
Jornal GGN – Após apoiar o impeachment da presidente Dilma, frentes de parlamentares ruralistas, evangélicos e ligados à segurança pública cobram um maior diálogo com o vice-presidente Michel Temer e o apoio às suas agendas no Congresso. As bancadas da Bala, da Bíblia e do Boi – chamada de BBB – deram uma proporção de votos favoráveis ao impedimento muito maior do que o resultado final, e agora esperam que Temer abra espaço para aprovar assuntos ligados à pauta conservadora.
Entre estas pautas, a Bancada da Bala quer a redução da maioridade penal e a flexibilização do Estatuto do Desarmamento, enquanto os ruralistas esperam apoio à PEC 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas. Já os deputados que se apresentam como empresários, com 184 votos a favor e 30 contra o impeachment, querem estímulo ao empreendedorismo, reforma tributária, flexibilização da legislação trabalhista e medidas de deburocratização.
Do Estadão
Bancadas da Bala, da Bíblia e do Boi pressionam Temer
Grupos que apoiaram impeachment querem que o vice aceite mudar do Estatuto do Desarmamento à demarcação de terras indígenas
Formada por parlamentares ruralistas, evangélicos e defensores de propostas ligadas à segurança pública, a chamada bancada BBB – uma referência à “Boi, Bíblia e Bala” – foi fundamental na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no último dia 17. Em decorrência disso, cobra interlocução maior com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o apoio dele à suas agendas no Congresso Nacional.
A proporção de votos que seus integrantes deram contra a petista foi muito maior do que o apresentado no resultado final. O placar do plenário da Câmara foi de 367 votos a favor e 137 contra, uma proporção de 2,6 a favor para cada voto contrário. Na bancada evangélica, o placar foi 163 x 24 (uma proporção de 6,7 a 1), enquanto na da segurança foi 245 x 47 (5,2 favoráveis para cada contrário).
O desempenho faz com que essas bancadas queiram conquistar na era Temer toda a interlocução com o governo e apoio oficial no andamento de sua agenda no Congresso. “Já fomos até ele e sugerimos que ele crie uma interlocução oficial com a bancada BBB. Ele tem que entender que não é só interlocução com os líderes partidários que adianta”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), tesoureiro da Frente Parlamentar Evangélica.
Na avaliação do parlamentar, esse foi um dos principais erros dos governos do PT. O deputado afirma que só houve diálogo do governo com a bancada evangélica nos dois primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Sila, entre 2003 e 2005.
“De lá para cá, nunca mais houve uma interlocução para equilibrar a pauta da esquerda com as nossas. Pelo contrário, sempre fizeram questão de fazer confronto ideológico”, reclama Cavalcante.
De acordo com o tesoureiro da Frente Evangélica, a pressão de pastores sobre deputados da bancada foi decisiva para a aprovação do impeachment de Dilma, entre eles Silas Malafaia (Assembleia de Deus), Edir Macedo (Igreja Universal) e Valdomiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus).
Bala. Por sua vez, a bancada da bala espera que Temer abra espaço para aprovação de assuntos ligados à pauta conservadora, como a redução da maioridade penal e a flexibilização do Estatuto do Desarmamento.
“É por isso que até agora não colocamos para votar essa questão do Estatuto do Desarmamento. Sabemos que na Casa passa, mas a presidente veta. Precisamos conversar mais com Michel para ter a possibilidade de fazer uma pauta positiva”, diz Alberto Fraga (DEM-DF), coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, na Câmara.
Na avaliação do deputado, que é coronel reformado da Polícia Militar, o caráter majoritariamente conservador dos integrantes da bancada foi determinante para dar uma votação pró-impeachment acima da média. “Já esperávamos uma votação assim. A bancada da segurança pública, em sua maioria esmagadora, é conservadora, é de direita”, afirma Fraga.
Ruralistas. Dentre os integrantes da bancada ruralista, a proporção foi menor que a do plenário. Foram 64 votos a favor e 33 contrários (1,9 a favor para cada contrário). A explicação é que boa parte da Frente é integrada por parlamentares ligados ao petismo, como os egressos da agricultura familiar.
