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Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá... , por Matê da Luz

Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá...

por Matê da Luz

Dia desses encontrei um link no Facebook que dava conta de levar pra uma matéria falando sobre as Pombagiras. Antes de mais nada, registro oficialmente e por escrito que prefiro o termo Pombogira, mesmo que ambas as versões estejam corretas: caso é que sempre me vem à cabeça a imagem de uma pombinha rodando e ai, isso é um pouco desesperador. Enfim, preferências pessoais.

Daí que a pauta descrevia as entidades de uma forma tão, mas tão esquisita que não consegui deixar de entrar no famigerado embate nos comentários, esta que é uma atividade sobre a qual mantenho compromisso forte no sentido de manter distância, realizando a manutenção da sanidade mental desta que vos escreve. Acontece que a baboseira era tanta que, nossa, não rolou – sou macumbeira, passei pela umbanda e hoje me desenvolvo no candomblé e, portanto, fico possessa quando percebo a religião sendo difamada especialmente quando a intenção não é essa.

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Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre, por Matê da Luz

Golpe atrás de golpe e a esperança só pode ser a última que morre

por Matê da Luz

“É o governo mais imaturo que presenciamos” – assim escreveu um colega em seu mural no Facebook. Não estava analisando detalhadamente os últimos episódios tristes que acometeram nosso País mas, de forma fria e calculista, expondo um ponto individual referente à reforma trabalhista. Tal ponto dá conta de que as gestantes podem trabalhar em ambientes insalubres desde que liberadas por ordem médica.

Tão bizarra a narrativa em si – uma grávida trabalhar em ambiente insalubre – que o amigo em questão aponta a falta de noção, tato e estratégia do atual governo no que diz respeito à comunicação propriamente dita pois, de certa forma, não é exatamente isso o que a lei determina, mesmo que dê margem enorme e assertiva para esta interpretação.

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Desenvolvimento e a semântica das palavras, por Matê da Luz

Desenvolvimento e a semântica das palavras

por Matê da Luz

Semântica é o estudo sincrônico ou diacrônico da significação como parte dos sistemas das línguas naturais. Está intimamente relacionada aos simbolismo que as palavras carregam, quer dizer, ligada com força ao significado que interpretamos profundamente sobre determinada combinação de letras.

Mas acontece que a vida passa e a Lusitana roda e a gente, tão acostumado ao falar-ouvir-absorver, acaba esquecendo deste detalhe tão importante: o impacto deste simbolismo na formação de quem somos e todo o florescer disso, passando inclusive sobre moldes de caráter e estima que, ao meu ver, estão intimamente relacionados.

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Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Matê da Luz: Mudanças, transformações e laroyê, Exu

Recentemente, como alguns já sabem se acompanham os registros aqui escritos, mudei da umbanda pro candomblé. Também mudei de São Paulo para Ubatuba e, desde então, venho vivenciando experiências de transformação potentes e, é claro, experienciando as enormes diferenças de viver em uma cidade muito, mas muito menor do que a capital.

Uma das coisas que mais me chama atenção nessa troca é a relação que se estabelece entre os indivíduos e, então, a religião acaba aparecendo muito mais como fator diferencial do que nos grandes centros. Por aqui, já sou apontada como “a nova filha de santo do ilê do Pai, aquele do maracatu”, e isso não é necessariamente ruim. Prova disso é que tive que comprar tecido para confeccionar minha saia e candomblé e, então, fui até a lojinha no centro da cidade. O atendimento é feito pelo próprio dono da loja e, então, ao perceber que só seleciono tecidos brancos, ele lança: “ah, você é a nova filha do ilê lá de cima, né? Vai fazer saia de ração também? Aqui, ó, leva este, este e este outro, e como é pro axé, te dou um metro de cada de presente. Se precisar do figurino do grupo de maracatu também, é só falar, encomendo os acabamentos pra você e combinamos um desconto, tá?”.

