
Jornal GGN – Ontem o GGN publicou uma informação que consta no relatório da última pesquisa Datafolha, indicando que o instituto nunca usou as pedaladas fiscais para saber do povo se Dilma Rousseff merecia sofrer o impeachment. O que o Datafolha usava como justa causa era a Lava Jato: perguntava se a corrupção entre empresários, agentes públicos e políticos era motivo para afastar a atual presidente. Esse dado nunca foi explicitado por Folha e talvez justifique o desinteresse do jornal quanto à fragilidade da tese de que Dilma cometeu crime fiscal [leia mais aqui].
Agora, descobre-se que a Folha escondeu mais uma pergunta importante de seus eleitores, cujo resultado renderia a seguinte manchete: 62% dos brasileiros apoiam novas eleições. Ao invés disso, Folha reportou, no domingo (17), que 50% preferem Michel Temer no poder.
Como se já não bastasse a manipulação da pergunta que foi escolhida por Folha para legitimar Temer (o entrevistado do Datafolha só teve duas alternativas à pergunta “O que é melhor para o País: Dilma voltar ou Temer ficar”), o relatório divulgado ontem também havia passado por censura. Não constavam as perguntas que retratavam com menos parcialidade a atual crise política. O conteúdo só veio à tona após o Tijolaço encontrar os dados no servidor do Datafolha e o jornal ser pressionado pela imprensa a explicar a fraude.
O que a Folha escondeu dos leitores?

O Datafolha perguntou, a pedido da Folha (foi o jornal que selecionou as perguntas): “Uma situação em que poderia haver novas eleições presidenciais no Brasil seria em caso de renúncia de Dilma e Temer a seus cargos. Você é a favor ou contra Temer e Dilma renunciaem para a convocação de novas eleições para a Presidência ainda neste ano?”
Aqui, 62% disseram ser a favor, 30% contra, 4% indiferente e 4%, que não sabem.
Segundo o El País, Sérgio D’ávila, editor-executivo da Folha, disse que deixou de publicar essa informação porque não exergou relevância nela. “(…) é prerrogativa da Redação escolher o que acha jornalisticamente mais relevante no momento em que decide publicar a pesquisa. O resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não nos pareceu especialmente noticioso, por praticamente repetir a tendência de pesquisa anterior e pela mudança no atual cenário político, em que essa possibilidade não é mais levada em conta.”
Se a renúncia de Temer e Dilma não é mais levada em conta, por que a Folha inseriu essa pergunta no questionário levado às ruas entre 14 e 15 de julho?
Outra dúvida foi levantada por Fernando Brito, do Tijolaço: “Sérgio D’Ávila não diz, porém, que este arquivo [o relatório do Datafolha] está sendo linkado somente agora, depois que veio a público, no início da noite [de quarta, 20], por este blog e por outros, o arquivo escondido nos servidores do Datafolha. Mais de duas horas depois de revelado o escândalo é que isso foi feito”.
Segundo o novo relatório, a realização de uma nova eleição tem mais apelo entre os jovens de 16 a 24 anos (68% favoráveis) e na faixa de 25 a 34 anos (também 68%). Entre aqueles que consideram o governo Temer ótimo ou bom, 50% são a favor de nova eleição, e 44%, contra.
Sobre o impeachment
O Datafolha também aferiu, sem o interesse noticioso do jornal, se o processo de impeachment de Dilma corria, na visão dos entrevistados, respeitando as regras democráticas e a Constituição. Aqui, 49% disseram que sim, outra parcela de 37% disse que não, e 14% não souberam avaliar.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, disse que é “evidente que esses dados divulgados em pesquisas de opinião estão distorcidos, manipulados, com a finalidade de favorecer Temer e os setores que o apoiam. (…) É uma forma de tentar convencer os senadores de que a opinião pública está com o golpista e que, em razão disso, seus votos devem ser contra Dilma. Mas, a partir dessas denúncias, estamos vendo que nada é mais irreal do que essa tese.”
