O país dos elegantes, por Flávio de Castro

Arte Elo7

O país dos elegantes

por Flávio de Castro

Eu confesso que não sei a verdade: não sei se Lula é ou não dono de um triplex no Guarujá como não sei se FHC é ou não dono de um apartamento na Avenue Foch, em Paris.

Sei apenas que a presunção de ser dono de um triplex no Guarujá é inequivocamente associada à corrupção e a presunção de ser dono de um apartamento em Paris não tem nada a ver, obviamente, com corrupção. Especialmente se o apê do Guarujá for um tanto novo-rico e o apê de Paris, um tanto elegante.

A questão é estética.

Lula carregando uma caixa de isopor e sendo dono de um barco de lata é uma cômica farofa. Se FHC carregasse uma caixa de isopor e fosse dono de um barco de lata seria uma concessão à humildade. A questão é classista. Um Odebrecht sentado à mesa com FHC é um empresário rico. O mesmo Odebrecht sentado à mesa com Lula é um pagador de propina. 

Nada disso tem a ver com corrupção. Nada disso revela qualquer preocupação com o país.

A cada dia que passa, é mais evidente que o que está em discussão é quem são os verdadeiros donos do poder.

E os donos legítimos do poder são os elegantes. Aqueles com relação aos quais não interessa saber como amealharam riqueza porque, simplesmente, a riqueza lhes cai bem.

A casa grande tem um perfume que inebria toda a lavoura arcaica e sensibiliza até a senzala. É o que estamos assistindo.

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Tudo o mais, tudo o que não é casa grande é Lula e os amigos de Lula!

A questão é preconceito.

Vejam como um fraque cai naturalmente bem em FHC. Um fraque assim em Lula, certamente, deveria ter sido roubado.

O Brasil é o país dos elegantes. De uma elegância classista, racista e preconceituosa deitada eternamente no berço esplêndido do aristocrático século 19.

Flávio de Castro é professor de arquitetura da Unifemm

 

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9 comentários

  1. Lula não come margarina
     

    Sua família não aparece sorrindo de manhã diante da mesa farta, com sorrisos e sucos coloridos.

    Lula não é estilizado, é real, e,  em não sendo estilizado, só pode ser hostilizado.

    O brasileiro médio se vê como o mostram na tv, ele é fotoshopado para si mesmo.

    Lula é a dura realidade do povo. Somente quem é capaz de ver a nossa realidade como ela é  e de se ver brasileiro como ele é visto pelos outros povos,  será capaz de transformar o Brasil real, no Brasil  imaginado  da mesa farta, sem fotoshop, como Lula quase conseguiu fazer por um tempo.

     

  2. Não, não é tão somente

    Não, não é tão somente preconceito: é dinheiro, muito dinheiro. Isso não quer dizer que não haja preconceito. O grande capital e seus sócios no Brasil ganharam muito dinheiro de 2003 a 2015. Ficaram ainda mais ricos. Acontece, que sua fatia no bolo do PIB estava diminuindo, mesmo assim enquanto a economia esteve em cresimento, seus ganhos aumentavam. Com o curto-circuito na economia, que a Dilma proporcionou dando carta branca ao Joaquim  Levy no Ministério da Fazenda as coisas começaram a dar para trás, o PIB enperrou e começou a cair. a inflação aumentou foi a dois dígitos,  e o desemprego teve início, acelerando. Dilma entregou o galinheiro à raposa: Joaquim Levy é um homem do mercado, tratou de operar para favorecer os seus.. Aumentaram as pressões, porque o Govervo procurando atender o social na conjuntura adversa, os investimentos foram paralizados, e todos, exceto os bancos, começaram a ter dificuldades de ganhos. Esse caldo afastou Dilma do poder, botaram o traíra Temer no lugar com muitas promessas, mas até agora, ganhar, ganhar mesmo, só a meia dúzia de bancos, com seus juros de agiota, mais as taxas esconrchantes que cobram por serviços. Os do mercado, os dito competentes, não estão resolvendo os problemas, tudo está repercutindo na política. Pela falta de apoio dos candidatos oficiais e oficiosos nas pesquisas, está claro onde o povo, os que votam, confiam para colocar a economia nos eixos, tendo o povo e suas necessidades. Claro qie Lula!

  3. A caixa de isopor e o “tripec”, tudo a ver

    Quem lançou o projeto imobiliário e vendeu os apartamentos do edifício Solaris? A Bancoop. O que é Bancoop? Uma cooperativa habitacional de bancários. Repetindo bancários. Então o público alvo da Bancoop eram bancários? Sim, eram bancários. E o que vem a ser um bancário? Simples, um ser humano que percebe (Gezuis, percebe?) algo entre R$ 100 mil e R$ 250 mil reais. Mensais? Não, cara pálida, ANUAIS, bem entendido que na ponta inferior já são bancários razoavelmente bem posicionados, e na parte superior do intervalo bancários já gerentinhos em fim de carreira de agência de grande porte, ou em nível de quase diretoria, dependendo do banco, óbvio. E como foi a venda, à vista, assim na bucha? Não, pelo sistema de cotas e o desenvolver da obra dependendo do aporte mensal de cada cotista. Então era assim tipo um empreendimento de classe média voltado para a classe média? Isso mesmo, afinal você queria o que de bancários assalariados? E porque foi oferecido ao Lula? Olha, presta atenção, Gushiken bancário, Berzoini bancário, todos egressos do sindicalismo bancário, faz sentido? Nossa, mas então recapitulando, uma cooperativa habitacional fundada e gerida por bancários, lança um empreendimento cujo público alvo são bancários classe média, construção pelo sistema de cotas, desenvolvimento da obra de acordo com os aportes mensais, mas e o tripec, onde entra nessa equação? Entra na equação da irresistível vocação brega de uma classe média brega, o tripec era a cereja do bolo do edifício, a ser oferecido a um bancário “diferenciado”, para ele contar na roda do boteco pé-sujo do bairro onde mora, que tem um “tripec” no Guarujá, um apartamento cuja suíte a cama ostenta 50 centímetros de distância da porta do guarda-roupa, tem de passar de lado. Mais classe média, impossível. 

    Além de classe média, brega, como toda classe média. 

    PS.: Como foi possível chegar a esse ponto? Como essa pantomima prosperou durante anos? E os advogados? 

    • Fernando

      Você fez o exercício lógico perfeito e como resposta à sua pergunta arrisco dizer que essa pantomima prosperou porque o público alvo era a camada popular, a base da pirâmide, aquele a quem a maledicência é servida como prato diário. Ela não tem outro cardápio.E globo, futebol, novela, escândalos e crimes narrados por homens feios e gordos, receitas , fofocas  e cultos, grandes cultos de prosperidade, milagres e contribuições espontâneas.

      Atualmente ninguém compra imóvel por cooperativa. Elas estariam abaixo das cohabs, porque a certa altura elas se tornam insustentáveis, como aconteceu à bancoop.

       

        

  4. elegantes em público, pra

    elegantes em público, pra seduzir e enganar o distinto público. no particular são verdadeiros hunos.

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