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Blog de Wilson Ferreira

Receita para fazer uma Revolução Popular Híbrida... mas não conte para a esquerda!, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

“Primaveras”, “levantes”, “jornadas”, “protestos”, não importa o nome. Egito, Ucrânia, Síria, Brasil: em todos eles, a mídia corporativa viu os acontecimentos sob a narrativa do “espontâneo”, do “novo”, da “renovação na política”. E sempre pelo mesmo viés: a “velha política” não conseguiria dar mais conta das insatisfações, principalmente dos jovens. O roteiro de todas essas “primaveras” é praticamente idêntico (ONGs e fundações educacionais dando apoio financeiro e operacional, jovens lideranças formadas em universidades dos EUA, faixas e cartazes em inglês, vítimas em manifestações principalmente femininas, vazamentos oportunos do Wikileaks etc.) sugerindo algo como uma receita de bolo com ingredientes bem definidos.  Propaganda, branding management, técnicas avançadas de psicologia de massas fermentam toda essa “espontaneidade” com objetivos geopolíticos bem definido contra o governo-alvo. Mas não conte para a esquerda – afinal, tudo não passa de “teorias conspiratórias”.

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Curta da Semana: gnose durante a morte em Bullet In The Brain, por Wilson Ferreira

Dizem que à beira da morte assistimos a um filme sobre as nossas vidas. O curta “Bullet in The Brain” (2001), adaptação do conto homônimo do escritor norte-americano Tobias Wolff, mostra que talvez isso seja verdade, mas não da forma como imaginamos. Um professor de Literatura cínico e amargo permite que a sua metodologia de crítica profissional se estenda para sua própria vida cotidiana, mesmo no meio de um assalto a um banco e com o cano de um revólver no seu queixo. A velocidade da bala é menor que a velocidade das sinapses cerebrais, o que lhe proporcionará surpreendentes segundos finais: a descoberta de coisas que foram esquecidas na vida e a gnose durante a morte.

O escritor norte-americano Tobias Wolff (1945-) é conhecido pelo seu estilo chamado de “realismo sujo”. Com uma impecável técnica literária, principalmente através dos seus contos, Wolff tem a capacidade de ver na trivialidade da vida, e através dela, aspectos ao mesmo tempo sombrios e sublimes da condição humana.

 

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Ensaio de Orquestra: Fellini acerta contas com caos sócio-político, por Wilson Ferreira

Em sua obra, Fellini sempre teve aversão ao tema da Política. Principalmente desde que conheceu a obra do psicanalista Jung: preferiu representar no cinema o eterno, o arquetípico e o inconsciente coletivo. Mas diante da turbulenta conjuntura política da Itália nos anos 1970, Fellini resolveu fazer um acerto de contas com a política no filme “Ensaio de Orquestra” (Prova d’Orchestra, 1978) – sobre as tumbas de papas e bispos em uma igreja do século XIII dotada de acústica perfeita, o ensaio de uma orquestra transforma-se em metáfora do caos sócio-político italiano naquele momento: os conflitos entre o maestro e a orquestra e dos músicos entre si. Fellini confronta o eterno e o arquetípico (a religião, a música e a História) com a fugacidade dos interesses políticos e individuais. E com uma sombria conclusão: diante do temor do futuro, sempre optamos pela manutenção do mesmo.

Ensaio de Orquestra (1978) talvez seja a obra menos conhecida de Fellini. O diretor sempre foi lembrado pelos seus melhores filmes mais distantes como A Estrada da Vida (1954), A Doce Vida (1960) e 8 ½ (1963). Naquele momento, muitos críticos consideravam que Fellini teria perdido o seu talento ou, no mínimo, não tivesse mais o que dizer.

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sequência de "Ensaio de Orquestra" (Fellini, 1978)
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Revisitando o 7X1 de Brasil e Alemanha: uma bomba semiótica na guerra híbrida?, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

“Massacre de Belo Horizonte”. “Mineiraço”. Ou ainda jocosamente “Mineiratzen” para nomear a inacreditável goleada de 7X1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo no estádio do Mineirão em BH. Em meio a uma pesada atmosfera de radicalização política e ideológica iniciada pelas “jornadas de Junho” de 2013 que deram início a chamada “Primavera Brasileira”, a goleada encaixou-se tão perfeitamente em uma narrativa da mídia corporativa (um país à beira do abismo) e na sinistra cadeia de eventos (a queda do guindaste na Arena Corinthians, o “escândalo Edward Snowden, a queda de uma ponte em BH às vésperas do “mineiraço” etc.) que incendiou a imaginação dos teóricos da conspiração. Revisitado agora, três anos depois, a controversa goleada revela inúmeras “coincidências” e “conveniências” para aquele momento: uma goleada geopolítica, anomalias reveladas em vídeos, a “teratopolitização” tanto da presidenta Dilma como do técnico da Seleção Felipe Scolari e, agora, o coincidente destino de dois jogadores pivôs das “teorias conspiratórias” da época – Thiago Silva e Neymar: os dois no time francês PSG, comprado por empresa de investimentos do Qatar, sede da Copa do Mundo de 2022.

