As altas tarifas de telefonia celular e o baixo retorno das operadoras, por Sérgio Torggler

Muito se fala sobre os custos das ligações telefônicas de celular no Brasil. Eu mesmo acho isso. Mas antes de descer a lenha em quem é o culpado ou não, vamos analisar alguns números das demonstrações contábeis da VIVO S.A. nos primeiros nove meses de 2014. (http://telefonica.mediagroup.com.br/pt/Default.aspx).

Uma demonstração interessante para se analisar é a Demonstração do Valor Adicionado, ela mostra a margem capturada pela entidade na exploração do negócio de telefonia. Pois bem, da receita total foi de 33,3bi, o valor adicionado a distribuir foi de 18,2bi. A diferença foi consumida nos custos dos serviços prestados, sem os salários, com a depreciação, com o custo da energia, etc.

Deste valor a distribuir, 1,7bi ficaram com os funcionários (salários, previdência, alimentação, saúde, transporte, FGTS), 3,0bi foi consumido para remunerar o capital de terceiros (juros/alugueis), 9,2bi foram para os Governos (União, Estados e Municípios) e aos sócios restaram apenas 3,7bi.  

Nesse ponto podemos dizer que os impostos são sim um dos vilões do custo do serviço prestado. Os governos ficam com a maior fatia da riqueza captura pelo negócio, ficam com 50% do valor adicionado pela atividade.

A parcela do lucro adicionado destinado aos investidores é de quase 1/3 do que os governos arrecadam. Assim, os governos podem ser chamados dos verdadeiros sócios majoritários do negócio de telefonia, os sócios seriam seus prepostos.

Uma outra fonte do elevado custo dos serviços prestados é a forma de licenciamento da atividade, chamada de licenciamento pelo maior prêmio, ou licença onerosa. Nos ativos da VIVO constam nos intangíveis 17,2bi de investimento em licença. Recursos consumidos na aquisição do direito de exploração das bandas de frequência dos celulares. Acontece que estes recursos se configuram como impostos disfarçados de licença, pois quem deverá pagar no final é o consumidor. Nos nove meses, a amortização desta licença lançada a custo foi da ordem de 0,5bi. Com isto, se a despesa de amortização fosse reclassificada como impostos, participação do governo no valor adicionado subiria para 9,7bi.

Leia também:  Temer será consultor da Huawei no leilão brasileiro da rede 5G

Todos falam como se as empresas de telecomunicação fossem as grandes vilãs, que se locupletam com as elevadas tarifas. Será que isso é verdade? As análises das demonstrações financeiras sob a ótica financeira demonstram que isso não é bem assim. Vejam só:

O ROI é retorno dos investimentos, ou seja, o rendimento dos recursos onerosos aplicados no negócio, ele foi de 6,88% no período, rendimento inferior ao rendimento de CDI líquido que foi de 6,66%.

Sob este aspecto, outro grande vilão dos altos custos é o elevado custo de capital. Para a Vivo, as tarifas precisariam aumentar ainda mais para obter um ROI superior ao custo de capital de terceiros.

Além disso, a VIVO está com spread negativo, pagou 9,54% pelo capital de terceiros para investir em ativos que só geraram 6,88%. Os acionistas que ficaram com a conta, receberam apenas 5,99%, menos que o CDI. 

Essas taxas baixas de retorno são uma bomba relógio para os fundos de pensão, pois são eles os maiores investidores.

Será que tudo isso que dizem por ai é verdade? Tudo é interesse político?

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29 comentários

  1. Nao tenho nenhuma objecao ao

    Nao tenho nenhuma objecao ao que voce disse mas isso me atraiu a atencao:

    “Nesse ponto podemos dizer que os impostos são sim um dos vilões do custo do serviço prestado. Os governos ficam com a maior fatia da riqueza captura pelo negócio, ficam com 50% do valor adicionado pela atividade”:

    Se isso fosse verdade nao haveria logica NENHUMA aa ideologia da privataria, que ja tem decadas.  Quer dizer que a privataria deu erradoe ninguem ficou sabendo?!?!

    Esperando mais dados.

  2. Problema do Brasil…

    É a sonegação de impostos. Enquanto a fiscalização não melhorar ou os impostos forem mais fáceis de pagar ou fiscalizar, vai continuar assim por muito tempo.

