Delação de Palocci, isolamento de Bolsonaro e partidos se organizando no vácuo

Um vídeo sobre a desconfiança acerca dos métodos da Lava Jato, as humilhações que Bolsonaro impõe a Moro, os rompantes violentos e escatológicos do presidente e a articulação política mais interessante do momento: o consórcio de governadores do Nordeste

Depois das revelações do Intercept Brasil, as delações da Lava Jato agora são vistas com mais “critério”, e o que Antonio Palocci promete entregar no termo assinado com a Polícia Federal deve ser visto, mais do que nunca, com um pé atrás.

Essa desconfiança em relação aos métodos da Lava Jato refletiu, inclusive, na gravação de um áudio de membro do PCC acusando “diálogo cabuloso” com o PT, enquanto Sergio Moro seria o cara que veio para “atrasar” as facções. A grande mídia já deixou a pauta de lado.

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Além disso, Moro vem sendo humilhado publicamente por Bolsonaro. Tudo que o ex-juiz pede ao presidente, é negado. Por exemplo: a nomeação de Deltan Dallagnol para a PGR.

Enquanto, de um lado, Bolsonaro e gera ainda mais problemas para a economia por inabilidade para as relações exteriores, e segue com seus discursos às vezes escatológicos, às vezes violentos (ou os dois ao mesmo tempo), de outro lado, os governadores do Nordeste se articulam para ocupar o vácuo do poder, em um consórcio que deve ser acompanhado como o movimento político mais interessante do momento.

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1 comentário

  1. Tenho oscilado em minha opinião sobre qual o melhor desfecho para o Brasil, no sentido de tirar-se Bolsonaro de cena ao tempo em que um projeto de redemocratização é construído. Concluí, contrariando o mais otimista do que eu, Luiz Nassif, que não há final feliz possível.
    O impeachment mostra-se como a mais óbvia possibilidade. Provavelmente, como já foi comentado por Nassif, não é uma questão de se, mas de quando virá. E, neste caso, não há como discordar que será resultado da insustentável presença de um desequilibrado no poder, por sua ação exclusiva, quase um autoimpeachment, um impeachment sepoku, com direito a entranhas à mostra e decapitação. Porém, não aconselha-se. Livrarmo-nos de Jair Messias não somente será insuficiente, mas poderá fortalecer o processo antidemocrático e de demolição do incipiente e ora desvalido estado de bem-estar social que, diga-se, foi inaugurado por equívoco da presidenta Dilma, lançado por Levi, continuado pela dupla Temer e Meirelles e potencializado pelo Posto Ipiranga. O sucessor, vice presidente General Mourão, aparentemente, à margem do dia-a-dia do governo já deixou claro que discorda da forma mas é alinhado com o conteúdo do seu programa.
    É possível, senão muito provável, que um governo Mourão seja, em essência, mais do mesmo, com uma roupagem institucional mais polida, menos “bolsozóide” e, portanto, mais palatável e mais eficiente na condução desse projeto – se é que a isto se pode assim referir-se – que irá desqualificar o Brasil enquanto nação civilizada e um lugar decente para se viver.
    A alternativa seguinte seria a de anular a eleição. Justificável por todos os aspectos e fatos sobejamente conhecidos. Impraticável, ao menos considerando a atual correlação de forças.
    A terceira repousaria em um meio termo. Obter-se, por um amplo pacto político e com a sociedade civil, o impeachment seguido de uma eleição antecipada. Tão difícil quanto a segunda hipótese.
    Por último, o que resta. Manter o sr. presidente eleito no cargo até o final de seu regular mandato. Em primeiro porque, como visto no caso da presidenta Dilma, as rupturas sabe-se como começam e não como terminam. São sempre traumáticas e com efeitos imprevisíveis. Segundo, como já dito, corre-se o grande risco de resolver esse governo e consolidá-lo sob “nova direção”. Terceiro, porque esses próximos 2 e meio anos – lembrando que todo governo fraco fica imobilizado no mínimo 6 meses antes da eleição e este é fragorosamente fraco o que antecipa a imobilização em uns 6 meses – darão o tempo necessário para fortalecer o plano progressista e criar o clima político essencial para uma reforma geral pelo próximo governo que, nesta alternativa, indubitavelmente, virá da oposição.
    Nesse período de provação resistir e cultivar alternativas de poder, como o consórcio Nordeste.
    Então, colegas de infortúnio, apertem os cintos, coloquem seus assentos na posição vertical e prepararem-se para a turbulência. Lembrando que, em caso de pouso na água, o assento de sua poltrona pode ser usado para flutuação. Quem mandou embarcar nessa? agora aguentem o tranco.

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