Chegou a hora de detonar toda podridão política da República, por J. Carlos de Assis

Movimento Brasil Agora

Chegou a hora de detonar toda podridão política da República

por J. Carlos de Assis

Amanhã será outro dia, segundo o canto de Chico Buarque. Será uma terça-feira emocionante. Todas as circunstâncias políticas favorecem uma situação em que serão detonadas no mesmo movimento a PEC-55, a cúpula do PMDB, a cúpula do PSDB, a Cúpula do Judiciário e a cúpula do Congresso Nacional. Nada sobrará da parte de cima da superestrutura política republicana. Os de baixo terão de encontrar caminho próprio para o topo na medida em que não estejam, eles próprios, envolvidos nas tramas financeiras das empreiteiras.

A primeira a cair será a PEC-55. Contra todos os prognósticos anteriores, uma parte significativa dos senadores vai se recusar a corroborar uma farsa legislativa destinada a recobrir os interesses escusos de bandidos.  A PEC-55 foi vendida pela quadrilha de Temer ao capital financeiro. Por certo, o Presidente sub-judice tentou repassar a aliados do Senado a farsa de sua essencialidade, confiando na ignorância específica deles em questões econômicas e jurando falsamente que a emenda constitui o único caminho para o resgate da economia.

A delação premiada dos executivos da Odebrecht permitiu uma parada para meditação. Mesmo que alguns senadores tenham sido comprados, como é da praxe desse governo em votações que lhe interessam, pensarão duas vezes agora se se faz sentido continuar na trilha de um governo que logo vai cair e que provavelmente não terá caixa ou cargos para cumprir todos os compromissos assumidos. Nessa circunstância, a PEC-55 está condenada. A última oportunidade de Temer em vender a alma para a banca desapareceu.

O segundo movimento da terça feira envolve o PMDB e o PSDB. As cúpulas de ambos os partidos estão atoladas até o pescoço na Lava Jato. Se os quadros da base não quiserem segui-los para o esgoto terão de buscar um caminho de regeneração. É um equívoco supor que todos os partidos são formados por interesseiros e bandidos. Em todos eles, há gente idealista, nacionalista, comprometida com o Brasil. Todo o poder aos honestos, deve-se gritar. E são eles próprios que deverão tomar a iniciativa de fazer a profilaxia partidária.

O terceiro movimento desta terça é a detonação do comando do Congresso. Não é aceitável que Renan Calheiros continue na presidência do Senado e que Rodrigo Maia fique na presidência da Câmara, ambos mergulhados, como estão, nas delações da Odebrecht. Os parlamentares das duas casas deverão encontrar urgentemente uma saída para limpar sua direção. Assim como no caso da sublevação contra as cúpulas dos principais partidos  metidos na Lava Jato, é o momento de os honestos que ainda existem subirem na escala do poder.

Finalmente, no quarto movimento, é preciso limpar as cavalariças do Planalto e pôr imediatamente para fora os Padilha e os Moreira Franco, cúmplices de Temer no assalto aos cofres públicos através das empreiteiras. Também é preciso colocar freios no Judiciário, inclusive através do projeto de abuso de autoridade relatado pelo senador Roberto Requião. No último movimento é o próprio chefe da quadrilha que deve ser expelido do palácio para que as crianças do Brasil não se acostumem a homenagear na Presidência alguém que se confunda com um bandido.  Esses movimentos se revelarão como simultâneos, pois são como um castelo de cartas, derrubadas sintomaticamente a partir da PEC-55.

Situações históricas críticas são governadas pela lógica e pelo acaso. O acaso foi a delação. A lógica é o terreno da absoluta indignação da sociedade diante da liderança política desonesta. Para que as coisas aconteçam, porém, a sociedade deve ver alguma luz adiante. Não adianta detonar ou demolir todas as instituições políticas se não se coloca nada no lugar. Daí a insistência que tenho tido na necessidade de um grande acordo para resolver a crise política e econômica, assim como o imperativo de se estabelecer logo um plano econômico de emergência. Nós não temos alternativa, exceto a sublevação social e a ditadura.

Redação

Redação

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  • Perfeito

    Nos tempos em que vivemos, não consigo imaginar nada tão perfeito como o que foi descrito no post do Assis. Deus te ouça.

  • A luta não tem fim

    Já tinha tomado uma decisão desde o final de 2015.

    Retomar as coisas da minha profissão.

    Voltar a ela com a mesma intensidade de sempre e viver outra vez dias já vividos.

