Entre a ectogênese e a felicidade maternal, por Thomas Meyer

Sugestão de Wilton Moreira

Da Revista Exit!

Entre a ectogênese e a felicidade maternal
Sobre a reprodução do género humano na crise do patriarcado produtor de mercadorias

Por Thomas Meyer
 
I.

A crise do patriarcado produtor de mercadorias reflecte-se não só no derretimento da substância do trabalho, mas também no aspecto subjectivo: O carácter social narcisista tornou-se um fenómeno de massas (Wissen 2017) e aparecem distorções ideológicas enormes, como se vê desde logo na ascensão do neofascismo (ver, por exemplo, Späth 2017 e Konicz 2018).

Mas também a área da reprodução do género humano mostra o seu próprio curso de crise. Isso expressa-se, por exemplo, no colapso da família e, sobretudo, no facto de ter filhos se tornar um “factor de perturbação” fundamental. No discurso público, este problema aparece, por um lado, num “feminismo de Estado”, que entende por emancipação das mulheres sobretudo a integração no mercado de trabalho (precário), sendo (devendo ser) delegadas no Estado um número crescente de actividades de bem-estar. (1) Por outro lado, nos neo-conservadores que rejeitam esta forma de emancipação cívico-feminista e apostam na felicidade familiar privada.
No entanto, a promessa de felicidade burguesa de esquerda, depois de a mulher agora finalmente também poder e dever ter um trabalho assalariado, de qualquer maneira é inútil nas condições de crise, e especialmente na Alemanha, como Lente e Trumann enfatizam em seu livro (Lent; Trumann 2015), sendo o aumento do emprego das mulheres nos últimos anos devido principalmente à expansão do sector de baixos salários (as análises de Lents e Trumann referem-se apenas à Alemanha).

Por sua vez, o lado neoconservador, como é o caso de Birgit Kelle (2), enfatiza que tal emancipação acaba por levar apenas ao excesso de carga sobre as mulheres, dado que “carreira e filhos” por norma se excluem mutuamente. (3) Kelle continua a enfatizar que a mulher não quer deixar-se dissuadir de que a criação dos filhos pode ser significativa e preencher a vida, em vez de entregá-la ao Estado e dar sentido à vida com um trabalho assalariado.

Segundo Kelly, gravidez e maternidade são imposições tão grandes para o capitalismo em virtude de afastarem a mulher algum tempo do mercado de trabalho. “Qualquer pessoa que queira que as mulheres tenham filhos para despachá-los o mais rápido possível está a tratar as mulheres como incubadoras. Aqui a gravidez é um mal necessário, uma situação transitória medicamente necessária, que, infelizmente, interfere repetidamente com o processo de produção na economia.” (Kelle 2017, 170) Não deixa de se desejar, portanto, que após a gravidez a mulher volte o mais rápido possível a integrar o mercado de trabalho (por exemplo, creches para todos). É claro que as condições do trabalho e o seu conteúdo não estão aqui em debate (Lent, Trumann 2015, 69s.). Além disso, a carreira laboral das mulheres tem uma qualidade diferente da dos homens, no sentido de que a mulher como trabalhadora é suposto ser a sua própria compensação privada para o trabalho assalariado, como escrevia Christel Eckart em 1987: “Ao contrário do homem trabalhador, para quem a divisão sexual do trabalho fornece a ‘mulher ao seu lado’ como assistente de carreira, as mulheres precisam de aprender a planear e configurar a sua carreira e as suas condições de reprodução […] e como profissionais têm de criar uma vida privada complementar. […] A socialização feminina, que exige diferenciação emocional e o agir orientado para as pessoas […], e o surto de individualização do mercado de trabalho, que leva as mulheres à diferenciação cognitivo-intelectual e à acção instrumental no mercado de trabalho, colocam as mulheres objectivamente sob pressão, para reunir o que a sociedade civil tem dilacerado, com a separação entre esfera pública e privada e com a polarização dos caracteres sexuais.” (Eckart 1987, 12s.) A integração das mulheres no mercado de trabalho não é emancipatória para Eckart, uma vez que significa apenas um alinhamento com a forma de sujeito masculino, onde ao mesmo tempo a mulher tem que assumir o papel de “mulher” por si mesma.

O facto de ter filhos, isto é, uma vida familiar e emprego (a tempo inteiro) serem fundamentalmente incompatíveis e cada vez menos sustentáveis (devido à precarização, etc.) tem sido repetidamente criticado por feministas (recentemente Lent; Trumann 2015, ver também Scholz 1999). Lent e Truman também argumentam que, no movimento e na teoria feministas, a maternidade foi deixada de lado e considerada um problema privado. Objecção a isso formularam as correntes designadas como “feminismo da diferença”, cuja crítica foi que o mainstream do feminismo “marginalizou as mães e apenas levou a sério as mulheres como profissionais”, tendo criticado também o “trato da maternidade predominante na sociedade”. Assim se chegou a ver a mãe como um sujeito revolucionário (Lent, Trumann 2015, 14). Além disso, as feministas da diferença exigiam “não a adaptação ao mundo capitalista burguês existente […], mas o seu completo revolucionamento.” (ibid., 35) (4)

