Agressão a jornalistas e PEC dos Precatórios em debate na TV GGN

Os jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler conversaram com o jornalista Jamil Chade e a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT)

Foto: Reprodução YouTube

Jornal GGN – O jornalista Jamil Chade e a Gleisi Hoffmann, deputada e presidente nacional do PT, conversaram com Luis Nassif e Marcelo Auler sobre a agressão a jornalistas brasileiros que cobriram a passagem de Jair Bolsonaro pela reunião do G20 e a votação da PEC dos Precatórios na TV GGN 20 horas desta quarta-feira (03/11).

Nassif e Auler abriram o programa com o correspondente internacional Jamil Chade, que se surpreendeu com a forma como o caso tem sido contado nas redes bolsonaristas – de que ele e o jornalista Leonardo Monteiro, da TV Globo, teriam agredido os seguranças do presidente brasileiro.

“Só se fosse suicida você atacar aqueles seguranças gigantescos. Então, para começar, essa história já é um absurdo total, mas o que já está rolando na rede é de que ‘não, aquela agressão dos seguranças era, na verdade, uma resposta ao nosso ataque'”, diz Chade. “Na hora que eu vi isso, na primeira vez que alguém me mandou, era de chorar de rir. por que você fala ‘não é possível’. Mas é possível, porque eles trabalham, eles operam na desinformação, eles operam na mentira escancarada”.

O contexto por trás da agressão

Segundo Jamil Chade, Bolsonaro emitiu agendas das atividades dele na sexta e no sábado que eram agendas falsas. “Eram agendas de que ele não teria nenhuma atividade, o que levava a gente da imprensa a acreditar e simplesmente ficar de plantão na frente da embaixada”, diz o correspondente.

“A gente ficava na frente da embaixada esperando que, se ele (Bolsonaro) saísse, seria uma saída oficial. O que ele fez nos dois dias: ele saiu pela porta dos fundos da embaixada”, explica Chade.

Jamil Chade diz que Bolsonaro saía “com aquela equipe de filmagem dele mesmo, com a claque dele, com os apoiadores dele para dar imagens de que ele era aplaudido pelas ruas de Roma, que ele era querido em todos os lugares que ele foi”.

O jornalista ressalta que tal narrativa já não mais colava no domingo, e explica que os apoiadores dele tinham sido avisados na sexta-feira para estar naquele local. “Ou seja: não era um cenário natural. Não, eles foram avisados para estar lá naquele horário. Então, tudo isso – a gente precisa entender esse pacote para entender o que aconteceu”, diz Jamil Chade.

“O que aconteceu domingo: nós conseguimos ver o horário e caminhar junto e fazer perguntas. E questionar. E aí começou o problema, porque aquele pacote de cenário do grande líder que anda pelas ruas não dava mais”, diz Chade.

De acordo com Chade, a agressão deixou um ponto muito claro: “os apoiadores podiam chegar perto dele, mas a imprensa não. Então, não é uma questão de proteção. Se é uma questão de proteção, ninguém chega perto”.

Bolsonaro e a repercussão internacional

Sobre a imprensa internacional, Jamil Chade é direto: “Era o G20. E você ia na cobertura do Biden, tinha 100 jornalistas, metade era estrangeiro, aquela loucura. No Bolsonaro, éramos só nós. Não havia imprensa estrangeira cobrindo Bolsonaro – ele era irrelevante para a imprensa internacional como personagem, o que eu até acho um erro porque existe algo a ser dito disso tudo”.

Contudo, a imprensa italiana entrou no caso quando o episódio da agressão aos jornalistas brasileiros ocorreu. Segundo Chade, a primeira reação que eles tiveram foi ‘isso aqui não é normal. “Essa reação desses seguranças não é uma reação à imprensa europeia”, diz Chade. “E nós não éramos 700 jornalistas atrás dele, nós éramos sete”.