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A isca do machismo quando a mulher paga menos, por Matê da Luz

A isca do machismo quando a mulher paga menos

por Matê da Luz

Se você tem uma vida social mais ou menos ativa, certamente já esteve presente em casas noturnas ou bares que cobram entrada anunciando valores diferenciados ou gratuidade para mulheres. "Uau, mas até disso vai reclamar? Mulher é chata mesmo!" 

Antes de mais nada, sim, até disso vou reclamar. Depois, vale saber que quem levantou a bola mais recente neste contexto foi um estudante de direito brasiliense menino, o Roberto Casali Junior que, em entrevista à TV, disse: "eles transformam a mulher em um produto e fazem o homem de trouxa, pois é ele quem deve pagar um valor maior. Dessa forma, o estabelecimento ganha mais com isso". De novo: não tem problema algum estabelecimentos comerciais desejarem ganhar mais dinheiro, afinal, este é o intuito de todo e qualquer empresário, ou deveria ser. As questões aqui apresentadas são, basicamente, a que preço (quase que literalmente). 

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Maracatu, pra mim e pra você, por Matê da Luz

Maracatu, pra mim e pra você

por Matê da Luz

O maracatu é uma expressão cultural também chamada de dança folclórica que tem início datado do século XVIII, a partir da miscigenação cultural das culturas portuguesa, indígena e africana. Especialmente e essencialmente, porém, o maracatu é uma expressão de resistência que, por meio do louvor aos reis congos, pontua que os negros também têm sua corte, e ela batuca e mexe com a alma do povo.

Existem dois tipos de maracatu: o de baque virado, que tem como base as nações; e o baque solto, o maracatu rural. As principais diferenças entre estes dois é a origem e o instrumento principal de condução: o baque virado tem origem nas religiões africanas, especialmente o candomblé e seus orixás e encontra nas alfaias a potência de condução, enquanto o baque solto tem sua raízes nas religiões afro-brasileira, com forte presença dos caboclos e pretos-velhos, e tem nos chocalhos (surrão) a pontuação do ritmo frenético de suas melodias. Leia mais »

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O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo, por Matê da Luz

O perigo das neo-terapias salvadoras do imediatismo

por Matê da Luz

Coach, barras de access, tethahealing, EFT... se você vive neste século muito provavelmente já ouviu falar sobre estas técnicas terapêuticas, as neo-terapias. Talvez eu seja um tanto quanto crítica a estas práticas pelo simples motivo de ser old-school, das antigas mesmo, e acreditar que para alguns processos não existem atalhos e, portanto, a terapia convencional, psicologia, psiquiatria, essa coisa toda que exige anos de estudo e aprofundamento, amparada por órgãos reguladores etc e tal, bem, que estes sejam caminhos mais seguros pra tratar de algo tão fundamental quanto a saúde mental.

Nunca, em tempo algum, houve tanta atenção quanto à temática das doenças psíquicas. Daí, claro, desde que o mundo é mundo, acontece a lei da oferta e procura: quanto mais gente doente, maior o campo das curas ofertadas. Aos meus olhos, é aí que mora o perigo. Afinal de contas, quantos destes neo-terapeutas está devidamente embasado para curar a mente de um indivíduo? Para estar credenciado com aptidão para conduzir a aplicação das barras de access, uma técnica que por meio da pressão de diferentes pontos na cabeça permite  “que comecemos a desfazer todos os pensamentos, ideias, atitudes, decisões e crenças limitadoras que bloqueiam e atrasam a nossa vida.” – uma promessa e tanto, não é mesmo? – por exemplo, uma pessoa passa por um curso de oito horas. Oito horas para estar apto a promover uma mudança enorme e fundamental para a vida de pelo menos 99% da população mundial.

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O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular, por Matê da Luz

O mercado de relacionamento com o cliente pra quem é popular

por Matê da Luz

Você já tentou cancelar algum produto ultimamente?