Por outro lado, o adestramento da mulher como máquina de parir, para o Estado e para a Igreja, foi justamente criticado. Sulamita Firestone vai ao ponto de considerar a capacidade de dar à luz como um obstáculo crucial à emancipação das mulheres, razão pela qual saudou o facto de que engravidar e ter filhos poderia ser abolido ou seria abolido pelas tecnologias reprodutivas. Ao fazê-lo, Firestone equiparou um facto biológico com o trato patriarcal do mesmo. Consequentemente, se os humanos fossem criados artificialmente no futuro, uma justificação e fundamentação decisivas do patriarcado desapareceriam, e a mulher poderia finalmente alcançar o homem na subjectividade do trabalho produtivo. Essa subjectividade do trabalho burguesa androcêntrica, que toma como padrão a existência como recipiente de força de trabalho, deve ela própria ser alvo de crítica e não uma meta por que lutar, especialmente em tempos de crise, em que a forma burguesa de sujeito se torna obsoleta de qualquer maneira. Caso contrário, corre-se o risco de o todo, como Felicita Reuschling escreve, “tombar numa posição eugénica que mede a natureza dos corpos vulneráveis de velhos, jovens e outros pela norma de funcionalidade do capitalismo” (Reuschling 2009, 58) A posição acrítica e ingénua de Firestone em relação às tecnologias de reprodução e várias fantasias de criação artificial são, portanto, um tanto assustadoras. Ela avisa que se iria perceber um pesadelo se a “reprodução artificial caísse nas mãos dos actuais governantes” (Firestone 1975, 187), mas aqui procede de modo semelhante ao habitual marxismo que acredita que a tecnologia é neutra e só eventualmente cairia nas mãos erradas.

Uma crítica das tecnologias reprodutivas, mães de aluguer e selecção genética, etc., também foi um tópico da crítica feminista, especialmente nos anos 80. Embora os debates e críticas da eugenia desde os anos 60 se tornassem repetidamente actuais (como em conexão com a Conferência da “Fundação CIBA” em Londres 1962 (5), para a crítica, ver os artigos em: Wagner 1969), por um longo tempo tal não constituiu um tema para a esquerda (Brockmann, Schwerdtner 1987, 58s.). Traude Bührmann (Bührmann, 1981) deu o sinal de partida da crítica feminista à tecnologia genética e da reprodução. Aí está listado muito claramente o que move os biocratas: pretende-se, com toda a seriedade, resolver todos os tipos de problemas por meio da engenharia genética, ou seja, tecnicamente, em vez de mudar as condições sociais; uma lógica de argumentação que também é propagada hoje pelos capangas do transumanismo. Por exemplo, Bührmann cita o geneticista e Prémio Nobel Joshua Lederberg, um “opositor raivoso de qualquer restrição à pesquisa genética”. Segundo ele, a humanidade ficaria “de pernas para o ar devido ao colapso da tecnologia”. Neste caso, o “problema […] só pode ser resolvido pela adaptação genética do ser humano a esse desenvolvimento, por exemplo, segundo a citação que Bührmann faz de Lederberg, “o problema do suicídio nuclear da humanidade industrial, através da sua adaptação genética à era atómica (!), o problema do negro nos Estados Unidos, eliminando a sua base genética (!) e a discriminação das mulheres na sociedade industrial, pelo nivelamento genético ou pela suspensão dos dois sexos que estão na sua base.” (Bührmann 1981, a 26s.) No entanto, a partir dos anos 90, a preocupação do lado feminista com este tema diminuiu significativamente, até que finalmente “desapareceu” (Trumann 2006, 9). Temas a que também Birgit Kelle do lado neoconservador se dedicou recentemente! (Kelle 2017, 151s.) (6) Isso mostra que os problemas em si e a necessidade de lidar com eles estão tudo menos desaparecidos!

Assim, a situação de ter filhos foi ou é tratada de maneira diferente, em posições que são, em certa medida, complementarmente erradas. Por um lado, em termos de defesa da família nuclear burguesa e da propaganda da felicidade maternal (que seguramente só pode ser experimentada como felicidade por quem está em melhor situação, não se podendo colocar para muitas a suposta decisão entre filhos ou trabalho), por outro lado, ter filhos como factor de perturbação anti-emancipatório: A mulher melhor renuncia a ter filhos, para poder dedicar-se inteiramente à carreira, ou aceita um duplo fardo. E se há crianças – então, por favor, que custem o menos possível! “Vidas sobrecarregadas” não têm lugar numa sociedade competitiva! Assim, toda a mulher pode decidir “livremente” contra uma criança com possível (!) deficiência. (7) Ou seja: emancipação através do trabalho ou através da felicidade familiar burguesa, mas não emancipação de ambos! Não há dúvida de que ambas as posições têm em comum que desconsideram a estrutura da sociedade da dissociação-valor e, portanto, não a percebem como criticável e historicamente ultrapassável. Em vez disso, teriam de ser derrubadas todas as condições que medem o valor da vida humana de acordo com sua rentabilidade e eficiência, e se esforçam por extrair trabalho de cada átomo. Portanto, os ainda não e os já não competitivos (especialmente também os idosos, ver Urban 2018) são para o capitalismo um problema fundamental.

De seguida, vamos revisitar a crítica feminista das tecnologias reprodutivas. Embora a ocupação com este tema tenha diminuído, a questão continua, como dissemos, ainda virulenta. Seja porque mais uma vez há agitação contra as pessoas com deficiência (8), seja porque ter filhos é tecnicamente racionalizado, por exemplo, através de “social freezing” (9), ou através de processos repetidamente surgidos de construção de um “útero artificial”. Já em 1955 houve uma patente para um “útero artificial” ou para um primeiro teste técnico (10). Para o crescimento de um embrião num útero artificial, há de resto um conceito autónomo: ectogênese. Até mesmo os ideólogos do transumanismo – quem se admira? – também estão representados neste discurso (sobre isto mais na secção III).

II.

O facto de a crítica feminista das tecnologias reprodutivas ter desaparecido de cena desde os anos 90 pode estar relacionado, como diz Andrea Trumann (Trumann 2006), com o facto de partes do movimento feminista, por sua insistência na “autodeterminação” da mulher, (11) terem contribuído para a implantação e aceitação das tecnologias reprodutivas.