    Um imposto inteligente era o CPMF, mas fizeram o favor de exterminar.

    Outro imposto importante é o IR, mas este somente para servidores públicos.

    O resto é sonegação quente.

  3. Gostaria que fosse

    Gostaria que fosse discricionado no conjunto dos impostos, os federais, estaduais e municipais, assim poder-se-ia fazer a pressão onde há maior margem para negociar. Chama atenção também a relação do percentual que é gasto em folha e o que é distribuído para acionistas.

  4. A necessária reforma do estado brasileiro.

    O estado e a sociedade brasileira precisa de uma reforma. Isso ocorrerá através do diálogo ou de crises cada vez mais graves. Com números acima, assim no frio,tiro algumas conclusões:

    1. A necessidade de se reformar a governança de contratos. O que o Marcos Lisboa coloca é muito bom, pois independente de política financeira, se estabelece novos principios de governança e transparência para acordos entre estado e setor privado.

    2. Uma reforma tributária que além de ser progressiva, traga transparência e beneficios para a sociedade.

    3. Uma reforma da previdência: chega de cotas de riquezas serem distribuídas a parentes de pessoas ligadas ao poder. A crise social no futuro poderá chegar justamente por este lado: estado e privilégios para pessoas e familias ligadas ao poder; e meritocracia para o resto da sociedade. De Aécio Neves a Maitê Proença, o que esse povo prega é um darwinismo social. 

    4. E para os capitalistas brasileiros: demaziado poder para o capital, com múltiplas mágicas de concentração, centralização e evazão de riquezas em detrimento da sociedade sempre trouxe crises para o sistema. Daí, que sistemas caíram e muitos morreram, mas o homem e a sociedade caídas aprenderam a se adaptar aos novos mundo que surgiram. 

    Portanto, a classe política, capitalista e o povo podem enganar a si mesmo por um bom tempo, mas crises chegam para colocar a realidade nna nossa cara. 

  5. Nassif
    Ou seja,  os

    Nassif

    Ou seja,  os governantes (principamente os estaduais) são sócios das empresas e nos pagamos a conta.

    E pergunta a SP/RJ/MG que comandam o bolo tributario do Brasil, se querem reforma?

    Como disse o Ciro Gomes, “ai é garapa”….

     

  6. Tadinhos…

    Verdade, o autor do texto conseguiu me convencer, tadinhas dessas pequenas e pobresinhas empresas…  acabei me lembrando de uma conversa que eu tive recentemente com um parente meu, cuja família é dona de postos de gasolina, enquanto que o que vos escreve é um mero assalariado. Engraçado que na conversa era um chororô danado, empresário no Brasil sofre mesmo hein…

     

    Só que quando eu perguntei se ele topava trocar de lugar comigo, o papo rapidinho mudou… hehehe 

     

    Vou mais além inclusive, vamos aumentar as tarifas de celular por que esses coitados podem estar passando necessidades!!!

  7. Não entendi :

    “O ROI é retorno dos investimentos, ou seja, o rendimento dos recursos onerosos aplicados no negócio, ele foi de 6,88% no período, rendimento inferior ao rendimento de CDI líquido que foi de 6,66%.”

    6,88% *** MENOR QUE *** 6,66% ? 

    Que professor de aritmética é esse ? Eu sempre achava que 6,88 fosse maior que 6,66!

     

    Ou será essa a tal “aritmética de economista” ? (Sabe-se que entre pessoas que se acham economistas, diferentemente de entre engeheiros e matemáticos, nem sempre 2 + 2 é igual a 4!)

     

    • Desculpe, houve um erro no

      Desculpe, houve um erro no texto.

      De qualquer forma ser inferior ao CDI ou algo semelhante ao CDI, para o investidor dá no mesmo, é um mau investimento.

      Para que investir num negócio, assumir riscos trabalhistas, tecnológicos, fiscais, ambientais, regulatórios etc, se para ganhar o mesmo basta aplicar em títulos do governo?

      O prêmio para quem corre o risco deveria ser muito superior ao CDI.

       

    • 6,88 menor que 6,66

      O 6,88 é calculado antes de Juros e Impostos sobre o Lucro, por isso o texto fala que este valor é menor que o LIQUIDO do CDI.

