Acabar com o visto não resolve o turismo no Brasil, por André Motta Araújo

Dois milhões de presidiários tem passaporte americano e poderão entrar no Brasil sem visto

Por André Motta Araújo

Dois milhões de presidiários tem passaporte americano

A ideia que a mídia oficialista tem de turista americano é a de um loiro alto, protestante, de cuca fresca, pronto para gastar aqui seu cartão de crédito. Mas 60 milhões de americanos tem outro perfil. São iraniano-americanos, saudita-americanos, cubano-americanos, indu-americanos, vietnamita-americanos, coreano-americanos, chineses de San Francisco, que poderão entrar no Brasil sem visto.

Por incrível que pareça, existem também bandidos com passaporte americano, contrabandistas de Miami, cafetões de Las Vegas, traficantes de armas e de drogas químicas, estelionatários, mafiosos de Chicago.

O Brasil tem histórica fama de refúgio de bandidos, que agora será revigorada pela desnecessidade de visto de entrada para nacionais de alguns grandes países, a começar pelos EUA, onde não há só gente honesta, há de tudo, apesar da idolatria que ignorantes fazem dos EUA, terra do faroeste e da máfia.

Nos anos 50, Cuba passou a receber turistas americanos em grande quantidade, virou o paraíso dos cassinos e da prostituição, um turismo predatório, que foi um dos ingredientes da revolução castrista. Há uma certa visão romântica, simplória, do turismo de massa mas há que analisar prós e contras.

O Brasil deveria ter enorme apelo turístico, mas faltam certas condições que são pré-requisitos para um paés de grande atração para visitantes:

1. Sistemas de orientação e atendimento em aeroportos, rodoviárias, pontos turísticos. Os quiosques de turismo em aeroportos operam em ritmo de repartição pública, há atendentes que a cada meia hora desaparecem para tomar café, voltando duas horas depois.

2. Museus desaparelhados para atender visitantes estrangeiros. Parques sem nenhuma estrutura, sem banheiros limpos, cafés , lojas de souvenires.

3. Notória falta de segurança. No caminho do Corcovado, por exemplo, há turistas que querem andar a pé, os assaltos são diários.

4. As cidades litorâneas não tem barcos de passeio, os rios quando tem barcos são precários. Praias em geral poluídas. Trens turísticos são pouquíssimos e esse meio de transporte tem grande apelo para se conhecer um País ou região, vide os magníficos trens turísticos da Africa do Sul e Austrália.

5. O País, os Estados e as Prefeituras têm Ministérios e Secretarias de Turismo que não tem programas, projetos, são meros cabides de emprego.

6. Faltam guias em línguas estrangeiras nas atrações turísticas, museus e parques. Faltam sinalizações em inglês nas grandes cidades.

O mercado turístico do futuro é o ecológico, o Brasil seria o grande beneficiário, mas faltam condições básicas, algumas bem simples.

Dispensar vistos por si só não significa grande coisa para incrementar turismo, há muito mais fatores, mas esses dão trabalho para implementar.

O Brasil é o único grande Pais do mundo que não faz campanhas de mídia para divulgar o Pais no exterior, o México é campeão em belas campanhas, países ícones do turismo, como França e Espanha, fazem continuamente campanhas de divulgação, os Estados alemães como a Bavieira fazem suas próprias campanhas de divulgação nos EUA, o mercado turístico é altamente competitivo e é preciso disputa-lo continuamente.

Relato aqui um fato de que participei há cinco anos. Uma das maiores agências de publicidade dos EUA, que faz campanhas para o México, preparou um projeto para divulgação do turismo para o Brasil nos EUA.

Acompanhei os executivos da agência nos órgãos federais que tratam de turismo. Nem quiseram ver, alegaram falta de verba. Na maioria dos países, as entidades associativas empresariais também patrocinam campanhas de divulgação, o turismo traz benefícios para o comércio em geral, para hotéis, bares, restaurantes, casas de shows.

Procurei a Confederação Nacional do Comércio, que também cuida de turismo, não passei da telefonista. A mesma Confederação, que tem sede nacional em Brasília acaba de gastar 26 milhões de reais para comprar dois apartamentos de luxo em Ipanema para seu presidente e diretor financeiro quando vem ao Rio. O fato saiu nos jornais há quinze dias, dinheiro arrecadado por contribuição parafiscal usado em benefício privado.

A campanha para divulgação turística do Brasil nos EUA custaria menos do que isso. Realmente aumentar o turismo no Brasil precisa muito mais do que eliminar o visto.

8 comentários

  1. A visão padrão é esta mesma de um país grande, barato e bom para quem quer se esconder. Hollywood está cheio de exemplos de “fuga” para o Brasil. A título de exemplo, apenas um seriado policial que fez sucesso por aqui, “Mentalista”, há em 3 episódios onde há citação ou fuga de criminoso para o Brasil

  2. Estadunidenses que são loiros, altos, protestantes e prontos para gastar aqui seus cartões de crédito não costumam ter a cuca fresca – é bem comum a demência e a esquizofrenia “wasp”, tipo “os EUA são o melhor país do mundo”, dentre eles – e costumam trazer muito mais prejuízo a nós do que os discriminados “iraniano-americanos, saudita-americanos, cubano-americanos, indu-americanos, vietnamita-americanos, coreano-americanos, chineses de San Francisco”, visto que vêm e posições de poder privado. Diretores, gerentes, consultores e até lobistas, gente que traz corrupção e aliciamento, com o primeiro perfil costa ser mais comum do que os com o segundo. Não são bem-vindos.

  3. Bolsonaro não entende nada de negociação, coisa que qualquer criança tem noção. Não se dá, não se oferece nada em comércio internacional, e o turismo faz parte disso, sem pedir algo em troca, no mínimo a reciprocidade da liberação de vistos para nossos turistas. Se pelo menos tivéssemos um Chanceler à altura do cargo que ocupa ele teria orientado o presidente nesse sentido.

  4. Já esquecemos das humilhações sofridas há poucos anos, nas filas, vistorias intermináveis e expulsões aleatórias, nos Aeroportos NorteAmericanos e Europeus, em especial nos Espanhóis.(Como nas consequências das Privatarias Tucanas). Tudo resolvido “diplomaticamente” com a Política da Recíproca. (Até agora cedemos em muitos pontos. Conseguimos o que, com isto?)

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