Outra razão pode muito bem estar no pós-estruturalismo, que também prevaleceu nos anos 90. Para ele, de qualquer maneira, tudo é construído apenas pelo discurso, e todas as coisas se esgotam na linguagem. A “natureza” foi assim pressuposta como pré-teórica e, portanto, insignificante. Consequentemente, não haveria “natureza” que fosse funcionalizada e condicionada pelo capitalismo. Ao que é preciso contrapor que mesmo a nossa imagem da natureza, de facto, já é sempre influenciada pela sociedade e pelo poder. Uma das falácias centrais do pós-estruturalismo é não conseguir (ou não querer) distinguir entre a imagem (linguística) de uma coisa e a coisa em si, assim equiparando a realidade com um determinado (mau) entendimento da mesma; como se a existência dos dinossauros fosse apenas um produto do discurso, sem referência a algo fora do discurso humano ou da práxis humana (a paleontologia surgiu, como se sabe, no século XIX, como a psiquiatria moderna e a sexologia). (12) Como escreve Robert Kurz, “O ponto de vista de que a linguagem não é um meio neutro para descrever uma realidade dela independente foi demasiado distendido até à afirmação de que a linguagem é o único constituinte da realidade, verdadeiramente a única realidade em si.” (Kurz 2014, 69, ênfase TM)

Uma vez que, para o pós-estruturalismo, a natureza e a atitude social para com ela fica fora do seu exame teórico-crítico, e que para a visão pós-estruturalista a natureza de facto não existe, o seu controlo e a sua destruição não podem realmente ser criticados. Na verdade, o “new materialism” (que se dispõe a criticar o pós-estruturalismo) concluiu que a recusa de uma natureza fora do discurso, ou seja, a visão da natureza como pura construção social, nada mais expressa do que a pretensão do completo poder de disposição sobre e contra ela (ver Hennig 2016, 70) . (13)

O pós-estruturalismo prova ser incapaz duma crítica fundamental tanto do capitalismo como da forma de sujeito correspondente, embora no último caso, sobretudo através de Foucault, tenha havida algum contributo. Como deveria também a forma de sujeito burguesa poder realmente ser abolida, se o próprio ser humano é apenas uma figura na areia que desapareceria por completo se o discurso moderno e a disciplina, ou seja, a forma de sujeito fosse retirada? (14) Sobre Foucault e seus seguidores escreveu Georg Gangl: “Esta valorização do saber, que está ancorada nas profundezas da teoria de Foucault e pela qual também se orientava grande parte da sua prática política […] torna-o interessante para as epistemologias do ponto de vista das mais diversas cores (pós-colonial, feminista, queer). Pois Foucault quer valorizar o ‘saber local, desarticulado, desqualificado, não legitimado’ perante a ‘instância teórica unitária’ […] da verdade e da ciência, e são precisamente os tesouros da experiência das mulheres, das minorias sexuais e étnicas, etc. que muitas vezes são estruturalmente ignorados nos discursos científicos. Nesse sentido, a perspectiva foucaultiana, que enfatiza a estreita conexão entre poder, saber e dominação, pode certamente ser útil nos esforços emancipatórios desses grupos […]. A espinha dorsal filosófica que muitas epistemologias do ponto de vista compartilham com Foucault ou dele aceitam […] é, afinal, antes um obstáculo para estes esforços de emancipação, uma vez que, como argumentado, tende a negar a verdade para além do poder e impossibilita que sejam vistos contextos extensivos.” (Gangl 2012, 135, ênfase TM)

A pretensão pós-estruturalista ou construcionista contra a natureza, no entanto, também tinha um pouco de legitimidade, mesmo se, em seguida, se transformava exactamente no oposto do criticado (como contingência pura, em vez de determinismo) e rechaçava, através de uma acusação de essencialismo, qualquer envolvimento com a natureza e com aquilo que não é simplesmente construído no discurso ou nele não fica absorvido. Ute Bertrand escreve no contexto de uma crítica feminista da biologia e da biotecnologia o seguinte: “Certamente que a abordagem construcionista facilita relativizar verdades científicas e defender a reivindicação da existência de uma verdade própria. Ao abandonar a distinção entre ‘sexo’ e ‘género’ e descrever todas as afirmações científicas sobre a natureza como uma construção social, as mulheres podem defender-se contra atribuições de qualidades baseadas na biologia (molecular). Elas não precisam de se deixar comprometer, não precisam que sejam outros a dizer como as mulheres são ou devem ser – seja a estrutura do cérebro, a mistura de hormonas ou a codificação de genes, que os cientistas descrevem como características da feminilidade. […] A pose do perito, que declara que o mundo é universal e obrigatório para todos, é ridicularizada; a ‘scientific community’ tornou-se uma seita entre outras. […] Com o construcionismo também a crítica da ciência experimentou um novo avanço. Ele convida a dar uma olhada mais de perto às declarações dos cientistas, como marcianos que visitam a Terra numa expedição etnológica. Com distanciamento, as mulheres podem analisar os ‘estilos de pensamento’ dos diferentes ‘colectivos de pensamento’ e buscar explicações para a razão por que algumas verdades têm prevalecido e outras levam uma vida na sombra, ou caíram completamente no esquecimento.” (Bertrand 1994, 125, ênfase TM).

Os aspectos aceitáveis e significativos do pós-estruturalismo e do construcionismo apresentam, porém, o problema de, em última análise, renunciarem a uma pretensão de verdade e, possivelmente contra a sua intenção, sobretudo dissolvendo tudo em discursos e símbolos, alcançarem um momento a-histórico, especialmente o construcionismo, estando assim de acordo com uma virtualização do mundo da vida (ver Kurz 1999). Continua Bertrand: “Com o construcionista relativizar da verdade dos/as seus/suas adversários/as, os/as críticos/as dão um tiro no pé, devendo relativizar igualmente as suas próprias verdades (incluindo a abordagem construcionista). […]. Se falta a perspectiva histórica, as vantagens da argumentação construcionista rapidamente se transformam no seu contrário. Pois enfatizar a modelagem do mundo significa acelerar a perda da realidade. Informações, signos, símbolos, representações da realidade determinam a vida-sombra, a auto-encenação na sociedade da informação. Apenas importa aquilo de que as pessoas falam. […] Barbara Duden critica com razão o ‘coro das académicas’ por ‘conferir à autodesencarnação da sociedade mediática a aparência de ser também do interesse do movimento das mulheres’.” (Bertrand 1994, 125s., destaque de TM)

