Com Neuralink, Elon Musk quer privatizar a mente humana com interface bio-eletrônica

por Wilson Ferreira

Quem assistiu ao filme “Matrix” deve lembrar de como o protagonista Neo (Keanu Reeves) aprendia lutas marciais pelo simples download de programas em sua mente. Pois essa realidade sci-fi está próxima, pelo menos para o bilionário tecnológico sul-africano Elon Musk. Depois de anunciar o envio de colonos a Marte com sua empresa SpaceX, agora através da sua nova empresa, a Neuralink, o empresário pretende fazer um “upgrade” na mente humana: criar a interface bio-eletrônica definitiva entre mente e a “nuvem” de inteligência artificial, criando o que chama de “telepatia consensual”. Por que? Para Musk, as máquinas nos ameaçarão no futuro, tornando a humanidade irrelevante. Por isso, devemos impulsionar nossas habilidades cognitivas, nos livrando da linguagem (signos, palavras, símbolos etc.) ao nos conectar diretamente nas “nuvens de bites”. Musk fez esse anúncio na “World Government Summit” desse ano em Dubai, para atentos “Global Players”. Para quê essa chicana pseudocientífica? Depois de querer privatizar Marte, agora Musk pretende privatizar a mente e a linguagem, atraindo a atenção de gigantes como Facebook, já interessada na Neuralink.

Encontros como o World Government Summit realizado em fevereiro desse ano em Dubai, Emirados Árabes, são oportunidades bem didáticas que revelam a quantas anda as supostas utopias que bilionários tecnológicos, líderes de governos, gestores de bancos internacionais, prêmios Nobel e CEOs de transnacionais concebem para o mundo no futuro.

Com a primeira edição em 2013, também em Dubai, o evento conta com um site no qual vemos as indefectíveis fotos de participantes com fisionomias tão idealistas e confiantes que parecem aquelas fotos corporativas tiradas de algum stock photos da Internet. E folders de projetos educacionais para o terceiro Mundo (chamam de “Educação Positiva”) com aquelas tradicionais imagens de crianças “étnicas” sorridentes, satisfeitas e que parecem sempre agradecidas com os esforços do Primeiro Mundo em ajudá-las – clique aqui

Como não poderia deixar de ser, o bilionário tecnológico Elon Musk (dono de empresas como Tesla Motors, Solar City e SpaceX, revolucionando a tecnologia de veículos elétricos, energia solar e construção de foguetes e prometendo enviar turistas para Marte) participou do evento com mais um projeto com ares de epifania de ficção científica: planos para desenvolver interface cérebro-máquina para impulsionar a habilidade cognitiva humana.

Elon Musk no World Government Summit nesse ano em Dubai

 

Um plano realizado por mais uma empresa ligada a Musk: a Neuralink, empresa de pesquisa médica da Califórnia.

As máquinas nos ameaçam

E por que? Para Musk, os seres humanos estão em perigo – em breve poderão ser ultrapassados pela inteligência artificial (IA), sob o risco de se tornarem irrelevantes. Escravizados pelas máquinas como no filme Matrix?

appeal pelo imaginário sci-fi é recorrente em Elon Musk (em outra oportunidade Musk já afirmara que havia grande possibilidade de vivermos prisioneiros em uma gigantesca simulação computacional – clique aqui) – o anúncio do projeto Neuralink de criar uma simbiose homem-máquina coincidiu com o dia do lançamento do filme Ghost in Shell (no Brasil, A Vigilante do Amanhã), baseado num mangá e anime japonês no qual o cérebro humano se funde facilmente a computadores.

Neuralink e a Matrix: interface bio-eletrônica é libertação ou nova dominação?

 

Para Musk, se não podemos vencer as máquinas, é melhor nos unirmos a elas. Para ele “as máquinas se comunicam em um trilhão de bits por segundo, enquanto os seres humanos se comunicam, principalmente ao digitar em um smartphone, a imitados 10 bits por segundo. Uma interface de banda larga do cérebro com os computadores vai ser algo que ajudará a alcançar uma simbiose entre o ser humano e inteligência artificial, resolvendo problemas de controle e utilização”.

Musk acredita que há uma limitação humana de natureza linguística: “Há um monte de conceitos em sua cabeça que então o seu cérebro precisa tentar comprimir nessa incrível baixa taxa de dados que nós chamamos de discurso ou escrita. Se você tem duas interfaces cerebrais, você poderia realmente realizar uma comunicação conceitual descompactada direta com outra pessoa.” – clique aqui.

