O povo trabalhador servindo ao povo consumidor, por Rui Daher

Arte Banksy

O povo trabalhador servindo ao povo consumidor, por Rui Daher

Ao embarcar, na semana passada, para o Nordeste, no Aeroporto de Guarulhos, notei mais uma resistência do brasileiro-Itaquerão, que assim denomino os mais de 99% de residentes no Brasil que se defendem como podem do Acordo Secular de Elites que os subjuga, tira-lhes a cidadania, as escolhas em eleições constitucionais, e a parte deles coloca abaixo da linha de pobreza.

Todos sabemos, escrevemos, lamentamos, os preços de alimentos e artigos de consumo cobrados em aeroportos. Submissos, continuamos pagando 12 reais uma latinha de cerveja, seis um café, 15 qualquer salgado de péssima qualidade, 25 um sanduíche de nada. Fazer o quê? Tempo apertado, filas em balcões de check-in, bagagens a carregar, enfim, a vida em qualquer aeroporto, sobretudo, para quem não treina dedinhos ágeis em aplicativos digitais.

Ah, vocês pensavam que somente voam passageiros executivos engravatados, mocinhas elegantes, jovens em tênis e camisetas de marca. Sempre direcionados pelos seus celulares? Estes, não se incomodam tanto com os preços.

Até que, reparem, surgem em GRU os brasileiros-Itaquerão e, nos calçadões e entradas dos terminais vendem comidinhas, cerveja, água, refrigerantes, sucos, pela metade dos preços cobrados lá dentro. Se você não tiver vergonha de abrir uma quentinha e tomar uma Coca sentado no muro do terminal, economizará uma boa nota e parecerá os nova-iorquinos em seus almoços rápidos, na frente dos prédios em que trabalham.

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Tiozinhos e tiazinhas, já sabendo o que irão passar no interior do aeroporto, não se avexam. Com seus imensos fardos, colocados à esmo, muitas vezes proibidos de carregar seus “trens” por completo desconhecimento dos hieróglifos que a ANAC e as companhias aéreas expõem como regras, preparam-se antes, fazem seus planos, matutam como matutos devem agir nesses locais.

Ah, tem também as orientações faladas em alta velocidade e ininteligíveis para nós, imbecis não alfabetizados, para a formação de filas e acelerar o embarque. O horário será cumprido e ganharão pontos junto ao mercado e à ANAC.

Mais ou menos assim: “A Star Aliance, em conjunto com a Tri Star, Paramount Pictures e os irmãos Weistein, apoio de catering do Açougue Pasadena, convida os passageiros com destino a Petrolina, escalas em Salvador, Recife e conexões para onde Deus quiser ou o Diabo os carregar. Passageiros Gold, fila A; nomes começados com a letra R, posicionem-se entre os Gold e os Silver; os Copper sigam a faixa amarela até a porta dos sanitários e se ajeitem junto aos Priorities que são, como o nome indica, todos os que chegarem primeiro ao portão de embarque.

Produtor de uva, convidado a conhecer São Paulo por um cliente, vira pra mim e diz: “Pronto. Tudo 12 por 8! Fico”. Faço-o desistir e embarcamos juntos.

Alguém postou no GGN lamentando o final próximo dos táxis em São Paulo. Usa uma estranha retórica de esquerda para defender uma corporação sindicalizada que muito abusou da cidade.

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Por mim, poderiam acabar hoje. Nunca esquecerei o que me fizeram quando eram a única opção. O velhinho aqui podia ficar duas horas, sob chuva forte, braço esticado como besta, e nenhum parava, mesmo estando livres ou em pontos. Se parados, perguntavam aonde eu ia. Se não lhes aprouvesse: tchau!

Depois que fraturei a mão esquerda, há cinco semanas, só uso Uber. Espero em casa ou no escritório, chegam na hora certinha, pago menos, bons carros, limpeza, gentis, conversas inteligentes de pessoas estudadas. Ainda, quando me veem entalado, ajudam-me a carregar a mochila.