Várias autoras, como as da Beiträge zur feministischen Theorie und Praxis [Contribuições para a teoria e prática feministas], pretendem, por outro lado, ligar a biotecnologia e as tecnologias reprodutivas, com as consequentes aplicações eugénicas, no contexto de uma crítica fundamental do capitalismo (e do seu efectivo presente), em contraste com os/as teóricos/as do puro discurso e, mais ainda, com os trabalhadores intelectuais hoje academicamente domesticados. Assim formula Gundula Kayser as motivações ou objectivos visados pela pesquisa em tecnologias genéticas ou reprodutivas, como demonstradas em muitas citações de cientistas: “A capacidade de dar à luz das mulheres e a possibilidade de manipulação dos genes são pesquisadas para no futuro determinar precisamente as qualidades físicas e psíquicas e a ocorrência quantitativa de determinados tipos de ser humano antes do nascimento, fazendo o correspondente planeamento técnico e controlando totalmente o seu processo de produção, sob a supervisão de especialistas em produção humana. Como qualquer outra mercadoria, a produção da mercadoria ‘força de trabalho’ também deve ser industrializada. […] No plano político, isso significa, a meu ver, uma consolidação de tendências fascistas na política demográfica mundial. Estas já têm sido aplicadas desde a industrialização da produção de mercadorias e tiveram até agora a sua aplicação sistemática no nazismo.” (Kayser 1985, 55, destaque TM)

As tecnologias reprodutivas são oficialmente motivadas acima de tudo para ajudar as mulheres no seu desejo de terem um filho. Mas Gena Cora salienta que as tecnologias reprodutivas e os seus métodos provêm em última análise da pecuária industrial, e são correspondentemente transferidas para os seres humanos (Corea 1986, 70s.). Ela critica em particular que normalmente as dificuldades, fracassos e sofrimentos das pessoas afectadas não sejam divulgados, preferindo-se ocultá-los (ibid., 82s.). Ao que acresce uma linguagem desumanizante e sexista em relação às mulheres/mães. (15)

Tanto Corea como outras evidenciam as aplicações eugénicas de várias tecnologias reprodutivas, como é o caso do exame dos embriões a implantar relativamente a possíveis doenças hereditárias, deficiências, como a trissomia 21 (síndrome de Down), e outras características em princípio geneticamente identificáveis. (16) Acresce a determinação do sexo pela amniocentese, o que levou (leva) a que, milhões de vezes, especialmente na Índia e na China, as meninas foram e são abortadas, apenas por causa de seu género (Patel 1985). (17) Tal política demográfica tem sido caracterizada por algumas feministas como feminicídio (Bührmann, 1985, ver também Corea 1986, 171s.). Assim, o enorme alcance das tecnologias de reprodução é muito claro.

De facto, a infertilidade é um problema crescente. (18) Mas não se fala sobre as causas, como o stress psicossomático ou a poluição (ver, por exemplo, Peters 1993, 27s.). Em vez disso, a invoca-se a ciência como solução dos problemas, sem que a sociedade capitalista e seu destrutivo “metabolismo com a natureza” (Marx) sejam vistas pela crítica radical. Também é usada uma “despistagem genética” (Hansen 1985) para analisar trabalhadores que têm uma (presumida) predisposição genética para susceptibilidade a certas substâncias na produção industrial, que não são contratados ou, de acordo com a visão extrapoladora do futuro, será melhor não nascerem mesmo, para que os nascidos depois de nós possam sobreviver numa natureza envenenada e contaminada (ver também Ditfurth, 1997, p. 77s.). Naturalmente, uma mudança na composição material da produção, assim como seu conteúdo e resultados, também não é desejada aqui. Como também escreve Daniel Cunha (Cunha 2016), no capitalismo, ao verdadeiro processo de produção são ligadas em série técnicas que supostamente remedeiam a destruição ambiental ou a poluição (como filtros de fuligem), as chamadas tecnologias end-of-pipe, que no entanto deixam o próprio processo de produção geralmente intocado. A promoção contínua das tecnologias reprodutivas, que é improvável que diminua no regime capitalista no futuro, à medida que mais e mais pessoas são atormentadas pela infertilidade, também se enquadra nessa categoria.

A crítica feminista das tecnologias reprodutivas critica nestas principalmente o domínio patriarcal e técnico de natureza feminina: a expropriação da capacidade de dar à luz, o tornar as mulheres dependentes de um aparato técnico reificante e, finalmente, uma liberdade de escolha com implicação eugénica que não é nada mais do que uma imposição, o que leva a um “fortalecimento do controlo social” das mulheres, e leva a “uma pressão de legitimação social mais ou menos aberta, através das novas possibilidades de diagnóstico” (Kontos 1985, 71). Pois, continua Kontos: “A decisão individual de uma mulher de acolher ou não uma criança presumivelmente com deficiência é pré-estruturada em grande medida pela maneira como a sociedade lida com a doença, o sofrimento e a incapacidade.” (ibid.) E este modo de lidar significa precisamente que “vidas que são um peso” devem ser evitadas! A consequência é uma fundamental hostilidade à deficiência, cuja persistência e aumento sempre crescente desde os anos 80 aparece repetidamente na crítica (assim em: Christoph 1990).

Kontos, no entanto, também critica uma rejeição generalizada das modernas tecnologias reprodutivas, como acontece com frequência na crítica feminista. Pois decisivas não seriam as tecnologias como tais e o seu “uso ou não uso”, mas, sim, a conexa “reestruturação das relações sociais que determinaram o processo de reprodução.” (Kontos 1985, 69) Uma natureza da reprodução imediata, não influenciada pela cultura nem pela técnica, não existe, “sempre se tentou influenciar a fertilidade das mulheres […].” Kontos, no entanto, dá um trambolhão, acha que a gravidez etc. ainda são apenas construções sociais e sugere que eventualmente as ideias de Firestones não serão de rejeitar completamente, devendo pelo menos ser discutidas (ibid., 75).

