não caíram na real ainda. Mas, o que podemos fazer? Não tivemos a ideia de criar o Facebook? (Risos).

Em muitos casos um veículo midiático ainda tem o nome forte, mas se formos mensurar realmente o impacto dele, não vai além do nome. Houve época que bastava ter nome, agora não mais. Essa é a hora de todos nós debatermos sobre isso.

Certas pessoas desprezam a imparcialidade, uns dizendo que são um bando de esquerdistas que vão levar o Brasil ao buraco porque defendem o comunismo, outros dizendo que são da direita e defendem os interesses das poucas famílias donas de veículos.

Está havendo, infelizmente, uma polarização e a própria mídia não quer debater isso, se deixa levar. Engraçado em um mundo onde toda informação de várias linhas editoriais estão disponíveis, estão todos alienados passando o dedo na linha do tempo em seus smartphones.

*Neemias dos Santos Almeida é Professor e Pedagogo. Colunista, Articulista, Membro da ONG Atuação Voluntária, Escritor, Voluntário junto ao órgão internacional PNUD/Brasil, e ávido leitor que vive a internet e suas excentricidades desde 2001.

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3 comentários

  1. Eu não sou imparcial. Ninguém

    Eu não sou imparcial. Ninguém é. Mas existe um exercício que eu pratico sempre, que vale não apenas para essa questão, mas para basicamente tudo na vida: calçar as sandálias do outro.

    Se eu não gostaria de ser discriminado por ser homem, branco e heterosexual, por que diabos eu vou discriminar os que são diferentes de mim?

    Se eu não gostaria de ser roubado ou enganado, por que diabos eu vou robar ou enganar os outros?

    Se eu não gostaria que o judiciário  tratasse meu adversário de forma privilegiada, por que diabos eu vou achar correto quando o judiciário funciona dessa forma para mim?

    E isso não tem nada a ver com ser cristão, judeu ou muçulmano. Alias, me considero ateu, mas não discrimino quem acredita em Deus.

     

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