Jamil Chade afirma que, quando Bolsonaro viu que aquele ‘passeio’ dele não estava dando certo porque ele não estava conseguindo fazer aquelas imagens bonitas, ele simplesmente parou e voltou – “mas não é que ele (Bolsonaro) parou, disfarçou e voltou: no meio da rua, ele para, alguém vem e fala alguma coisa para ele, ele vira de costas e volta para a embaixada. Então, tudo isso foi muito impactante”.

Jamil Chade ressalta que, quando os jornalistas foram procurar a polícia italiana para fazer a denúncia, até mesmo os policiais locais ficaram surpresos.  “Deve ter consequência inclusive porque, como saiu na imprensa local, e como de uma certa forma virou notícia do G20 na Itália, passou a ser uma notícia do G20, a polícia teve de reagir”, diz Chade. “Então, eles vão trazer algum tipo de resposta. Eu espero”

“Eu também entreguei, junto com um advogado que fica em Bruxelas, nós entregamos para a relatoria da ONU e para a relatoria da Comissão Interamericana as informações, uma denúncia pedindo que os relatores internacionais cobrem do governo brasileiro explicação”, afirma Jamil Chade.

PEC dos Precatórios

A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, conversa sobre o andamento da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados. Segundo ela, o quórum era de 400 deputados, sendo necessários 308 para a aprovação da PEC.

“Acho que o Arthur Lira (presidente da Câmara) está com medo de colocar agora, não colocou a PEC em votação exatamente por isso, porque precisa ter a segurança de que 308 deputados e deputadas vão votar a favor da PEC dos Precatórios”.

Gleisi afirma que a bancada do PT foi contra a PEC dos Precatórios. “Isso não quer dizer que nós somos contra o aumento do Auxílio Brasil – que eles nem criaram de fato, não se sabe quantas famílias serão beneficiadas, a questão dos recursos -, mas nós fomos contra a forma como eles estão tentando criar esse tal espaço fiscal para ter dinheiro”.

A deputada federal afirma que a PEC dos Precatórios, que dá ao governo R$ 95 bilhões para gastar ano que vem e R$ 15 bilhões para gastar esse ano – “é por fora do teto dos gastos e dando um calote em parte da dívida já contraída da União” – e não se diz para onde vai o dinheiro.

“O cálculo inicial deles é que cerca de 30,40 bilhões disso iria para o auxílio emergencial, para o Bolsa Família, ou novo programa que eles estão criando, o Auxílio Brasil. Mas a PEC não vincula isso, e nós queremos saber para onde vai o resto do dinheiro”, diz Gleisi.

Segundo a presidente nacional do PT, “o que tem lá é uma grande negociata na Câmara para ampliar o dinheiro dos parlamentares”, diz a deputada federal. “Eles estavam falando em 20 bilhões, 30 bilhões, mas não sabemos para onde vai, isso vai ser aprovar um crédito desse montante no escuro, não dá para a gente apoiar”.

Gleisi Hoffmann explica que, se o governo federal realmente quisesse pagar o auxílio, teriam enviado o projeto quantificando o valor e colocando a fonte. “Nós não teríamos problemas de votar favoravelmente como já votamos anteriormente a favor do auxílio e da abertura de espaço fiscal”, afirma.  “Mas do jeito que está, não dá pra votar – até porque a menor parte vai ser para o auxílio, o resto nós não sabemos para onde vai ser”.

Na visão de Gleisi, parte dos recursos “vai para essa parte das emendas dos deputados, dos senadores, esse orçamento secreto, e para outras despesas que o Bolsonaro quer fazer durante o ano de 22 (…) Então, é muito perigoso a Câmara aprovar essa PEC, o Congresso Nacional aprovar. É um cheque em branco para eles, e uma retirada de recursos de dívidas que já estão contraídas, que o Judiciário já disse que se deve (…)”.

Veja o debate entre Luis Nassif, Marcelo Auler, Jamil Chade e Gleisi Hoffmann na íntegra da TV GGN 20 horas desta quarta-feira, que pode ser vista a seguir

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