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Operação Lava Jato

O julgamento de Lula no TRF-4: ou, a Operação Lava Jato no banco dos réus, por William Nozaki

O julgamento de Lula no TRF-4: ou, a Operação Lava Jato no banco dos réus

por William Nozaki

A Lava Jato como agente da desconstrução de um projeto nacional:

A Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014, caminha para o seu quarto ano próxima de enfrentar um de seus maiores testes no próximo dia 24 de janeiro: o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

O combate e a prevenção contra a corrupção são desafios fundamentais para a construção de uma sociedade efetivamente republicana no Brasil. Entretanto, os desembargadores, juízes, procuradores e policiais que atuam na Operação Lava Jato não tem o direito, tampouco mandato, para se apresentarem como detentores de um monopólio moral cuja suposta finalidade seria higienizar o Estado e a política no país.

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A Bendine, Marcelo Odebrecht diz que repassou R$ 3 milhões

Jornal GGN – Marcelo Odebrecht disse ao juiz de piso Sergio Moro que autorizou um repasse de R$ 3 milhões a Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil (BB) e da Petrobras. O hoje delator nas investigações da Operação Lava Jato foi interrogado pelo juiz de piso na ação penal em Bendine e ele são acusados por crime de corrupção. O depoimento aconteceu ontem, dia 9.

Odebrecht disse que autorizou Fernando Reis, ex-diretor da empresa, a fazer os repasses, mas não quantificou e nem o fez diretamente, só autorizou. Segundo ele, os pagamentos seriam feitos em função de financiamentos que estavam em tramitação no Banco do Brasil e de contratos da Petrobras. Afirmou também que Bendine não solicitou pagamentos.

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As consequências desastrosas da Lava Jato para a economia, por Eugênio Aragão


Foto: GIBRAN MENDES / FOTOS PÚBLICAS

 
Aragão: Lava Jato teve 'consequências desastrosas' para economia e instituições
 
Ex-ministro apontou o que chamou de ilegalidades no processo e promiscuidade entre MP, PF e Judiciário
 

O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão afirmou hoje (11) que a força-tarefa da Operação Lava Jato constituiu, por si só, uma violação ao princípio da separação de poderes. Durante júri popular fictício para "julgar" a operação, o ex-ministro e procurador aposentado disse que houve "promiscuidade" entre Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário. Para ele, todo o processo teve "consequências desastrosas para as instituições e para a economia" e "acabou afetando enormemente o interesse nacional". Por falta de conhecimento técnico, disse Aragão, indústrias inteiras "quebraram".

O ex-ministro foi o advogado escalado para apresentar a acusação contra a Lava Jato, em evento promovido pelo grupo Advogadas e Advogados pela Democracia e Frente Brasil de Juristas pela Democracia. Não por acaso, o julgamento ocorre em Curitiba, onde atua o juiz federal Sérgio Moro. Na defesa, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ironizou a operação, afirmando, por exemplo, que a força-tarefa contribui para a economia processual. "Aqui em Curitiba, o processo já chega com a sentença."

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Mais duas denúncias do MPF contra Sérgio Cabral

Jornal GGN – Duas novas denúncias contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foram feitas pelo Ministério Público Federal (MPF). Agora são 12 processos na Justiça Federal que Cabral responde.

Desta feita, as denúncias são um desdobramento da Operação Ponto Final, sobre a corrupção no sistema de transporte público do Rio de Janeiro, que envolve a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros (Fetranspor).

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No RJ, políticos protegeram empresários de ônibus presos pela Lava Jato

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Foto: EBC

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“Com o Supremo, com tudo” não é crime, conclui Polícia Federal

Jornal GGN – O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu da Polícia Federal (PF) relatório que descarta possível obstrução da Justiça por parte dos senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, do PMDB, e do ex-senador José Sarney. Segundo a PF eles não intentaram atrapalhar as investigações da Lava Jato.

O relatório foi enviado no dia 21 para o STF, com o entendimento que, a conversa entre os políticos com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, não configuraram crime.

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Na Alemanha, imprensa fala em "provas ralas" na condenação de Lula

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Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
 
Jornal GGN - Os jornais alemães repercutiram a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro dentro da Operação Lava Jato. 
 
O Die Zeit aponta que o combate à corrupção no Brasil se misturou com objetivos políticos de “forma demasiadamente óbvia”, lembrando que Lula lidera as pesquisas de intenção de voto para 2018. 
 
O Süddeutsche Zeitung afirma que o “caçador de corruptos alcançou sua maior presa”, afirmando que Moro poderia se passar por um James Bond tupiniquim. O jornal destaca que o juiz afirmou, na sentença, a condenação do ex-presidente não lhe traz satisfistação pessoal. “No máximo, metade dos brasileiros acredita nele”, diz a publicação alemã.

