TV GGN: Um raio x das apostas de Bolsonaro em intervenção militar

Confira a análise do jornalista Luis Nassif sobre os últimos acontecimentos no cenário econômico e político do Brasil

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  1. As opções do rentismo com Bolsonaro e num contexto Pós-Bolsonaro

    Por Wagner Silveira, Graduação em Ciências Sociais e Pós-Graduação em Gestão Pública.

    No dia de ontem o Brasil viveu um clima de muita agitação devido à prisão de Queiroz. Enquanto a oposição comemorava o fato, com a expectativa de que isto demarque a derrocada definitiva do governo Bolsonaro, o presidente e seus apoiadores demonstravam grande nervosismo com a notícia e a necessidade urgente de conseguir novos “aliados”, para garantir a qualquer custo a manutenção do Bolsonarismo no poder. Na sombra deste jogo político, os verdadeiros donos do poder, ou seja, a elite do sistema financeiro, mexe, silenciosamente as pedras do tabuleiro, por meio de seus representantes, esperando apenas o melhor momento de dar um novo xeque mate que consolide sua nova vitória.

    Mesmo concentrando um enorme poder, a elite financeira sabe que a política é bastante dinâmica e tem seus imprevistos. Por outro lado, apesar de apresentar-se como antisistema, Bolsonaro sempre fez parte dele, por isso, após o golpe de 2016, o desastroso governo Temer, a performance pífia do candidato preferencial da direita – Geraldo Alckmin – e a possibilidade da esquerda voltar ao poder nas eleições de 2018, ele tornou-se a opção do sistema que dizia combater.

    Após um ano e meio de mandato, Bolsonaro demonstrou total despreparo no cargo que ocupa e mais que isso, tem feito uma gestão totalmente caótica do país, sendo o pivô de frequentes conflitos, inclusive com aliados. Não bastasse sua conduta errática, seu governo não consegue apresentar nenhum projeto ou proposta relevante para os desafios que se apresentam e, para piorar as coisas, começam a vir à tona uma série de malfeitos que envolvem desde a ligação com milícias, a desvios de dinheiro público, com fortes indícios da participação dele e dos filhos.

    Nessa conjuntura conturbada, cresce de forma acelerada a sensação de que o governo chegou ao fim, muito antes do prazo previsto para o mandato. Para mantê-lo no poder a única opção que resta ao rentismo é um autogolpe, caso haja apoio de amplos setores das forças armadas, o que não é impossível, mas é muito difícil, dado o grau de incertezas causados pelo próprio Bolsonaro e o alto preço, em termos de desgaste para a instituição, sem a garantia de verem algum resultado prático do que esperam para a economia, independente dos reflexos sociais.

    Por fim, um cenário pós-Bolsonaro, depende da forma e do momento em que se dê sua saída. Se ocorrer um Impeachment, Mourão assume e provavelmente consegue emplacar as pautas sociais regressivas e manter uma política econômica conservadora, mas talvez com alguma dificuldade, por não ter jogo de cintura, nem tanto domínio da política, para lidar com o Congresso e a oposição da ruas e a institucional (partidos e sociedade civil organizada). Sendo assim, é provável que as elites façam a opção de cassar a chapa em 2021, pois haverá eleição de um novo presidente de forma indireta, pelo Congresso mais conservador das últimas décadas, garantindo total controle das elites sobre os três poderes, de forma que funcionem harmonicamente em prol dos seus interesses.

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