“Amor e Sexo”, por Rui Daher

Por Rui Daher

Quinta-feira, 06 de abril, volto do interior paulista e vou direto para a Redação do BRD/FD, Blog-Boteco Rui Daher e Fígado Diário, sucursal extrema-unção apresentada em minha página no Facebook. Por quê? Ora, porque todos fazem.

Percebo Nestor e Pestana de bico, caras feias.

– Já sei, absurdo de um lado e de outro na Síria. Quantas vezes escrevi que não falta muito para a 3ª Guerra Mundial?

– Fosse só isso.

– Prenderam o Lula? Doriana Jr. mudou de perfume e figurino?

– Não, você.

 

– Eu?

– Sim, pedimos para diminuir um pouco a galhofa, escrever sério, mas não precisava exagerar. Virou um André Araújo. Agro isso e aquilo, Trump, Hebraica, Jair Cuzão, crise do capitalismo. Adianta? O planeta digital e o impresso só escrevem sobre esses temas. São incansáveis. Por que não segue seu amigo Márcio Alemão, que não perde a piada e assim fere mais do que faca amolada.

– Nestor, mas é o que eu tenho feito, mas vocês nunca estão contentes comigo.

– Vamos ver. Enquanto você não chegava com essas botas enlameadas, eu e o Pestana bolamos um desafio. Fazer você assistir ao “Amor e Sexo”, na TV Globo, e verificar seu índice de deboche e galhofa.

– Estão loucos. Nem por um peixe frito na praia pelo marido dela. Assisti a algumas chamadas anunciando a volta da maravilhosa Fernanda Lima, né?

– Olha aí. Vive se segurando. Gostosa, cara, abre, não tem igual.

– Nisso, concordo. Baita mulher. Acho que o José Mayer nunca passou por ela.

– Boa! Tá pegando o espírito da coisa, como se escrevia em “O Pasquim”.

– Topo! Mas precisamos beber alguma coisa para eu aguentar. Aquilo lá sempre me remeteu ao intragável Arnaldo Jabor.

– Esse, se não morreu, tá mais velho do que você e pelo que escreve gagá.

Na Redação temos um velho aparelho Phillips de TV que Dona Lourdes nos doou para apoio às matérias. Se analógico ou não, a discussão não cabe aqui. Pega a Globo. Serve.

Resisti graças às duas garrafas de Carvalheira, pernambucana como Alceu, João Cabral e Antônio Nóbrega.

– Nestor, Pestana, agradeço a oferta dessa formatação facial e corporal linda, adequada aos meus 155 centímetros. De altura, claro, fosse outra, estaria no museu de teratologia.

– Eu achei legal e o Pestana também.

– O quê? A suruba musical ou o papo-cabeça da Fernanda com o Eduardo Giannetti?

– O todo.

– Ah, o todo. Pois foi o que me fez voltar à década de 1950 e restolhos. Os produtores globais fizeram Fernanda no teatro de revista, no rebolado “muderno”, para envergonhar o passado de Virgínia Lane, Anilza Leoni, Elvira Pagã, Carmem Verônica, Marly Marley, Iris Bruzzi, Luz del Fuego, Mara Rúbia, todas sempre incluídas nas “Certinhas do Lalau”, criação exata de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte-Preta.

– Pô, Rui, de onde fostes tirar isso?

– Da memória, amigos. Do inconcebível de um país decadente.

– Ferrou. Ele esqueceu a galhofa.

– Nada. Ela está aí. Já pensaram as divas acima citadas acima, que usavam vestes eróticas idênticas às de Fernanda, discutindo chegada da TV, vacina contra poliomielite, Sputnik, movimento Beat, execução do casal Rosemberg, criação da Petrobras, primeiro cérebro eletrônico, suicídio de Getúlio, Cuba de Fidel e Che, com algum Giannettinho da época?

Silêncio. Claro, o País pensava.

– Perceberam quem acabou de discutir o politicamente correto de Fernanda? Eduardo Giannetti – remonte de Flávio Cavalcanti -, Marcelo Adnet, atrizes globais, aquele felizardo que come a Flávia “Lava Jato” Alessandra, gente enfeitada de signos dos movimentos gay.  

– Merda!

– Puseram até a maravilhosa cantora Virgínia Rodrigues para amenizar o mau-gosto, mas como nada é perfeito, bailarinas Faustão ao fundo.

– Porra, alivia, Rui.

– Vocês pediram. Aliviar o Eduardo lá para dizer que respeita a todas religiões? Quem fala diferente? Ninguém com a coragem de dizer: sou ateu.

– Puta produção, isto é.

– Sem dúvida, como se as gostosas da década de 1950, inspirações para nossos amores e, principalmente, sexo solitário, a par de maridos que fritam peixes na praia, pudessem entrevistar Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Raymundo Faoro, Florestan Fernandes, Octávio Gouveia de Bulhões, Eugênio Gudin, Roberto Campos, Celso Furtado, Paulo Emílio Salles Gomes, Euryclides Zerbini, José Leite Lopes, o físico, César Lattes, Isaías Raw, Crodowaldo Pavan, Josué de Castro.

– Impossível.

– Por quê? AS vedetes daquela época sabiam decorar. Como Fernanda Lima e Eduardo Giannetti da Fonseca, hoje. 

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