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O velho, o menino, o burro e os haters - mais um sobre a revista Capricho, por Matê da Luz

O velho, o menino, o burro e os haters - mais um sobre a revista Capricho

por Matê da Luz

O Brasil, que é o país do golpe, também pode ser considerado o país dos haters. Difícil para quem escreve publicamente, fora dos diários da vida e mantém opinião às sete chaves, porque de verdade eu quase achei que era besteira escrever um post sobre as meninas negras na revista Capricho ou que, pior ainda, como mulher branca eu não poderia escrever sobre isso.

Errei feio, errei rude.

É importante sim, e do alto do meu agradecimento aos odiosos comentaristas de plantão, entendo que dá pra escrever mais sobre o assunto. Porque eu posso, pelo simples fato de estar noticiando, e não vomitando achismos (diferente dos comentaristas que, rapidinho, pescam minúcias pra se abastecer de raiva). Leia mais »

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A revista Capricho acerta ao abrir espaço para as garotas negras, por Matê da Luz

A revista Capricho acerta ao abrir espaço para as garotas negras

por Matê da Luz

A revista Capricho, pra quem não sabe, é um marco extremamente formador de opinião, desejos e metas praquelas que têm entre 35-40 anos atualmente. Estrelaram as capas da revista Ana Paula Arósio, Pietra Ferrari, Luana Piovani (que surpreendeu segurando uma camisinha), Piera e Giane Albertoni. A internet nem engatinhava pra nós, as adolescentes daquela época, então a Capricho era um guia, dona dos temas que discutiríamos e conversaríamos sobre até a próxima edição, temas estes que despertavam nas meninas uma série de pensamentos que, claro, eram moldados tanto pelo discurso da revista - o certo e errado da moda, os colírios, moços bonitos que passavam na televisão, o consumo de roupas, maquiagem, sonhos e viagens (a edição especial da Disney, que sempre aparecia no mês de Julho, era aspiracional, item de colecionador) - quanto pelo contorno das modelos. Por menos esqueléticas que fossem, ainda assim eram magras e belas e respeitavam o padrão de beleza da época. 

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A tranquilidade de passear pelas culturas do sincretismo, por Matê da Luz

A tranquilidade de passear pelas culturas do sincretismo

por Matê da Luz

Vem mais em forma de desabafo do que de postagem, e dá conta de comentários contrários ao conteúdo que compartilhei onde algumas lendas de Iansã são apresentadas em forma de mangá. 

Entendo sim, e como, a necessidade social de branquear as culturas, todas elas, para que caibam em narrativas coerentes a quem interessar possa. Tem até pai de santo branco, malhado e de barba feita benzendo e prescrevendo banho de ervas em bazar de natal na cidade de São Paulo - e isso não deve preocupar ninguém, já que quem é do axé jamais trocará a prescrição de ifá, aconselhada pelos búzios, que normalmente envolve ervas frescas e específicas pro seu orixá e pro seu momento, por um banho feito em casa com um suposto fundamento de terreiro. Fundamento, pra quem sabe fundamentar, não se compartilha assim, comercialmente e, então, não tem porque entrar numa briga ou sequer ter arrepios com isso. 

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Uma lenda de Iansã, a orixá sincretizada com Santa Bárbara, por Matê da Luz

Uma lenda de Iansã, a orixá sincretizada com Santa Bárbara

por Matê da Luz

Iansã é a força que come pimenta no café da manhã. Diz a cantiga de umbanda que Oyá é uma mulher forte, poderosa e sagrada; dona de tanta beleza, rainha obstinada. Todos os adjetivos de intensidade e alegria, porém, não são suficientes para quem tem Iansã na cabeça, como eu. Impossível descrever o encontro, as curiosidades e a potência dessa moça. 

Este vídeo me foi enviado há muitos anos, no meu primeiro contato com a qualidade de filha desta mãe enorme. Se deve notar a contação de história, as peculiaridades e a administração das lendas iorubás apresentadas em formato de mangá e, portanto, adaptadas à linguagem desta narrativa, como o exagero no que diz respeito ao sexo. A paixão que Iansã promove, no entanto, está lá - e me emociona ver e rever quantas vezes me forem possíveis. 

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Quem é Santa Bárbara, celebrada em 04 de Dezembro, por Matê da Luz

Quem é Santa Bárbara, celebrada em 04 de Dezembro

por Matê da Luz

Hoje é dia de festa para os filhos de Iansã, orixá sincretizada com Santa Bárbara, a senhora dos raios e da ventania. Nós candomblecistas não somos favoráveis aos sincretismos religiosos, verdade seja dita, porque acreditamos que esta prática acaba por retirar ingredientes fundamentais de origem e cor de nossa religião, que é negra, mas não somos abestados e nem gostamos de perder uma festa, sabe?

Pesquisando um pouco sobre a história de Bárbara, a santa, encontrei na Wikipedia:

Santa Bárbara foi, segundo a Tradição católica, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual IzmitTurquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era cristã. A moça era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.

