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Luis Nassif

Danilo de Brito, um bandolim genial

Chegando do show no Sesc Pinheiros em homenagem aos 100 anos do nascimento de Jacob do Bandolim.

Muitos talentos reunidos, mas especial destaque para os dois maiores bandolinistas da atualidade, Hamilton de Holanda e Danilo Brito, cada qual no seu estilo, Hamilton puxando par ao jazz, Danilo para o choro tradicional.

Danilo interpretou uma das composições mais difíceis de Jacob, a valsa "O vôo da mosca", uma maratona sem um segundo de pausa, e conseguiu improvisar em meio ao enxame de notas da valsa.

Aqui, um CD de Danilo mostrando toda a extensão do seu talento.

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Os cem anos de Jacob do Bandolim, por Luis Nassif

A primeira vez que ouvi Jacob do Bandolim creio ter sido em um programa da TV Excelsior, apresentado por Gilberto Gil e Caetano Veloso. De dia, tinha ido com amigos na represa Bortolan, em Poços de Caldas. Tomei muito sol. À noite fui dormir com febre e queimaduras por todo o corpo. Acabei levantando e  indo assistir televisão na sala.

Lá ouvi Jacob interpretando “Lamentos”, de Pixinguinha. Achei até quer tinha morrido e ouvia os sons dos anjos.

No dia seguinte, saí feito louco atrás de histórias do Jacob. Fui encontrar na casa ao lado, meu tio Leonardo Mesquita, carioca, que fora amigo de adolescência de Jacob. Filho de portugueses, tio Léo morava na rua do Catete, no Rio, e várias vezes levou o amigo Jacob para almoçar em casa. Também foi amigo e aluno de Dilermando Reis, de quem guardava um retrato com dedicatória carinhosa.

O tio nos deu duas informações sobre Jacob. A primeira, sobre sua rivalidade com Luperce Miranda:

- Luperce tem a técnica, Jacob o sentimento, dizia o tio, repetindo frase padrão do Rio sobre ambos.

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Xadrez da segunda etapa do golpe político, por Luis Nassif

Peça 1 – a falsa legalidade

A ideia de que a intervenção no Rio é democrática, porque segue os preceitos da Constituição é tão falsa quanta a da legalidade o impeachment.

Segundo o Ministro da Justiça Torquato Jardim (que foi jogado para escanteio nesse planejamento) "é importante repetir que a intervenção na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro cumpre estritamente o ordenamento jurídico brasileiro e servirá para aperfeiçoar a democracia no nosso País."

Michel Temer decretou uma intervenção no Rio de Janeiro. Mas não se contentou com uma intervenção qualquer. Foi uma intervenção militar com um interventor das Forças Armadas, respondendo diretamente ao Presidente da República.

Não há sinais estatísticos de uma situação fora de controle.

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As Forças Armadas são um ensaio de intervenção no Rio, por Luis Nassif

Aparentemente, a estratégia por trás da intervenção militar no Rio de Janeiro é a seguinte:

  1. Aprofundar a intervenção, com o governo federal assumindo outras setores do governo estadual, especialmente o controle do orçamento estadual.

  2. Tirar o governo Temer da defensiva atual e dotá-lo de poderes políticos extraordinários, em nome do combate à violência.

  3. Contaminar a opinião pública com as ameaças de perda de controle para o crime organizado, permitindo ampliar o estado de exceção para outros estados, sempre tendo como álibi a ampliação da violência.

  4. Transformar a perda de controle para o crime organizado no novo bicho papão, capaz de substituir o clima de comoção nacional da luta contra a corrupção.

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Xadrez do fator urna eletrônica nas próximas eleições, por Luis Nassif

Peça 1 – como fraudar a urna eletrônica

A decisão da Procuradora Geral da República Raquel Dodge de se colocar contra o voto impresso nas próximas eleições merecia ser melhor avaliada por ela.

Segundo Dodge, seria o caminho mais rápido para a volta do voto de cabresto, já que voltaria a identificação do eleitor.

Não é verdade. O voto impresso não é para ser escrutinado, mas para garantir a recontagem nos casos de dúvidas e de indícios de fraude. Bastará o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) garantir o sigilo dos votos e eles permitirem a recontagem apenas em casos de dúvida ou por amostragem.

