Xadrez de como Bolsonaro passou a controlar a Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro, por Luis Nassif

A nomeação de Vasques para a delegacia da PRF de Angra dos Reis mostra que a Polícia Federal do Rio de Janeiro deixou de ser um empecilho para os planos dos Bolsonaro.

Peça 1 – Flávio Bolsonaro e o amigo Vasques

Acompanhe o vídeo abaixo. A última cena é de Flávio Bolsonaro saudando o agente Vasques, da Polícia Rodoviária Federal.

Quem é o PRF Vasques?

Vasques era o responsável pelo estande de tiro da PRF em Santa Catarina. E foi Secretário Municipal de Dario Berger, prefeito de São José e posteriormente prefeito de Florianópolis.

Trata-se de um Policial Rodoviário Federal de Santa Catarina, Mais que isso, recebia frequentemente os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, em suas viagens a Santa Catarina para frequentar o Clube de Tiro .38. Os irmãos se hospedavam em sua casa, e passeavam em suas lancha e jetski.

Todos frequentavam o Clube .38 e participavam do mesmo grupo de Tony Eduardo.

Peça 2 – Tony Eduardo e o Clube .38

Tony Eduardo é um personagem central na estrutura de clubes de tiro do país.

Em seu perfil profissional, ressalta sua condição de filhos  de Tim Omar de Lima e Silva, criador do Clube 3.8. Tim é delegado de polícia aposentadoria e, no seu currículo, consta o Curso Especial de Explosivos, ministrado pela Academia de Polícia Civil de São Paulo. Apresenta-se como descendente do Duque de Caxias.

O Clube .38 é núcleo do bolsonarismo raiz mais controverso do país. 

Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado contra Jair Bolsonaro, passou uma temporada por lá, pouco antes de cometer o crime. Até hoje não se explicou como uma pessoa desequilibrada, quase limítrofe, sem muitos recursos, saiu de Minas para frequentar o Clube .38.

Esse ponto deu margem a desconfianças sobre as reais motivações do atentado.

Recentemente, a autora de um ataque baixo contra o deputado David Miranda partiu de uma advogada, Julia Zanatta, membro frequente do Clube, uma apologista das armas.

“Vai bichona, usa mais o fato de dar o cu para se vitimizar. Porra, seja um gay macho, caralho!”, escreveu

Peça 3 – os Bolsonaro e o Clube .38

Os Bolsonaro mantém uma ligação umbilical com o clube .38, com o delegado Vasques e com Tony Eduardo.

Em abril do ano passado, em um de seus momentos de crise, Carlos Bolsonaro foi buscar o abraço amigo no Clube .38.

A amizade com Eduardo Bolsonaro surgiu quando este entrou na Polícia Federal e fez curso de treinamento com Tony.

Tony é admirador de Olavo de Carvalho, a ponto de lhe conferir uma comenda: Medalha de amigo da família. São fanáticos pelos Estados Unidos, a ponto de ostentar nas paredes uma bandeira norte-americana maior que a brasileira, conforme anotou o repórter Ricardo Antunes, em reportagem para o DCM.

Aqui, uma cena caseira dos irmãos Bolsonaro com Tony Eduardo, o chamado café higiênico.

E aqui uma cena carinhosa com o amigo Vasques, que assumiu a Delegacia da Polícia Rodoviária Federal em Angra dos Reis.

Peça 4 – os Bolsonaro assumem o controle da PRF

A estrutura de apoio armado dos Bolsonaro tem três pontas.

A mais ostensiva, as milícias do Rio de Janeiro. Em segundo, os clubes de tiro. Em terceiro, as Polícias Militares de alguns estados.

Jair Bolsonaro tem atuado ostensivamente para armá-las, ao facilitar a importação de armas, o não registro nem das armas nem da munição e ao investir contra a fiscalização do Porto de Itaguai, porta de entrada do contrabando de armas no país.

No “Xadrez de Bolsonaro e da expansão das milícias do Rio de Janeiro” descrevo o que vem ocorrendo em Angra dos Reis.

  1. O tráfico foi expulso de algumas favelas do Rio de Janeiro pela ação conjunta das milícias e das forças de segurança do Rio.
  2. Parte do tráfico refugiou-se em Angra dos Reis e passou a ter sucesso no comércio de drogas.
  3. As milícias da Zona Oeste – o grupo mais ligado aos Bolsonaro – voltaram sua atenção para Angra dos Reis.
  4. Nos últimos meses, foi instalado por lá um batalhão do BOPE e, agora, a delegacia da PRF, sob comando de um aliado dos Bolsonaro.
  5. Informações colhidas junto a moradores indicam que acelerou a ida de milicianos para lá, inclusive consultando os cartórios de imóveis para regularizar compras de terrenos. Como se sabe,. nos últimos anos passaram a investir na construção ou apropriação de moradias populares.

Com a inauguração da Delegacia da PRF de Angra, os Bolsonaro matam dois coelhos com uma só cajadada. Primeiro, enfraquecem a Delegacia de Itaguaí, que era uma pedra no sapato do contrabando de armas. Depois, colocam em Angra um amigo íntimo da família.

A nomeação de Vasques para a delegacia da PRF de Angra dos Reis mostra que a Polícia Federal do Rio de Janeiro deixou de ser um empecilho para os planos dos Bolsonaro.

Leia também:  Bolsonaro terá reunião com corregedor que irá julgar caso das “rachadinhas”

Sugiro, para completar, a entrevista com o professor Luiz Eduardo Soares sobre a expansão do crime organizado no país, especialmente as milícias, e os riscos que traz para a democracia brasileira.

 

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6 comentários

  1. “…Bolsonaro passou a controlar a Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro,…” É sério isto?! E não sabemos como chegamos até aqui em 2020? A Presidência da República controlando o Estado? Avisem ao STF !!! Como isto é possível?!

    • Zé Mané… você não é tão burro a ponto de não entender o que o articulista quer dizer com controle. Vá se tratar, meu caro defensor da República do Café com Leite, afinal, como é a história mesmo desde 1930??

  2. Cinismo, deboche e escárnio:

    “Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado contra Jair Bolsonaro, passou uma temporada por lá, pouco antes de cometer o crime. Até hoje não se explicou como uma pessoa desequilibrada, quase limítrofe, sem muitos recursos, saiu de Minas para frequentar o Clube .38.”

    E o filho 03 frequentemente “desafia” a Polícia Federal a quebrar o sigilo do telefone celular do advogado do Adélio, na maior cara dura.

  3. Prezado Nassif, vi que na matéria tem algumas inconsistências:

    1. Vasques é o superintendente do Estado do Rio de Janeiro (no vídeo isto fica bem claro); e

    2. Não existe delegado na PRF, mas sim chefe de delegacia.

  4. O superintendente da PRF do Rio, Silvinei Vasques, foi conselheiro na Empresa de Obras públicas do Estado, com direito a gratificação. Além disso, ele apresentou a Pedro Fernandes Neto (PSC), Secretário da Educação, uma área da PRF para a implantação de uma escola que seria gerida pela PRF, mas os professores e o corpo pedagógico seria do governo estadual.
    Não sei quais são os interesses dele.

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