O cancelamento de enorme parte dos serviços hoje, em qualquer empresa, não pode ser feito automaticamente. o consumidor é obrigado a falar com os atendentes e, ao que me parece, esta é uma decisão embasada em diversos fatores mas, especialmente, na potencialidade do contato homem-a-homem para 1- entender os motivos que levaram o cliente a desistir do produto; 2- apresentar uma solução viável e satisfatória para o cliente e 3- manter o cliente em sua base de dados.

Antes de mais nada, a demora no atendimento. ao clicar na opção de cancelamento, o cliente é colocado no modo espera com musiquinhas enlouquecedoras, ad eternum. quando um atendente se manifesta, normalmente já começa o diálogo enfadado, nada disposto e, claro, o clima homem-a-homem, que já está contaminado pelo humor da espera eterna, é dos piores. Leia mais »

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Há algo de novo em termos de violência contra a mulher, por Matê da Luz

Há algo de novo em termos de violência contra a mulher

por Matê da Luz

É, eu sei. 

Ainda falta. E falta muito, mas muito mesmo, especialmente para as mulheres negras, as pobres, as carentes, as isoladas. Mas é relevante e vale inclusive para alimentar o diálogo em busca de soluções para todas estas - e tantas outras. 

Lírio Parisotto, ex-companheiro de Luiza Brunet, foi condenado a um ano de prisão por agressão física à ex-modelo e, enfim, deixa de lado a boataria que, na época, questionava se havia mesmo ocorrido o abuso. Porque ela não estava no Brasil, porque ela não fez o que algumas pessoas julgaram ser o caminho comum em casos assim e porque Luiza é, afinal de contas, uma mulher. Você já percebeu que uma mulher quase sempre está precisando provar algo pra alguém, até mesmo pra si própria? Pois é... não basta estar com os olhos visivelmente machucados, costelas quebradas. Ela precisa provar. 

Aqui onde moro, nesta semana, presenciei uma agressão em plena luz do dia. O cara, marido da vítima, arrancou o celular dela de suas mãos, jogou longe e partiu pra cima, como numa briga de rua mesmo. Com socos. Você já presenciou alguém apanhando assim, com socos? O barulho oco daquela força, que é mais do que física? É uma força moral estampando escortidão na cara. Olha, não é fácil não. Haja boldo, estômago e cabeça pra tomar alguma atitude na hora. Quase não consegui mas, amparada por outras pessoas que passavam pela rua, socorremos a moça. Levamos pra dentro de um prédio público e, então, acionamos a polícia. 

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Os pernambucanos do Bongar e o encanto de Xambá, por Matê da Luz

Foto Beto Figueiroa

Os pernambucanos do Bongar e o encanto de Xambá

por Matê da Luz

A cultura de terreiro está impregnada neste grupo musical composto por seis jovens integrantes do Xambá, chão do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda. Unidos pelo propósito de divulgar a cultura pernambucana do côco, embasada pelos fundamentos do ilê, os integrants do Bongar aprendem por meio da herança dos mais velhos: estes que ensinam os toques, as loas e as danças durante as festas religiosas da Casa Xambá. 

A musicalidade é mágica e o show é imperdível. Porque tem canções que são feitas pra serem vividas completamente, de corpo e alma, como a Ogum Onirê, essa do clipe aqui embaixo: 

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O nosso amor a gente inventa - a webserie da Sarah, por Matê da Luz

O nosso amor a gente inventa - a webserie da Sarah

por Matê da Luz

As crises inerentes às mídias atuais, seja em termos de viabilidade econômica, seja em termos de formato mesmo - o "sentar pra ver TV" é algo cada vez mais raro e/ou individual nos lares e, enfim, a sabedoria de algumas pessoas em aproveitar efetivamente as oportunidades que todas essas transformações trazem resultou em "O nosso amor a gente inventa", da ex-VJ da MTV Sarah Oliveira. 

