Campo magnético do Sol irá se inverter até dezembro

Sugestão de Assis Ribeiro

Reviravolta no céu: O campo magnético do Sol está se invertendo

No brasil247, Por Equipe Oásis

Dentro de 3 a 4 meses o Sol atingirá o pico do seu atual ciclo de atividade com a duração de cerca 11 anos. Isso coincidirá com a inversão dos polos magnéticos da nossa estrela. Ambos são acontecimentos previstos e já em ato que terão como consequência alguns distúrbios nas ondas de rádio e belíssimas auroras polares na altura do mês de dezembro 

Por: Equipe Oásis

O campo magnético do Sol está se invertendo, ou seja, o Polo Norte magnético se tornará o Polo Sul e vice-versa. “O fenômeno já está em ato, mas serão necessários ainda 3 ou 4 meses para que a inversão dos polos magnéticos do Sol ocorra totalmente”, explica o físico Todd Hoeksema, da Stanford University, um especialista em estudos solares. Assim, será necessário esperar até dezembro para que o processo se complete. A inversão do campo magnético solar não é um fenômeno único e nem excepcional. O Sol, com efeito, muda de polaridade a cada 11 anos, aproximadamente, quando se chega ao ápice de cada “ciclo solar”. 

Nesta simulação realizada pelos supercomputadores do Los Alamos National Laboratory o campo magnético do Sol se assemelha a um feixe de espaguetis. Durante uma fase estável (à esquerda) tudo é normal; na fase de inversão (à direita), as linhas do campo magnético não estão mais alinhadas

Um ciclo solar é um período de tempo com a duração de 11 anos durante o qual observa-se primeiro um aumento (pico) e depois uma diminuição do número de manchas solares que podem ser observadas na superfície da estrela. Neste momento estamos a cerca da metade (e portanto no cume) do atual ciclo. Este é o momento no qual o “dínamo magnético interno” do Sol se reorganiza, dando origem à inversão. O processo que leva à mudança de polaridade é muito complexo e extremamente fascinante do ponto de vista científico.

O pico da atividade solar coincide com a inversão

Durante o período de atividade solar são formadas cada vez mais manchas na superfície da nossa estrela. Ao mesmo tempo, o campo magnético do Sol se torna mais fraco porque cada mancha solar distorce localmente o campo magnético global. Essa contínua debilitação do campo magnético é tão forte que consegue inclusive reduzi-lo a zero. É nesse momento que esse campo se inverte, o Polo Norte magnético torna-se o Polo Sul e vice-versa, retomando as próprias características iniciais. É como se o campo magnético do Sol passasse por um “reset”. No momento, o Polo Norte do Sol já mudou de sinal; o Polo Sul encontra-se um tanto “atrasado”em seu processo de mudança.

A corrente heliosférica difusa possui uma curiosa forma de “saia de bailarina”. Ela se torna ainda mais retorcida e ondulante na fase de inversão dos polos magnéticos do Sol. Os efeitos mais comuns do fenômeno são tempestades magnéticos e perturbação das ondas de rádio, mas também representa uma maior proteção contra os raios cósmicos. Já que a inversão total desta vez coincidirá com o período de Natal, espera-se, sobretudo no Hemisfério Norte, um grande número de auroras boreais.

O Wilcox Solar Observatory de Standford, EUA, instituição astronômica dirigida por Hoeksema, já investigou acuradamente três grandes inversões dos polos solares de 1976 até hoje.

A inversão trará consequências?

“Sim, ela acarretará uma cadeia de efeitos em todo o sistema solar”, explicou Hoeksema. O campo magnético do Sol interessa todo o sistema solar, fazendo-se sentir até muito além de Plutão. A nave Voyager 1, que neste momento encontra-se a mais de 11 bilhões de quilômetros da nossa estrela, ainda é capaz de percebê-lo.

Esse campo magnético faz-se sentir como uma corrente elétrica ao longo do plano equatorial do Sol numa espessura de cerca 10 mil quilômetros. Os astrofísicos chamam esse plano de “current sheet” ou corrente helioesférica difusa. A corrente que se produz é de baixíssima potência (cerca de um bilhonésimo de amperes por metro quadrado), porém enorme em quantidade, a ponto de ser perceptível a bilhões de quilômetros de distância.

Quando se está próximo ao período de inversão de polaridade, o campo elétrico começa a vibrar e, como uma onda do mar, torna-se muito mais ondulado do que habitualmente. Tais vibrações e ondulações atuam sobre os planetas do sistema solar, (sobretudo aqueles que, como é o caso da terra, possuem um campo magnético ativo que interage com o campo do Sol).

Normalmente, as consequências para a Terra e para nós serão irrelevantes: no máximo sofreremos algumas perturbações nas comunicações via rádio. E, no Natal, os que moram em altas latitudes poderão contar com um grande número de esplêndidas auroras boreais.

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