newsletter

Pular para o conteúdo principal

O caso do Buraco do Lume, no Rio

Por Marco Antonio L.

No Direto da Redação

A corrupção e o Buraco do Lume

Elaikim Araujo

Os cariocas um pouco mais velhos, digamos aí na casa dos quarenta em diante hão de se lembrar do Buraco do Lume, uma imensa cratera aberta em pleno centro da cidade do Rio de Janeiro, onde uma outrora poderosa empresa do ramo imobiliário pretendia construir sua imponente sede.

Não o fez, quebrou antes. Mas o buraco ficou lá, aberto, durante anos, sujeito a lixo dos transeuntes e mosquitos transmissores de doença. Até que algum administrador o tapou e, por cima dele, realizou um trabalho de reurbanização. Mas enquanto esteve aberto, o famoso buraco foi batizado pela irreverência carioca como o Buraco do Lume, pertinho do Largo da Carioca, onde era a praça Melvin Jones, que virou praça Mario Lago, por proposta do verador petista Eliomar Coelho, na década de noventa.

Com certeza muita gente se lembra do buraco, mas pouca gente sabe o significado da palavra Lume, iniciais de Linaldo Uchoa Medeiros, dono da empresa de financiamento de imóveis Financilar, que reinou na époica do BNH, o Banco Nacional da Habitação.

Linaldo, pernambucano, foi para o Rio depois de ter feito o pé-de-meia – e que pé-de-meia – em sua terra. Com o beneplácito do BNH, meteu-se em negociatas e acabou quebrando. Não sei que fim levou, mas certamente deve ter saído do negócio rico, leve e solto, como saem todos os golpistas de nosso amado Brasil.

Faço aqui um corte no texto, sem entretanto fugir do tema central, para relembrar um dos maiores profissionais do jornalismo brasileiro, José Gonçalves Fontes, morto no ano 2000. Fontes fez parte da época de ouro do Jornal do Brasil, onde trabalhou durante 37 anos. Nesse período, ganhou quatro prêmios Esso de Jornalismo, além de dezenas de outras premiações. Fritz Utzeri, outro nome daquela brilhante geração do JB, garante que ele foi o jornalista mais premiado do Brasil.

 

O noticiário diuturno sobre a corrupção no alto escalão do governo, explorada de maneira insidiosa pela mídia de sempre, me trouxe à lembrança uma das reportagens investigativas de Fontes, publicada no JB, em 1976, em plena ditadura militar. Essa era, aliás, sua especialidade, matérias de fôlego que lhe tomavam dias, até meses de trabalho, na busca da informação precisa e inédita.

Sob o título “Grupo Lume – Um império em desencanto”, Fontes pesquisou minuciosamente a origem e a ascensão do empresário Linaldo Uchoa Medeiros.

Linaldo era dono da Financilar, uma das muitas empresas que surgiram no mercado imobiliário, a partir da criação do falecido Banco Nacional da Habitação, um banco que deveria ajudar a resolver o deficit da casa própria para as camadas mais carentes da população, mas que, na verdade, só construía imóveis para a classe média alta. Incapaz de cumprir seu objetivo principal e acusado de algumas operações duvidosas, o BNH acabou desativado e incorporado à Caixa Econômica.

Mas voltando à reportagem de José Gonçalves Fontes sobre o fundador do grupo Lume. Fontes descobriu em Pernambuco, o Estado de origem do empresário, algumas passagens do início de sua carreira de golpista. Soube, por exemplo, que Linaldo se aproximava de um funcionário influente da Caixa Econômica e propunha-lhe uma aposta nos seguintes termos:
- Aposto um Galaxie como esse financiamento que estou pleiteando não vai sair.

Não é preciso ser muito inteligente para concluir que o funcionário ganhava o Galáxie (o carro mais luxuoso da época) e o financiamento saia. E assim desabrochava a carreira do empresário pernambucano que logo depois desembarcava no Rio para tentar conquistar a cidade maravilhosa.

