10 de junho de 2026

EUA x Rússia e China: a destruição do poder pela força

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Fomos surpreendidos hoje por notícias preocupantes: http://russia-insider.com/en/politics/disturbing-reason-navys-trident-missile-test/ri11063.

Ao meditar sobre este evento lembrei as palavras sábias de Hannah Arendt:

“O domínio pela pura violência entra em jogo quando o poder está sendo perdido…”

“…em termos de política, não basta dizer que violência e poder não são a mesma coisa. Poder e violência se opõe; onde um deles domina totalmente o outro está ausente. A violência aparece onde o poder está em perigo, mas se a permitirem seguir seus próprios caminhos, resulta no desaparecimento do poder. Isto implica em não ser correto pensar no oposto da violência como sendo a não violência; falar em poder não-violento é uma redundância. A violência pode destruir o poder, mas é totalmente incapaz de criá-lo.” (Crises da República, Hannah Arendt, editora Perspectiva, 3ª edição, 2013, São Paulo, p. 130-132).

Esta demonstração de força dos EUA pode ser considerada, portanto, como uma demonstração do enfraquecimento do poder dos EUA. Não só isto. Em um outro parágrafo memorável Arendt afirma que:

“Em consequencia da enorme eficiência do trabalho de equipe nas ciências, o que talvez seja mais notável contribuição americana à ciência moderna, podemos controlar os processos mais complicados com tal precisão que faz uma viagem à lua menos perigosa que um simples passeio de fim de semana; no entanto a chamada ‘maior potência da terra’ está desamparada para terminar uma guerra claramente desastrosa para todos os envolvidos, num dos menores países da Terra [o Vietnan]. É como se estivéssemos sob algum encantamento, que nos permitisse realizar o impossível com a condição de não podermos mais fazer o possível, para realizarmos proezas fantasticamente extraordinárias com a condição de não sermos mais capazes de satisfazer nossas mais banais necessidades diárias.”  (Crises da República, Hannah Arendt, editora Perspectiva, 3ª edição, 2013, São Paulo, p. 155).

Desde que a grande pensadora escrever estas palavras em 1969 os EUA realizou proezas ainda maiores do que mandar o homem a Lua. A NASA colocou telescópios em órbita, mandou sondas móveis a Marte, fotografou as luas de Júpiter e até fez testes em asteróides e cometas. Apesar disto (ou por causa disto) 13 milhões de crianças norte-americanas não fazem três refeições decentes por dia. Dezenas de milhões perderam suas casas e seus empregos. Desde 2008 o sonho americano foi transformado num pesadelo.

Ao invés de solucionar estes problemas sociais (ou cuidar do que é possível), o governo dos EUA preferiu fazer uma demonstração pirotécnica para ameaçar os russos e chineses como se pudesse vencer uma guerra termonuclear (em que todos irão morrer, inclusive os norte-americanos). Estamos no limiar da destruição do poder pela força: é apenas isto que esta demonstração balística dos EUA sugere.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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12 Comentários
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  1. Roregio

    10 de novembro de 2015 3:46 pm

    É,

    esses americanos são uns pobres famélicos! Pelo amor de Deus, de onde você tira “suas estatísticas”? Vamos olhar pro nosso rabo! 

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      10 de novembro de 2015 4:42 pm

      Você não é um cara faminto de

      Você não é um cara faminto de notícias. Eis aqui algumas que você está evitando devorar (ou que estão devorando você – Ha, ha, ha…):

       

      http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI118951-EI1660,00-EUA+tem+o+pior+indice+de+pobreza+dos+paises+ricos.html

       

      http://www.dailymotion.com/video/x2fvi78

       

      http://www.revistapublicitta.com.br/acao/cases/fome-um-drama-infantil-nos-eua/

       

       

      1. Frederico69

        10 de novembro de 2015 9:03 pm

        se os empresários para economizar 10% preferem a china,

        e esses empregos não são repostos. logo a tendência de empobrecimento é de crescimento.

        mas os encantados acham que tudo lá é as mil maravilhas, adora empresário americano, que acha melhor contratar um chinês escravo, a um americano.

        fazer o que??