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Como parar de fumar em cinco passos do vício ao Holocausto em "No Smoking", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

O primeiro filme de Bollywood (a indústria cinematográfica da Índia) a fazer uma adaptação de uma obra de Stephen King. Definitivamente “No Smoking” (2007) é um filme para cinéfilos aventureiros e amantes do estranho. Parece até que David Lynch encontrou-se com Bollywood – um thriller neo-noir psicodélico, com muito humor negro, surrealismo, um guru irmão bastardo de Hitler e... cigarros. Um arrogante homem bem-sucedido e fumante obsessivo compulsivo é ameaçado pela sua esposa com o divórcio, depois de respirar tanta fumaça. Como largar o vício? “No Smoking” oferece um método de cinco passos: consiga ajuda profissional, envolva familiares e amigos, música, lembrar-se do Holocausto e, finalmente, morra para si mesmo. Além do tema do nazi-fascismo, controle e vigilância da mente e da alma, “No Smoking” faz também um curioso mergulho nas associações simbólicas do tabaco e fumaça associados à alma e consciência.

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"No Smoking" (Anurag Kashuap, 2007) - trailer
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O pesadelo meritocrático e tecnognóstico em "Advantageous", por Wilson Ferreira

A atual safra de filmes independentes de ficção científica é estranha e incômoda. Principalmente porque mostra mundo futuros que mais parecem hiper-reais espelhos do presente. Em “Advantageous” (2015) não vemos futurologia, explosões ou thrillers turbinados por efeitos especiais, marcas do gênero. Mas um futuro próximo no qual finalmente as mulheres galgaram os postos de comando e prestígio, porém dentro de uma implacável ordem meritocrática onde não se trata mais de “a cada um de acordo com seu mérito” – só há duas alternativas: vencer ou perder. Se perder, viver escondido nas ruas ou na prostituição. Se vencer, fazer parte de uma elite cuja juventude e beleza é a marca do marketing pessoal do sucesso. Ameaçada pela demissão por ser considerada “velha” demais, uma executiva de uma clínica avançada de saúde e estética vê-se desesperada com o futuro da sua filha numa sociedade sem escolas públicas e com desemprego em 45%.  Sem saída, oferece-se como cobaia a um novo produto da clínica: a total digitalização da mente para ser transferida a um novo corpo jovem e belo. Um filme sobre identidade e escolhas. Filme disponível na plataforma Netflix.  Leia mais »

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Advantageous (Jennifer Phang, 2015) - trailer legendado
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Três didáticos casos de guerra híbrida e bombas semióticas que a esquerda finge não ver, por Wilson Ferreira

Wilson Ferreira

Três didáticos casos sobre o alcance da atual guerra híbrida que a esquerda parece fingir que não existe, encastelada na sua “estratégia política” ao dar corda para o desinterino Temer supostamente se enforcar: o porquê das panelas não baterem mais; o “conto maravilhoso” do ex-executivo que virou sem teto; e a minissérie da TV Globo “Sob Pressão”. Três pequenos casos exemplares de como as bombas semióticas, mobilizadas pela guerra híbrida, constroem a atual mitologia meritocrática que vige no País legitimando as reformas do ensino, trabalhista e previdenciária – uma mitologia que não nega a realidade, mas a pontua através da ficção, despolitizando o debate e normatizando a crise como fosse mais um desses desafios que surgem em nossas vidas, somente superados pelo esforço pessoal.

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Como escapar da Matrix: 10 definições de "gnose" através do cinema, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Desde os clássicos filmes gnósticos “Show de Truman” e “Matrix” a espécie humana é representada como prisioneira em uma gigantesca ilusão cósmica – tecnológica, psíquica ou midiática. Como escapar dela? Para o Gnosticismo, através da “gnosis” (“conhecimento”). Mas que tipo de conhecimento é esse? Uma epifania místico-religiosa? Algum tipo de comunhão secreta com o Divino? Iluminação espiritual? O Cinegnose reuniu dez definições de estudiosos sobre o conceito de “gnose” e como os filmes gnósticos figuram essa espécie de rota espiritual de fuga: quem éramos, o que nos tornamos, onde estávamos, para onde fomos lançados, para onde estamos indo, do que estamos libertos, o que é o nascimento e o que é renascimento.