A rejeição generalizada também leva praticamente a um “apelo a uma interrupção da pesquisa que, com toda probabilidade, está condenada ao fracasso, porque não aborda as condições sociais nas quais a tecnologia reprodutiva se baseia. […] Ora, para compreender o significado social total das novas tecnologias reprodutivas, elas teriam de ser colocadas no contexto de condições reprodutivas gerais […]. “(ibid. 68s., destaque TM) Com o que se deve concordar, mas proibições de pesquisa ou pelo menos moratórias podem ainda assim fazer sentido (ainda que não necessariamente). Mesmo assim, não podendo as causas sociais ser eliminadas, dificilmente será preciso usar isso como desculpa para que tudo tenha de ser autorizado ao realizar pela primeira vez qualquer porcaria (devendo depois ainda proceder-se “eticamente”). (19) As condições e raízes sociais deviam ser tematizadas juntamente com a proibição ou moratória, para depois poder executar quaisquer desenvolvimentos numa direção ou qualidade diferente, ou abolir completamente certos desenvolvimentos.

Na sequência de Kontos, na verdade, pode dizer-se que as tecnologias em regra não devem ser rejeitadas globalmente, uma vez que as suas opções e conteúdos não se esgotam necessariamente na constituição de fetiche em que foram inventadas, seja esta o capitalismo ou a antiguidade. Ou seja, a máquina a vapor e o martelo ainda não perfazem o capital, nem o motor de combustão interna perfaz o tráfego individual. Também é preciso distinguir entre mera invenção e distribuição em massa ou implementação empresarial. Ora uma invenção ou capacidade técnica é produzida em excesso e vendida em excesso se com isso houver a perspectiva de um lucro correspondente, lucro que é e continua a ser o objectivo da produção no regime capitalista da valorização do valor: D-M-D’, com o qual a infraestrutura e ambiente de vida são então transformadas em conformidade, sendo o resultado daqui em diante considerado irreversível e aparecendo como “progresso” necessário. Os efeitos colaterais destrutivos podem, de facto, ser conhecidos e pesquisados, mas ainda assim são ignorados ou descartados como uma eco-histeria de esquerda. As correspondentes catástrofes ecológicas não têm depois supostamente nada a ver com o modo de produção, e questionar este, portanto, nada mais seria do que populismo de esquerda ou um suposto “retorno à Idade Média”. Justamente as tecnologias que foram ou são desenvolvidas e produzidas como tecnologias end-of-pipe são no entanto questionáveis, se se tiver em conta o seu motivo fetichista. Assim, nos últimos anos, a atenção tem sido repetidamente atraída para a mortalidade das abelhas. Para remediar a falta de abelhas, são postos em marcha exércitos de trabalhadores/as que fazem as polinizações manualmente. Mas, para poupar trabalho, estão a ser feitas tentativas sérias para desenvolver adequados drones de polinização. (!) (20)

O mesmo se passa, como já indicado, com as tecnologias de reprodução. Assim, a sua origem pode estar na pecuária industrial e no empreendimento científico androcêntrico, mas isso não quer dizer que estejam de qualquer modo ligadas à sua origem na dominação. Mesmo que assim seja, daí não se segue a sua aplicação em massa nem seu uso assim tão voluntário. Se não fosse o aumento da infertilidade causada pela poluição industrial e a coerção eugénica, no sentido de ser mais adequado nascerem apenas os que mais tarde se tornem aptos como portadores de força de trabalho, então as tecnologias reprodutivas, apesar de bem conhecidas e utilizáveis, não teriam nenhum significado social. Do mesmo modo, quando alguém encomenda uma criança por medida, está a expor o seu narcisismo doentio. Sem o patriarcado, ninguém teria a ideia de testar o embrião quanto ao sexo, para que nenhuma menina nascesse! A eficácia concreta da tecnologia e suas consequências sociais são determinadas por seus propósitos sociais ou fetichistas / de dominação e, portanto, só com eles podem ser criticadas. Deste modo se evitaria uma crítica “não dialéctica” da técnica .

III.

Como é sabido, o transumanismo também não caiu do céu. Darwinismo social e eugenia, ou seja, a criação de “material humano rentável” e todas as ideias de que o ser humano é uma máquina a optimizar podem justamente ser consideradas como os seus antecessores históricos (ver, por exemplo, Wess 1989). Ocasionalmente, transumanistas olham para a sua história ou origem histórica, é o que eles afirmam, pelo menos, como Nick Bostrom em seu ensaio A History of Transhumanist Thought. (21) É claro que o transumanismo nada teria a ver com as exigências descabidas desta sociedade, mas as suas ideias fundamentais, por assim dizer, já teriam existido sempre, como é o caso do esforço ou desejo de imortalidade, que já se pode encontrar na epopeia de Gilgamesh. Populares e repetidamente citados com gosto (ver. Woyke 2010, 27s.) são pensadores do Renascimento, como Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494), que disse que o ser humano foi criado livre por Deus, ele tem a liberdade para de se decidir a existir como planta, como animal ou mesmo como anjo, o ser humano é, portanto, em certo sentido, aberto ao desenvolvimento e não predeterminado, posição em que os transumanistas dizem reconhecer-se a si e à sua ideologia. (22) Também é digno de nota que, entre as fontes citadas por Bostrom das ideias do transumanismo (e duma eugenia “liberal”), como John Haldane (1892-1964) e Julian Huxley (1887-1975) (ver Heil 2010), Trotsky não aparece na lista, embora ele, em seu discurso de Copenhague de 1932, tenha formulado em termos inequívocos a “melhoria da raça humana”, podendo, portanto, ser justamente considerado como fonte das ideias do transumanismo. Diz ele aí: “Quando acabar com as forças anárquicas da sua própria sociedade, o ser humano integrar-se-á nos laboratórios, nas retortas do químico. Pela primeira vez, a humanidade considerar-se-á a si mesma como matéria-prima e, no melhor dos casos, como produto semi-acabado físico e psíquico. O socialismo significará um salto do reino da necessidade ao reino da liberdade, no sentido de que o ser humano de hoje, esmagado sob o peso de contradições e sem harmonia, abrirá o caminho a uma nova raça mais feliz.” (destaque TM) (23) Embora os comentários de Trotsky tirem as palavras da boca ao senhor Bostrom e aos seus, aparentemente o senhor Bostrom tem vergonha de referir-se aos bolcheviques. Provavelmente porque nacional-socialismo e socialismo são “impérios do mal” para ele e para os seus, vendo-se uma diferença de princípio entre a biopolítica destes e a dos liberais, em vez de se ter em conta as suas sobreposições e a sua origem comum.