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Prefeitura do Rio corta apoio à festa de Iemanjá em fevereiro, por Matê da Luz


Foto: Reprodução

Prefeitura do Rio de Janeiro corta apoio à festa de Iemanjá em 02 de Fevereiro 

Por Matê da Luz

Para aqueles que ainda torciam o nariz quando eu falava que a bancada evangélica, responsável pelas IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), estava mais pra política do que pra religião, aí vai: pela primeira vez em 13 anos a prefeitura do Rio de Janeiro cortou as verbas destinadas à procissão de Iemanjá, evento tradicional à cidade. 

Num ano onde a intolerância religiosa foi escancaradamente violenta, chocante e descarada, o corte de verbas dificilmente passa como opção de administração pública. Especialmente no Rio de Janeiro, onde cenas de traficantes destruindo terreiros "em nome de Jesus" foram gravadas e distribuídas como troféu, este corte tem representação de silêncio, de preconceito, de mais agressividade. 

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O constante exercício de olhar pra nós mesmos com carinho e equilíbrio, por Matê da Luz

O constante exercício de olhar pra nós mesmos com carinho e equilíbrio

por Matê da Luz

Ando percebendo uma acidez na alma que, vez ou outra, chega na boca - deve ser este, enfim, o gosto amargo do fel. Não, não, estou sendo injusta com o fel, que nada mais é do que um hormônio naturalmente produzido pelo corpo e tem suas funções corriqueiras e nem deve ser tão amargo assim quando em estado de equilíbrio. Percebo, enquanto escrevo, que este estado, o de equilíbrio, é o que de fato promove o dissabor. O desequilíbio, no caso, é claro. 

Meus movimentos em torno do sol, da terra e de mim mesma recrutaram tamanha força e determinação que, hoje percebo, acabei desenvolvendo uma capa de proteção extrema, que tem me privado de aproxegar aos contextos mais sutis, os de prazer. Fiz que fiz, me encontrei em mim, limpei a casa e a varanda e esqueci de descansar, cantar ou me alegrar por aquilo que conquistei. O exercício diário da batalha quase me consumiu por inteiro, fazendo com que esquecesse dos meus porquês íntimos e individuais, tantos deles envolvidos e engedrados em formação familiar em novas e poderosas teias, estas que não desejo ancoradas em firmezas insustentáveis mas sim em amor, amor e amor. 

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Agradecer e louvar, o que o maracatu vem me ensinando de mais precioso, por Matê da Luz

Agradecer e louvar, o que o maracatu vem me ensinando de mais precioso

por Matê da Luz

Como diz a letra que canta Bethânia: ..."agradecer ter o que agradecer, louvar e abraçar". 

Uma das formas mais eficazes que manifestar e arair sensações e boa vibração é, por aqui, dançar. Exorcizar os fantasmas e agradecer a eles por terem existido, ensinado e partido. Sacudir a saia e fazer barulho pra desopilar o pulmão, os pés e as mãos e seguir, com espaço pro novo. Renovar e sorrir. 

O maracatu tem me oportunado isso e mais um tanto e, em agradecimento, compartilho com vocês um pouco da história do Encanto do Pina, nação que rege o grupo de qual faço parte. 

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O que fazer com o que fizeram de nós?, por Matê da Luz

O que fazer com o que fizeram de nós?

por Matê da Luz

Que a vida não é perfeita, a essa altura da vida, a gente já devia ter percebido. Não “só” a vida em contextos maiores, já que viver no país do golpe atravanca um tanto de sonho e esperança, é verdade e jamais vou cansar de frisar que o meio interfere sim, e muito, no que a gente vive intimamente mas, especialmente, a perfeição em termos de expectativas e retornos das relações mais próximas daqui e de acolá.

Batalhamos, alguns de nós, com os monstros internos daquilo que nos foi apresentado como fundamental e, vez ou outra, sagrado: as relações com nossos pais, quando não satisfatórias em termos de troca, promovem os maiores fantasmas dessa existência, é só checar os prontuários que passeiam por Freud e Jung, passando pelas constelações e terapias holísticas – é enorme e urgente o “resolver” que estas relações solicitam.

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Prepare-se: segunda-feira é dia de louvar (em prosa e ato, pois há o orar e o vigiar), por Matê da Luz

Prepare-se: segunda-feira é dia de louvar (em prosa e ato, pois há o orar e o vigiar)

por Matê da Luz

Durante um longo período, trabalhei arduamente pra reconhecer o que me machucara.

Me deparei com cantos esquecidos, sujos, doloridos. Poeira que empurrei pra debaixo do tapete em prol de um bem-estar momentâneo, superficial: porque basta um olhar, um toque, uma sensação sugestionada e o que estava aparentemente escondido vem à tona, em fúria.