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A nova mitologia gastronômica com Rodrigo Hilbert e MasterChef, por Wilson Ferreira

 
por Wilson Ferreira

Comer não é apenas para o estômago. Junto com o alimento também ingerimos mitologias - conotações, simbolismos, narrativas, retórica etc. Como um sismógrafo, as mitologias dos alimentos mudam ao sabor dos contextos sociais e políticos de cada época. Dos velhos programas culinários da Ofélia e Etty Fraser que celebravam a mulher como o esteio da família, passando pelas receitas combinadas com fofocas de celebridades, até chegarmos na complexa mitologia atual: o raio gourmetizador da “simplicidade descolada” na TV fechada (o ingrediente “sustentável”, restaurantes “despretensiosos”, a religião do Food Truck e o requinte da “comida de rua”) e os programas culinários que viraram reality shows gastronômicos na TV aberta com chibatadas de meritocracia anestesiadas pelo sonho do empreendedorismo para as massas. Uma mitologia que se tornou engrenagem importante na atual guerra híbrida que resulta em golpes políticos e “reformas” socadas goela abaixo. Dois irradiadores dessa “nouvelle mythologie”: Rodrigo Hilbert e MasterChef.

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"Apocalypto": como explicar o fim da civilização maia?, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Muitas vezes encontramos verdades no pensamento conservador. Apenas que elas estão invertidas. Um exemplo é “Apocalypto” (2006). Dirigido por um conservador assumido, o ator Mel Gibson, o filme quer mostrar como foi possível a civilização maia, que alcançou sofisticado conhecimento em Astronomia, Matemática, Artes e Arquitetura, ter se extinguido muito tempo antes da chegada dos espanhóis na América. A hipótese mais aceita é a ecológica (esgotamento dos recursos naturais e mudanças climáticas), que o filme partilha ao acompanhar um protagonista que teve sua tribo destruída e levado prisioneiro para a capital maia para sacrifício em um ritual sangrento para entreter as massas. Na capital maia encontramos seca e doenças. A ignorância e amoralidade poderiam ter levado à decadência. Mas também a dominação e escravidão. Luta de classes custa caro e pode exaurir uma sociedade. Esse é o surpreendente viés aberto por Mel Gibson a partir de um pressuposto conservador em “Apocalypto”.

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"Apocalypto" (Mel Gibson, 2006) - trailer
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Fascismo, sexo e poder em "Tras El Cristal", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Um filme com aura maldita e perversa. Quando exibido no Festival de Berlim, o seu diretor, o espanhol Agustí Villaronga, foi insultado e quase agredido por espectadores. “Atras El Cristal” (1986) acompanha um médico pedófilo nazista que, sentindo-se culpado pelas atrocidades cometidas nas experiências com crianças em campos de concentração, tenta um suicídio mal sucedido. Tetraplégico, junto com sua esposa e filha, foge para um casarão no interior da Espanha, preso a um bizarro pulmão de ferro que o mantém vivo. Até que aparece um rapaz soturno que se oferece como enfermeiro. Uma antiga vítima do carrasco procurando vingança? Seria um clichê hollywoodiano muito tranquilizador. Villaronga opta por caminhos bem incômodos – a perversa conexão psíquica entre sexo e o fascínio pelo poder, a violência irracional que esconde sempre um desejo alienado e a metáfora de como a sociedade pode ser lentamente seduzida pelo ardil do fascismo.

"O sexo liga as pessoas nos primeiros tempos, mas o que mantém o interesse, a longo prazo, entre elas, é o poder" (Chiang Ching)

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"Tras El Cristal" (Agustí Villaronga, 1986) - trailer
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Cinco motivos que explicam porque educação é o melhor negócio de todos os tempos, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

O mundo das altas finanças está de olho no ensino superior brasileiro: empresas de private equity, banco de investimentos e fundos de investimentos nacionais e estrangeiros estão por trás dos grandes grupos da oligopolização do setor. Para justificar a tendência consultores, analistas, conselheiros e gestores falam em “inserção do ensino superior no mundo global”, “internacionalização do ensino superior”, “cooperações vencer-vencer” etc. Como sempre, a verdade está em outra cena: descobriram que a educação é o melhor negócio (legal) de todos os tempos. Diferente de muitos outros negócios, a sua mão de obra (a resiliência dos professores), sua “clientela” (alunos que tendem a esquecer) e o seu insumo (a liquefação do conhecimento em informação) são bem peculiares. O que tornam as possíveis resistências, críticas ou até mesmo ativismos fáceis de serem geridos. Vamos listar cinco peculiaridades que tornam a educação um negócio imperdível: a folha de parreira da titulação, a Síndrome da Vida de Inseto, a amnésia discente, ausência de espírito de corpo e o fetiche da “uberização” tecnológica da educação. 