  2. Roregio

    10 de novembro de 2015 5:46 pm

    É

    Já tinha ouvido falar que há milhares de crianças nas ruas dos EUA pedindo esmolas, famintas! Inclusive, as fotos são virais, diferentemente do que ocorre aqui em Pindorama. No mais, como dizem o patrão tem sempre razão… Mas, portal Terra???, francamente…

  3. Rchiavennato

    10 de novembro de 2015 8:01 pm

    Melhor

    não perder tempo… Aqui não se pode discordar, pois o autor sabe tudo! A propósito concordo com o texto integralmente, 100%, parabéns!!!!!

  4. Ricardo Santos

    10 de novembro de 2015 8:13 pm

    Projeto Blue Bleam

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=G9LpTo0CfAQ%5D

  5. Ricardo Santos

    10 de novembro de 2015 8:16 pm

    (Sem título)

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=vTpmc2I4zcs%5D

  6. J

    10 de novembro de 2015 8:48 pm

    EUA + UE + Japão vs Russia + China

    Numa guerra convencional  Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul e Austrália atacariam a China e o oriente da Rússia. Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha, Holanda, Áustria e demais europeus mais Turquia, Estados Unidos e Canadá atacariam o leste russo. Resta saber para onde iria a Índia, provavelmente ao lado dos EUA, com o Paquistão ao lado da China. Israel, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, do lado do Ocidente, Irâ do lado Russo. E a América Latina? E a África Subsaariana? O Magreb seria rapidamente ocupado pela Europa. 

    Seria uma guerra convencional longa e devastadora para todos, com a balança pendendo para o Ocidente.

    1. Free Walker

      11 de novembro de 2015 12:42 am

      Pôxa J, neste teu cenário de

      Pôxa J, neste teu cenário de guerra convencional, o eixo Rússia + China + Paquistão (esquecesse a Coreia do Norte que tem um exército muito bem preparado) não resistiria (não é torcida minha) duas semanas contra os “ocidentais”.  Um ataque bem coordenado contra Três Gargantas deixaria metade da China alagada e as escuras. A Rússia, bem, desde as guerras napoleônicas sempre combateu em casa e provavelmente o país que mais sofreu com a duas guerras, iria apanhar de novo. China principalmente e Rússia tem muito material humano para gastar, só isso.

      A máquina de guerra e industrial estadunidense é e será insuperável nas próximas décadas. O EUA lutam fora de suas fronteiras, isso é primordial, foi assim na II war.

       

    2. Fábio de Oliveira Ribeiro

      11 de novembro de 2015 8:32 am

      É um equivoco tosco acreditar
      É um equivoco tosco acreditar que um país atacado não usará todos os meios de violência que dispõe para se defender. A escalada de um conflito convencional entre EUA x China e Rússia certamente levará ao uso de armas termonucleares. Em razão disto, um dos contendores (aquele que teme ser atacado) pode ficar tentado a devastar totalmente o inimigo antes de ser parcialmente destruído. Este jogo macabro iniciado pelos EUA pode começar produzindo o maior número de baixas entre norte-americanos. Peque a perda, direi.

  7. Henrique Finco

    10 de novembro de 2015 8:55 pm

    Feras

    Os Estados Unidos da atualidade lembra muito uma fera em seus estertores, que se torna mais perigosa que o usual… 

  8. Jose de Almeida Bispo

    10 de novembro de 2015 9:07 pm

    Roma quer o espetáculo!
    Roma

    Roma quer o espetáculo!

    Roma precisa do espetáculo!

    Roma só sobrevive se houver o espetáculo!

    Uma pena. A segunda maior invenção institucional humana – a primeira foi Roma – ganha cada vez mais os contornos da primeiro: a implosão. Já que em aniquilamento recíproco eu não acredito.

    “Em uma nação que se orgulhava de trabalho duro, famílias fortes, comunidades fechadas em sua fé em Deus, muitos de nós agora tendem a adoração, à auto-indulgência e consumo. A identidade humana não é mais definida pelo que se faz, mas pelo que se possui.”

    Carter, a última voz do bom senso, falhou!

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