TV GGN 20h: O desembarque dos órfãos da Lava Jato e o novo tempo político

Nassif começa o programa discutindo o impacto do fim da operação Lava-Jato no Poder Judiciário, a partir de debate realizado pelo programa TV GGN Justiça nesta sexta-feira.

O programa teve a participação do professor de Direito Eduardo Appio, o jornalista Marcelo Auler, a desembargadora aposentada Kenarik Boujikian e o advogado Bruno Salles. Veja a íntegra abaixo

Sobre os dados da covid-19: a média semanal de casos mundiais aponta um cresimento de 18,45%, enquanto os dados em 28 dias subiram 59,48%. Quanto aos óbitos, a média em sete dias subiu 12,72% e, em 28 dias, o aumento foi de 37,13%.

Na análise dos dados brasileiros, a média de casos ficou em 66 mil (7% dos casos), ficando abaixo do visto na Índia (175 mil casos na média semanal) e EUA (70 mil casos). Quanto aos óbitos, o Brasil registra 25% das mortes no mundo – “o que mostra o fracasso rotundo desse governo genocida”, diz Nassif

Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram um recuo na média de casos e de óbitos: 85.774 novos casos, queda de 0,8% ante sete dias e 9,2% abaixo do visto há 14 dias.

Quanto aos óbitos, 3305 pessoas perderam a vida para a covid-19 nesta sexta-feira, 2,3% a menos que há sete dias e 0,5% abaixo do visto há 14 dias. Contudo, os números foram 31,7% maiores que há 28 dias.

Caso Itaú

“Tem um pessoal que comprou ações do Itaú há 25 anos, ficaram com um crédito que foi sendo reavaliado – e chegou-se ao valor de R$ 2 bilhões. E uma juíza do Pará resolveu bloquear os saldos do Itaú para pagar essa indenização”, diz Nassif

Nassif diz que esse é um caso complicado: o advogado do Itaú é parente de um ministro do STF – no caso, sobrinho do ministro Luis Roberto Barroso.

“No momento em que o Supremo tenta se reinventar e tudo, o Fux continua sendo – ao lado do ministro Kassio Nunes Marques – o maior fator de desmoralização do Supremo. O ministro Fux não tem limites – veja bem: essas arbitrariedades que ocorreram em todo o processo da Lava-Jato acabaram. Não tem mais espaço para esses abusos, e o Fux faz – e porque faz? Segredo de justiça”, diz Nassif

“É um caso extremamente polêmico, é um pessoal polêmico que está querendo o dinheiro – não sei se tem razão ou não. Do outro lado, você tem o Itaú e esse escritório que era do Luis Roberto Barroso, a juíza que não teria comunicado ao Itaú que haveria o bloqueio (…)”

“Nesse quadro todo, que é um quadro delicado pelos personagens envolvidos, o Luiz Fux entra indevidamente e toma partido de uma causa que é do escritório do seu colega de Supremo Tribunal Federal”. Veja mais na íntegra da matéria, clicando aqui

Desembarque da Lava-Jato

Sobre os fatos políticos da semana, Nassif ressalta o desembarque total da Lava-Jato. “O que nós vimos no Supremo foi um desembarque total da Lava-Jato”, explica. “Nós tivemos o desembarque do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com a eleição da nova diretoria deixando de fora todos aqueles desembargadores que aspiravam ir para o STJ montado no rabo de foguete da Lava-Jato”.

“Estava em discussão se o caso Lula vai para Brasília, ou São Paulo – em Brasília, o juiz que era o Sergio Moro de Brasília (…)  ultimamente, ele tem tido atitudes de juiz. Esse é o ponto central que nós estamos esperando, que os juízes tenham atitudes de juiz”

“Há um eco muito grande das decisões que vem do STF para baixo. Nessa discussão que tivemos, cobrei muito essa questão sobre o corporativismo do judiciário (…)”, diz Nassif, ressaltando que os detritos só começam a aparecer na medida em que a maré começa a baixar – “é só aí que o pessoal consegue avaliar o mal que foi feito para o Judiciário, para a imprensa e para o Ministério Público essa tramoia em torno da Lava-Jato”.

“Você pega dois, três juízes que começam a extrapolar, toda a imagem do Judiciário é afetada. Quando que você começa a mudar? Quando um conjunto de juízes começa a se dar conta do mal que esses maus juízes fazem para o Judiciário, como ocorre com o jornalismo”.

“O que ocorreu nessa sessão do Supremo foi isso: você teve três ministros contrários – Fux, que é a desmoralização do Supremo, o Kassio que entrou fazendo tudo que o bolsonarismo queria, e o Marco Aurélio (…)”

A reconstrução do Brasil

“O ponto central que você tem, que é o ponto complexo, é como vai ser o país daqui pra diante (…) O que está acontecendo é o exorcismo do Lula”, diz Nassif. “Até os ataques da Globonews ao Lula estão diluídos, são em forma de lamento”, afirma, citando ainda a capa da última edição da revista Veja, que não demoniza Lula como já fez em diversas publicações anteriores.

“Essa volta, eu não digo à isenção, mas a volta a uma normalidade está vindo por conta do desastre Bolsonaro, por conta do que ele fez, desse desmonte que ele tá fazendo”, diz Nassif.

“Nós estamos vendo uma parte do desmonte que é esse conjunto de mortes absurdas. A falta de sensibilidade dele (Bolsonaro) é absoluta em relação às mortes. É um sociopata, efetivamente”, ressalta Nassif. “Mas você está tendo uma destruição em todos os níveis”

“O atraso que ele (Bolsonaro) está provocando em todos os níveis no país, é uma destruição. E fica aquilo que o Flávio Dino disse, com algumas correções: daqui 20 anos, quando se contar a história desse período, será um período maldito”

“Hoje eu saí para vacinar, e o que você tem de pessoas espalhadas pela cidade  (…) Pessoas que tinham casa até um tempo atrás, e foram despejadas. Famílias classe média, que tinham algum espaço, se juntando a drogados por conta desse desastre social, sanitário”, lembra Nassif. “Ficou nítido aí, e fica cada vez mais nítido, que isso é consequência direta dessa falta de respeito às instituições (…)”, explica Nassif, lembrando que o país está atualmente em frangalhos. “A reconstrução vai ser dura e começa com a CPI do Covid”.

“Ao que tudo indica, vai ser o Renan Calheiros que vai assumir a relatoria. E ao que tudo indica, o documento condenatório do Bolsonaro é o estudo feito pela Faculdade de Saúde de São Paulo, pela Deisy Ventura (…) que ele mostra de uma forma definitiva a responsabilidade genocida de Bolsonaro efetivamente”, diz Nassif.

“A estratégia (bolsonarista) de boicotar a vacina, a estratégia de boicotar o isolamento, a estratégia de estimular a doença inicialmente, com essa maluquice do Osmar Terra do efeito imunização de manada e, depois, por uma questão política – para poder jogar a culpa em cima dos governadores”, lembra Nassif. “Não vai ter como você não identificar essa postura criminosa do Bolsonaro”, diz Nassif, lembrando ainda o caos sanitário em Manaus. “Vai ter o depoimento do Mandetta, do Teich, você vai ter os funcionários da Saúde que vão mostrar todo o boicote que foi feito à vacinação”.

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