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Sexo e a nova sensibilidade da maldade em "Corrente do Mal", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Outrora símbolo da indústria automobilística dos EUA e agora abandonada e repleta de desempregados, Detroit tornou-se nesse século cenário de uma série de filmes que transitam entre o gótico, o terror e o mistério. “Corrente do Mal” (“It Follows”, 2014) é mais um filme que tem a cidade como cenário: fantasmas de pessoas mortas assombram não necessariamente pessoas da cidade, mas adolescentes do subúrbio que fazem sexo – podem ser “contaminados” pelo Mal transmissível sexualmente. Uma espécie de maldição no qual a vítima passa a ser perseguida por entidades assassinas. E a única forma de se livrar do Mal é fazendo sexo com outra pessoa para que a corrente continue. O diretor David Mitchell leva ao paroxismo a nova representação do Mal iniciada no cinema com a disseminação dos zumbis: o Mal não mais determinado ou centrado numa monstruosidade, mas agora indeterminado, mutante e que se dissemina de forma viral, exponencial e catastrófica. Há uma ironia em eleger Detroit como cenário dessa nova ontologia do Mal – os fatores socioeconômicos que levaram a decadência da cidade são os mesmos que fizeram emergir essa nova sensibilidade da maldade. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

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Corrente do Mal (It Follows, 2014) - trailer legendado
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"Tango" - uma curiosa experiência sobre tempo e memória, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Premiado com Oscar de melhor animação em 1983, o curta metragem polonês “Tango” (1981) é uma curiosa experiência de percepção, tempo e memória por meio de efeitos de edição com a incipiente tecnologia digital da época: em um quarto acompanhamos ações em “loop” de personagens que aos poucos vão entrando em cena, até que 36 pequenos contos paralelos (uma mulher troca de roupa, um homem tenta trocar uma lâmpada, um ladrão rouba um pacote etc.) preenchem o pequeno espaço em um plano ininterrupto de oito minutos. “Tango” foi uma profética experimentação: antecipou as principais características atuais das nossas relações com o ciberespaço – simultaneidade, instantaneidade e ubiquidade. Mas principalmente o destino das telas (da TV aos smartphones) no futuro: de janelas que deveria estar abertas para o mundo real se transformaram em simulacro que esvazia a permanência e a memória.

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Série "América": é preciso pressa para ver o que está desaparecendo, por Wilson Ferreira


por Wilson Ferreira

Em novembro de 1989 ia ao ar pela extinta Rede Manchete a série brasileira “América”, dirigida por João Moreira Salles em parceria com o filósofo e roteirista Nelson Brissac Peixoto. Narrada pelo ator José Wilker, a série foi o resultado de uma viagem de quatro meses percorrendo 20 mil quilômetros através dos EUA – a primeira civilização na qual a História e a memória foram substituídos pelo movimento, velocidade e aceleração para o futuro que, paradoxalmente, virou um simulacro somente acessado através telas. Sem passado, Hollywood preencheu a ausência da memória da nação por uma sedutora mitologia que depois irradiou para o mundo. Composto por cinco episódios (“Movimento”, “Mitologia”, “Blues”, “Velocidade” e “Tela”), a série narra não só os impactos dessa cultura no cotidiano, na guerra, na política e na religião, mas também como criou o mal estar da alienação e estranhamento por meio do “olhar do exilado” dos três personagens principais da nossa época: o Viajante, o Detetive e o Estrangeiro.