Como Linaldo, quantos novos empresários entram todo ano no mercado usando estratégias desonestas como essa? Taí uma pequena e real história de como se corrompe um servidor público e a forma criativa de oferecer a propina.

O relato de Fontes é dos anos 70 e, de lá para cá, e desde tempos imemoriais, a corrupção em todos os seus matizes jamais deixou de frequentar o noticiário. Ela não é privilégio de partidos ou governos, está impregnada na cultura de nossa gente.

Por acreditar que esse mal tem cura, é que saúdo a presidenta Dilma, uma verdadeira campeã de audiência na batalha contra a corrupção, do alto dos seus 64 por cento de aprovação popular, o maior patamar já alcançado por outro presidente num período de quinze meses.

Sem votos
1 comentário(s)

Comentários

Opções de exibição de comentários

Escolha o modo de exibição que você preferir e clique em "Salvar configurações".
imagem de claudio abitbol
claudio abitbol

buraco do lume

Essa reportagem deve ser muito antiga pois se fizermos um balanço ou balancete do governo Dilma teremos uma grande surpresa !!!!!

Seu voto: Nenhum
imagem de Wandré
Wandré

Nassif, o Eliakim Araújo

Nassif, o Eliakim Araújo merece os créditos.

Seu voto: Nenhum

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
+14 comentários

Quem acabou com o buraco do Lume e fez a praça foi o prefeito Israel Klabin

 

eu trabalhei na imobiliaria nova york de contnuo de 15.0174 ate13.02.78  o linaldo guer o buraco do lume de volta


 


 

 

Na época em que estourou esse escândalo, o Jornal do Brasil publicou uma grande matéria de três ou quatro páginas que contava a trajetória do início da carreira de Linaldo Uchoa até o fim do Grupo Lume. Lembro que, se não me falha a memória, que apesar de não ter concluído o primário era muitíssimo inteligente. Tão inteligente que conseguiu enganar os japoneses do Banco de Tóquio e, com um golpe de mestre, passar de devedor para credor do BEG (Banco do Estado da Guanabara, que logo depois viria a ser o BANERJ) quando este absorveu o Banco Halles. Era dono de algumas Construtoras sendo mais famosa a Construtora Nova York que deixou vários empreendimentos no esqueleto, inclusive o Shopping da Tijuca. É um ótimo enredo para se fazer um grande filme brasileiro. Vale garimpar essa excelente matéria do JB.

 

RMA não cadastrado,

Lynaldo Uchoa de Medeiros fez isto mesmo, um golpe diabólico nos japoneses, a partir de sucessivas mágicas na contabilidade de cada uma das empresas do seu grupo, passava o prejuízo de uma prá outra, de tal forma que todas apareciam em boa situação quando auditadas pelos japoneses. Quando estes, um grupo de uns dez deles contra LUMedeiros sozinho, se deram conta da trampolinagem, já não podiam fazer mais nada.

De acordo com fonte 110%, os japoneses disseram que nunca tinham visto nada parecido.

Apenas uma correção, tanto a Nova York quanto o Shopping da Tijuca não foram obra dele, mas de um dos controladores do Banco Halles.

Um abraço

 

" mas pouca gente sabe o significado da palavra Lume, iniciais de Linaldo Uchoa Medeiros, dono da empresa de financiamento de imóveis Financilar"

Eu ainda jovem, cansei de jogar lixo no buraco do sr. Linaldo Uchoa Medeiros, ou, buraco do Lume.

Eu trabalhava no centro da cidade, e circulava diariamente, entre os trechos da pça XV, Largo da Carioca e Cinelândia, onde ficava localizado o buraco do sr. Linaldo

Quando chovia, o buraco do Lume virava uma piscina a céu aberto.

Taí, gostei de saber que Lume são as iniciais de Linaldo Uchoa de Medeiros.

Pôxa, como eu conseguir viver até hoje sem essa informação ! eh,eh,eh!