Em qualquer caso, o termo “ectogênese” remonta ao referido Haldane, como escreve o transumanista Zoltan Istvan. (24) (25) Na justificação do desenvolvimento de um “útero artificial” recorre-se à verborreia científica usual: só se pretende ajudar! Por exemplo, quer-se dar aos bebés prematuros uma maior hipótese de sobrevivência, (26) e um útero artificial também será uma vantagem para as mulheres. Pois a gravidez ainda é um assunto arriscado: que acontece quando a mulher durante a gravidez bebe água da torneira com chumbo, ou apanha uma gripe, ou meio copo de vinho bebido afecta a inteligência da criança? (27) A ideia de que esta técnica poderia ser muito mais arriscada, uma vez disponível, naturalmente que não ocorre a Istvan. Como se sabe, as centrais nucleares, afinal, também são seguras! Além disso a ectogênese libertaria as mulheres ainda mais do trabalho de casa (Firestone manda cumprimentos) e, finalmente, a gravidez poderia ocorrer em idade avançada (de modo que a mulher mais jovem ficasse inteiramente disponível para o trabalho assalariado) e gays ou homens solteiros (!) não teriam de continuar a confiar em “mães de aluguer”. Com tantas promessas de felicidade só se pode ficar de boca aberta!

Assim, o stress e a tensão da gravidez, que não são apenas uma questão natural, devem ser abolidos ou reduzidos pela ectogênese, em vez de abolir as causas sociais da dupla carga, etc. Basicamente, a coisa toda aponta para uma pretendida racionalização tecnológica da gravidez ou da reprodução. (28) A sarcástica observação de Kelles de que nove meses de gravidez é de facto demasiado tempo que deveria ser reduzido em benefício da economia, não é realmente uma piada: “Só falta mesmo reduzir legalmente a gravidez a seis meses. Nove meses – que desperdício de tempo! Como é que os economistas não se lembraram disso há mais tempo. Três meses a mais para a cadeia de criação valor no mercado de trabalho das mães. Nós também temos os prematuros tão grandes. De uma incubadora para outra, depois na creche, turbo-secundário, rapidamente um bacharel, um estágio não remunerado e, em seguida, um emprego com salário mínimo. Pronto. Quem resmungar é sedado com Ritalina” (Kelle 2017, 170s.)

No entanto, a observação de Kelle sugere que a família burguesa tradicional tem cada vez mais dificuldade em cumprir suas tarefas e objectivos. Isso é devido ao facto de que a sua base social cada vez mais se rompe (O que Kelle e os seus naturalmente não vêem). Ora não se devia lamentar nem celebrar a crise da família. Não se devia celebrar, já que “modelos de vida alternativos” sob as condições sociais dadas são tudo menos o melhor. Comunidades residenciais veganas ou de clãs chechenos frequentemente são ainda piores.

Espera-se, no entanto, que uma crítica das tecnologias reprodutivas seja retomada e que uma crítica às promessas técnicas de salvação do transumanismo (ainda mais) abra caminho no contexto do feminismo radical. Ao mesmo tempo, que a restituição neofascista ou neoconservadora da família burguesa, incluindo a heterossexualidade compulsiva e o romantismo da maternidade (como ressoa repetidamente nos livros de Kelle) (29) seja contrariada, sem que aqui a pós-moderna diversidade (é mais ingenuidade) queer seja vista como o fim da história.

É claro que uma pós-moderna esquerda de estilo de vida (ver Kurz 1999), profundamente marcada pelo carácter social narcisista (cf .Wissen 2017), não dispõe de nenhuma resposta eficaz à viragem neoconservadora, nem muito menos à fascização.

NOTAS

(1) Essa é, naturalmente, a situação na Alemanha. É claro que essa delegação de actividades de assistência no Estado só é boa desde que seja financiável. Provavelmente ainda (!) é esse o caso aqui, porque a Alemanha é vencedora do mercado mundial e beneficia do seu chauvinismo de exportação. Mas isso terminará mais cedo ou mais tarde.

(2) Para a crítica de Kelle, ver Meyer 2016.

(3) Também Radikalfeminin, uma seção antifeminista dos identitários, lamenta que a gravidez não seja incluída no planeamento tradicional da vida, cf. Radikalfeminin – Frauen gegen Genderwahn [Mulheres contra a loucura do género], youtube.com de 10.09.2017, a partir de aproximadamente min. 7.

(4) Esses aspectos são frequentemente negligenciados na crítica do feminismo da diferença, como afirmam Lent & Trumann. O feminismo da diferença é, sem dúvida, criticável no sentido de que tinha a tendência de ocupar no fundo positivamente o que é atribuído ao “feminino”, questão que, no entanto, não pode ser aqui aprofundada.