A versão de que o sistema brasileiro é tão seguro que está sendo adquirido, sem alterações por outros países, não procede. Em vários desses países constatou-se a vulnerabilidade do sistema e adotou-se a dupla checagem com os votos impressos.

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Juiz Salvatti e promotora Ana Laura ganham imortalidade, por manter bebe em cárcere

A decisão de mandar para a prisão uma mãe e a filha recém-nascida consagra para os anais da história do Judiciário paulista o juiz Cláudio Salvati Angelo e a promotora Ana Laura Ribeiro Teixeira Martins. Com a pitada de sadismo adicional, da promotora estar grávida.

A acusação foi da mãe portar 90 gramas de maconha.

Eles passam a integrar, com honra, nossa Galeria do Estado de Exceção.

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O embaladíssimo conjunto Ordinarius

Para relaxar, na 4a feira de cinzas, o embaladíssimo conjunto Ordinarius

 

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Xadrez de Huck e o cristal trincado da Globo, por Luis Nassif

No momento, o quadro político que se prenuncia é o seguinte

Peça 1 – o candidato da Globo

O fator Luciano Huck sempre esteve no horizonte da Globo desde as primeiras manifestações do golpe. Tinha-se claro:

·       A ampla e completa desmoralização da classe política;

·       Caminho aberto para as celebridades televisivas, fenômeno ocorrido na Itália das “mãos limpas” e nos Estados Unidos, país onde a insatisfação generalizada com a política tradicional gerou Donald Trump

No começo do processo, aventou-se o nome de Huck. Depois, ele foi prudentemente poupado. Até as eleições havia dois riscos pela frente.

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Joel Pinheiro da Fonseca, o colunista que mente

Em geral evito entrar nesse bangue bangue de personalizar críticas. Mas Joel Pinheiro da Fonseca, da Folha, agride qualquer norma de honestidade intelectual.

A sofisticação de um polemista se mede por sua capacidade de dar uma interpretação criativa a fatos de conhecimento  geral. Tanto na esquerda quanto na direita há bons exemplos de polemistas corretos e talentosos. O que os une é a capacidade de não adulterar os fatos, de conseguir lutar no campo das ideias, as narrativas, mesmo quando caminham pelas estradas inóspitas de fatos reais adversos.

Com Joel, não. Se os fatos prejudicam as ideias, que se mudem os fatos.

A última coluna de Joel, Carnaval Político (clique aqui) é escandalosa não apenas um atentado ao bom senso, mas à inteligência dos leitores, por adulterar fatos de conhecimento geral.

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Luciano Huck, a piração dos liberais frívolos, por Luis Nassif

 
 
As conspirações não são planejadas nos mínimos detalhes. Criam-se as condições, abre-se a garrafa e deixam os demônios à solta. Vão sendo criadas situações, que exigem ajustes de rota, muitas vezes fugindo dos planos originais.
 
Mesmo assim, as apostas do sistema Globo-mercado-Insper em Luciano Huck parecem ter sido pensadas desde o início do impeachment. Tudo foi feito, desde então, para a desmoralização completa da classe política, pouco importando se de cambulhada fossem jogados fora os aliados tucanos.
 
O alvo central sempre foi Lula, depois o PT. Mas não houve traumas maiores quando a fogueira consumiu José Serra, Aécio Neves e quando consumir Geraldo Alckmin.
 
Liquidada a classe política, sobrariam dois atores de massa: as celebridades televisivas e os pastores de almas. Para a estrutura de poder, juntando classe empresarial, financistas, Huck cai como uma luva, por simbolizar uma espécie de modernidade, ainda que vazia.
 
JK tornou-se o mais popular dos políticos de seu tempo, inclusive aceito pelo andar de cima, por simbolizar esse lado moderno brasileiro – apesar do apoio que recebia da base trabalhista. Mas seu plano de metas incendiou a imaginação dos pequenos, médios e grandes empresários. Planejar o futuro, ainda que de forma incipiente, era o grande sinal de modernidade daqueles tempos, refletido na bossa-nova, a síntese perfeita do brasileiro moderno.