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Luta simbólica da esquerda é vulnerável contra retórica da guerra híbrida midiática, por Wilson Ferreira

 

por Wilson Ferreira

O escritor e dirigente sindical Roberto Ponciano no seu artigo “Cultura, Violência e Direito à Insurreição” observa uma “docilidade cultural” que parece tomar as manifestações no Brasil e alerta: “Nesse ritmo de paz e amor em que estamos, embalados pelos showmícios de Caetano, ao menos nos tornaremos escravos mais alegres do mundo”. O editor do blog “O Cafezinho”, Miguel do Rosário, aponta que essa opinião revela “a inapetência da esquerda em fazer luta simbólica”, luta que corresponderia ao próprio campo da Comunicação”. Porém, essa “luta simbólica” confronta a chamada “Guerra Híbrida” cuja principal estratégia é a dessimbolização ou retórica da destruição. Diante disso, a criação de simbolismos de “luta e resistência” mais parece uma prescrição alopática de cura pelos opostos: se a mídia desinforma, vamos informar. Se a mídia dessimboliza, vamos então criar símbolos. Por que não a metodologia, por assim dizer, homeopática: a cura pelos semelhantes? Responder à simulação e mentira com ações diretas dentro do campo da comunicação também com simulações e mentiras, direcionadas ao próprio campo de dessimbolização da mídia corporativa. Táticas de “pegadinhas” e “trolagens” já existem – Cuture Jamming e Media Prank, por exemplo.

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Com Neuralink, Elon Musk quer privatizar a mente humana com interface bio-eletrônica

por Wilson Ferreira

Quem assistiu ao filme “Matrix” deve lembrar de como o protagonista Neo (Keanu Reeves) aprendia lutas marciais pelo simples download de programas em sua mente. Pois essa realidade sci-fi está próxima, pelo menos para o bilionário tecnológico sul-africano Elon Musk. Depois de anunciar o envio de colonos a Marte com sua empresa SpaceX, agora através da sua nova empresa, a Neuralink, o empresário pretende fazer um “upgrade” na mente humana: criar a interface bio-eletrônica definitiva entre mente e a “nuvem” de inteligência artificial, criando o que chama de “telepatia consensual”. Por que? Para Musk, as máquinas nos ameaçarão no futuro, tornando a humanidade irrelevante. Por isso, devemos impulsionar nossas habilidades cognitivas, nos livrando da linguagem (signos, palavras, símbolos etc.) ao nos conectar diretamente nas “nuvens de bites”. Musk fez esse anúncio na “World Government Summit” desse ano em Dubai, para atentos “Global Players”. Para quê essa chicana pseudocientífica? Depois de querer privatizar Marte, agora Musk pretende privatizar a mente e a linguagem, atraindo a atenção de gigantes como Facebook, já interessada na Neuralink.

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"Perfeitos Desconhecidos": negociamos com a verdade através dos celulares e smartphones, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Celulares e smartphones se transformaram em verdadeiras caixas-pretas das nossas vidas – registros de ligações, mensagens, nossos segredos e pecados mais íntimos estão nesses dispositivos. Passamos cada vez mais tempo fazendo dupla tela nas mais diversas situações. Se a vida social funciona dentro do triângulo público/privado/segredos, qual o impacto desses dispositivos na vida conjugal e pessoal? Esse é o tema da comédia dramática italiana “Perfeitos Desconhecidos” (Perfetti Sconosciuti, 2016). Sete amigos reúnem-se para um jantar quando alguém na mesa sugere uma nova versão do velho “Jogo da Verdade”. Só que agora, com os smartphones de todos colocados no centro da mesa – todos terão que compartilhar com os presentes as mensagens e ligações recebidas naquela noite. Mais que confusões e mal entendidos, o filme aborda como a função da mentira é, muitas vezes, mais do que iludir: é negociar com a verdade. Filme sugerido pelo nosso leitor Eduardo G.

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“Perfeitos Desconhecidos” (Perfetti Sconosciuti, 2016) - trailer legendado
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O Brasil sob a sombra das maiorias silenciosas, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Em questão de horas, de uma vez só, os direitos mínimos dos trabalhadores e seu maior líder trabalhista, Lula, foram condenados – simultaneamente, no Senado e na Vara Federal de Curitiba. Diante desse timing e precisão, jornalistas e intelectuais começam a expressar a perplexidade: cadê o povão? O Congresso não foi cercado e nem as praças ocupadas com massas sem arredar os pés. Massas manipuladas pela Globo? Índole apática do brasileiro? Por que as lutas monumentais e resistência em trincheiras até agora não ocorreram, limitando-se a algumas “batalhas de Itararé”? Talvez seja o momento de revisitar um dos textos políticos mais provocativos: “À Sombra das Maiorias Silenciosas” de Jean Baudrillard. Lá na França um gol de Rocheteau pelas eliminatórias da Copa do Mundo foi mais importante do que a extradição de um ativista político; como aqui Lula e seu pequeno exército de advogados solitários, sem o apoio das ruas, segue para a condenação em segunda instância. Para Baudrillard , não é uma questão de engano ou mistificação – há uma astúcia das massas que o Poder mais teme: não a “revolução”, mas seu silêncio e a indiferença. Um hiperconformismo no qual a política se afunda.