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Garantismo Integral: a "teoria" que só existe no Brasil, por Alfredo Copetti Neto e Ana Cláudia Pinho

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do Justificando
 
 
Alfredo Copetti Neto e Ana Cláudia Pinho

É incrível como tudo por aqui é deturpando conceitualmente. Em verdade, não seria demasiado afirmar que, pelas bandas de cá, muito pouco (ou quase nada) se trabalha seriamente um conceito. É como se eles realmente não existissem, não possuíssem um DNA, uma identidade. É como se pudéssemos, nós mesmos, atribuir qualquer sentido para um conceito, um instituto e, até – pasmem – uma teoria! Porém, não há conceito sem coisa, da mesma forma que não há coisa sem história, sem contexto, sem uma tradição, uma construção. Os conceitos não são inventados! Eles hão de possuir uma genealogia. Em suma: o que permite alguém dizer algo sobre algo?

A literatura não responde taxativamente, mas nos auxilia no percurso. Recordamo-nos do livro “O livreiro de Cabul”, escrito pela jornalista norueguesa Asne Seierstad, que tece profundas considerações acerca do ambiente familiar de Sultan Khan, o livreiro de Cabul, homem culto que difundia entre seus conterrâneos as possibilidades – e também as mazelas – da liberdade, por meio da literatura.

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Falta de provas leva Moro ao descontrole nos argumentos, por Janio de Freitas

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Foto: Lula Marques/AGPT
 
Jornal GGN - A sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um pouco de tudo e dizem mais sobre o magistrado do que sobre o acusado. 
 
A opinião é do colunista Janio de Freitas, que afirma que não há igualdade nas condutas de Lula e do ex-deputado Eduardo Cunha, ao contrário do que defende o juiz federal de Curitiba. Para o jornalista, a falta de sucesso na busca por provas que contrariem Lula  leva os procuradores e Moro ao descontrole das argumentações, priorizando o “desejado contra a confiabilidade”. 
 
“O apartamento pode até ser de Lula, mas ainda não há provas. Leia mais »
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PT repudia bloqueio de bens e diz que Moro tomou 'decisão mesquinha'

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Foto: Lula Marques/AGPT
 
Jornal GGN - Por meio de nota oficial, o Partido dos Trabalhadores repudiou a decisão do juiz Sergio Moro de bloquear os bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que ela é uma pena de “asfixia econômica” que tira do petista os meios até mesmo para se defender das acusações.
 
Além disso, a legenda diz que o bloqueio foi um “decisão mesquinha” e um caso típico de retaliação. Para o partido, Moro não tem equilíbrio e a parcialidade necessária para julgar os processos que envolvem o ex-presidente.
 
O partido também aponta que os sigilos fiscal e bancário de Lula e seus familiares haviam sido quebrados, e que, por isso, o juiz da primeira instância de Curitiba “sabe que o ex-presidente não tem contas ocultas nem patrimônio inexplicável”.

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EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel, por Miguel do Rosário

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Desde muito tempo, o óleo diesel figura em primeiro lugar no ranking das nossas importações. Foto: Divulgação

Do Cafezinho

EUA assumem controle de 83% da importação brasileira de óleo diesel

por Miguel do Rosário

Em agosto de 2015, o juiz Sergio Moro estava em plena campanha em favor do golpe. Dava palestras onde quer que lhe chamassem e suas decisões seguiam uma agenda estritamente conectada às forças de oposição que conspiravam para derrubar o governo Dilma.

No dia 31 daquele mês, Moro proferiu uma palestra com o tema “Corrupção sistêmica: as lições da operação Mãos Limpas”, num evento organizado pela editora Abril, em São Paulo.

O juiz responsável pela operação Lava Jato, então no auge de sua popularidade, explicava aos executivos que se dispuseram a pagar R$ 1.800 por um ingresso, o que, na sua opinião, eram investimentos não baseados em razões de “ordem econômica e racional”.

Como exemplo, ele cita a refinaria Abreu e Lima, lembrando que o custo inicial da obra, estimado em 2 bilhões de dólares, passara para 18 bilhões de dólares.

Moro conta que alguns “colaboradores” capturados pela Lava Jato lhe disseram que a obra jamais se pagaria.

Trajando seu tradicional terno preto, com uma expressão aflita no rosto, o juiz de Curitiba conclui que tudo isso “leva a uma natural suspeição: será que o fator de recebimento de propina não foi o agente motivador dessas decisões de investimento mal sucedidas?”

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Identificação de Lula como alvo não é gratuita, por Roberto Amaral

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Foto: Ricardo Stuckert
 
Do site de Roberto Amaral
 
POR QUE LULA?
 
A identificação de Lula como alvo da reação não é gratuita. Se dá pelo que ele simboliza
 
Sem surpresa, o País recebeu a anunciada condenação de Lula, sentença que já estava pronta antes mesmo da mal articulada denúncia do Ministério Público Federal, antes mesmo do julgamento na ‘República de Curitiba’, pois, antes de tudo, estava lavrada pelas classes dominantes – os rentistas da Avenida Paulista, as “elites” alienadas, a burguesia preconceituosa, um empresariado sem vínculos com os destinos do povo e de seu país. Uma “elite” movida pelo ódio e pela inveja que alimenta a vendeta. Denúncia, julgamento, condenação constituem uma só operação política, cujo objetivo é avançar mais um passo na consolidação do golpe em progresso iniciado com a deposição da presidenta Dilma Rousseff.
 