(5) Jan, Löther e Senglaub resumem o conteúdo deste simpósio que, não por acaso, faz lembrar os argumentos transumanistas de hoje: “Os seus autores [do simpósio, TM] partem da antiga concepção de contra-selecção, e acham que o ser humano, através da civilização técnica e da medicina moderna por ele criadas, se teria furtado à lei da selecção natural, e agora teria de degenerar geneticamente, se não houvesse intervenção reguladora. Por outro lado, acredita-se que o ser humano de hoje, com a sua condição física e as possibilidades da sua mente e da sua razão, já não conseguiria acompanhar o desenvolvimento técnico que pôs em movimento. Ambas as questões levam à mesma conclusão, a programas de reprodução humana e manipulação genética da humanidade, que uma elite dita como devem ser e onde conduzem. Para a viabilidade de tais programas, seus arautos invocam os resultados e perspectivas da genética. Daí resultariam os recursos necessários para o melhoramento biológico alegadamente necessário da humanidade.

Estão previstos designadamente rígidos controlos de natalidade com objectivo eugénico, congelamento de espermatozóides de dadores considerados geneticamente valiosos para inseminação artificial, aumento da prole de mulheres consideradas geneticamente especialmente valiosas, através da descarga de ovos fertilizados transplantados para mães hospedeiras humanas de baixa notação, e outros métodos comprovados testados na criação e reprodução de animais.” (Jan; Löther; Senglaub, 585s.)

(6) Ver também a palestra de Kelle sobre o tema “Mãe de aluguer: como o tráfico de pessoas se torna de novo socialmente aceitável”, youtube.com de 24.01.2018, cf. também Corea 1986, 192s.

(7) Silja Samerski escreve: “No consultório do médico e na sessão de aconselhamento, os cálculos de probabilidade aparecem como previsões concretas, ou mesmo diagnósticos. Mesmo com os resultados dos testes genéticos, com algumas excepções, apenas declarações de probabilidade podem ser deduzidas: Um ‘defeito genético’ ou ‘gene para,’ identificados no laboratório, geralmente apenas dizem que a pessoa testada poderia ficar doente, e este ‘poderia’ é entendido em termos de risco. No entanto, permanece no escuro o que pressupõe o pensamento em termos de risco: a saber, uma forma de pensamento em coorte, pela qual a pessoa individual se transforma num membro sem rosto de uma população” (Samerski 2008, 232, ênfase no original).

(8) A AfD fez uma pequena indagação e quis saber quantas pessoas deficientes existem na Alemanha, especialmente através da endogamia, e que parte delas é devida à afluência de migrantes ou refugiados, cf. Hilfe zur Hetze [Ajudar a odiar], neues-deutschland.de de 23.04.2018.

(9) Que consiste em congelar os óvulos, de modo que a mulher possa dedicar-se bem à carreira nos seus anos mais jovens, não sendo perturbada na actividade empresarial por nenhuma criança irritante. Depois, quando é tempo, ou geralmente demasiado tarde, ela pode fertilizar seu ovo preservado e mandá-lo implantar em si ou mesma numa “mãe de aluguer”; melhor dizendo, “incubadora” alugada, cf. Social Freezing – Mandar reservar agora a célula i, taz.de de 15.10.2014.

(10) Cf.: “O admirável mundo novo” – O útero artificial – máquina em vez de mãe é uma realidade, Netzfrauen.org de 9.07.2016.

(11) Quando se falava de “autonomia” ou “autodeterminação”, vale a pena lembrar, criticava-se o individualismo burguês: reivindicou-se enfatizar o lado colectivo da luta feminista, que visava superar “as relações homem-mulher” como relações de exploração e opressão” (ver o editorial de Beiträge zur feministischen Theorie und Praxis [Contribuições para a teoria e prática feministas] nº 14). Do mesmo modo, criticou-se um esforço emancipatório que permitisse à mulher, como proprietária do seu corpo, dispor livremente dele, uma vez que levaria a uma relação reificadora com o corpo e com a natureza, a equipar-se com a forma masculina de sujeito, burguesa e dominadora da natureza, que também deveria ser objecto de crítica, cf. Brockmann 1989, assim como Mies, 1989. Também foi igualmente criticado que se falava de autodeterminação abstraindo do contexto político e social. Especialmente porque a autodeterminação, com ênfase no sujeito burguês, não por acaso estava associada ao domínio racista e sexista, cf. E.coli.bri 1994, 26s.

(12) Esse ponto é até avançado contra Foucault por filósofos conservadores, como Roger Scruton, in: Scruton 2016, 99s.

(13) Sobre a Crítica do novo materialismo e do novo realismo cf. Scholz 2018, bem como Hennig 2016.

(14) Para a crítica de Foucault ver Gangl 2012, 117-136 (texto também disponível online em exit-online.org), assim como Kurz 2004, 72s.

(15) Por exemplo, fala-se de “ambiente fetal” referindo-se a uma mulher ou mãe expectante.

(16) Também são seleccionados embriões em função da cor desejada do cabelo (!) ou dos olhos (!) (Ver Jansen 2015, 146). Portanto, não se trata apenas de abortar crianças com síndrome de Down, mas de fazer crianças por encomenda. Indesejável é, em última análise, qualquer recém-nascido que não (ou presumivelmente não) se conforme com uma medida de beleza superior. Macabro foi um caso em que um casal de lésbicas surdas que queriam explicitamente um bebé surdo e, portanto, foi procurado material genético de uma família em que nascem surdos há várias gerações (sendo assim provável a surdez do nascituro). A justificação foi que ser surdo é uma “forma de vida” própria (!), ou seja, uma identidade cultural (!), que, claro, exige reconhecimento. Também a criança deve então corresponder a essa identidade, cf. Sandel 2015, 23s.

(17) Cf.: Demasiados homens: China e Índia debatem-se com as consequências do desequilíbrio de género, netzfrauen.org de 22.05.2018.