    E tanto fiz que nas minhas férias de final de ano já voltava a escrever alguns textos para o site http://www.endodontiaclinica.odo.br. Textos que me agradam muito por me permitirem sair das normas mais rígidas das publicações em periódicos. No site fico mais solto, mais leve.

    Assim virei o ano.

    No entanto, além da necessidade desse retorno havia uma constatação de que algumas coisas tinham tomado um rumo inimaginável até bem pouco tempo atrás.

    E essa constatação se deu com mais força ainda quando li uma matéria sobre o Supremo Tribunal Federal, que já há algum tempo deu à sigla STF outro significado; Supremo Tribunal da Farsa.

    Naquele momento, como poucas vezes faço, na mesma “sentada” em que li a matéria escrevi um texto e não tive qualquer preocupação em revê-lo quanto a eventuais correções de português. Do jeito que saiu, foi. Do jeito que escrevi postei no jornal GGN, de Luis Nassif. Em nenhum outro lugar foi postado, nem em meu site.

    Tinha certeza de que recorreria a esse artigo em um momento futuro.

    Portanto, há nove meses, já tinha plena convicção e por isso afirmei que nada mais poderia ser feito que mudasse o que já estava determinado; que iam derrubar Dilma e Lula e o PT não teriam nenhuma chance de exercer os seus direitos de defesa. Seriam perseguidos. Era a guinada da vergonha. Claro, da ausência dela.

    O STF, Poder Judiciário e MPF estavam no jogo.

    Mesmo com essa convicção continuei indo às manifestações, mas fui diminuindo a frequência com que escrevia os textos e “guardei” este a que me refiro agora. Somente hoje, 12/12/2016, eu o postei no meu site e para confirmar tudo que digo, observe a data de quando foi postado no GGN: 12/03/2016, às 17:10 (leia o artigo aqui http://www.endodontiaclinica.odo.br/encontro-marcado-2).

    Exatamente há nove meses, quando Dilma ainda exercia o direito de ser a Presidenta do Brasil, direito este que lhe foi dado pelo voto de mais de 54 milhões de brasileiros.

    Dessa forma, explico a algumas pessoas que me perguntaram durante esse período por que eu tinha parado de escrever sobre política.

    Porque simplesmente se havia uma coisa que não existia mais era política.

    A discussão que outrora se travava sobre esse tema tinha se transformado numa coisa insana, onde a tônica era o preconceito como algo maior e mais forte, ainda que não assumido por aqueles que, na sua ignorância política, cegueira e interesses diversos, tornaram-se seres abjetos, desprezíveis.

    Todas as armas que lhes foram apresentadas foram utilizadas e cinicamente se disfarçaram em combatentes da corrupção.

    Muitos desses seres abjetos fizeram e fazem parte do nosso dia-a-dia através do convívio social, profissional e das redes sociais (ah, as redes sociais). Mostraram-se também corruptos nos seus atos e ideias, enfim, na sua concepção de vida.

    E agora, com a mesma ignorância política e estúpida cegueira, tentam fugir da responsabilidade, mas também são responsáveis pelo caos que aí está e que vai aumentar.

    O combate a essa estrutura controlada por uma imprensa viciada e altamente comprometida, em consórcio com um judiciário e MPF que envergonham a história desse país, aos políticos corruptos contra os quais não se bateu nem se baterá nenhuma panela e a esses seres desprezíveis que circulam entre nós jamais terá fim.

    Como cinicamente assumiram que eram todos Cunha, agora assumiram que são todos Aécio, Temer, Geddel, Romero Jucá, Renan Calheiros, Serra, Alckmin e tantos outros que hoje assaltam o país.

    São todos corrupção.

    Ainda que não na mesma intensidade porque, como disse anteriormente, preciso de mais tempo para exercer as minhas atividades profissionais, jamais terá fim a luta contra todos esses canalhas entreguistas que, juntos na corrupção agora escancaradamente assumida, vendem o país que julgávamos pertencer aos nossos filhos.

  • Vamos ver a oposição.

    O PT votou em conjunto aos golpistas em vários projetos este ano.

    Vamos ver agora o que farão...

    Estão vendo que falta faz, uma dúzia de tanques.

     

  • Virá o pior

    Virá o pior.

    Porque, para mobilizar as pessoas em direção ao BEM COMUM, e não somente seus próprios interesses, é necessário que a maioria tenha perdido ou esteja a perder o que possuem.

    Se as coisas melhorarem meio como por milagre, daqui a vinte anos estará tudo acontecendo novamente.

  • E a classe trabalhadora?