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O místico e o mágico acertam contas com o Ocidente em "Nem o Céu Nem a Terra", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Em posto avançado militar francês em um lugar remoto, montanhoso e desolado na fronteira entre Afeganistão e Paquistão, soldados esperam a chegada de um comboio da OTAN para retirá-los de lá e leva-los para suas famílias. Repentinamente, no meio das noite solitárias e frias, soldados começam a desaparecer de seus bunkers de observação. Tudo que têm como suspeitos é uma aldeia de criadores de ovelhas e soldados talibãs, que também começam a ser vítimas dos misteriosos desaparecimentos.  Essa é a coprodução franco-belga “Nem o Céu Nem a Terra”(Ni Le Ciel Ni La Terre, 2015), uma fábula do Realismo Fantástico no qual é descrito o fracasso de toda racionalidade e da tecnologia militar de vigilância e informação diante de um inimigo invisível e incompreensível para a lógica Ocidental: o místico e o mágico que o avanço da Razão Ocidental julgou ter eliminado através do “desencantamento do mundo”. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende. 

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"Nem o Céu Nem a Terra" (França-Bélgica, 2015) - trailer
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A condenação de Lula e a midiática "crítica nem-nem", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreirra

Após a sentença de condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, a TV mostrou imagens de comemorações em frente à Vara de Curitiba por manifestantes em suas indefectíveis camisas amarelas da CBF. Ao mesmo tempo, tomadas da Avenida Paulista com mais manifestantes, agora de camisetas vermelhas, faixas e punhos erguidos em protesto contra a condenação de Lula. Ato contínuo, a grande mídia expõe os rostos dos magistrados que julgarão o recurso à condenação e uma canastríssima entrevista (com signos cenograficamente saturados) do presidente do TRF-4 que poderá finalmente impedir a candidatura presidencial do líder petista. Qual a relação entre esse ensaio de volta da polarização “coxinhas X mortadelas” e o jogo midiático de sedução/chantagem com magistrados? O velho semiólogo Roland Barthes responderia: a mitologia da “crítica nem-nem”. Ou simplesmente “ninismo” -  mecanismo retórico de dupla exclusão na qual se reduz a realidade a uma polaridade simples, equilibrando um com o outro, de modo a rejeitar os dois. “Nem” um, “nem” o outro - apenas o “bom-senso”, mito burguês na qual se baseia o moderno liberalismo: a Justiça como mecanismo de pesagem que foge de qualquer embate ideológico.

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O que nos conta o sismógrafo gramatical da TV Globo?, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Em 2015 o escritor Pablo Villaça ironizou a proliferação do adjunto adverbial de concessão no bordão “Apesar da crise” repetido pela grande mídia como uma deliberada tática de repetição para criar uma crise autorrealizável e desestabilizar o governo Dilma. Na época, depois de décadas de “jornalismo adversativo”(“porém”, “mas” etc.) a mídia dava uma guinada gramatical para os advérbios. Agora, no momento em que o desinterino Temer virou “chefe de quadrilha” depois de ser incensado como uma espécie de novo Winston Churchill da ponte para o futuro, a mídia corporativa dá outra guinada gramatical: retorna ao velho jornalismo das conjunções adversativas: “há crise política, MAS a economia dá sinais de recuperação”, rezam os articulistas da Globo, tentando divorciar a política da economia. Essas guinadas gramaticais não são meras mudanças de estilo na máquina retórica de destruição da Globo. Sua engrenagem é um verdadeiro sismógrafo que repercute o movimento das placas tectônicas da política e economia, movimentos preocupantes para a Globo na luta para a manutenção do seu monopólio. E principalmente o porquê, de repente, a Globo querer jogar o desinterino Temer ao mar.

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Adolescência é um drama existencial e universal em "Ponto Zero", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

“Ponto Zero” (2016), do diretor gaúcho José Pedro Goulart, é um ponto fora do movimento pendular do drama da adolescência no cinema, quase sempre figurado entre a exaltação e a melancolia solipsista platônica. “Ponto Zero” vai muito mais além dos tradicionais pontos de vista psicologizante  ou sociológico sobre a juventude. Goulart almeja um olhar mais universal e existencial. Por isso, optou por uma narrativa com escassas linhas de diálogo, apostando na força das imagens repletas metáforas e lirismo. Ênio, um jovem em um lar marcado por um pai ausente e violento e uma mãe que tenta manter as aparências da instituição familiar. A descoberta da sexualidade e do próprio corpo são sinais que a infância acabou. Porém, o mundo adulto para o qual se encaminha é inautêntico. Em meio ao estranhamento e alienação, como um Estrangeiro em sua própria casa, Ênio busca uma terceira via. E paradoxalmente será em uma jornada, numa noite chuvosa pelo submundo de “inferninhos” e prostitutas em ruas de Porto Alegre, que o protagonista encontrará a verdade espiritual e existencial do seu drama.Filme sugerido pela nossa leitora Suzana Moraes. 

