Na Embratur, Doria foi criticado por propor seca como atração turística

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Foto: Fernando Pereira/SECOM
 
Jornal GGN – Uma declaração do prefeito João Doria (PSDB) dada em 1987, quando era presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), voltou a gerar polêmica 30 anos depois.
 
Na ocasião, ele visitou Fortaleza (CE) em um encontro com o então governador cearense Tasso Jereissati, e sugeriu que as verbas para obras de irrigação fossem reduzidas que a seca na Caatinga fosse utilizada como atração turística. 
 
Segundo reportagem do jornal O Globo de 1º de julho de 1987, Doria afirmou que “a Caatinga nordestina poderia ser um ponto de visitação turística e gerar uma fonte de renda para a população sofrida da área, respeitando as características culturais e humanas da população, sem exploração da miséria”.

 
Na época, o hoje prefeito de São Paulo disse que os brasileiros tinham o direito de conhecer “a riqueza e a pobreza do Brasil” e também defendeu uma maior eficiência da indústria turística em relação às obras no Nordeste. 
 
A matéria do jornal diz que ele “citou que de cada 100 projetos turísticos na região, apenas quatro deixam de garantir retorno, enquanto de 100 projetos de irrigação, 75 dão resultados negativos e somente 25 asseguram rentabilidade”.
 
A fala irritou os nordestinos, como o radialista Adisia Sá, que classificou Doria de  “dândi do society transplantado para a vida pública”.
 
O jornal O Estado de S. Paulo abordou o mesmo assunto com o título “Embratur quer fazer a seca virar turismo”, afirmando que os jornalistas que cobriam o evento na capital cearense ficaram surpresos com as declarações, e pediram para que Doria escrevesse o que havia dito. 
 
“Em Serra Pelada, onde milhares de garimpeiros vivem em condições subumanas, essa garimpagem já se transformou em um ponto de visitação turística”, explicou, dizendo também que “existem até especialistas em fotografia daqueles homens, transportando sacos de areia nas costas, em busca de ouro”.
 
“O que vislumbro é o fato de podermos transformar a seca num ponto positivo, onde os trabalhadores prejudicados por ela pudessem desenvolver outras atividades, como artesanato e trabalhos diferentes daqueles do campo”.
 
Segundo as matérias da época, Tasso Jeressaiti disse que a fala do presidente da Embratur foi distorcida, mas ressaltou que Doria “não foi muito feliz” com a ideia. 
 
“Do ponto de vista de quem só pensa em sua área de especialização, a ideia tem lógica exemplar: se continuarem essa insensata irrigação, um dia acabam com a seca – e onde é que os turistas vão gastar os dólares?”, criticou o jornal O Globo. 
 
No mesmo ano de 1987, o Congresso criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) para estudar os prejuízos da seca no Nordeste, estimando as perdas em US$ 20,9 bilhões. 
 
Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura paulistana disse que as publicações de 87 foram “desvirtuadas”, afirmando que Doria “defendeu que o Ceará não explorasse apenas o litoral em termos turísticos, mas valorizasse o interior”. A Secom ainda cita exemplos de turismo no interior do Nordeste, como a cidade de Quixadá. 
 
Por último, a secretaria, Doria “nunca disse que a miséria da seca deveria ser explorada nem defendeu redução de investimentos em irrigação”. 
 
Com informações da Carta Capital 
 
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