Telepatia consensual

Ele chama isso de “telepatia consensual”: uma comunicação direta entre humanos, sem a necessidade de signos – palavras, símbolos, imagens etc. O pensamento na sua forma pura, a informação.

Por isso, seria urgente a mente humana evoluir para ser capaz de acessar rapidamente as informações e bater a inteligência artificial.

O objetivo principal da Neuralink é transformar a inteligência artificial em nuvem numa extensão do cérebro humano, por meio de implantes de pequenos elétrodos no cérebro que poderiam fazer o download dos nossos pensamentos. “Faremos uma fusão mais próxima entre a inteligência biológica e a inteligência artificial. Trata-se de impulsionar a velocidade de conexão entre o cérebro e a versão digital de nós mesmos”, afirmou confiante para o público da World Government Summit em Dubai.

Discurso de Musk é sempre emergencial: a colonização de Marte através dos foguetes da sua SpaceX é uma questão de sobrevivência diante da possibilidade da catástrofe ambiental e guerra nuclear. E agora a Neuralink como arma de sobrevivência diante da ameaça da Inteligência Artificial.

 

Muitos qualificam o jovem empreendedor Elon Musk como alguma coisa entre a fraude e máquina de gastar dinheiro, embolsando muitas verbas públicas enquanto faz intrincadas manobras societárias com suas diversas empresas. Uma espécie de Eike Batista sul-africano – clique aqui.

Despolitização e retrocesso científico

Mas ele conhece as tênues fronteiras entre o mundo das finanças e o midiático. Musk sabe que seu discurso em eventos como esse em Dubai enche os olhos do público e das grandes empresas de tecnologias de informação como Google e Facebook – esta, aliás, já se interessou pelo projeto da Neuralink.

Em primeiro lugar o discurso de Musk despolitiza a questão tecnológica: mas afinal, quem é o dono do hardware que mantém essa inteligência artificial em nuvem com a qual a mente humana fará interface? Conectar a intimidade das nossas mentes a nuvens de bites controladas por interesses corporativos? 

E segundo, opera uma simplificação (para não dizer retrocesso científico) que vai na contramão de todas os avanços filosóficos e científicos do século XX – fenomenologia, linguística, sociolinguística, psicolinguística, construtivismo e semiótica.

Claro que tudo isso é escudado como um álibi em supostos avanços médicos no campo da neurologia: benefícios a pacientes que tiveram lesão cerebral por causa de tumores, derrames ou outras enfermidades. Mas, como sempre, os verdadeiros interesses sempre estão em outra cena.

 

Rebaixamento do conceito de “inteligência”

Há muito tempo as pesquisas em IA abandonaram o projeto de máquinas e computadores tentarem emular a inteligência humana. Porque simplesmente não conseguiram digitalizar as complexas operações linguísticas humanas baseadas em paradoxos, contradições e oposições que linhas de programação algorítmicas não conseguem simular.

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13 comentários

  1. O autor do texto desconhece a
    O autor do texto desconhece a história e a trajetória de Elon Musk. Diferente de muitos empresários especuladores como Eike, Elon realiza o impossível se perguntava junto com o irmão porque deveriam existir agências bancárias, então criou o PAYPAL. Sonhava desde criança com carros elétricos, criou a Tesla Motors, quase quebrou em 2008, mas seguiu em frente e pagou com juros todos os investimentos feitos pelo governo. Precisava baratear o custo das baterias, criou a maior fábrica do mundo a Gigafactory. Achava que as pessoas nao precisariam pagar e ficar dependentes das concessionárias de energia elétrica, comprou a Solar City e criou telhas fotovoltaicas junto com baterias para se ter em casa. Ajudou uma ilha inteira a se livrar dos geradores a diesel. Achava um absurdo descartar foguetes após apenas um voo. Criou foguetes que decolando e pousam. Portanto pesquise um pouco mais antes de opinar sobre uma pessoa como Elon achando apenas que ele é mais um oportunista. Ele na verdade é nosso ingresso para sairmos de nossa mediocridade digital onde o mundo da tecnologia só avança no virtual. Elon aplica a tecnologia mundo real e vai nos livrar das amarras do petróleo e de ficarmos sentados no sofá com nossos smartphones na mão esperando o próximo cataclisma arrasar a terra sem termos um plano B.

