A tecnologia de UTI premiada

Da Agência Acadêmica

Tecnologia que reduz mortalidade de pacientes em UTI recebe Prêmio Péter Murányi 2011

Equipamento permite que o médico monitore, em tempo real, a condição dos pulmões de pacientes que estão sendo submetidos à respiração artificial.

Por ter desenvolvido uma nova tecnologia que ajuda a reduzir a mortalidade de pacientes de UTI, causada pela ventilação artificial dos pulmões, o médico Marcelo Britto Passos Amato foi o vencedor da 10ª edição do Prêmio Péter Murányi 2011 – Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Responsável pelo Laboratório de Pneumologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ele venceu com o trabalho Estratégias inovadoras para redução da morbi/mortalidade em UTI e ventilação artificial: criação e desenvolvimento da Tomografia por Impedância Elétrica, o qual resultou em um aparelho que já está sendo usado há seis meses em quatro hospitais de São Paulo: Hospital das Clínicas da FMUSP, Incor, Sírio Libanês e Albert Einstein.

Trata-se de um tomógrafo que faz 50 imagens por segundo dos pulmões de pacientes submetidos à respiração artificial. Para isso, o equipamento usa uma propriedade dos tecidos humanos, a impedância, que nada mais é do que a resistência que eles têm à passagem de corrente elétrica. É semelhante a um raio-X, que ao cruzar o corpo humano encontra mais resistência nos ossos, o que gera a imagem deles.

NocaNo caso do novo equipamento, chamado Tomógrafo por Impedância Elétrica (TIE), em vez de ondas eletromagnéticas (como os raios-X) é usada uma corrente elétrica para atravessar os tecidos, nesse caso, os pulmões. Amato explica que o ar tem uma alta impedância, ou seja, alta resistência a correntes elétricas. “Como os pulmões têm muito ar, eles também têm alta impedância”, explica. “Funcionam para a corrente elétrica como os ossos para os raios-X.”

As correntes elétricas são geradas por 32 eletrodos (uma por cada eletrodo), fixados numa cinta colocada no tórax do paciente e ligada a um monitor, que mostra as reações do órgão por meio de imagens, como um filme, captadas pela emissão de pulsos elétricos. Isso permite que o médico monitore, em tempo real, a condição do órgão, possibilitando o controle adequado do volume, da pressão e do fluxo do ar injetado, o que reduz os riscos de lesão pulmonar.

Segundo Amato, sem o aparelho que ele e sua equipe inventaram o pulmão ventilado artificialmente é uma caixa-preta. “O médico não sabe se está insuflando mais ar num pulmão do que no outro, mais em cima do que embaixo ou se a pressão está correta”, explica. “Isso pode causar o rompimento dos alvéolos, o que leva à inflamação do órgão e até à morte do paciente.”

De acordo com Amato, de 40% a 60% dos internados em UTI necessitam de respiração artificial, dos quais 40% morrem devido a complicações ocasionadas pela ventilação mecânica. Os pesquisadores esperam que o novo equipamento reduza consideravelmente esses índices.

Amato começou as pesquisas há 12 anos, em conjunto com os professores Raúl González Lima, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica, da USP, e Joyce da Silva Bevilacqua, do Instituto de Matemática Aplicada, da mesma Universidade. O protótipo final, que passou por seis versões, ficou pronto em 2008, produzido pela empresa DIXTAL Biomédica, especializada em equipamentos médico-hospitalares.

Os pesquisadores, por sua vez, criaram uma microempresa, a Timpel, que será responsável pelo desenvolvimento dos softwares do tomógrafo e pela proteção intelectual da invenção. “Agora, a partir de junho, a Philips, que em 2008 adquiriu a DIXTAL, vai começar a produzir, em Manaus, dez tomógrafos por mês, que serão comercializados para os países da América Latina, inclusive o México”, informa Amato.

O prêmio concedido pela Fundação Péter Murányi, o deixou muito surpreso e satisfeito, não só pelo reconhecimento do seu trabalho, mas também pelo valor que recebeu, R$ 150 mil. “Esse projeto custou caro e muitas vezes tive que colocar dinheiro pessoal nele, que ainda não consegui reaver”, justifica o pesquisador. “Gastamos muito com proteção intelectual, cerca de R$ 1 milhão em cinco patentes. Recebo salário de professor, então receber este prêmio é um momento feliz. 

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