      No final dá 5,99 como o texto resalta depois.

       

  8. A polemica surgiu em torno da

    A polemica surgiu em torno da questão do Brasil ter uma das maiores tarifas do serviço telefonico do mundo. Então a melhor maneira de analisar é balanço da Telefonica Internacional, detentora da VIVO. E pelo que sei o Brasil representa um percentual muito grande do lucro liquido do grupo telefonica e eles estão muitíssimo satisfeitos com a operação no Brasil.

  9. A polemica surgiu em torno da

    A polemica surgiu em torno da questão do Brasil ter uma das maiores tarifas do serviço telefonico do mundo. Então a melhor maneira de analisar é balanço da Telefonica Internacional, detentora da VIVO. E pelo que sei o Brasil representa um percentual muito grande do lucro liquido do grupo telefonica e eles estão muitíssimo satisfeitos com a operação no Brasil.

  10. olha voce diz que os socios

    olha voce diz que os socios  ficam  com 3,7  bilhoes   e por  acaso isso é pouco?   o lucro  deles  está  ate acima demais,  vamos lembrar que  essas operadoras  entram no país   e  levam   bilhoes  daqui ,  ano  passado so uma delas  transferiu para o  exterior   18.2  bilhoes   entao  gostari a  de  saber como é que  essa  contabilidade funciona.  porque todos  nos  sabemos que isso é produto ded caixa 2  

  11. Voces  precisam saber que

    Voces  precisam saber que isso acontece  em  todas  parte do mundo isso acontece,  Voces  tambem precisam saber que o  governo  retorna  isso  em  beneficios ,  como   conservaçao de  estradas   transportes, programa  sociais,  e muitos outros  que  acabam nos   favorecendo.  Tambem quero lembrar a voces  que   saiam do  Brasil e  va para a  Italia,  la  compre  um  perfume   e  voce  vao ver  que  80%  é  deimpostos,  coisa que nao acontece aqui.   Va  tomar um cafezinho,  se voce  ficar  em  pé  tudo  bem  se  cair nas  asneirtas de sentar  o  cafe  triplica de  preço. 

    Aqui pelo menos  temos  bom ou ruim  atendimento a  saúde  educaçao,   habitaçao  e tudo  isso vem dos impostos  arrecadados. Tivemos  agora  recentemente  um caso dce  um  turista que  a mulher  deu a luz  nos  EUA,  a conta  foi um  presente  de aniversarios  para eles   2.4  milhoes   por um parto .  aqui  eles  nao  gastariam nada portanto nao sou contra ao que o governo arrecada  de impostos  dessas teles, afinal  se ele nao arrecadar  vai sobrar muito para  elas  sonegarem, e  desviar  para  offshores  etc  etc 

  12. No meu entender  quem

    No meu entender  quem  vinhesse  para o  Brasil  comprar  empresas  estatais  ou  privada  so  deveria levar  daqui apenas  2%  do seu faturamento   o  resto teria  que  ser aplicado  aqui mesmo.  Pode  ser  ditatorial mais  esse pessoal vem  atraz dos  lucros  faceis,  as  teles  como  principalmente a  OI  vem abandonando  o sistema  de telecomunicaçoes do  Brasil e   graças  ao  sr  FHC  elas  nao sao obrigadas  a  investir, 

     

     

    Como os grupos de mídia abocanharam parte do Sistema Telebrás na privataria tucana

     Durante a privataria abocanharam parte do Sistema Telebrás, não escapou nem mesmo o satélite da Embratel, tudo foi entregue na bacia das almas, o pais ficou sem qualquer proteção, o que resultou na espionagem da NSA e ninguém fala nisso: O bandido é o Lula! O Lulinha é dono das teles…hum… pelo que sei é do pig: Como o crime organizado estranhou-se no Estado brasieliro durante a privataria…,e seu deu bem, uma vez que veículos de comunicação passaram a ser proprietários daquilo que antes pertencia ao povo brasileiro. Pagaram quanto mesmo…E continuam faturando… 

    Carta capital denuncia diálogos perigosos no telefone na época das privatizações entre FHC e Mendonça de Barros

    Publicado por MariaDirce Cordeiro em 27 setembro 2010 às 2:21 em PolíticaExibir tópicos“A imprensa está muito favorável, com editoriais”,
    diz Mendonça de Barros.
    “Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira.
    “Estão exagerando, até.”

