Record se inspira em Game of Thrones para internacionalizar novela

Jornal GGN – Surfando em níveis históricos de audiência no horário nobre da TV brasileira, a Rede Record já tem planos para levar o sucesso da novela “Os dez mandamentos” adiante. Segundo reportagem da IstoÉ, a trama religiosa leva será transformada em uma “superprodução internacional baseada no Velho Testamento” e inspirada na série “Game of Thrones”, da HBO.

Game of Bíblia

Da IstoÉ

No princípio, eram as séries. Mas deu tão certo, que a Rede Record investiu um orçamento de mais de R$ 100 milhões e abriu o horário nobre para uma novela baseada em passagens do Velho Testamento. “Os Dez Mandamentos” marcaram na semana passada um recorde histórico: a vitória no Ibope sobre a Rede Globo no “horário das oito”, como é chamada a faixa que hoje abarca a programação das 20h às 23h. O interesse pelos folhetins brasileiros inspirados nas escrituras atravessaram, inclusive, as fronteiras nacionais. A emissora de Edir Macedo, além de exportar o que já tem pronto, vai produzir uma nova saga do gênero em inglês. “Reinos”, título provisório da série em parceria com a Swen Group, de Los Angeles, vai contar a história da formação das 12 tribos de Israel em um formato que deve seguir o teor bélico de “Game of Thrones”, série da HBO.

“Quero mostrar as muitas disputas deflagradas na Terra Prometida, sobretudo depois da morte do Rei Davi”, diz a roteirista Vivian de Oliveira, autora da novela da Record e da nova série, “ainda muito incipiente”, nas suas palavras. A ideia de tratar das brigas por território – mote de “Game of Thrones” – veio do tempo em que a roteirista escrevia a minissérie “Rei Davi”, o primeiro grande gol de público da sequência bíblica do canal, exibida nos Estados Unidos pela Fox Mundo. O grau de violência dessa guerra santa vai depender, segundo a autora, do horário que as emissoras destinarem para a superprodução em dez capítulos, que deve ir ao ar no começo de 2017.

Não deixa de ser curiosa a preferência do público por histórias das quais se conhece o final a tramas que mudam o rumo de acordo com a reação do público, exato caso de “Babilônia”, a novela concorrente da Rede Globo. “Creio que as pessoas estão cansadas da solidão e do individualismo”, diz a autora, pós-graduada em roteiros pela UCLA (University of California, Los Angeles) e frequentadora da congregação protestante Nova Igreja. “Por isso, o público contemporâneo tende a gostar das narrativas que trazem valores como a união, a verdade e o amor, temas que são eternos. É isso que mostramos em nosso trabalho”, diz ela.

Concessões históricas são uma das estratégias da roteirista, que prefere chamar de “licenças poéticas” as transformações do texto original. A tensão sexual entre Zípora e Moisés na novela das oito obviamente não veio de nenhum texto bíblico – o folhetim é baseado nos livros “Êxodo”, “Levítico”, “Números” e “Deuteronômio”. Assim como a descrição do prostíbulo Casa de Senet, cenário de luxúria e diversão na novela que narra mais de cem anos de história. As egípcias se prostituíam mais comumente nas margens do rio Nilo. Mas a autora precisava de um ponto de encontro para personagens de núcleos diferentes da trama. Outra adaptação importante dos originais, que estão se tornando uma marca da escrita de Vivian, é o aumento das ações e falas das mulheres. A amargura que levou Micau, primeira mulher do protagonista de Rei Davi, à loucura foi uma criação sua. “Mas é algo que poderia ter acontecido”, diz.

“Hoje me sinto muito segura, inclusive para questionar alguns freios dos historiadores”, afirma ela, que tem assessoria dos pesquisadores Maurício Santos e Márcio Santana, especialistas, respectivamente, no povo hebreu e egípcio.

Outro trunfo inegável de ‘Os Dez Mandamentos também não se encontra nas escrituras: o casting. Ao contrário do que aconteceu com a última versão da saga de Moisés em Holywood no ano passado, ninguém no Brasil questionou a diferença física dos atores com o povo egípcio ou hebreu. Pelo contrário, os atores Guilherme Winter e Sergio Marone têm feito um sucesso imenso como os quase irmãos que todos sabem que serão inimigos. No dia 12 de junho, uma das enquetes mais divertidas dos site da emissora perguntava qual dos personagens o público preferia como namorado: o “sedutor” Ramsés ou o “responsável” Mosés.  

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8 comentários

  1. Vc é daquelas pessoas que

    Vc é daquelas pessoas que gostam de saber o final antes dos outros ou não?—Em Portugal ,aonde nossas novelas passam, é até assunto de Estado.

       Então leia aqui:

    MAURICIO STYCER

    Anatomia de um spoiler

    Vinte e quatro anos depois de a ‘Ilustrada’ revelar quem matou Laura Palmer, estraga prazeres ainda assombram

    Na quinta-feira, 11 de abril de 1991, a capa da “Ilustrada” exibia o seguinte título: “Saiba quem matou Laura Palmer”. O subtítulo avisava: “Não leia o texto abaixo se você não quer saber o mistério da série ‘Twin Peaks’, que intrigou os EUA por cinco meses”.

    O texto entregava o segredo mais aguardado pelos fãs da série já na primeira linha. “Bob, uma alma penada com obsessão por facas, matou Laura Palmer”.

    O seriado vinha sendo exibido pela Globo aos domingos, às 22p0, e o episódio no qual o público descobriria o assassino estava programado para ir ao ar em 26 de maio, ou seja, dali a 45 dias.