(18) Por exemplo, a infertilidade nas gigantescas cidades chinesas contaminadas pela poluição atmosférica aumentou maciçamente nos últimos anos, cf. Florian Rötzer, Telepolis de 14.11.2013. Quando, no final de 2016, cerca de 500 milhões (!) de pessoas na China foram afectadas pelo smog extremo e milhares de pessoas fugiram para o campo (refugiados do smog!), o governo chinês simplesmente definiu o smog como um “desastre meterológico”, para “impedir que as autoridades possam ser responsabilizadas pelo desastre.” Cf. Zizek 2018, 408s. O smog seria, portanto, um “desastre natural”, como um furacão! De notar também que o número de espermatozóides dos homens ocidentais caiu pela metade nos últimos 40 anos, cf. Florian Rötzer: Telepolis de 11.10.2017.

(19) Especialmente porque em tais ocasiões invoca-se sempre como objecção a conhecida “lógica de localização do investimento”: se não o fazemos nós, fazem-no os outros. Vistas as coisas assim, pode-se sempre deixar tudo como está, ou aceitar tudo o que aparece. Mas se for obtida uma moratória ou proibição de, por exemplo, certos produtos geneticamente modificados, isso também deixa claro que os desenvolvimentos tecnológicos não são o destino inevitável, como sempre são apresentados de bom grado. O factor decisivo é que uma proibição ou moratória seja acompanhada por uma crítica fundamental do capitalismo e dos seus produtos.

(20) Ver, por exemplo “Robô voador pincelando com supergel tenta substituir as abelhas”, spektrum.de de 9.02.2017.

(21) https://nickbostrom.com/papers/history.pdf.

(22) “‘Não te demos residência permanente, Adão, nem aparência especial, nem nenhum presente especial, para que tenhas e possuas a residência, a aparência e os presentes que escolheres, de acordo com o teu desejo e a tua decisão. A natureza das outras criaturas é fixamente determinada e limitada pelas nossas leis prescritas. Tu deves determinar por ti mesmo a tua própria natureza, sem qualquer restrição ou acanhamento, ao teu critério, que eu te confiei. Coloquei-te no centro do mundo, para que daí possas ver mais facilmente o que há no mundo. […]’

Que magnificência inultrapassável de Deus pai, que elevada e admirável felicidade do ser humano! Foi-lhe dado ter o que desejar, ser o que quiser. Imediatamente após o nascimento da bolsa de sua mãe, os animais carregam consigo, como diz Lucílio, o que vão possuir. Os espíritos mais elevados foram desde o começo, ou logo depois, o que serão para toda a eternidade. No ser humano, quando ele nasce, são colocadas por Deus Pai muitas sementes e germes, para qualquer forma de vida; as quais, apreciadas e nutridas, crescerão e produzirão seus frutos. As vegetais tornam-no uma planta, as sensuais tornam-no um animal. Se são germes da razão, ele se tornará um ser celestial; se forem espirituais, ele será um anjo e filho de Deus. Se ele não se satisfizer com o destino das criaturas, ele, tornado um espírito com Deus, superará tudo na obscuridade solitária do Pai que está acima de tudo.” (Pico 1990, 6s.)

(23) https://www.marxists.org/deutsch/archiv/trotzki/1932/11/koprede.htm

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1932/11/27.htm

(24) Zoltan Istvan fundou em 2014 o “Transhumanist Party”: https://www.huffingtonpost.com/zoltan-istvan/should-a-transhumanist-be_b_5949688.html. Entretanto, já chegou ao “Libertarian Party”, ou seja, o partido dos anarcocapitalistas. Para a crítica do anarcocapitalismo ver Meyer 2017.

(25) O que se segue é citado de: https://motherboard.vice.com/de/article/4xampd/knstliche-gebaermuetter-sind-laengst-in-der-entwicklung.

(26) No que diz respeito a este assunto, já se pesquisa afanosamente em animais: um útero artificial para um cordeiro prematuro, ver: https://www.nature.com/articles/ncomms15112.

(27) De facto, tais listagens evidenciam uma certa paranóia. Gena Corea também elencou algumas citações de “farmacratas” no sentido de que que o “ambiente fetal”, ou seja, a mulher – como é chamada no jargão sexista dos “farmacratas” – é perigosa para o embrião. Apenas um exemplo: “Chegamos à conclusão de que o útero é um lugar sombrio, um ambiente com risco de vida. Devemos desejar aos nossos potenciais filhos um lugar onde eles estejam sob a melhor supervisão possível (!) e com a melhor protecção possível.” Aqui a causa pode ser o medo androcêntrico da natureza, ou da natureza feminina, que não é tecnicamente disponível ou dominável no seu todo, embora isso seja tentado, cf. Corea 1986, 227s. Há aqui paralelos com a caça às bruxas.

(28) De facto, tal racionalização não existe só na ectogênese: “Um aspecto da industrialização da reprodução é a aplicação do princípio da linha de montagem da fábrica à procriação. […] Eficiência é a palavra chave na fábrica de nascimentos. Para atender às necessidades da fábrica, as mulheres devem dar à luz durante o horário de expediente, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas. Alguns médicos não só têm praticado a “obstetrícia diurna”, ou seja, a iniciação artificial do trabalho de parto no interesse da comodidade, mas também a têm defendido abertamente. Há também evidências de que as cesarianas, que atingiram uma taxa escandalosa nos EUA, têm sido feitas para adaptar o nascimento às horas de trabalho preferidas dos médicos.” (Corea 1989, 63, destaque no original)

(29) Especialmente do lado cristão fundamentalista, busca-se uma reversão radical. Sobre isso alguns documentos vieram a público há algum tempo, ver www.queer.de/detail.php?article_id=31059.

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Original Zwischen Ektogenese und Mutterglück – Zur Reproduktion der menschlichen Gattung im krisenhaften warenproduzierenden Patriarchat in www.exit-online.org, 26.07.2018. Tradução de Boaventura Antunes

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