  2. A OPERAÇÃO PEPINÃO em marcha

    Quando trabalhava em engenharia havia uma expressão que percolava entre os grandes empresários, a “Operação Pepinão”. O que consiste esta operação, simplesmente para quem não está conseguindo atingir os seus objetivos primeiros de seu primeiro grande projeto, montar um segundo grande negócio, não para terminar o primeiro, mas sim para tornar este segundo tão grande que simplesmente envolve muito mais gente, muito mais dinheiro, mas que não será concluído como o primeiro, mas como envolve tantas pessoas e tanto dinheiro que não se pode deixar falir.
    .
    Os negócios deste mega empresário são sempre inconclusos ou simplesmente caem totalmente fora do prazo e custo inicial, isto está ocorrendo com o tal empresa SpaceX, que dentro de um país sem corrupção, que não é o caso do USA já teria levado o empresário a cadeia. Porém a cada ano ele lança um novo projeto fantástico demosntrando a incapacidade real dos CEOs das grandes empresas e a ignorância dos grandes investidores. 
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    Vai tocar esta verdadeira pirâmide invertida das grandes ideias até que alguém diga ao grande grupo: “O Rei está nú”.

    • Um exemplo clássico de uma Operação Pepinão.

      Quem não estiver convencido assista o vídeo gravado na  International Space Station Research and Development Conference (ISS R&D), abaixo postado aos 1:04 onde o “fantástico Elon Musk” depois de um profundo suspiro fala que o projeto de ir até Marte foi adiado, pois não era possível empregar a Sonda Dragão, mas mais uma vez, ele diz que fará isto mais tarde com um equipamento maior, mais caro e blablabla…..

       

      [video:https://youtu.be/BqvBhhTtUm4%5D

      Este vídeo é de 19/07/2017, ou seja a OPERAÇÃO PEPINÃO em marcha.

  3. Uma conexão cérebro humano/cérebro eletrônico

    poderá futuramente ser realizada se descobrir-se , se é que existe, o código que é utilizado pelo cérebro para compilação  e armazenamento das informações que recebemos. Um decodifiicador faria a conversão desse código para o código binário dos computadores e vice versa. O problema que essa geringonça vai criar é que as PLANILHAS serão inseridas prontas e não haverá livro nenhum que mude as CABEÇAS.

  4. O fim do mundo está próximo

    Era assim que alguns “malucos” anunciavam, nas ruas, o final dos tempos.

    Devo ter me tornado “maluco” também, pois começo a ter a firme convicção de que o mundo deu errado e começou a ruir juntamente com as torres gêmeas.

    Admito que o processo tenha começado muito antes, embora eu não saiba precisar exatamente quando. O episódio das torres gêmeas foi apenas o colapso visível e ruidoso de um processo lento, gradual e “seguro”.

    Tivemos, contra toda a intuição, um período de graça no Brasil, entre 2003 e 2014, enquanto o resto do  mundo já caminhava para o seu declínio inexorável.

    A meu ver, o projeto de Musk só não seria o último prego no caixão se, muito antes, o mundo já não estivesse submetido a uma cruel ditadura de controle de pensamento.

    Atravessar fronteiras, principalmente aquela dos EUA, significará abrir mão do sigilo de todo conteúdo de sua mente. Não, não estou me referindo a um hipotético “mind scanning” sugerido há algum tempo pela ficção científica. Há maneiras infinitamente mais práticas e muito mais baratas para obter o mesmo resultado. Sobretudo se este puder ser alcançado com o seu alegre auxílio voluntário.

    Uma mistura de novas tecnologias estão no ponto para tornarem realidade este pesadelo, muito antes de Musk dar a sua contribuição.

    Os óculos eletrônicos

    Tudo e todos com quem você interage, estarão sendo devidamente armazenados, para uso posterior, supostamente para a sua comodidade, em minúsculos chips de memória, de capacidade absurdamente elevada. Parte deste volume astronômico de informações, você voluntariamente irá armazenar “na nuvem”. Alegremente.

    A Internet das coisas

    Todos os seus utensílios domésticos estarão integrados ao grande irmão. Claro que tudo pela sua comodidade e para poder “prestar os melhores serviços personalizados a um cliente tão especial como você”.

    Todos os utensílios se comunicarão com você por voz. Saberão reconhecer a sua voz e a de todos os seus familiares e amigos. Seus hábitos, e por consequência sua personalidade, estarão devidamente registrados e ao alcance de todos os dispositivos pessoais, com seus respectivos aplicativos, para que você possa “extrair, ao máximo, todas as comodidades que mundo moderno pode lhe oferecer”.

    Crises de depressão, de euforia, intestinais, dores de cabeça, atividade ou passividade política, nível de colesterol, nada passará despercebido do grande irmão. Tudo devidamente armazenado no interior dos minúsculos chips de memória de capacidade gigantesca inseridos em cada utensílio ou, segundo a sua própria vontade, armazenado “na nuvem”.