    Ainda segundo o texto, o assassino de Laura Palmer havia sido conhecido pelo público americano em 30 de setembro do ano anterior, quando o episódio-chave foi exibido pela rede ABC.

    O autor do texto foi o jornalista Álvaro Pereira Júnior, então editor-chefe do jornal “Notícias Populares” (que pertencia à mesma empresa que edita aFolha). Ele morava nos Estados Unidos quando a série foi exibida originalmente e já havia assistido ao episódio em questão. Não foi dele, porém, a ideia de publicar o spoiler.

    “A má ideia foi minha”, conta Matinas Suzuki Jr., então editor-executivo daFolha. “Foi algo que combinava com a atitude que a ‘Ilustrada’ tinha na época, provocadora, espírito de porco”, diz.

    Mario Cesar Carvalho, então editor da “Ilustrada”, divide com Suzuki a paternidade da travessura.

    “A minha avaliação é que a série do David Lynch era tão genial que saber quem matou Laura Palmer não tinha a menor importância”, diz hoje. “Continuo achando isso.”

    O então ombudsman do jornal, Caio Túlio Costa, elogiou o cuidado que a “Ilustrada” teve em avisar que o texto continha revelações, mas registrou em sua coluna dominical no jornal, três dias depois, que recebeu um grande número de protestos de leitores.

    Bem-humorado, Costa escreveu que uma leitora, ao fazer a sua reclamação, ainda se vingou do ombudsman: “Ela acabou me contando o fim do filme ‘O Poderoso Chefão’ [o terceiro da série], que eu ainda não vi”.

    Não sei se foi o primeiro, mas este certamente foi o mais rumoroso caso de spoiler ocorrido até então na mídia brasileira.

    Muita coisa mudou nos 24 anos que separam a revelação do nome do assassino de Laura Palmer da notícia de que um dos principais personagens de “Game of Thrones” (não vou escrever o nome) morreu no final da quinta temporada.

    Se no século passado as séries americanas demoravam meses, às vezes anos, para serem exibidas no Brasil, hoje elas passam aqui de forma simultânea ou quase.

    No esforço de combater a pirataria, enormemente facilitada pela revolução digital, os principais grupos que atuam na área de TV por assinatura têm se esforçado em diminuir o intervalo entre a exibição original e a reprodução no Brasil de suas principais séries.

    O spoiler, ainda assim, prolifera por conta da atividade frenética de um exército de estraga prazeres nas redes sociais. É uma praga sobre a qual não existe controle, salvo se isolar do mundo.

    Por fim, é preciso dar crédito ao Netflix, que desde a primeira temporada de “House of Cards” coloca suas séries à disposição dos assinantes na íntegra. A iniciativa contribui para o fim do hábito de se ver um capítulo por semana, num horário determinado, e transforma todo assinante num potencial divulgador de “segredos”.

  2. seriados

    Questão de quem veio primeiro…

    O Velho Testamento é tão fantasioso quanto Game of Thrones. Se este fosse anterior àquele, nosso “jesus cristo” seria o anão Tyrion Lannister, gente boa toda vida.

    Fábula por fábula, prefiro Game of Thrones.

    A última temporada do seriado terminou com Cersei, pelada e humilhada, desfilando num corredor cheio de vociferantes discípulos do Malandraia.

    Imagina agora os hebreus entrando em Jericó, passando todo mundo a fio de espada, mas  poupando as virgens para o prazer dos guerreiros.

    A concorrência vai ser fogo.

    Pois é…Já dizia o finado Saramago: “A Bíblia é um manual de maus costumes.”

    • Se forem a fundo na Bíblia, …

      Se forem a fundo nas hitórias do antigo testamento o seriado só poderá ser exibido depois da meia noite, pois temos de tudo, sexo, drogas e muita violência!

      Tem ainda erotismo mais leve, histórias de traição de tudo que é tipo e o pior de tudo um deus raivoso e cruel.

       

      • Bíblia

        E tudo isso num roteiro muito mal costurado – cheio de ponta solta.

        Uma verdadeira dor de cabeça para os teólogos – os especialistas em desfazer nó em pingo d’água.

        Até hoje estão quebrando a cabeça pra convencer a galera de que o Cântico dos Cânticos não é o que está cara: um poema erótico, inspirado no mais puro e humano tesão.

  3. Mulher

    perguntas sobre a serie da record, para ver se vai ser iqual.

    1) quantas mulheres peladas vão aparecer.

    2) quantas cenas de incesto vai ter.

    3) quantas crianças seram mortas.

    4) quantas traições.

    5) e os zumbis, vai ter, pois serie atual para fazer sucesso tem que ter zumbi. e,

    6) o heroi vai ser traido e morrer no final.

  4. Desculpem os que discordarem

    Desculpem os que discordarem de mim, mas nunca vi tanta babação por uma novela ridícula como essa da Record. Até os grandes atores que representavam na Globo ficam mal nessa emissora porque são mal-dirigidos, talvez. Até o presente, por mais que possam ser criticadas novelas e séries da Globo, não consigo enxergar em outros canais nada que se compare. A Globo fez e faz história nesse item. 

    A ´unica novela que venho seguindo é Sete Vidas. Fazia tempo que não via uma novela tão bem bolada, tão inteligente. O texto é um primor; os artistas foram escolhidos a dedo, e toda a trama, nem tão difícil, torna-se mais palatável por isso mesmo: por ser a reprodução do quotidiano das pessoas em sociedade. É tão maravilhosa essa novela que todos os dias me deixa um gosto de quero mais, vai fazer falta quando acabar.

     

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