Tomado de assalto o poder, cumpriria agora destruir eleitoralmente a esquerda, numa ofensiva que lembra a ditadura instalada em 1964. Para destruir a esquerda é preciso destruir seu principal símbolo, assim como para destruir o trabalhismo caberia destruir o melhor legado de Getúlio Vargas. Não por mera coincidência, o dr. Sérgio Moro decidiu dar à luz a sentença a ele encomendada no dia seguinte em que o Senado Federal violentava a Consolidação das Leis do Trabalho.
 
Desinformando e formando opinião, exaltando seus apaniguados e difamando aqueles que considera seus inimigos, inimigos de classe, a grande imprensa brasileira promove o cerco político, e tece as base da ofensiva ideológica unilateral, porque produto de um monólogo. 

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Abusiva, prisão de Humala pode atrapalhar Lava Jato no Peru, alerta jornalista

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Ollanta Humala foi o primeiro ex-presidente a ser preso na investigação da Lava Jato no continente. Foto: Presidência do Peru

Da Agência Pública

Prisão de Humala é abusiva e pode prejudicar a Lava Jato no Peru, diz jornalista

por Natalia Viana

Diretor de site investigativo avalia que ex-presidente peruano corre o risco de ser bode expiatório

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Por que Moro condenou Lula, Por José Gilbert Arruda Martins

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Foto: Pedro Olveira/Alep
 
Por que Moro condenou Lula
 
Por José Gilbert Arruda Martins
 
“Sejamos o pesadelo dos que querem roubar nossos sonhos”. É uma tremenda responsabilidade abrir este ou qualquer outro texto usando palavras do guerrilheiro argentino Che Guevara, mas o momento político brasileiro exige a ousadia. 
 
Como podemos ser o pesadelo dos caras que estão roubando sonhos de milhões de trabalhadores e trabalhadoras do país com apenas marchas, passeatas, acampamentos, discursos e reuniões?
 
Comícios, marchas, panfletagens, caminhadas, passeatas etc., parecem não surtir o menor efeito sobre a voracidade dos rentistas daqui e de fora. Do impedimento até hoje, mesmo com todas as ilegalidades cometidas pelos golpistas, nada, absolutamente nada, do que a classe trabalhadora e os movimentos sociais fizeram nas ruas e praças desse país, parece impedir o desmonte total de todo o ensaio de Estado do Bem-estar Social que existia desde 1943.

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Uma pena e duas medidas: a prisão domiciliar para os presos comuns e os da Lava Jato

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A venezuelana Vitória deixou o presídio quando o filho, a quem deu à luz no cárcere, tinha seis meses (Foto: Andrea Dip/Agência Pública)

Da Agência Pública
 
 
por Andrea Dip
 
Enquanto as mulheres com filhos pequenos lutam para obter a prisão domiciliar, direito previsto por lei, presos da Lava Jato gozam desse benefício sem amparo da legislação penal

A pequena casa de dois cômodos onde moram Vitória*, seu bebê e sua mãe, Laura, no Jardim Guarani, na periferia da zona norte de São Paulo, em nada se parece com as mansões luxuosas onde vivem em prisão domiciliar alguns réus delatores da operação Lava Jato – uma até com vista para o mar. Em contraste com as áreas verdes, piscinas e academias, como mostrou em abril deste ano uma reportagem do Fantástico sobre os presos domiciliares da Lava Jato, Vitória nos recebe para um café em uma pequena cozinha que também faz as vezes de sala. Ao fundo, o quarto com um beliche onde os três dormem e guardam seus pertences frequentemente é inundado pela água que transborda do banheiro, conta Vitória enquanto amamenta o filho. É algo a mais para resolver na lista da família, que tenta sem sucesso uma vaga para Lucas na creche do bairro e tem como renda apenas o dinheiro que dona Laura ganha trabalhando com limpeza em três empregos diferentes.

Na Venezuela, a mãe de Vitória era professora primária, mas sem fluência no português tudo aqui é mais difícil. Quando soube da prisão da filha grávida, dona Laura deixou a família e veio correndo ao auxílio dos dois. Não descansou até conseguir alugar essa casa e por a documentação da filha em ordem para, junto ao Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), que trabalha com mulheres estrangeiras presas, tentar o habeas corpus para a prisão domiciliar. Vitória foi presa com cocaína no aeroporto de Guarulhos e levada para a Penitenciária Feminina da Capital (PFC), onde descobriu a gravidez e permaneceu por pouco mais de um ano, até que seu filho completasse 6 meses. Apesar da vida difícil, ela se sente aliviada por ter deixado o presídio e se sente “privilegiada” entre as tantas mães que conheceu no cárcere que continuam sem previsão de mudança de rumo. “Quando saí, deixei tudo que tinha para as mães com os bebês de lá. Porque é muito difícil, tem gente que não tem família, não tem nada. Eu mesma lavava roupa para outras mulheres para conseguir maços de cigarro que trocava por sabonete e fraldas para o Lucas até minha mãe chegar”, lembra.

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