Peço perdão à Central Globo de Novelas

Algum tempo atrás, com base em algumas séries norte-americanas – especialmente The Good Wife – ousei desqualificar as novelas da Globo.

Argumentei que as interpretações nas séries não eram caricatas, como nas novelas da Globo. Os roteiros eram verossímeis e ricos, com uma lógica muita mais próxima da grande reportagem do que dos dramas intrincados.

Mil perdões! Depois de assistir vários capítulos de “Revenge” peço perdão de joelhos. A série tem como atriz principal a belíssima Madeleine Stowe no papel de uma socialite dúbia, ora a encarnação do mal, ora a bondade contida.

Desde os velhos tempos da TV Tupi ou das velhas novelas mexicanas vi coisa igual. Transformaram a musa Stowe no estereótipo da mulher pérfida, a pérfida dos érdramalhões de Sarita Montiel, que fala com a boca pérfida e nariz empinado e pérfido.

O roteiro até começou bem, misturando bilionários banqueiros de investimento, lavagem de dinheiro, jovens que se tornaram bilionários com a Internet e, na outra ponta, o romântico dono de bar querendo apenas vida tranquila, um contraponto interessante para a saga da heroína  Emily.

Aí vai criando novas tramas e o roteirista se perde completamente. O roteiro vira um samba do crioulo doido, sem nenhuma verossimilhança.

Lembra até uma velha novela da Record (ou teria sido Excelsior) em que a trama ficou tão intrincada que o roteirista providenciou a morte de todos os personagens em um acidente de avião.

A novela tem a mulher pérfida, o marido pérfido, o filho bonitão e inexpressivo como um jovem galã da Globo, um bilionário da Internet com cara de bobo.

Salva-se a futura grande atriz Emily VanCamp.

Mas nem ela paga o sacrifício de assistir o dramalhão.

https://www.youtube.com/watch?v=7BxZn_CWr2A]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=6BKic6vV_p0

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