    Diálogo telefônico
    durante as negociatas prévias
    à privatização das teles em 1998
    entre FHC
    e o então ministro das comunicações,
    Mendonça de Barros (PSDB,
    levado para governo por indicação de José Serra),
    .O diálogo completo acima pode ser lido aqui, nos arquivos de Carta Capital.

    Por quê a imprensa estava até “exagerando” nos editoriais e na cobertura do noticiário na privataria das teles, em 1998?

    Os “impolutos” lobistas da família Mesquita, do Estadão, saíram do processo sócios da empresa de telefonia celular BCP (atualmente comprada pela Claro), na região Metropolina de São Paulo, com o Grupo OESP (Estadão) participando com 6% do consórcio:

    Banco Safra (44%)
    Bell South – EUA (44%)
    OESP (6%)
    Splice (6%)

    O lobby dos Mesquita junto com lobby da família Sirotsky (Grupo gaúcho RBS) pela privataria, também resultou em 6% e 7% de participação de cada grupo, no consórcio BSE (Estados do Nordeste à exceção da BA e SE):

    Banco Safra (40,5%);
    OESP (6%);
    Splice (6%);
    RBS (7%)

    Os “impolutos” lobistas da família Frias, mais cautelosos, saíram do processo com opção compra de 5%, do consórcio Avantel Comunicações (disputava telefonia celular no interior do estado de SP), que ficou em 2º lugar no leilão, mas ganhou com a desclassificação do 1º (Consócio Tess), mas o Avantel acabou desistindo em fins de 1998:

    Air Touch – EUA (25%);
    Stelar (25%);
    Camargo Correa (25%);
    Unibanco(25%);
    Jornal Folha de São Paulo (opção de compra de 5%)

    Opção de compra significa que se o Grupo Folha achasse o negócio bom depois de algum tempo, poderia exercer o direito de ser sócio de 5%. Se não achasse o negócio bom o suficiente, não compraria os 5%, não correndo nenhum risco.

    Os “impolutos” lobistas da família Marinho (Globopar), participaram do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo:

    Globopar (40%);
    ATT – EUA (37%);
    Bradesco (20%);
    Stet – Itália (3%)

    O consórcio acima perdeu o leilão para o Grupo Telefonica da Espanha, mas a família Marinho não ficou no sereno. Ganharam com o consórcio Vicunha Telecomunicações, a telefonia celular na Bahia e Sergipe:

    Stet – Itália (44%);
    Grupo Vicunha (37%);
    Globopar e Bradesco (20%)

    Clique na imagem para ampliar

    Informações na pág. 70 (figura acima) do estudo “INVESTIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL: DOIS VETORES DA MESMA ESTRATÉGIA”.

    É fácil entender porque o Estadão declara apoio a José Serra (PSDB) no seu editorial de hoje.

    Leia também:

    – Corrupção na Imprensa: Grupo Estadão teve contrato prorrogado sem licitação no governo tucano

    – Corrupção na imprensa paulista: esconderam as milionárias transações de Marcos Valério com a TELESP em 1997

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/CompartilharTwitterFacebookExibições: 46▶ Responder esta

    Respostas a este tópico

    Permalink Responder até MariaDirce Cordeiro em 27 setembro 2010 at 2:22▶ Responder Permalink Responder até MariaDirce Cordeiro em 27 setembro 2010 at 2:24domingo, 26 de setembro de 2010
    Corrupção na imprensa paulista: esconderam as milionárias transações de Marcos Valério com a TELESP em 1997

    Entidades públicas administradas pelo PSDB teriam depositado R$ 104 milhões na conta de empresa de Marcos Valério

    Daniel Pereira e Tina Vieira

    BRASÍLIA – A CPI dos Correios demonstrou ontem que tem munição contra o PSDB. Uma nota técnica à disposição da comissão revela que uma conta no Banco Industrial e Comercial S/A (Bicbanco), da agência SMPB São Paulo, de propriedade de Marcos Valério Fernandes de Souza, recebeu em 1997 e 1998 cerca de R$ 104 milhões, em valores atualizados em novembro de 2005, de duas entidades públicas sob responsabilidade de governantes tucanos. Como no caso das operações efetuadas no governo atual, a CPI suspeita de desvio de recursos públicos para alimentar partidos políticos.