Querem saber? Assim como comprar dos ambulantes de GRU, com a Uber, quero que os táxis “go fuck themselves”.

 

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7 comentários

  1. E esta passando batido o
    E esta passando batido o extermínio praticado por este governo, que além de corrupto até a medula, também é assassino. O INSS está jogando na rua pessoas multiladas ou com doenças graves que já estavam aposentadas por invalidez, em nome de uma economia estúpida de recursos em troca da vida desses aposentados. A mudia, tão assassina quanto essa matilha que chamam de governo, faz o seu cruel papel, cancelando o morticínio como se fosse um “alívio” para o INSS, como se essa fosse um banco de investimento. São bandidos, corruptos e agora genocidas, com todo o apoio dos m…. intelectuais dessa trolha que se chama jornalismo. Desculpem a ira, mas é o que penso.

    • 100% contigo nessa…

      temos a pauta mais mortífera e escandalosa do planeta, vidas ao bel prazer de bandidos, e pausam

      é por isso que deitam e rolam com esta dualidade, a de pautar e pausar sem que nada reste solucionado

  2. Pato de verde e amarelo prefere pagar mais

    Os preços em Guarulhos não são para brasileiros, são para gringo. E a comida não é aquelas coisas. Mas, a gente se acostuma a tudo. Até a ser surripiado.

  3. 32

    O que dizer do direito milenar dos brasileiros viajar para o exterior levando duas malas de 32 quilos?

    Direito nosso vendido por trinta dinheiros por uma cambada de fdp para as cias aéreas.

    Modernização, diziam. O preço dos bilhetes iria baixar. Uma ova, só subiu, ladrões do próprio povo!

    Mais um pouco conquistaremos o direito de pagar e ficar em casa, sem levar bagagem alguma….

  4. O povo….

    Caro sr. Rui, bem vindo ao mundo do capitalismo, da concorrência, da transparência, das leis,…Até China e Cuba já vislumbravam esta perspectiva no final dos anos 70. Mas isto o sr. já sabia. Os Taxistas, Trabalhadores, formaram seu corporativismo para se defender do monopólio de alváras. licenças, feudos e fiscais ou seja a sujeira que se tornou o Estado Brasileiro. A solução? O fim do Corporativismo com a chegada da Liberdade, da Transparência. Outro dia interceptado fui, por comentários óbvios. O problema é que não entendemos nem o óbvio !! Os Aplicativos estão vencendo nas ruas, no apoio popular, mas também porque Anão Diplomático se borra em contrariar interesses e pressão internacional. Para quem é da Periferia sabe a revolução que foram as Lotações. Mas Lotações também do Brasileiro da Periferia. Então veio a borrachada, a Polícia, a Burocracia, a Prisão, as Multas, os Pateos, os Guinchos, as Licenças, os Alvarás. Ou seja Anão Diplomático foi mais Anão Diplomático que nunca. Com Empresas Internacionais, só diarréia. Cafezinho de 10, coxinha de 15? Os Aeroportos sustentam o Feudo de Waldemar da Costa Neto. Isto foi escrachado na Imprensa. Caro sr., se superfaturamento em 550 / 1000% em salgadinho de lanchonete. Se os mesmos 500 ou 1000% de superfaturamento em Passagens de Ônibus, para sustentar Feudos Baratas, Lavouras, Gilmar, Cabral, Pcciani,… Quanto e quantos não sustentamos em Feudos de Energia Elétrica, Gasolina, Álcool, Metrô, Saúde, Remédios, …Por que nossa miséria é ainda mais miserável neste País Trilionário? Ou continuaremos sem compreender o óbvio? abs.     

  5. Exploração Democrática

    Não são apenas nos aeroportos onde domina a exploração, ambiente bonito, comida sofrível e preços suíços, nas paradas forçadas de ônibus nas estradas do Brasil também observamos o tripé descrito acima e o público alvo é o Zé povão.

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