O desmonte da educação inclusiva, com Luís Nassif e a procuradora Eugênia Gonzaga

Confira o comentário de Luis Nassif sobre as últimas notícias da política e da economia no Brasil

A luta pela educação inclusiva é o tema central do programa “TV GGN 20 horas”, que Luis Nassif comanda nesta sexta-feira (09/10). Aqui, um resumo deste e outros tópicos na pauta:

O programa começa com a investigação que pode ligar Damares Alves ao gabinete do ódio. Uma delegada constatou que funcionários do Ministério de Damares ajudavam a financiar blogueiros bolsonaristas.

Depois, Nassif faz uma crítica relacionada à hipótese de domesticação de Jair Bolsonaro.

“É impressionante a diferença entre o intelectual e os jornalistas. Alguns conseguem estabelecer um cenário mais longe, mas a maior parte vai em cima da bucha. O analista pega as informações e joga para frente para ver os desdobramentos.”

“Você teve um pacto horroroso, que não dignifica instituição nenhuma, e Bolsonaro continua desmontando todas as instituições públicas. Todo o processo de destruição das políticas públicas está em andamento (…) A única coisa que mudou foi o Bolsonaro parar de falar tanta bobagem.”

Na sequência, o destaque é para a entrega de documentos da ditadura no Brasil que Joe Biden, candidato democrata à presidência dos EUA, fez no governo Dilma. “O Mourão deu uma entrevista vergonhosa falando que não teve tortura, é algo inacreditável.”

Sobre a aposentadoria do decano do Supremo Tribunal Federal, Nassif pontua: “O Celso de Mello foi a referência da pior fase do Supremo desde o início da redemocratização.”

ECONOMIA

O comentarista André Roncaglia trata nesta sexta do resultado do setor de varejo, que apresentou crescimento pelo quarto mês consecutivo, em um sinal dos efeitos do auxílio emergencial. “A questão é se esse ritmo vai se sustentar quando os efeitos do auxílio emergencial na segunda rodada fizerem sentido.”

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O mercado já sinalizou que não vai aceitar drible do Teto de Gastos, e empresários pedem aceleração das reformas. “O governo será questionado por todos os lados, mas fundamentalmente pela crise social que não dá sinais de trégua.”

Roncaglia também comenta dois estudos que mostra o grande impacto do fim dos pacotes de auxílio emergencial, tanto no que se refere à extrema pobreza como entre os chamados invisíveis ao Estado.

“A crise social era prevista, e por isso a pressão do governo para financiar novos pacotes de auxílio emergencial ou de um programa permanente de auxílio vai aumentando.”

INCLUSÃO

A procuradora Eugenia Gonzaga fala sobre a educação inclusiva. Ela foi alvo de 3 mil ações das APAEs que acharam que iam perder a prerrogativa de receber verbas públicas.

“Está em jogo um trabalho de 20 anos. Nesse tempo, conseguimos o entendimento no sentido de que as escolas comuns não tem o direito de dizer se elas querem ou não receber pessoas com deficiência. Para ser escola tem que ser escola inclusiva”.

“O dinheiro para receber crianças com deficiências nas escolas, ao invés de ir para a escola pública, fica na entidade filantrópica segregada. E é isso o que o Bolsonaro retornou. Esse decreto (10.502, de 30 de setembro) faz voltar tudo atrás”.

“No começo era uma novidade, crianças com e sem deficiência na mesma escola. Isso foi mudando com o tempo, e praticamente nenhum pai ou profissional hoje cogita separar uma criança com deficiência, pois o ensino inclusivo é um crescimento para eles e as crianças”.

“As crianças com deficiência são tão titulares da educação como qualquer outra criança”.

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“O direito das crianças é dos pais, mas eles não podem decidir contra a criança. Isso é fácil de entender com uma criança sem deficiência, mas essa noção demora muito a cair no caso das crianças com deficiência. Ela é tão titular na educação escolar como qualquer outra criança”.

“Quando nasce o filho com deficiência, sua tendência inicial é proteger. É possível que as pessoas falem por situações difíceis e a gente tem essa tendência de proteger, mas é preciso que essa criança seja protegida e o seu locus educacional, e se ela for submetida ao bullying é o abusador que tem de ser punido”.

“Existe a Federação Nacional das APAEs, que é representada por políticos e figuras que foram favorecidos por essa situação. Era mesmo um nicho de poder importante, e a Federação congrega essas pessoas”.

“Agora, cada APAE é um mundo à parte (…) É por isso que essa política que garante a dupla matrícula é tão importante. Se uma APAE ou outra entidade apresente projeto que permita a criança a ficar em uma sala comum, essa criança pode receber verbas do Fundeb na escola pública ou na instituição que dê esse apoio à inclusão”.

“No projeto Viver sem Limites, a Dilma caiu nessa conversa de APAEs e de escolas particulares: além da escola filantrópica ter o direito de pedir emprestado professoras do município, elas tinham direito a receber verbas públicas”.

“Quando a gente está falando em educação inclusiva, estamos falando de casos realmente difíceis, que vão gerar esse desafio à escola”.

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“Tudo foi feito ali no período Lula e Dilma, são avanços que não tem volta. Hoje em dia, nenhum pai quer que seu filho fique segregado em uma escola especial. Eles só partem para isso se eles não encontram uma escola que atenda seu filho adequadamente”

“Com esse decreto do Bolsonaro, ele abre essa nova ideia de que a escola pode ou não receber as crianças”.

“Ensino básico é o direito de toda a criança. O ensino especial deve estar preferencialmente aqui, na escola comum, mas eventualmente ele pode estar em uma escola separada”.

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1 comentário

  1. Por favor, algum esclarecimento, apesar deste pseudogoverno: a escola Dante citada, é uma escola publica? Mais, em artigo aqui no blog, uma mãe expressou que além da escola, havia a fisioterapia, a fonoaudióloga, a terapia. Isso implicando o ir e vir. As escolas também deveriam dar conta?

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