    Além disso, vislumbra a possibilidade de comprovar que Marcos Valério opera esquemas de drenagem do erário pelo menos desde meados da década passada. Obtida pelo Jornal do Brasil, a nota técnica aponta depósitos e ordens de crédito a favor da SMPB São Paulo efetuados pela TELESP, então empresa de telecomunicações do Estado de São Paulo, e pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego.

    Em ambos os casos, o enredo não é original e envolve, por exemplo, pagamentos superfaturados por serviços não comprovados e saques em dinheiro vivo. A atenção da CPI dos Correios está voltada, sobretudo, para o relacionamento entre a Telesp e a agência de Marcos Valério.

    Entre abril de 1997 e setembro de 1998, a empresa [TELESP] despejou na conta da SMPB São Paulo cerca de R$ 41 milhões, em valores da época, ou R$ 73,3 milhões, em números atualizados em novembro de 2005 com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

    A maioria dos depósitos ocorreu antes das eleições gerais de 1998 e da privatização da Telesp, realizada em julho daquele ano. A nota técnica menciona indícios de que os depósitos ”podem ter apresentado irregularidades na sua utilização capazes de caracterizar desvio de recursos públicos”. Entre os indícios, destaca-se o fato de o contrato entre a Telesp e a SMPB São Paulo prever o pagamento de, no máximo, R$ 4 milhões. Ou seja, dez vezes menos do que o total depositado na conta da agência de Marcos Valério.

    Diante da disparidade dos números, o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), enviou ofício à Telesp questionando se foram fechados outros contratos de prestação de serviço no período sob investigação e a relação discriminada dos pagamentos deles resultantes. Em resposta à CPI, a empresa declarou a existência apenas do contrato de R$ 4 milhões, assinado pelo então diretor Carlos Eduardo Sampaio Doria. Eleito deputado federal pelo PSDB em 1998, Sampaio Doria também foi presidente da Telesp.

    Hoje, ocupa o cargo de diretor de controle econômico e financeiro da Agência de Transportes do Estado de São Paulo e tem assento no conselho consultivo da Fundação Mário Covas, governador de São Paulo entre 1995 e 2001, quando faleceu. Na resposta à CPI dos Correios, a Telesp reconheceu ainda que ”para alguns dos pagamentos realizados não estão disponíveis as informações sobre subcontratada, tipo de serviço e valor dos honorários, em razão do modo de arquivamento anterior ao período de privatização e além do prazo legal de sua manutenção”.

    – Isso é gravíssimo, é um crime – disse o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), sobre os desembolsos realizados sem previsão contratual comprovada e sem a respectiva prestação de serviço.

    Também causa espécie aos técnicos da comissão o fato de a SMPB ter repassado recursos para seis empresas que teriam sido abertas apenas para receber dinheiro oriundo do caixa da Telesp. As notas emitidas pelas empresas eram seqüenciais, ou seja, sinalizam que a então estatal era a única cliente delas. Todas as empresas são controladas pelos irmãos Ricardo…

    Duplicatas da TELESP aparecem na denúncia do PGR contra Eduardo Azeredo

    Na denúncia apresentada ao STF pelo Procurador-Geral da República contra Eduardo Azeredo, devido mensalão tucano, já aparecem duplicatas da TELESP sendo oferecidas como garantia ao Banco Rural pela SMPB para retirar empréstimos, que foram usados para financiar a campanha eleitoral▶ Responder http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-capital-denuncia  Permalink Responder até MariaDirce Cordeiro em 27 setembro 2010 at 2:35″A imprensa está muito favorável, com editoriais”
    Trechos das fitas enviadas pelo governo à Polícia Federal

    O ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende e Pérsio Arida estão reunidos. Eles conversam com Jair Bilachi, presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. O trio quer que a Previ se junte ao Opportunity, visando formar um consórcio para arrematar a Tele Norte Leste:

    “Estamos aqui eu, André, Pérsio e Pio (Borges, vice-presidente do BNDES)”, diz Mendonça de Barros a Bilachi. “Mas estamos muito preocupados com a montagem que o Ricardo Sérgio está fazendo do outro lado (junto ao consórcio de Carlos Jereissati). Porque está faltando dinheiro, doutor. E a gente está sabendo que uma das alternativas (do consórcio concorrente) é fundir as empresas com a holding. Aí, o negócio não fica limpo e a minha primeira preocupação, e o presidente já me ligou, é que a gente ponha em pé este negócio. Senão, o que aparentemente for um puta sucesso pode ficar um negócio amargo.”