Ainda assim, o deputado Jerônimo Goergen (PPRS), coordenador institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária, quer que Temer foque sua gestão no agronegócio. A bancada quer que o peemedebista “feche as torneiras” para os programas de interesse do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Ela também defende o apoio de Temer à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil.
O maior número de votos veio da bancada dos parlamentares que se apresentam como empresários. Foram 184 votos a favor e 30 contra, uma proporção de 4,46 contra o governo para cada um favorável. A bancada cobra de Michel Temer estímulo ao empreendedorismo e principalmente reforma tributária, flexibilização da legislação trabalhista e medidas de deburocratização da economia. “Ele tem que fazer reformas do ponto de vista da liberação da economia, como baixar juros, dar liquidez ao mercado, mudar a legislação trabalhista, que hoje é muito cara para empresas, e ter uma visão clara de que a tributação deve ser em cima do ganho e não do investimento”, diz o deputado Danilo Forte (PSBCE). A principal demanda é o apoio de Temer ao projeto que regulamenta a terceirização e apoio a reformas imediatas que possibilitem a retomada da confiança. Segundo Forte, nas conversas que já teve com o vice, ele sinalizou que “logo na partida” quer tomar “medidas de impacto” nesse sentido. O levantamento dos empresários da Casa foi fornecido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Marco St.
25 de abril de 2016 5:37 pmTudo explicado aqui. Na voz dos próprios.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=R5CQmKM2M5E%5D
S.Bernardelli
25 de abril de 2016 5:37 pmbando de canalhas
Eles estão brincando com o povo, pois quando eles forem para cima de todos os deputados golpistas será como um Tsunami e se um deles for pego estará perdido. Eles estão brincando com fogo e irão sair tostados. Se continuar desse jeito é possível que nem haja Olimpíadas ou ela seja adiada, já pensou os turistas vir para cá se algo acontecer de muito sério entre o futuro governo, pró e contra o impeachment e polícia? Vai ser um, pega pra capar.
Somebody
25 de abril de 2016 6:00 pmQuando e se Temer assinar a
Quando e se Temer assinar a lei que diz que o negociado entre patronato e empregados prevalecerá sobre o legislado, será o fim dos seus empregos com carteira assinada. Que eu lidei com empresários brasileiros o suficiente para dizer com segurança que eles, com raras exceções, enxergam os seus empregados como vassalos ou como despesas, e tal lei dará para eles poder absoluto sobre os contratos de trabalho.
andre B
25 de abril de 2016 7:35 pmComo vassalos voce está sendo
Como vassalos voce está sendo suave. Os empresários enxergam ( e se puderem tratam) os trabalhadores brasileiros como escravos mesmo.
altamiro souza
25 de abril de 2016 8:05 pmessa bancada bbb é a síntese
essa bancada bbb é a síntese maior da nossa infame tragedia
cezarperin
25 de abril de 2016 10:00 pmQuie turma
Que turma..!!????
Ginah
25 de abril de 2016 10:11 pmO Estadão, mais uma virgem que emerge do lixo!
Ao ler a matéria do Estadão de forma descuidada, observa-se uma certa imparcialidade, dão os números. A questão está decisão de publicar esse tipo de artigo. Por que foi publicada, qual o motivo que levou o Estadão a publicar esse tipo de informação agora? O perfil das bancadas já estava dado, era conhecido. Por que o levantamento dessas bancadas e a sua propensão ao voto “Sim” não foi publicado antes?
A resposta é simples: processo de depuração. Agora vão querer jogar fora as buchas de canhão – eliminar os vestígios de concluio com o golpe – usadas para chegar ao objetivo: tirar a Dilma Roussef, denegrir a figura do presidente Lula, do PT, dos trabalhistas e da esquerda em geral. É um comportamento já conhecido na história do Brasil, para quem se preocupou em estudá-la um pouco.
Abriram as portas do inferno, resta saber se vão conseguir controlar os demônios que, livres e abençoados por uma elite podre, não mostram o menor constrangimento em expor seus chifres e rabos.
wendel
25 de abril de 2016 10:22 pmE ……………….
A esta bancada BBB, eu acrescentaria mais uma B. A dos Bancos !!!!!!!!!!
Então ficaria BBBB – Bala; Biblia; Boi e Banca !!!!!!!!!!!!!!
