o caso 

celso daniel

Por Cintia Alves

O sequestro e assassinato do ex-prefeito Celso Daniel foi um crime bárbaro que completou 20 anos em 2022. O caso é rodeado de polêmicas e tem sido usado para fins políticos.

No ano em que foi sequestrado, Celso Daniel estava incumbido de coordenar a campanha de Lula à Presidência. Gestor admirado, provavelmente seria o ministro do Planejamento e tinha potencial para suceder Lula.

O caso Celso Daniel teve duas linhas de apuração: uma acusando “crime comum” e outra sobre “crime de mando”.

As teorias

Para a Promotoria, o assassinato foi encomendado pelo empresário, amigo de Celso e motorista na noite do crime: Sérgio Gomes, o Sombra.

Por violações à ampla defesa, o STF impediu que Sombra fosse julgado no tribunal do júri, junto com os sequestradores. O MP conseguiu condená-lo em outro processo, por corrupção no transporte de Santo André.

O ex-delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Lima Carneiro, acredita que se Sombra tivesse sido condenado como mandante do crime, este teria sido um dos maiores erros do Judiciário.

Erro

Alguns acreditam que Celso teria sido assassinado porque descobriu que o suposto esquema de caixa 2 do PT estaria enriquecendo terceiros. Mas este elo entre a corrupção e a morte não foi provado na Justiça.

Corrupção

Ao menos 4 inquéritos (1 da Polícia Federal e 3 da Polícia Civil sendo que um deles revisou as primeiras investigações), concluíram que foi crime comum.

Crime comum

Celso Daniel foi assassinado por uma quadrilha de sequestradores já presos e condenados. Eles fizeram acareação com Sombra na CPI dos Bingos, que também explorou o caso politicamente.

Sombra morreu de câncer em 2016. Outros envolvidos no caso morreram ao longo de anos. Apesar das teorias da conspiração, não há provas de “queima de arquivo”.

Queima de arquivo

Mas a politização persiste. Até a Lava Jato tentou investigar o caso Celso Daniel. Porém, também fracassaram na tentativa de provar a tese do crime político.

Politização

Os entusiastas do “crime político” acreditam que Ronan Maria Pinto, dono de linhas de ônibus em Santo André, teria chantageado Lula e o PT. Ele teria pedido dinheiro para não acusá-los de envolvimento no crime.

Ronan recebeu um empréstimo milionário do Banco Schahin. Para a Lava Jato, o Schahin ajudou o PT financiando Ronan e, em troca, ganhou contratos com o governo federal.

Schahin

Há quem diga que o interesse do PT não era “comprar o silêncio” de Ronan, mas ter influência sobre o Diário do Grande ABC, dentro de um plano para derrotar a força do PSDB em São Paulo.

No final, a operação Carbono 14 foi anulada por incompetência da 13ª Vara em Curitiba e remetida à Justiça Eleitoral. Mais uma vez, o caso serviu à exploração política e midiática, sem provas de crime político.

Os irmãos de Celso, entre eles Bruno Daniel, nunca acreditaram no crime comum. Parte da família viveu exilada por alguns anos. Celso Daniel deixou apenas uma filha.

Roteiro e criação:  Cintia Alves Imagens:  TV Gazeta/TVT/Acervo documentário "O caso Celso Daniel" (Globoplay)/Acervo Fundação Perseu Abramo/Jornal Grande Bahia/Rede Record/Estadão Multimídia/Tenor

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