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"Ponto Zero" (José Pedro Goulart, 2016) - trailer
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Filme "O Círculo" reforça a "Hipótese Fox Mulder", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Ao lado da torta de maçã e da bandeira estrelada dos EUA, não há nada mais norte-americano do que a imagem do ator Tom Hanks. Pois agora, no filme “O Círculo” (The Circle, 2017) ele é um vilão, o CEO de uma poderosa empresa de tecnologia de informação que emula o Google e o Facebook com sombrios projetos de vigilância e invasão da privacidade global. O que significa um filme estrelado pelo patriótico Tom Hanks denunciando a ameaça de uma dominação orwelliana pelo maior produto norte-americano, a tecnologia da informação desenvolvida pelo Vale do Silício? “O Círculo” transpõe para a ficção toda a agenda crítica relacionada a ameaça da espionagem e vigilância global através das comunicações eletrônicas e do “big data” extraído das redes sociais digitais. Será que a repercussão hollywoodiana das denúncias sobre os supostos planos de dominação global do Vale do Silício confirmaria a hipótese conspiratória do agente especial Fox Mulder da série “Arquivo X”? Seria “O Círculo” uma tentativa de tornar a crítica uma ficção? Assim como os filmes “Margin Call” e “A Grande Aposta” ficcionalizaram os motivos da explosão da bolha financeira de 2008? 

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"O Círculo" (The Circle, 2017) - trailer legendado
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Curta "Help Us": medo e culpa no altruísmo moderno, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Caro leitor, chegou o momento de abrir o seu coração e esvaziar sua carteira para ajudar a curar alguma coisa que está errada com as pessoas desse curta-metragem. “Help Us” (2016), de Joel Cares, lembra aqueles vídeos institucionais de ONGs como Médicos Sem Fronteiras, Save The Children etc. Mas ao invés de vermos flagelados de algum lugar remoto e sem esperança, vemos uma família de classe média pedindo ajuda e o nosso dinheiro. O que há de errado com eles? Um curta que aplica  dissonância cognitiva e o método de comutação para fazer o espectador refletir sobre o destino da velha caridade e humanitarismo que hoje se transformou em “voluntariado” e “ativismo”. Qual a recompensa psíquica que encontramos na velha filantropia profissionalizada pelas ONGs? Qual a relação entre essa recompensa e os rostos "psychos" dos personagens do curta que ao invés de inspirarem altruísmo dão medo? 

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Série brasileira "3%" é o "Black Mirror" do Brasil atual, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Enquanto a crítica especializada estrangeira é só elogios à série brasileira “3%” (2016-), no Brasil a crítica torce o nariz. Complexo de vira-latas? Mais do que isso. A aposta da Netflix em uma produção sci-fi em língua portuguesa reafirma o interesse estratégico da plataforma de streaming no mercado brasileiro, ameaçando o mainstream da Globo e do negócio da TV aberta. Mas há algo além: enquanto a crítica brasileira tenta enquadrar a série no cânone das distopias “teens” como “Jogos Vorazes” e “Divergente”, “3%” fez mais do que isso, confundindo a todos – ao invés das tradicionais distopias hollywoodianas, a série apresenta uma desconcertante “hipo-utopia”: um espelho sombrio do Brasil atual apontado para o futuro. Uma alegoria política na qual a meritocracia transforma-se em religião, única esperança em um País transformado em um deserto rochoso com centros urbanos dominados pela desigualdade, miséria e violência. E um processo seletivo criado pela elite é a miragem de ascensão social na direção de uma terra supostamente utópica e longe do deserto brasileiro, na qual apenas 3% chegarão.