Venho aprendendo a ter respeito por essas dores, a ter paciência enquanto as olho nos olhos e mergulho pra dentro de seus furacões. Filhas de Iansã têm dessas intensidades nada sutis, que transbordam da alma - e para a alma. Reconhecer-me nos maus momentos tem permitido que eu me acolha, que me manifeste, que tenha escolhas que não sejam em prol das aparências, estas que mal devem servir para "os outros" já que, de qualquer forma, não é necessariamente uma manifestação de amor o que garante a réplica do outro lado. Leia mais »

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Rio de Janeiro recebe retiro de yoga e meditação na favela da Maré, por Matê da Luz

Rio de Janeiro recebe retiro de yoga e meditação na favela da Maré

por Matê da Luz

Na contramão do mundo que anda desfazendo tratos e contratos, um grupo de jovens segue na batalha em prol do bem e do bom. Tenho uma conhecida que faz parte do projeto e sei da seriedade com que é tratado e, portanto, sempre que possível vou divulgar aqui neste espaço. 

O grupo precisa de doações para continuar existindo e, acredito eu, um patrocinador fixo seria o mais bacana - conhece alguém, empresa ou pessoa física, que possa se envolver de forma efetiva? Indica! 

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Sobre deuses soberanos e o poder da escolha

Dois episódios me fizeram desejar escrever este post: o término do livro A Cabana e o comentário de um conhecido quando contei sobre um acontecimento triste e dolorido, “mas e o seu Deus não te protegeu disso não?”.

Deus não está aqui (ou acolá) pra proteger ninguém de nada, e tampouco é conivente com os males que existem aqui nessa terra. Criados em enorme maioria debaixo do catolicismo, esse que premedita culpa e penitência, além de prescrever um Deus soberano a quem devemos subserviência e identidade em igual perfeição, seguimos a vida a classificar em polos opostos as vontades deste senhor. Leia mais »

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Precisamos falar sobre as mais diversas formas de violência, por Matê da Luz

Precisamos falar sobre as mais diversas formas de violência

por Matê da Luz

Precisamos falar sobre violência em primeiro lugar porque nosso país virou terra sem-lei nas mãos daqueles que diziam querer fazer valer as leis. Além de tomarem o Brasil num bizarro golpe, seguem plantando sementes de discórdia especialmente no que diz respeito às minorias, leia-se aqui religiosidades afro-descendentes, negros, crianças e mulheres. Não é preciso muito esforço para perceber o aumento, de tempos pra cá, dos casos de abuso dos mais variados perfis, é só virar pro lado ou fazer uma rápida pesquisa no Google para perceber que, socorro!, abriram a torneirinha do "tudo pode". 

Pode ejacular em mulher no transporte público? Pode. 

Pode quebrar assentamentos de fé em terreiro que não te diz respeito? Pode. 

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Medo, um dos piores componentes do mundo todo, por Matê da Luz

Medo, um dos piores componentes do mundo todo

por Matê da Luz

Hoje, particularmente, meu medo é coletivo. Pela primeira vez em muitos anos, senti medo do futuro do País. Fiz a besteira de clicar em dois vídeos do Bolsonaro falando sobre economia e afirmando livremente nos dois que "nos governos militares blablabla"... E minha nuca arrepiou aqui, porque quem em sã consciência acha de verdade que o militarismo é um caminho positivo para o Brasil?

Os golpistas estão de parabéns, viu, porque o discurso de "qualquer coisa menos o PT" colou de tal forma que a gente vai regredir milênios, inclusive economicamente e, olha, daí não vai adiantar ser rico não, desmemoriado. Sim, desmemoriado, porque esse "cidadão comum", assim como muitos outros, fez parte dos Cinquentinha do Collor. Tenho, de forma vaga, uma memória dos adultos falando sobre isso na época e, logo após, veio o impeachment, o que trouxe a sensação de que o País estava sim batalhando pelos seus direitos e deveres e que, enfim, não estávamos dispostos às loucuras de um coletivo de políticos que desejavam roubar o Brasil. 

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Vivendo na ditadura, sim, estamos. Por Matê da Luz

Vivendo na ditadura, sim, estamos.

Por Matê da Luz

Quando aconteceu o episódio que alguns insistem em chamar de impeachment, uma das maiores tensões daqueles que sentiam o golpe dava conta dos ares de ditadura retornando ao cenário nacional. Ditadura, aquele período negro na história do país, é, esse mesmo, não tão distante, sabe? Data tão atual a ponto de um enorme número de pessoas consideradas de meia idade terem vivido naquele "outro Brasil". Estas pessoas alardeavam a volta da ditadura e eu, confesso, achei que havia ali um certo exagero, um quê de desgosto justificável quando a gente batalha muito por algo e vê escorrer pelas mãos - pois é, essas pessoas batalharam por um conceito muito amplo de liberdade, que inclui as liberdades dos outros e isso, durante um tempo, tirou o Brasil da dolorida faixa de miséria e fome, é, meu chapa, fome, mas não aquela fome específica de um steak tartar, mas a fome de comida mesmo, aquela escasses que mata e, olha, eu não consigo pensar nisso sem ficar profundamente mexida e triste. Mas bem, essas pessoas falaram em ditadura e eu achei que havia um exagero. 

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