Metrô de BH reduzirá operação por cortes do governo Temer

Governador de Minas, Fernando Pimentel, se manifestou e disse que o estado irá reagir: “pedi audiência ao presidente e vou com o prefeito Kalil”
 
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(Foto Agência Minas)
 
Jornal GGN – O metrô de Belo Horizonte irá reduzir a operação a partir de março, atendendo apenas nos horários de pico. Isso porque o governo federal cortou 42% da verba prevista para 2018 à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Além de BH, a empresa administra o sistema metroviário de outras quatro capitais que também sofrerão com contingenciamento: Recife, Natal, João Pessoa e Maceió. 
 
Ao saber da notícia, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), afirmou ter ficado “estarrecido” e que o estado irá reagir: “Eu já pedi audiência ao presidente Temer, vou falar com o prefeito [Alexandre] Kalil (PHS) e nós vamos juntos lá. É impraticável esse tipo de atitude com Minas Gerais. Nós não vamos aceitar”, disse em vídeo veiculado nas redes sociais. Assista no centro da matéria.  Aliás, se os governadores dos estados afetados souberem explicar para a população o motivo da queda nos serviços, contribuirão para elevar mais – se é que isso ainda é possível – a rejeição do governo Temer, com forte impacto sobre o eleitorado de quem o emedebista quiser apoiar nas eleições deste ano. 
 
As informações sobre o contingenciamento nos metrôs foram obtidas pelo jornal O Tempo, que teve acesso a um comunicado que revela ainda que, se não houver mudanças no cenário econômico, a partir de março a operação será restrita aos horários de pico em todas as regiões administradas pela CBTU. A verba que será destinada para os metrôs das cinco capitais em 2018 é de R$ 150 milhões, contra R$ 260 milhões empenhados no ano passado. 
 
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O relatório é assinado pelo presidente da Companhia, José Marques de Lima e foi enviado para o presidente do Conselho de Administração da empresa, Pedro Cunto de Almeida Machado. Já a partir do dia 5 de março, o metrô mineiro passará a funcionar apenas nos horários de pico, de segunda a sexta-feira, das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 19h30. 
 
Lima afirma, também no comunicado, que a companhia prepara medidas para reduzir o impacto do “severo corte promovido pelo governo federal” e que afetam empregos de milhares de terceirizados, além dos 210 mil passageiros que utilizam o sistema diariamente. 
 
O metrô de BH é o que mais arrecada entre todos geridos pela CBTU: cerca de R$ 100 milhões por ano. O dinheiro é depositado no caixa único da companhia, segundo o presidente do Sindimetro-BH, Romeu José Machado Neto. Para o jornal O Tempo, o sindicalista explicou que o recurso previsto para o metrô mineiro em 2018 não chegará a R$ 56 milhões.  
 
“Para se ter uma ideia, no ano passado, o orçamento foi de R$ 103 milhões só para a capital, e esse valor não foi suficiente”, completando que o corte no orçamento irá afetar a compra de peças para reposição e manutenção de todo o sistema.
 
Além de prejudicar os usuários e afetar contratos com terceirizadas, o corte poderá acarretar no aumento de violência, segundo o documento que O Tempo teve acesso: “(…) as reduções que estão sendo praticadas nos contratos afetarão a qualidade dos serviços, podendo haver um considerável aumento na evasão de receita operacional, insatisfação dos usuários, exposição do patrimônio público, diminuição da vida útil do material rodante, ações por parte dos Ministérios Públicos Estadual e Federal”. 
 
 

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3 comentários

  1. Cadê o povo nas ruas?

    Enquanto o metrô de BH funcionara apenas algumas horas no dia, o Congresso vai sendo alimentado para ir aprovando todas as medidas que interessam ao governo Temer. 

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