    Nesse possível acordo, seria de fundamental importância que os trabalhadores estivessem firmemente representados para que os seus direitos históricos não fossem rifados em nome de uma, infelizmente clássica na história brasileira, conciliação por cima, discutida na cobertura da casa-grande. Mas ao mesmo tempo isso me angustia, porque não tenho ouvido a voz dos trabalhadores e dos sindicatos. Não me considero mal informado, mas sinto falta de uma referência clara como havia nos anos 80. Gostaria de sugerir uma pauta sobre este assunto: quem são e como estão as principais categorias de trabalhadores no país ? como estão de fato organzados? qual opoder efetivo de mobilização? que forças e orientações políticas os guiam? Porque sem ter esse quadro claro, fica até difícil fazer uma análise sobre o nosso poder numa eventual negociação.

    • Esse é o ponto...

      Você está coberto de razão.

      E é necessário consultar quem entende do assunto... Márcio Pochmann, por exemplo.

      A primeira onda neoliberal na América Latina promoveu reformas estruturais na relação capitalista e através de inúmeros instrumentos, sobretudo a terceirização e a "pjotização", ela moeu a representação sindical brasileira.

      Nesse momento somos um pulverizado de categorias que não frequentamos o mesmo local de trabalho.

      Cada profissional está filiado a um sindicato diferente, os trabalhadores não estão identificados pelo ramo de atividade do setor para o qual contribuem (Metalúrgicos, petroleiros, químicos) mas pelo CNPJ da terceirizada que o emprega.

      Isso é a faca e o queijo para a burocratização dos sindicatos e o distanciamento dos trabalhadores das direções, como consequência pouca atividade política nas bases e deslegitimação das direções.

      Talvez o caminho fosse através de representações classistas coordenadas pelas centrais mas nesse ciclo de governos petistas a relativa facilidade na elevação salarial e de pequenos direitos nos acordos coletivos promoveu um canibalismo, uma disputa exasperada por pequenos poderes e também pulverização em correntes e novas centrais.

      O período é de interstício na representação sindical, é necessário buscarmos novos mecanismos de organizar a classe.

      • Pois é, Carlos Salgado

        Pois é, Carlos Salgado !

        Muito interessante e precisa a sua breve análise. Estamos precisando aprofundar estas avaliações sobre o nosso real nível de organização. Esse foi provavelmente o nosso maior ponto fraco na resistência ao golpe. Não conseguimos responder com uma greve geral, um instrumento que de fato abala o capital. Claro que falar é fácil, rsrs, mas sem o poder da classe trabalhadora organizada, não chegaremos a lugar algum, nem memso numa hipotética "saída negociada". Podem me chamar de romântico ou socialista utópico, mas continuo achando que a construção de conselhos de trabalhadores ainda é uma poderosa arma, seja para resistir, seja para avançar. Só não sei se com essa pulverização e burocratização citadas par você, ainda seja possível algum tipo de organização neste sentido. Eu entendo que seja, embora muita a´gua teria de rolar pra moviemntar esse moinho. Abs 

  • Quanta ingenuidade

    Quanta ingenuidade. O articulista acha que nossos principais problemas políticos (as cúpulas do PSDB e PMDB, os comandos da Câmara e do Senado, o governo Temer e sua camarilha) serão detonados depois que a PEC-55 cair no Senado.  

    "A primeira a cair será a PEC-55. Contra todos os prognósticos anteriores, uma parte significativa dos senadores vai se recusar a corroborar uma farsa legislativa destinada a recobrir os interesses escusos de bandidos".

    É muita ingenuidade. Será que o golpe dado, a partir de uma ampla rede de golpistas, ainda permite que alguém confunda desse jeito desejo com realidade? Será que não viu as sessões do Senado durante as discussões do impeachment?

    A maioria lá não está nem aí com políticas públicas ou com o que é democrático e justo. Estão lá para cuidar de seus interesses pessoais.

    Se as pessoas que prezam a democracia continuarem com esse grau de ingenuidade, não sairemos tão cedo dessa situação lamentável em que um golpe sem fundamento constitucional nos meteu.

    Já passou do tempo de retomar manifestações de rua contra o golpe e o governo dos golpistas. É o que nos resta, mas pode ter alguma eficácia. Mais eficácia, pelo menos, que ficar confundindo sonho com realidade.

  • Detonar para manter intacta a podridão verticalizada

    "Os de baixo terão de encontrar caminho próprio para o topo na medida em que não estejam, eles próprios, envolvidos nas tramas financeiras das empreiteiras". - J. Carlos de Assis

    Que pena que o J. Carlos de Assis ainda insista na verticalização da sociedade, em vez de investir na horizontalização das relações sociais.

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