Deputado Fernando Cury assedia colega na plenária da Assembleia Legislativa de SP

Cury se aproximou por trás da deputada e a apalpou. Não contente, encostou-se na deputada, no famigerado ‘encoxar’.

Jornal GGN – O deputado Fernando Cury, do Cidadania, conseguiu o feito de levar para dentro da Casa Legislativa o que existe de pior, o assédio sexual. Cury assediou sexualmente a deputada Isa Penna, do Psol. O crime foi devidamente gravado.

Cury se aproximou por trás da deputada e a apalpou. Não contente, encostou-se na deputada, no famigerado ‘encoxar’.

A deputada estadual Isa Penna foi à tribuna e denunciou o assédio. O assediador, depois que a gravação foi exibida, pediu desculpas por ter, segundo ele, abraçado a parlamentar.

Isa Penna registrou um boletim de ocorrência contra o deputado e também levou o caso ao Conselho de Ética da Assembleia, fazendo uma representação pedindo que ele perca o mandato.

A deputada do Psol é uma militante dos direitos humanos e de igualdade de gênero. “O que dá o direito a alguém de encostar em uma parte do meu corpo, íntima? O meu peito é íntimo. É o meu corpo”, disse ela.

No vídeo é possível perceber bem o que faz o deputado Fernando Cury. E também pode-se ver a reação de Isa Penna, se desvencilhando dele.

O partido de Cury, Cidadania, disse em nota que vai encaminhar o caso ao Conselho de Ética da sigla.

Em nota, o Cidadania, partido de Cury, diz que vai encaminhar o caso ao Conselho de Ética da sigla. “A legenda não tolera qualquer forma de assédio e atuará fortemente para que medidas definitivas sejam adotadas. Temos uma história de luta em defesa dos direitos da mulher que nenhuma pessoa pode macular”, diz o texto, assinado por Roberto Freire e Arnaldo Jardim.

Isa Penna, ao denunciar o caso, apelou aos pares para que lutem contra esta ‘cultura do assédio e do estupro’.

“Imaginem vocês homens, quantas vezes por dia vocês têm medo de passar por uma situação dessas? De serem estuprados? Nós, que somos mulheres, desde pequena a gente é ensinada que isso pode acontecer com a gente, e a gente cresce com esse medo”, discursou.

“Esse senso comum machista que é o do ‘a roupa curta é um convite para o estupro’ nem mesmo existia aqui. Eu sou uma deputada, eleita com 53 mil votos. Luto pelo direito das mulheres, luto contra o assédio. Eu não brinco com assédio.”

“Eu sou uma jovem mulher eleita, eu tenho o direito de estar aqui sem ser apalpada, sem ser assediada”, acrescentou.

Outras deputadas discursaram e se solidarizaram com Isa Penna, defendendo que o caso seja investigado.

Cury se pronunciou dizendo que não houve tentativa de assédio de sua parte, disse que nunca fez isso e pediu desculpas a Isa por ter ‘lhe dado um abraço’.

“Não fiz por mal, nada de errado. O meu comportamento é o que tenho com as colegas e os colegas aqui”, completou. “O que tem ali? Um abraço? O que eu fiz de errado? [Jamais faria algo] na frente do presidente [da Assembleia], meu Deus do céu”, afirmou ele.

O vídeo foi exibido no telão do plenário depois da denúncia emocionada de Isa Penna. Outros deputados e deputadas se pronunciaram e o deputado Gil Diniz (sem partido) entendeu a situação sendo usada como ‘palanque’. Isso acirrou os ânimos no plenário.

Nas redes sociais, Isa disse que casos semelhantes já ocorreram com colegas. “A violência política de gênero que sofri publicamente na Alesp, infelizmente, não é um caso excepcional”, escreveu. Isa afirmou que as deputadas do Psol Mônica da Mandata Ativista e Erica Malunguinho ‘já foram assediadas em ocasiões anteriores’.

A bancada do Psol divulgou documento repudiando o assédio sexual cometido por Fernando Cury.

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