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"3%" (série brasileira Netflix, 2016-) - trailer
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O Jornalismo é um cadáver "investigativo" que nos sorri, por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Lá pelos anos 1990, Oliviero Toscani lançou o livro “A Publicidade é um Cadáver que Nos Sorri” sobre a inutilidade social da Publicidade que não mais vendia produtos, mas estilos de vida mentirosos. Propunha um modelo de Publicidade com função social, assim como o Jornalismo. Porém, o Jornalismo virou corporativo e transformou-se no próprio espelho da Publicidade - assim como grifes, marcas e logos promovem produtos, o próprio Jornalismo passou a promover a si próprio por meio da grife do “investigativo”. Por isso, foi sintomático o 12o. Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado na Universidade Anhembi Morumbi/SP, promover o procurador-geral Rodrigo Janot como estrela máxima e os “bastidores das delações da JBS e Lava Jato” como o “case” principal de um suposto jornalismo investigativo que terceirizou a atividade jornalística. Para a Abraji, jornalismo investigativo é “checar informações” de vazamentos que sempre selecionam seus jornalistas “investigativos” favoritos. Enquanto isso, Martin Baron (editor retratado no filme “Spotlight”) deu o verniz investigativo necessário para jornalistas que confundem investigação com checagem de vazamentos.

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Bombas semióticas brasileiras (2013-2016): por que aquilo deu nisso? por Wilson Ferreira

Por Wilson Ferreira

Em série de 51 postagens ao longo do período 2013 (iniciado nas chamadas “Jornadas de Junho” das manifestações de rua) até o impeachment em 2016, este “Cinegnose” fez uma espécie de crônica das bombas semióticas disparadas pela grande mídia – uma complexa guerrilha semiótica que mobilizou todo o arsenal retórico, linguístico e semiológico divididos em quatro etapas bem distintas: primeiro, caos, manifestações, inadimplência e ataque dos tomates inflacionários que levavam o País ao abismo; depois, fortalecimento da base etnográfica do neoconservadorismo (“simples descolados”, “coxinhas 2.0”, “novos tradicionalistas”, “gourmetização” etc.; em seguida, o investimento semiótico em minisséries globais para a teledramaturgia legitimar a agenda política de oposição; para finalmente exortar a radicalização e polarização cujos resultados acompanhamos até hoje. Acompanhar a evolução das bombas semióticas é uma humilde contribuição para tentar responder: por que aquilo deu nisso? O gigante que parece ter adormecido e as panelas terem parado de bater mesmo com a surrealista crise política atual.

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Quando sorrir soa parecido com gritar em "Helter Skelter", por Wilson Ferreira

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Imagem: Divulgação

Mais um filme japonês que trabalha com simbologias alquímicas de transmutação pessoal. Adaptado de um mangá homônimo e iconografia inspirada no filme “Beleza Americana”, “Helter Skelter”(Herutâ Sukerutâ, 2012) do diretor e fotografo Mika Ninagawa é um exemplo de como a cultura japonesa conseguiu filtrar a sociedade de consumo ocidental através de valores milenares, combinando tudo isso com cenários futuristas e distópicos: uma top model chamada Lilico, ícone dos adolescentes conectados 24 horas em dispositivos moveis atrás de mexericos de famosos, é uma celebridade de capas de revistas, publicidade e TV, cuja beleza esconde um sinistro segredo – uma clínica de estética com revolucionário método combinando tráfico de órgão e placentas humanas, no qual corpos são reconstruídos como verdadeiros frankenteins. Uma modelo que se transforma numa gueixa pós-moderna, uma máquina de processamento de  desejos de milhões. A beleza leva a juventude para o fundo do poço, onde destruir a si mesmo é a única saída: no caso de Lilico, quando sorri, na verdade está gritando. 

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"Helter Skelter" (Mika Ninagawa, 2012) - trailer
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Tricô, lã e Alquimia no filme "Wool 100%", por Wilson Ferreira

por Wilson Ferreira

Um filme para os cinéfilos amantes do surreal e do estranho. “Wool 100%” (“100% Lã, 2006) do escritor/diretor japonês Mai Tominaga é uma curiosa comédia que combina a fábula gótica e fantástica com o humor negro repleto de simbolismos: duas irmãs idosas passam os seus dias acumulando objetos e sucatas em seu casarão, recolhidos e catalogados diariamente em uma pequena cidade japonesa. Até que encontram um cesto cheio de novelos de lã vermelha. Do emaranhando de fios surge uma jovem que tricota sem parar o próprio suéter que veste, para depois desfiar e recomeçar tudo de novo. A jovem intrusa dará início a uma complexa simbologia de transformação alquímica envolvendo a cor vermelha, tricô, infância, sexo e amor – simbolismo de libertação das protagonistas presas nas memórias do casarão, como fosse a cartografia das suas próprias mentes.

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"Wool 100%" (Mai Tominaga, 2006) - trailer
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