Embraer é ecossistema de tecnologia e de defesa, analisa Renata Belzunces

"Toda a formação de engenheiros e essa tecnologia desenvolvida aqui, que se irradia para centenas de setores da economia e tem um potencial que a gente não utiliza plenamente, é o verdadeiro filé"

Jornal GGN – Estima-se que os gastos com a operação de transferência de negócios da área comercial da Embraer à Boeing custou à fabricante de aeronaves brasileira R$ 1,276 bilhão. Enquanto que o acordo se viu fracassado, em abril, a pandemia acelerou a queda de 75% que a Embraer sofreu na venda de aviões este ano.

Entretanto, na visão da técnica do DIEESE, Renata Belzunces, a pandemia tornou “mais fácil” de explicar para a sociedade as 2.500 demissões de trabalhadores da fabricante, nos últimos meses.

“Se não houvesse a pandemia, e fosse concretizada a venda, era uma situação que já esperávamos demissão. Ao mesmo tempo, essas demissões ficaram imediatamente no nosso horizonte quando a venda também não foi feita. Nas duas situações, nossa percepção é de que haveriam demissões”, afirmou, em entrevista especial à TV GGN.

A economista e cientista social, mestra em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp, e consultora do DIEESE na região paulista do Vale do Paraíba, aprofundou a problemática que enfrenta a empresa brasileira, que integra um seleto pódio internacional da indústria aeroespacial.

Em nota técnica publicada recentemente, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (DIEESE) questionou o futuro da empresa brasileira, em uma discussão que passa também pela estrutura societária da empresa, sua importância estratégica e na balança comercial de tecnologia para o país.

Ao GGN, Renata Belzunces aprofundou a temática, destacando que o futuro da Embraer é também a de uma das principais fontes de criação de tecnologia do Brasil que, segundo ela, “é o filé que é a Embraer”.

“No Vale do Paraíba, tem todo um complexo de Universidades, o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) que forma os engenheiros da Embraer, não só por cursos de graduação, mas com convênios e programas específicos, a própria Embraer vem do CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica). Toda essa formação de engenheiros e toda essa tecnologia que é desenvolvida aqui, que se irradia para centenas de setores da economia e tem um potencial que a gente não utiliza plenamente é o verdadeiro filé, e é uma coisa que a Boeing não tem”, afirmou.

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Acompanhe a reportagem especial aqui e, abaixo, a íntegra da entrevista concedida à TV GGN:

 


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