Governo se alinha com sindicatos para avançar reformas

Temer espera conseguir com UGT e Força reduzir influencia da CUT, ligada aos movimentos de oposição 
 
Ricardo Patah e Miguel Torres, respectivamente presidentes da UGT e Força
 
Jornal GGN – Temer e Meirelles cooptam Força Sindical e União Geral dos Trabalhadores (UGT) para conseguir rachar movimentos e passar a reforma da Previdência e trabalhista no Congresso. Segundo informações do Estadão, até mesmo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estaria em contato com sindicalistas aliados ao governo para tentar barrar as manifestações organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior movimento sindicalista do país, e ligado aos movimentos de oposição ao governo. 
 
A estratégia de Temer é conseguir agregar, com as duas centrais, um número superior ao da CUT para projetar um discurso positivo das reformas. Em troca, Força e UGT deverão ganhar mais espaço na gestão federal.
 
 
 
Planalto recorre a centrais aliadas para ‘embalar’ discurso da necessidade de mudanças nas áreas trabalhista e previdenciária e esvaziar ações de sindicalistas 
 
Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho
 
O presidente Michel Temer mobiliza a Força e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) para tentar rachar o movimento sindical, reduzir a oposição às reformas da Previdência e trabalhista e esvaziar ações contra o governo planejadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central brasileira e ligada ao PT. Até o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deverá conversar com sindicalistas aliados para barrar eventual impacto negativo das propostas entre os trabalhadores.
 
O governo espera que as duas centrais, que juntas superam a CUT em número de sindicatos filiados, ajudem ao menos a “embalar” o discurso sobre a necessidade das reformas. Em troca, o Planalto deverá ceder às reivindicações dos aliados e ampliar seus espaços na gestão.
 
Após ser recebido em audiência privada de 40 minutos com Temer na quarta-feira, o presidente da UGT, Ricardo Patah, saiu do encontro com o compromisso de levar Meirelles a uma plenária na sede da entidade em São Paulo. A exemplo do titular da Fazenda, Patah é filiado ao PSD de Gilberto Kassab, atual ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações.
 
“Faremos o encontro daqui a uns dez dias. Será uma reunião grande. O Michel gostou da ideia. Ele quer que o debate com a equipe econômica não se limite ao meio empresarial. A sociedade tem de participar”, afirmou Patah ao Estado.
 
“Vou chamar todos os presidentes estaduais para acompanhar a fala do ministro Meirelles. Vamos nesse diálogo superar as dúvidas sobre a retirada de direitos. Nossa relação com o governo é respeitosa. Não vamos ser contra apenas por sermos contra”, disse Patah. A assessoria de Meirelles informou que o encontro com os sindicalistas ainda não foi marcado.
 
Patah disse também que Temer pretende enviar a reforma da Previdência ao Congresso Nacional no dia 3 de dezembro e a trabalhista no começo do próximo ano.
 
O primeiro triunfo da estratégia do presidente já foi obtido com o esvaziamento do chamado Dia Nacional de Greve, promovido pela CUT na sexta-feira. A UGT e a Força optaram por não participar. Em vez disso, marcaram uma manifestação para o próximo dia 25. “Nós falamos para a CUT que não iríamos, e a data era dia 25. Até porque a data de hoje (sexta-feira) ia ter ‘Fora, Temer’, e isso para a gente é coisa do passado”, afirmou o deputado Paulinho da Força (SD-SP).
 
A manifestação do dia 25 vai tratar de dois temas que, na avaliação do Planalto, serão definidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF): a terceirização e a prevalência do acordado sobre o legislado em questões trabalhistas. A expectativa da equipe econômica é de que pelo menos metade da reforma trabalhista seja resolvida na Justiça, o que eliminaria dois problemas: livraria o governo Temer do desgaste e esvaziaria a oposição.
 
“Não há a possibilidade de se fazer greve geral. Iríamos ficar na rua falando de greve geral e o povo trabalhando. Para se fazer greve, você tem de ter motivo. E não temos”, disse Paulinho.
 
Aliados. Juntas, a UGT e a Força têm 2.892 entidades, contra 2.319 da CUT, que reúne mais de 30% dos sindicalizados. Incentivadas pelo Planalto, Força e UGT cogitaram até uma fusão há alguns meses, mas a ideia, por enquanto, não avançou.
 
Segundo um interlocutor do governo no Congresso, a ideia é que as entidades cumpram na gestão Temer o mesmo papel que a CUT exerceu nos governos do PT: críticas pontuais combinadas com o apoio institucional e veto ao “Fora, Temer”.
 
“Estaremos em contato com as centrais sindicais para dirimir quaisquer arestas que tiverem na proposta de reforma trabalhista que o governo pretende encaminhar. E aí estão incluídas todas elas, até mesmo a CUT, se quiser conversar”, disse ao Estado o ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.
 
Pressão. Enquanto recebe o apoio dessas duas centrais na base, Temer é pressionado a aumentar o espaço na administração federal dos partidos ligados à Força e à UGT.
 
Líder da Força, Paulinho quer que a Secretaria de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, atrelada à Casa Civil, volte a ter status de ministério. “Houve um compromisso do presidente Michel Temer de transformar em ministério. Ele nos pediu para aguardar um pouco e estamos aguardando que ele nos chame”, disse.
 
Antes mesmo de o governo atender ao pedido de Paulinho e criar secretarias ligadas à Casa Civil para tratar de questões fundiárias, o presidente do Solidariedade já havia indicado ao Planalto os nomes para ocupar diversas posições no governo.
 
 

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5 comentários

  1. Ranking das centrais sindicais ( a força da Força)

    SEXTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2016 • FONTE: Assessoria de Imprensa da Força Sindical

    Confira ranking das centrais sindicais segundo levantamento do MTE

    0

    A CUT lidera com mais de 2000 entidades filiadas, seguida por Força Sindical (1616), UGT (1314), NCST (1156), CTB (746) e CSB (663); dados foram divulgados nesta quinta-feira, 27, e se referem ao total de sindicatos validos, ou seja, regularizados junto ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

    Os dados do último levantamento do MTE, apontam a CUT com o maior número de sindicatos filiados, são 2319, o que representa 28,03% do total. A Força Sindical aparece na segunda posição com 1616 entidades, o que representa 19,53% do total de sindicatos válidos.

    Em seguida, aparecem UGT, com 1314 (15,88%), NCST com 1156 (13,97%), CTB com 746 (9,01%), e CSB com 663 (8,01%). Desde o inicio do ano as centrais não tiveram alteração, em relação ao número de sindicatos, alternando apenas o número de filiados.

  2. Melhor seria se dissesse que

    Melhor seria se dissesse que chamou os pelegos para trair os trabalhadores,

     

    sem novidade…….

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