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Os 90 anos do meu amigo José Ramos Tinhorão, por Luis Nassif

Janio de Freitas saudou os 90 anos de José Ramo Tinhorão lembrando seus tempos de jovem repórter no Diário Carioca. Conheci Tinhorão já consagrado como redator da seção Gente da Veja, a mais lida naquele início dos anos 70.

Nas lendas que se criam nas redações e que encantam os jovens repórteres, a de Tinhorão era o de ser o melhor texto curto da imprensa brasileira, capaz de despejar sarcasmos e ironias em poucas linhas. Além de – glória das glórias – ter sido personagem das pirações maravilhosas de Nelson Rodrigues.

Foi um tempo instrutivo e divertidíssimo para mim. Veja tinha uma reportagem geral, incumbida de fornecer serviços para todas as editoriais. Desde a fase inicial de estágio, eu trabalhava preferencialmente nas pautas musicais e de Artes e Espetáculos. A seção Gente estava subordinada à editoria, assim como a de Música, conduzida pelo jovem Tárik de Souza, cinema com o grande Geraldo Mayrink, literatura com o Léo Gilson Ribeiro. O editor era o mineiro Carmo Chagas.

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Xadrez da grande manipulação da Lava Jato, por Luis Nassif

Para não se perder nas siglas, um pequeno glossário:

DOE – Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, que administrava o caixa 2 e as propinas do grupo.

Drousys – sistema criptografado de troca de mensagens.

MyWebDay – sistema criptografado que fazia a contabilidade do DOE.

Peça 1 - O livro de Tacla Duran

No dia 19/09/2017, no artigo “Xadrez sobre a falsificação dos documentos na Lava Jato”, o Jornal GGN trazia à tona as primeiras revelações do livro do advogado Rodrigo Tacla Duran sobre a Lava Jato. Era uma prova do livro colocada por algumas horas em um site.

Prestador de serviços da Odebrecht, profundo conhecedor dos sistemas utilizados pela empresa– o Drousys e o MyWebDay - o livro trazia duas denúncias de impacto.

A primeira, é que parte relevante dos extratos do Meinl Bank foi falsificado . Leia mais »

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Vanessa de Maria, a gaúcha que conquistou a Argentina

A música brasileira tem duas Vanessas, cantoras excepcionais. A Vanessa da Mata é bastante conhecida. A Vanessa de Maria, do mesmo nível, ainda não conseguiu ser conhecida fora dos pagos gaúchos.

Nascida no Rio Grande do Sul, morou por 8 anos na Espanha. Em 2006 mudou-se para a Argentina, onde lançou o seu CD “Perfume Del Sur”.

Alguns anos atrás voltou para o Brasil. Agora precisa sair do sul e vir mostrar sua arte em outras paragens.

 

 

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Cristiane Brasil e a auto-afirmação hipócrita do aparato repressor, por Luis Nassif

Por todos os ângulos que se procure, Cristiane Brasil é a outsider do Sistema. Ignorante, deslumbrada, sem noção, frequentadora de sites de namoro, nos quais esconde a idade, filha de um dos vilões preferenciais da República. É até possível que tenha alguma qualidade, mas tão escondida debaixo de toneladas de vulgaridade, que ninguém até hoje identificou. E, depois do vídeo com os marombados depilados, tornou-se única, mesmo naquele zoológico chamado de Câmara Federal.

Por isso mesmo é o personagem preferencial da hipocrisia fascista. Leia mais »

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Barroso, o Ministro que tortura os números, por Luis Nassif

Em artigo na Folha de São Paulo, os Ministros Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), e Rogério Schietti, do STJ (Superior Tribunal de Justiça) (clique aqui), aparentemente trazem um dado definitivo para liquidar com as discussões sobre cumprimento de pena após sentença em segunda instância:

“O percentual de absolvição em todos os recursos julgados pelo STJ no período de dois anos, entre 1/9/2015 e 31/8/2017, foi de menos de 1%. Para ser exato, foi de 0,62%. Outro dado a ser considerado: 1,02% das decisões importou na substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos” Leia mais »

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