    “Ministro, nós estamos concentrando forças e a nossa proposta é bem diferente”, responde Bilachi. “Mas é justo na linha dos negócios. Nós estamos cacifando aqui. Mas, essa questão do outro negócio (apoio de Ricardo Sérgio de Oliveira, do Banco do Brasil, ao grupo de Jereissati), acho que vocês deviam conversar com o Ricardo Sérgio.”

    “Tudo bem”, diz Mendonça de Barros. “Mas o importante para nós é que vocês montem com o Pérsio, evidentemente chegando a um acordo, e tudo o que precisar nós ajudamos. Temos um probleminha agora que é a carta de fiança. E é chato chegar agora, no meio da tarde, e o Banco do Brasil dizer que não vai dar.” “Vou falar com ele (Ricardo Sérgio)”, diz Bilachi. “Sei que ele (Ricardo Sérgio) está falando com a Telefónica de España, um negócio meio esquisito.”

    O ministro das Comunicações telefona para o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira. E revela: o Opportunity quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil:

    “Está tudo acertado”, diz Mendonça de Barros para Ricardo Sérgio. “Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?”

    “Acabei de dar”, responde Ricardo Sérgio. “Dei para a Embratel e 874 milhões para o Telemar (Tele Norte Leste). Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”, continua o diretor do Banco do Brasil, quase rindo.

    “É isso aí, estamos juntos”, diz Mendonça de Barros.

    “Na hora que der merda (Ricardo Sérgio se refere ao astronômico valor da fiança), estamos juntos desde o início.”

    O presidente Fernando Henrique liga para o ministro Mendonça de Barros na sede do BNDES. FHC queria saber como estava o andamento do leilão das teles:

    “Estamos aqui praticamente com o quadro fechado”, diz Mendonça de Barros ao presidente.

    “Você acha que, no conjunto, vai dar o quê?”, pergunta FHC.

    “Vai dar uns 16 bi, que é o que eu tinha dito”, responde o ministro.

    “O nosso preço mínimo é de 13 bi e 400, e nós chegaremos a uns 16 bi, que é muito dinheiro.”

    “Ajuda, né?, as reservas”, comenta FHC.

    “A imprensa está muito favorável, com editoriais”, diz Mendonça de Barros.

    “Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira. “Estão exagerando, até.”

    http://www.terra.com.br/cartacapital/espionagem/artigo02.htm 

     

  13. “A parcela do lucro

    “A parcela do lucro adicionado destinado aos investidores é de quase 1/3 do que os governos arrecadam. Assim, os governos podem ser chamados dos verdadeiros sócios majoritários do negócio de telefonia, os sócios seriam seus prepostos.”

    Estou adorando a semana liberal no blog do Nassif! Muito bom. Continuemos assim!

    Piadas a parte, esse é um exemplo de como a nossa estrutura tributária é absurda. A conta de telefone do pobre é cara por que se paga muito de ICMS.

    Na prática, portanto, os Estados são os sócios das companhias – sem colocar UM CENTAVO no negócio, SEM RISCO e sem qualquer responsabilidade.

    Muito justo, né?

  14. A eficiência o “mercado”

    Caro Sergio,

     

    Trabalhei durante muitos anos na área de TI de uma das grandes operadoras do Brasil, então vou dar o meu testemunho, sem entender nada de contabilidade ou mercado financeiro.

    Concordo com você que os impostos são muito altos, e precisam ser reduzidos, mas o que via também era muita incompetência, principalmente na área técnica: contratos superfaturados, investimentos mal planejados (ou não planejados) e executados, corrupção e problemas de todos os lados, com muitos fornecedores, principalmente consultorias, subalocando pessoal e faturando como se fossem consultores especializados.

    Tudo isso gerava ineficiência e aumentava o custo operacional, corroendo as margens de lucro. Apesar de ser uma visão somente de TI, não acredito que as áreas administrativas sejam diferentes. Como TI é 80% do negócio de uma telecom, isso afeta muito o resultado.