    Os robots domésticos

    Ainda que inicialmente tais robots não tenham a aparência humana, o que é irrelevante para o caso, estes “assistentes domésticos” que se pretendem virem a ser úteis para o acompanhamento de idosos, crianças, adolescentes, e por que não, de adultos “normais”, farão parte da imensa rede de dispositivos coletores de informações pessoais.

    Os algoritmos e o “big data”

    Fala-se dos algorítmos como algo novo ou revolucionário. Os algoritmos, de fato, existem, desde o desenvolvimento dos primeiros computadores, ainda na primeira metade do século passado.

    O que não existia, ainda, era o grande volume de informações, o “Big Data”, sobre os quais os algorítmos passarão a reconhecer, classificar, ou categorizar, a miríade de padrões de relacionamento dessas informações. Imensas redes de relacionamento, tendo você como foco principal, serão estabelecidas.

    Naturalmente, por serem produto da mente humana, algorítmos não serão neutros ou isentos. Eles estarão exercendo suas atividades baseados nas visões de mundo, ideologias ou preconceitos daqueles responsáveis pelo seu desenvolvimento. Como todo produto da mente humana, os algoritmos também são (serão) falhos. A hoje tão comum desculpa “foi falha do sistema”, se transformará no grande pesadelo da “falha algoritmica”. Se hoje, a “falha do sistema” já parece isentar de responsabilidade o “dono do sistema”, a “falha algorítmica” prenuncia pesadelos muito além daqueles imaginados por Kafka. Não haverá a quem recorrer, uma vez incluído por um algoritmo no “livro negro” de alg]uma “autoridade” tecnològica.

    O vazamento das suas informações

    Suas informações pessoais supostamente privadas, em quantidade absurdamente gigantesca, constituem-se em um alvo de imenso valor. Ouro puro.

    Quem pode se interessar? Afinal minha vida é um livro aberto, não? Quem não deve não teme, certo?

    Inicialmente as empresas fornecedoras de serviços. Aquelas com as quais você já interage por iniciativa própria, bem como aquelas com as quais você nunca se interessou, mas que para as quais você é um potencial cliente valioso.

    Em seguida, os governos. Não apenas o do seu país, mas também o de países estrangeiros para os quais a sua “personalidade” pode cair dentro de alguma categoria representativa de um dos bodes expiatórios de ocasião. Em uma época de déficit democrático generalizado, é tentador poder abater no ninho potenciais “trouble makers”.

    Tanto para as empresas como para os governos, os “crackers” são essenciais para alcançar o amplo conhecimernto da sua vida privada. Mas “crackers” não existem apenas a soldo de empresas ou de governos. “Crackers” também podem se interessar por conta própria.

    A invasão de suas informações por “crackers” pode ser feita sob a forma de um ataque direto a você, se for o caso de ser alguma personalidade “importante”, (como Obama obteve informações de Dilma/Merkel) ou pode ser obtida através de alguma condição fortuita. Sua nova geladeira interligada à internet das coisas deixou de gelar. É preciso chamar a manutenção. Quão fácil se torna copiar anos e anos de informações acumuladas?

    O Wikileaks recentemente divulgou como certos modelos de receptores de TV de marca Samsung podem ser rackeados de modo a se constituirem em gravadores domésticos de voz mesmo que esta função esteja aparentemente desligada.

    E por que não provocar uma pane simulada em sua geladeira ou TV?

    A possibilidade de colonização de novos planetas, que eventualmente ajudaria à sobrevivência da espécie, está muito distante tecnologicamente. E nada indica que uma colônia humana em Marte, por exemplo, estaria livre do mesmo proceso que já então teria vitimado a humanidade na Terra.

    Musk parece ser uma gotinha neste enorme oceano.

     

  5. Incoerência
    A minha mente já é privada, agora a mente militante de vocês eu não sei. Apesar de eu absover muita cultura da sociedade eu posso intervir e moldar ela da forma que eu quiser. Por isso deixei de ser esquerdista.

  6. Interface cerebro computador e telepatia forcada

    Interface cerebro computador ja e uma realidade ha decadas e esta sendo usada p escravizar, torturar e matar pessoas. basta checar os numeros de vitimas de Armas Psicotronicas, Monitoramento Neural Remoto RMN, Biometria por EEG, tortura com voz intracraniana no Brasil e mundo. #TargetedToo

     

     

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