Estamos F……………………. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
junior50
26 de abril de 2016 12:21 amMeu caro
Sair de pedra para vidraça, tem seus problemas, prometeu tem que pagar, ajoelhou vai rezar , Skaf encomendou a pizza, vc. tem que entregar , o Serra aparece na sua casa ás 23:00 hs, vc.terá que recebe-lo, o Mariz fala que o Moro é um doido, um torquemadinha, vc. que se vire para segurar o pepino, Aloysio “Manoel” te promete o mundo e só dá os fundos, e neguinho já está te fazendo ” a cama “, lhe ameaçando com um “abraço” dilmistico, é simples ,caro Michelzinho : A Vida é assim.
Querido, nem o Kid ( Moreira Franco ) ou o Juca, vão segurar , vai pro Faustão, se virar nos 30
marcoap133
26 de abril de 2016 1:16 amUma mísera semana
Na verdade, três dias úteis. Este foi o prazo que os mercadores de votos da Câmara levaram para apresentar suas faturas ao Michel Sivério dos Reis, o candidato quase eleito pelo colégio eleitoral. Eleição indireta, como manda o figurino de qualquer conspirador.
Nada mais claro. “Votamos sim, exatamente como combinamos. Agora cumpra sua parte prometida na tramoia: blinde-nos contra as investigações, e promova as mudanças que o Brasil do passado tanto anseia. Ou melhor, que os nossos verdadeiros financiadores exigem, e que a maioria da população rejeitou em 2014 derrotando Aécio”.
Na vanguarda o execrável BBB (de lamentável semelhança com a porcaria que a Globo joga na cara de seus fieis e incautos telespectadores, acho que um vez ao ano): mercadores da fé, da morte e da fome. Sobre elas, alguns ligeiros apontamentos:
– da “bancada da bíblia”, que teria agido guiada pelas revelações divinas materializadas na “pregação” de Macedo, Malafaia e Santiago: às favas a separação entre religião e Estado. Aliás, às favas com os próprios fundamentos do Cristianismo, que eles tanto afirmam seguir (ah, os hipócritas). Lembro-me de uma passagem na qual Jesus teria sido inquirido sobre ser ou não justo pagar tributo a César (Roma). A resposta, depois de pedir uma moeda e reconhecer a efígie do Imperador Romano: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Para mim uma da mais vigorosas defesas da separação entre as coisas da Religião e as do Estado. São os pregadores do retrocesso e do preconceito;
– da “bancada da bala”, que exige a reformulação (na prática a revogação?) do Estatuto do Desarmamento e a redução da maioridade penal (e, de tabela, afrouxamento do Estatuto da Criança e do Adolescente). E os 12,6%, em média, de redução das taxas de homicídio? Bem, isto não é nada. O melhor é voltar a armar a população – e vender muitas armas. Nada de intensificar o combate à clandestina e ilegal entrada de armas no país, ou de sua “distribuição”; o negócio é a indústria de armas nacional vendê-las legalmente, ou importadores legais lucrarem com o ingresso delas no Brasil. E os novos menores infratores, que a partir da redução da maioridade serão maiores criminosos? Se as armas não derem cabo deles, vamos fazer mais e mais presídios. Não há recursos? Sem problema, desvincula-se a verba da educação e utiliza-se para fazer cadeias;
– da “bancada do boi” (que inclui, por semelhança ideológica, o agronegócio): estes querem deter, eles mesmos, a prerrogativa de decidir sobre demarcação de terras indígenas (e certamente de reservas naturais também), prerrogariva que hoje é da Presidência. “Queremos voltar a invadir reservas indígenas, quilombolas, áreas de preservação e reservas naturais sem que ninguém nos ofereça oposição, de modo a ter mais gado nos campos e plantar mais produtos para exportação”. Para tanto, o novo Judas Temer deve acabar com este negócio de incluir no orçamento federal os auxílios para os assentamentos, os créditos para pequenos produtores, e recolocar os barões dos bois e da soja na primeira fila da distribuição de subsídios. Mas, sobre os pequenos agricultores, está provado que 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros são produzidos por eles! A resposta: “e daí? eles produzirão bem menos, mas ainda assim será o suficiente para que os que antes comiam continuem a comer. Os que passaram a comer recentemente devem voltar à condição anterior”.
Tenho dito.