    E nessa época já era uma empresa privada, então a empresa deveria se beneficiar da eficiência do “mercado”.

    • Prezado J. Luis
      Os

      Prezado J. Luis

      Os desalinhamentos de conduta na gestão de negócios existem onde houver delegação de gestão da coisa alheia.

      Em princípio, o alinhamento deveria ser melhor onde há um “dono” que lute pelo seu capital. Pois assim, haveria uma cobrança da direção para que os demais agentes delegados se mantivessem alinhados.

      Essa conversa de caixa dois, no faturamento de empresas desse porte, é difícil. Já nos contratos com fornecedores isso pode surgir.

      Em tese, empresas privatizadas deveriam ser melhor geridas que as pública, isso porque, segundo o finado Joelmir Betting, só há quatro maneiras de se gastar dinheiro: usar recurso próprio para uso próprio, olha-se qualidade e custo, usar recurso próprio para uma coisa para terceiros, olha-se preço e não se olha a qualidade da coisa; usar recurso de terceiro para comprar coisa própria, olha-se qualidade da coisa e não se olha o custo; e usar recurso de terceiro para comprar coisa para terceiros, não se olha nem qualidade e nem custo. Quase sempre o gestor público, está na última posição.

      Por isso, essa história de que a privatização é roubalheira eu acho que é bobagem. Empresas estatais padecem mais de desvios de conduta que as privadas, vide Petrobras. Eu acho que, se a atividade não é essencial de Estado, deve ser delegada ao privado. Sob vigilância de agências sérias. No fundo, essas empresas acabam representando a sociedade, pois grande parte do capital são de fundos de pensão, etc.

      Nossa sociedade é imperfeita em razão da natureza humana. Precisamos encontrar a maneira de melhor conviver com isso. Vamos encontrar falhas em qualquer tipo de empresa, pública ou privada. Na empresa privada deve-se esperar menores falhas de conduto e uma gestão mais dinâmica em termos de estratégias de negócio que na empresa pública, muitas vezes engessada pela gestão orçamentária.

       

      Sérgio

       

       

       

       

       

       

    • Concordo em gênero, número e grau.

      O problema das teles privatizadas é que elas nadam em dinheiro. E aí acumulam super-poderes junto a todos os seus fornecedores. Dois exemplos de minha vida pessoal, relativos à mesma empresa de telecomunicações:

      * Um determinado software precisava de licença para rodar em servidores – uma licença bastante cara, pois se destinava a máquinas de grande porte. A empresa usou durante ANOS licenças de demonstração “cedidas” pelo fabricante do software, enquanto a companhia telefônica enrolava a negociação de compra com o fabricante do sofware colocando a faca em seu pescoço. Não sei se o mesmo tipo de prática permanece até hoje; não tenho motivos para crer que isso tenha mudado.

      * Não se conseguia otimizar o processo de backup (cópia dos dados) dos servidores, e se ia levando com a barriga – até o momento em que se descobriu que não havia backup de uma base de dados da impresa (coisa pouca, 600 gigabytes). A rede tinha inúmeros problemas de configuração e o próprio software de backup estava instalado de maneira inadequada. A solução? Comprar uma máquina ainda maior para fazer o backup! O fornecedor e seu vendedor fica contente, o diretor da área da companhia telefônica também (pois negocia com o fornecedor uma fatia do faturamento com o novo servidor). Os dados? Continuam desprotegidos como sempre.

      Por mais descaminhos que existam dentro das empresas públicas, em algum momento eles são descobertos, auditados e sanados. Com as empresas privadas, essa garantia não existe – afinal de contas, o interesse final do board é tão somente garantir o lucro aos acionistas – não importa se por meios legais ou não.

