Política

Diretor-geral da Abin foi posto como “investigado” pela PF no caso Abin paralela

O atual diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Luiz Fernando Corrêa, foi apontado como “investigado” em documentos da Polícia Federal que integram o inquérito da Abin paralela e monitoramento ilegal do governo de Jair Bolsonaro.

Os documentos tramitam em sigilo, mas, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ao menos 4 deles levantam o nome de Corrêa. A Polícia Federal suspeitaria que o atual diretor-geral atrapalhou as investigações do caso, que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um dos documentos, no início das apurações, a PF expôs Corrêa como “investigado” ao lado de Alessandro Moretti, o então número 2 da Abin posteriormente demitido por suspeita de envolvimento no monitoramento ilegal da agência durante o governo de Jair Bolsonaro.

Moretti foi alvo, juntamente com Carlos Bolsonaro, da investigação da Polícia Federal no monitoramento ilegal de pessoas, em janeiro deste ano. Ele já atuava na Abin, sob o comando do ex-diretor Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Corrêa assumiu a Abin em maio do ano passado, é de confiança de Lula, já atuou como seu auxiliar e foi diretor-geral da Polícia Federal no primeiro mandato do ex-presidente.

Alguns movimentos de Corrêa levantariam suspeitas da PF. No ano passado, quando o caso começou a ser investigado, Luiz Fernando Corrêa deu um depoimento na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, no dia 25 de outubro de 2023.

O encontro foi sigiloso, e a PF afirmou em documento que “foi identificada a apresentação realizada por Luiz Fernando Corrêa na reunião”. A reportagem da Folha não traz detalhes sobre a apresentação, que foi slides que o chefe da Abin mostrou aos parlamentares.

Corrêa também participou de reuniões da antiga diretoria da Abin, antes de ser nomeado, entre março e maio de 2023. Antes de ser nomeado, Corrêa disse a um grupo de WhatsApp de membros da Abin que terão que “suportar o desgaste de desfazer” nomeações “que não estiverem alinhadas com nosso modelo”. Não há, tampouco, descrição de que modelo seria este.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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