 

Consagre os seus sonhos e projetos ao Senhor, e eles serão bem sucedidos, creia.

gAS

" Até que algum administrador o tapou e, por cima dele, realizou um trabalho de reurbanização. Mas enquanto esteve aberto, o famoso buraco foi batizado pela irreverência carioca como o Buraco do Lume, pertinho do Largo da Carioca, onde era a praça Melvin Jones, que virou praça Mario Lago, por proposta do verador petista Eliomar Coelho, na década de noventa."

O administrador que fechou a cratera foi Saturnino Braga(PT-RJ) na época no PDT. A praça não era Melvin Jones, acho que nem tinha nome. Melvin Jones é uma pequena rua que vai da Rio Branco até a Nilo Peçanha que margeia a praça Mário Lago. O vereador Eliomar Coelho é ex-petista, agora é pesolista.

A ditadura militar foi apoiada maciçamente por oligarquias corruptas. Foram o sustentáculo político da repressão. Os ditadores tinham como prioridade prender, torturar e matar quem não rezava por sua cartilha. Combate a corrupção passava ao largo.  Hoje, alguns descendentes dessas oligarquias posam de campeões da moralidade, até aparecem sorridentes em fotos assinando CPMI''s. A prosperidade dessa gente  é fruto de anos de saque aos cofres públicos.

A coorupção estatal só começou a ser combatida  no Brasil seriamente com a ascenção de Lula e PT ao poder. Lula aparelhou e deu carta branca a PF, o resultado se vê até hoje.

O certo e honesto é dizer, não que a corrupção aumentou, e sim que o combate trouxe para a superfície esquemas de décadas escondidos atrás de interesses empresarias e políticos. O artigo mostra o caso impune de Uchoa no tempo da ditadura.

 Na CPI do Collor, além do presidente, somente PC sofreu punição. Os escândalos do Sivan, Pasta Rosa, grampo do BNDES...  foram todos abafados,numa operação conjunta do meio político majoritário na época e meios de comunicação. Se a PF tivesse o nível de autonomia que tem hoje, provavelmente, o resultado seria outro.

 Mas todos sabemos que a missão da PF na época era detonar inimigos políticos, vide Caso Lunus.

 

 

Correção, apesar de ter trabalhado durante 26 anos na região, me confundi. A praça, realmente, levava o nome do fundador do Lions Club. A pequena rua, a que me referi, se chama rua da Ajuda.

 

Caro Marco Antonio L.,

Para aqueles que desejam compreender um pouco mais sobre o que ocorreu na década de 70, época da rápida trajetória do Grupo Lume, que chegou a ter mais de 40 empresas pintando o sete no RJ (A Construtora Contal, uma delas, em dois tempos foi às estrelas e caiu como balão apagado, impressionante),  recomendo o excelente livro de José Carlos de Assis, A Chave do Tesouro.  

Nele, além do Caso Lume, também são analisados diversos outros, Casos Áurea, UEB, Ipiranga, Lutfalla, Delfin, BUC, TAA, Laureano, IRB, IBC, etc..., ou seja, uma festa do arromba sem paralelo na história.

Ao longo daquelas páginas, é possível constatar que diversas daquelas personagens foram à lona, enquanto outras estão por aí até hoje, algumas delas sendo bastante conceituadas, dando entrevistas na televisão e tudo o mais, tudo bem brasilsil pandeiro.

Em minha opinião, o governo militar contribuiu bastante para a ocorrência de tantos “estouros” em tão curto espaço de tempo, por ter como preocupação principal os “comunistas vermelhos” e pouco se preocupando ao combate às incontáveis manobras no mercado financeiro naquela época, não por acaso, a mesma em que ocorreu o primeiro grande estouro da BVRJ, quando aquela patranha provocou na sociedade um trauma que persiste até os dias de hoje,  

Quanto ao Buraco do Lume, adquirido, assim como o prédio do JCB na esquina da AV. Rio Branco com Av.Almirante Barroso pelo valor, inesquecível, de $111.111.111,11 da moeda da época por Lynaldo Uchoa de Medeiros, um dinheirão, foi um festival de prejuízos e de batalhas judiciais, graças à sequência Lume, Halles e Banerj. Terminou virando praça pública.  