  15. Na pivataria tucana os meios
    Na pivataria tucana os meios de comunicação abocanharam parte da Telebrás, estão reclamando de que mesmo. FHC embutiu no contrato da rapinagem uma cláusula em que se garante reajuste correção monetária às teles mesmo que elas não invistam sequer 1 centavo, e nenhum governo pode alterar tais cláusulas sob pena de ser processsado na OMC.Coisa de bandido mesmo.Parte do Capítulo 5 do Livro A Privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jrhttp://blogdotarso.com/2011/12/23/parte-do-capitulo-5-do-livro-a-privataria-tucana-de-amaury-ribeiro-jr-vale-do-rio-doce/Select ratingRuimBomMuito bomÓtimo ExcelenteRuimBomMuito bomÓtimoExcelente  Spin

     

  16. As vezes fico me perguntando


    As vezes fico me perguntando até quando vamos ficar falando do FHC e o culpando por tudo, a privatização da telefonia foi feita a muito tempo, o atual governo já esta lá a 12 anos e ainda fico lendo que é tudo culpa dos contratos da privatização, desde este tempo a maioria dos os players já mudaram de mão ( basta ver o quadro socitário das empresas e a concentração dos grupos), o governo já alterou os contratos de concessão diversas vezes (basta uma rápida pesquisa na Anatel), então vamos olhar para frente e cobrar as mudanças necessárias.

  17. E a classe média paga tudo

    E a classe média paga tudo direitinho e caladinha, nasceu para ser a trouxa mesmo. Enquanto não mudar o tipo de cidadão que aceita tudo que a mídia vomita, os oportunistas sempre cobrarão caro por seus trabalhos de qualidade pífia. Por que os carros são mais caros por aqui? Os próprios diretores das empresas dizem que enquanto aceitarmos pagar preços altos, eles não serão bobos de não vendê-los por preços exorbitantes. To chegando a conclusão que o cidadão brasieliro só consegue ser fiel à mídia. Ela manda, ele obedece. Esse é o atraso desse país.

  18. Devolvam as teles ao povo brasileiro

    Devolvam as teles ao povo brasileiro, inclusive a Embratel com seus satélites. E não se esqueçam de devolver os imóveis que, como se sabe, ultrapassam o valor de 108 bilhões de reais, tudo isso entrou de lambuja na privataria tucana.

  19. Alguém já viu quanto se cobra

    Alguém já viu quanto se cobra de ICMS na telefonia? Aqui em Pernambuco 28%, isso mesmo, é surreal, pior, serviço de telefonia é uma mercadoria? Não deveria ser tão somente o ISS, imposto sobre serviços, cuja taxa é de 5%?
    Mas não, encontraram uma forma de encaixar o ICMS na telefonia, então temos essa aberração tributária, e nós, consumidores que pagamos a conta.

  20. explicação

    Não estou interessado em como eles dividem o bolo, quero saber porque aqui os custos (tirando os impostos) ainda são um dos maiores do mundo.

    Acho que a maracutaia está ai.

    A Índia tem muitas semelhanças com o Brasil. Lá falar ao telefone é muito barato.

     

    Brasil: US$ 0,71 o minuto

    Argentina e México: US$ 0,32

    EUA: US$ 0,27

    Hong Kong: US$ 0,01

    Índia: US$ 0,01

  21. Bons argumentos: sofisma puro!

    A argumentação da “baixa” lucratividade é maravilhosa e convincente, mas quando compara “impostos” com “taxa de retorno’ dá o pulo do gato:
    – impostos voltam para a sociedade, que é quem os paga
    – lucros ficam no bolso dos investidores, sem nenhum benefício para os consumidores

    A velha cantilena de que os preços são altas por causa dos impostos, mas não vi nenhuma redução quando da extinção da CPMF. Ou seja, aumentaram as margens de lucro. 

    • Presado Jose Carlos

      Presado Jose Carlos Fix

      Quando pensamos em investidores, vem sempre a imagem de magnatas de cartola fumando charutos.

      Mas, no caso das empresas privatizadas, a maior parte do capital investido não é desse pessoal, é fundos de pequenos poupadores, quer seja através de de renda variável ou de fundos de pensão. É a poupança guardada para a velhice, para a aposentadoria.

      Quando uma atividade dessas remunera pouco os investidores, isto tem efeito perverso estas pessoas. Se são cotistas de fundo de pensão, isso significa desequilíbrio atuarial que deverá ser coberto com maior aporte de capital ou menor renda futura.

      Dos fundos de pensão públicos, a perda de renda poderá ser revertida por maior aporte do Estado, cobrando impostos do resto da sociedade.

      Baixa rentabilidade das empresas de concessão pública é um grande problema para o futuro da sociedade.

      Att.

      Sérgio

       

       

       

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