41 trabalhadores mortos em Taguaí: foi acidente?, por Miguel Torres

E este gravíssimo problema, problema fatal, está inserido em um quadro geral nefasto que é o da reforma trabalhista, da flexibilização das Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança e do fim do Ministério do Trabalho

Reprodução Rede Globo

41 trabalhadores mortos em Taguaí: foi acidente?

por Miguel Torres

Iniciamos esta quarta-feira (dia 25) chocados com a tragédia que matou 41 trabalhadores da indústria têxtil Stattus Jeans, ocorrida por volta das 6h30, no km 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, em Taguaí (SP).

O ônibus que transportava cerca de 50 trabalhadores e invadiu a pista contrária chocando-se com uma carreta de esterco, acumula 11 multas e estava com IPVA, licenciamento e DPVAT atrasados, segundo informou o G1. Mais do que isso, o veículo pertence a uma empresa clandestina, que não tem registro junto à Artesp nem à Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Frente a tais informações, nos perguntamos: foi acidente?

É revoltante constatar que a morte de 41 pessoas, 41 trabalhadores, é resultado, mais uma vez da negligencia de empresas e do poder público. Negligencia que se manifesta aqui na falta de condições adequadas e seguras para o transporte dos funcionários.

E este gravíssimo problema, problema fatal, está inserido em um quadro geral nefasto que é o da reforma trabalhista, da flexibilização das Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança e do fim do Ministério do Trabalho, que era o principal responsável pela fiscalização nos locais de trabalho. Um quadro de profundo descaso com o povo brasileiro.

Os trabalhadores da Stattus Jeans pertencem à base do Sindicato dos Têxteis da cidade de Fartura e Região, filiados à Força Sindical. São nossos representados.

Nos solidarizamos, nos colocamos à postos para atendê-los, bem como conclamamos à população local que se solidarize de todas as formas possíveis, como com a doação de sangue, e exigimos a devida apuração dos fatos.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical

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4 comentários

  1. Perfeito, porém uma parcela da culpa pertence ao Sindicato. Até porque com a supressão das garantias trabalhistas, do MT, etc., espera-se que os sindicatos ocupem os espaços, inclusive o de fiscalização de empresas terceirizadas. Só depois da tragédia descobriu-se que a transportadora era clandestina e com diversos pontos negativos ?

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    • Eduardo : Ônibus com condições de tráfego e Motorista habilitado para Veículo de grande porte. O resto é Indústria da Mamata, da Burocracia e dos Alvarás. Nenhuma delas salvará dos desastres catastróficos de colisão dianteira em pista simples. O óbvio diário tendo que ser explicado. Diariamente. Indústria de Pedágios.

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  2. ANO DE ELEIÇÃO. O Brasil mais óbvio que nunca !! Centenas de Matérias e Manchetes sobre Maradona. Em Todos Veículos. 41 BRASILEIROS ASSASSINADOS nos rodapés dos Noticiários. A auto-proteção das Elites do Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista. A Imprensa fazendo ‘seu’ Serviço. A demora na divulgação da Notícia. A sub-notificação do número de Mortos, anunciados entre 10 e 15, quando já se sabia que no local do Acidente haviam mais de 30 corpos. A rapidez das Autoridades em liberar o local, sem Perícia ou Análise Criminal, mesmo com dezenas de mortes. A rapidez na liberação dos corpos, enterro e sumiço da Notícia nas manchetes dos Jornais. SP’s de Pista simples, que não comportam o trânsito e velocidade dos Automóveis, mesmo depois de 3 décadas de Privatarias. Rodovias que servem de fuga de Pedágios não podem ser duplicadas. Pedágios Extorsivos na véspera da tragédia e morte. O novo ‘golpe’ de 40 anos de Tucanato e suas Privatarias. Duplicação sem Mamata dos Pedágios?! Pintar “Faixa Contínua” por toda a extensão das Rodovias de Pista Simples (ao invés de duplicá-las), mesmo em trechos com total possibilidade de ultrapassagem. Grande Incentivo à Indústria das Multas e excelente desculpa para tirar a responsabilidade das Concessionárias e Governo do Estado em caso de tragédias e acidentes. Pobre país rico. Importante no dia de hoje é homenagear a vida de Maradona. E voltar tudo ao normal, até porque Domingo tem eleição. Mas de muito fácil explicação.

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  3. “…está inserido em um quadro geral nefasto que é o da reforma trabalhista, da flexibilização das Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança e do fim do Ministério do Trabalho, que era o principal responsável pela fiscalização nos locais de trabalho.”
    Eis aí o que explica bastante as razões desta tragédia.
    Mas estamos perante algo grande, que não se pode ocultar.
    Alguns anos à frente teremos muito mais óbitos ou casos de invalidez devido a precarização das NRS. Mas por ocorrer no varejo, no dia a dia do trabalhador desprotegido, apenas se tornarão lentos processos no INSS que apenas irão agregar mais sifrimento a família, em caso de morte, ou ao próprio trabalhador em caso de invalidez.

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