 

Que coisa, perto dos CAMPEÕES NACIONAIS do BNDES esse Linaldo é um pedinte de porta de igreja.

 

Desculpa a ignorância AA... mas não entendi o comentário... ah... comprendi... não se pode falr em corrupção no tempo dos militares... é isso? Ou o senhor tem conhecimento de casos de corrupção no BNDS... tem? conta para nós.

 

Flics

Meu caro, quem tem que reportar casos de corrupção é a Policia Federal, que é paga para isso. Eu posso apenas opinar, se vc nunca ouviu falar dos mega financiamentos aos CAMPEÕES NACIONAIS pelo BNDES, nem adianta explicar, para um só grupo foram R$18 bilhões, a primeira parcela venceu, não puderam pagar, foi transformada em ações, que ja valem muito menos do que no dia da conversão mas ninguem esta falando em corrupção, na minha opinião é apenas um negocio ruim para o Pais.

Para apenas seis grupos o BNDES emprestou ou investiu R$46 bilhões, a maior concetração de recursos publicos em grupos privados na historia do Pais.

Quanto ao grupo Lume e muitos outros do passado, foram grupos privados que quebraram, comparados a hoje eram pequenos e inexpressivos, irrelevantes,

a grande maioria dos prejuzos foram sofridos por  particulares, no caso Lume o tal terreno era do Jockey Clube do Rio de Janeiro, uma entidade privada e veja que esse tipo de bolhas e quebras é historico, vinha desde o Imperio, o Brasil teve grandes ondas de processos desse tipo, como o encilhamento no começo da Primeira Republica, grandes escandalos no segundo Governo Vargas, outros no Governo JK, nos governos militares o mesmo processo continuou mas não foi exclusivo desse periodo, no Governo Sarney tambem ocorreu uma quota de quebras e golpes, hoje é mais raro porque o capital se concentrou, as regras do mercado financeiro são mais estritas, temos muito menos bancos e financeiras do que há 30 anos, hoje é mais dificil esse tipo de aventuras mas existem mega jogadas que só se viabilizam com recursos publicos e os numeros são muito maiores que no passado, evidentemente tambem porque a economia brasileira cresceu e se internacionalizou e muitas quebras que ocorreriam, como as das grandes empresas e bancos que sofreram perdas cambiais em 2009, foram salvas pelo Estado em operações tambem discutiveis.

Um caso parecido com os do passado, salvo exclusivamente pelo Estado e bem recente é o do Banco Pan Americano, que engoliu quase R$ 5 bilhões, não quebrou, no meio de fraudes tenebrosas, desvios de todo tipo, roubalheiras primarias, todos os casos do periodo militar juntos não dão esse valor.

 

Provavelmente, ele está falando da farra das privatizações tucanas , onde o FHC emprestava via BNDES e a turminha não entrava com nenhum tusta e compravam estatais na boa. Até estrangeiros foram "financiados". Vários não pagaram , não é esta turma, AA ?


Está tudo explicitado ... é só ler o livro do Biondi.

 

"mas ninguem esta falando em corrupção, na minha opinião é apenas um negocio ruim para o Pais".

É, bebé? Pois é exatamente e apenasmente disso que fala o post e o artigo, cujo título, por sinal é A corrupção e o caso Lume. Mas é típico de sua parte fazer acusações e depois tirar da reta, não é? Diga quais são os casos de corrupção que você conhece no BNDES, ou deixe de fazer acusações levianas.

 

"para um só grupo foram R$18 bilhões, a primeira parcela venceu, não puderam pagar, foi transformada em ações, que ja valem muito menos do que no dia da conversão mas ninguem esta falando em corrupção"


Você quer que a gente adivinhe? Por favor dê nome aos bois e poupe-nos, se não vamos ter de sair para pesquisar e tudo mais.