Sarah, bela e madura, conduz o programete disponível no YouTube onde apresenta histórias de amor, paixão, encontros e miragens necessárias pra fazer a vida caminhar - especialmente em tempos de desânimo coletivo, vale se conectar com as fofuras contadas pela senhorinha latina ou descobrir que a esposa do João Gordo era uma fã apaixonada - é de esquentar o coração. 

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Em semana de insanidades reais, seguimos na luta antimanicomial, por Matê da Luz

Em semana de insanidades reais, seguimos na luta antimanicomial

por Matê da Luz

Recebi esta carta de um amigo meu, psiquiatra, envolvido na análise e tratamento de indivíduos pautada na busca pelo bem-estar completo dos pacientes. Já nos pegamos em discussões sobre a necessidade de medicar em contrapartida ao tratamento holístico; já discordamos acerca de diagnósticos precoces e vivemos conversando sobre as melhores soluções e caminhos na cura da origem do que faz e traz o mal às pessoas e, num ponto único, somos pares: a luta antimanicomial. 

Seja por acreditar que os porquês da vida vez ou outra são invisíveis, seja por questões mais acadêmicas e profundas, sólidas também, concordamos que isolar aquele que é taxado como incomum é uma agressão sem tamanho, ainda mais nas circunstâncias apresentadas pelas insitiuições presentes no País. Me comprometi a divulgar esta carta, escrita por uma conhecida dele, para soprar um vento de lucidez numa semana insana no Brasil, especialmente, onde todo e qualquer assunto foi abafado pelos escândalos políticos na esfera pública. Vale lembrar que, no privado, atrocidades também acontecem. 

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Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela, por Matê da Luz

Um pouquinho sobre ser mãe dela, a bela da flor amarela

por Matê da Luz

Chamo de casa o apartamento que fez meu (im)pulso pulsar e , finalmente, mergulhar na vivencia daquilo que nem sei.

Conto um tanto sobre mim pra que entendam os movimentos e o compartilhar tenha contexto: engravidei aos 18, fui mãe aos 19 e, desde então, enorme parte daquilo que tenho como decidir circulou em torno daquela que se fez e construiu companheira, a linda. A linda é uma agora moça de quase 18 anos que acaba de entrar em exatas, na USP, e que, desde a anunciação à respeito da chegada, apresenta alegria e assertividade na vida – na minha, especialmente.

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A lua cheia de Wesak, poesia suspensa no ar, por Matê da Luz

A lua cheia de Wesak, poesia suspensa no ar

por Matê da Luz

Dando uma folga para o assunto mais comentado da semana (antes da volta do botão de gratidão do Facebook, convenhamos!), a audiência em Curitiba, vou falar sobre a maravilhosa lua cheia que anda enfeitando as noites por aqui e acolá. 

Luas cheias são encantadoras por natureza, aquela bola redondinha no céu, movimentando as marés litorâneas e as internas da gente também, veja só: se nossa composição é também água, impossível seria que não nos afetasse. Esta lua, em especial, tem um poder ainda maior: é a Lua de Wesak, que inspira movimentações de transformação e iluminação em uma semana de algum recolhimento e muita troca. 

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Resistência, o documentário, por Matê da Luz

Resistência, o documentário

por Matê da Luz

Tem gente que diz que esse ar sombrio que ronda o Brasil tem mais tempo que isso, mas fato é que faz só um ano que o impeachment rolou de fato. Isso é tão pouco no meu referencial que o tamanho do medo frente aos acontecimento retrógrados no País cresce progressivamente no peito e faz faltar o ar, literalmente. Se por um lado tem aquilo tudo de entender que quando a gente enxerga a poeira é porque ela está na superfície e, portanto, pronta pra ser limpa - na metáfora da piscina, que eu adoro mesmo e venho praticando bastante na vida, como um todo - por outro lado parece que neste contexto de agora, o piscineiro diz que acha aquilo tudo muito bonito e que está tudo bem, que essa sujeira é melhor do que aquela outra do ano passado, você sabe, né?, enquanto a gente fica parado de pé olhando, totalmente sem saber o que fazer, estarrecido. 

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