Uniformes. Precisa ser igual?, por Gi Oliveira

Uniformes. Precisa ser igual?, por Gi Oliveira

Quando eu era mais jovem, ansiava pelo dia em que não teria mais que me vestir igual a todo mundo. Eu odiava usar os uniformes escolares. Sempre gostei de brincar com minha imagem, e fiz o que pude para customizar minhas peças e dar a minha cara para as roupas caretas da escola. Minha mochila era um embornal, usava sapato de festa para aula matinal, adorava saias plissadas com cós largo, criava acessórios inusitados… eu queria ser diferente. Às vezes o resultado era desastroso, mas eu estava experimentando, ousando, saindo da caixinha ou criando meu próprio compartimento.

Depois de um tempo, percebi que minha intenção não era muito profícua, porque a “uniformização” passaria mais por minha conduta, meu comportamento, que pelas minhas vestimentas. Por mais que minha imagem se assemelhasse ou não a dos demais, a forma como eu agia ou me posicionava era o que me tornava única, singular. E a partir desta constatação, sempre me empenhei em avaliar minhas atitudes, meus movimentos de manada. Seguir um modismo com o qual não me identificava, pensar como todo mundo, fazer porque todos faziam não era confortável para mim.

Ainda penso assim. Inegavelmente todos pertencemos a algum grupo, seja religioso, esportivo, político, acadêmico, profissional, subversivo. E este grupo utiliza de um código, de um padrão para se identificar. Existem regras de vestimentas que nem sempre são explicitas, mas que são conhecidas e respeitadas pelos integrantes destes grupos. Advogados usam ternos, juízes usam toga, padres usam batinas, freiras vestem hábitos, policiais, as fardas, punks adotam o preto. Ainda que não seja exatamente da mesma cor e modelo, existe uma linha, um código em comum que permite identificar seus semelhantes, quem também faz parte daquele grupo.

Às vezes sou questionada se empresas que adotam o uso obrigatório do uniforme querem retirar a singularidade de seus funcionários. Não creio nisso. Acredito que a intenção seja de criar um sentido de pertencimento, de grupo, de unidade. Demonstrar para seus clientes, concorrentes e à comunidade que estas pessoas fazem parte da identidade da empresa, a representam, são importantes e até, em determinadas situações, tuteladas por ela.

Além disso, sempre ressalto que o fato de usar roupas da mesma cor e com um mesmo modelo não tem a capacidade de igualar ninguém. Cada indivíduo continua único, com suas especificidades pessoais, seu tom de pele, seu formato de corpo, de rosto, seu corte de cabelo, sua cor de olhos, sua personalidade, seus valores, condutas e competências profissionais. O que há de seu não dá para copiar ou estender ao seu colega de trabalho apenas por vestirem roupas semelhantes.

O que você faz, como se comporta, é muito mais significativo que a roupa que você veste. Lógico que sua aparência conta, mas a sua imagem é formada por um conjunto de atributos, não apenas por seu guarda-roupas. Suas atitudes, suas crenças e valores são a base mais importante de sua imagem profissional. E não dá para padronizar esse fator. É como seu dna, único.

Giorgio Armani: “ Elegância não significa ser notado, mas sim ser lembrado.”

Gi Oliveira é Consultora de Imagem Profissional

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