Dilma precisa do apoio de 28 senadores para vencer o impeachment na votação final, que deve ocorrer na segunda quinzena de agosto. O Planalto e a equipe da presidente afastada trabalham para conquistar o apoio dos senadores. Pela primeira votação (admissibilidade do impeachment) no Senado, Dilma precisa conquistar seis votos além dos 22 que já tinha. O senador Randolfe Rodigues (Rede) disse, na semana passada, que Dilma tem um universo de 9 senadores indecisos para trabalhar, e que 6 deles já estariam “inclinados” a ajudá-la. Mas a vitória da presidente está associada justamente à ideia de voltar ao poder e propôr, com consentimento do Congresso e do povo, novas eleições.
alexis
21 de julho de 2016 1:16 pmO “clássico”…..
O “clássico”: “Não vem ao caso”.
CB
21 de julho de 2016 1:17 pmParei de assinar e ler a
Parei de assinar e ler a folha porque não vejo relevância no jornal. A única coisa de relevante e reveladora é o engajamento político do jornal com o entreguismo, a corrupção dos amigos e as causas antipopulares ou trabalhistas.
Renato Lazzari
21 de julho de 2016 1:19 pmNão fosse relevante…
Não fosse relevante… esconder prá que?
Nunca vi bandido assumindo que é bandido, eles sempre se escondem.
Gariel
21 de julho de 2016 1:28 pmblz, parem de comprar o
blz, parem de comprar o referido folhetim, pois este não respeita seu leitores.
Foi escolha deles sim, uma escolha ruim e errada. Pagarão com a contínua queda acentuada de suas vendas.
FALIDO. toda mídia tradicional brasileira sem moral nenhuma. Ridicularizados em praça pública, junto com seus filhos e netos – pra sempre.
um novo mundo se aproxima, um mundo onde mentiras são tácitamente reprováveis e nunca desconsideradas.
Daniel RR
21 de julho de 2016 1:30 pmVou dar razão à Folha. A
Vou dar razão à Folha. A maioria nem sempre sabe o que faz. Basta ver no caso da maioridade penal, a maior parte da população deseja isso. Devemos cerder a todos os desejos da maioria?
Podiam ser 99% e continuaria irrelevante. Não há lei que abarque isso.
Jader
21 de julho de 2016 2:10 pmhttps://www.catarse.me/pt/can
https://www.catarse.me/pt/cantaademocracia
Marcos Antônio
21 de julho de 2016 2:35 pmA folha não precisa da CIA!
Alguém imagina a cara do senador Aluísio Nunes sendo seduzido pela CIA para dar um golpe?
Ou a cara do aécio? Do Anastasia? Do Temer? Do Skaf? Dos marinhos?
Não consigo imaginar a nossa(?) elite sendo seduzida para dar um golpe no Brasil…
Eles devem olhar para nós, O POVO, e ver somente parvos!
Ai fica fácil…
mcn
21 de julho de 2016 2:58 pm81% defendem o Fora Temer
Na análise do 247, o escândalo do Data Folha é ainda mais estarrecedor: 81% defendem o Fora Temer.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/245099/Datafolha-real-81-defendem-o-Fora-Temer!.htm
O crime político que a Folha perpetrou só foi desmascarado pelo esforço corajoso de reportagem de Glenn Greenwald que, como disse o Fernando Britto, pôs o seu Pultizer pra bater, e do próprio Britto, com suas reportagens no Tijolaço. Greenwald caracterizou a cobertura da Folha, com seus irritantes infográficos, como fraude jornalística.
Da próxima vez que Otavinho for ao exterior discutir mídia e democracia no Brasil, que abaixe a cabeça e escute calado todos os prováveis esporros que virão dos especialistas estrangeiros e que ele fez por merecer. E ainda será pouco pelo nível de conspiração que marca o seu legado ao país.
Certo fez o Lula que virou as costas e o deixou falando sozinho, num almoço com o velho Frias, há uns anos atrás.
Eliane Ribeiro
21 de julho de 2016 3:01 pmA fraude da folha é mais
A fraude da folha é mais grave do que parece.Como eles podem achar “irrelevante” a vontade de mais da metade da população em exercer seu direito de voto!
Isso confirma o xadrez da democracia.Eles não vão convocar eleições em 2018.
Juliano Santos
21 de julho de 2016 3:10 pm“(…) é prerrogativa da
“(…) é prerrogativa da Redação escolher o que acha jornalisticamente mais relevante no momento em que decide publicar a pesquisa”
E é prerrogativa dos blogs sujos mostrar a fraude da Falha e demais piguentos. E é prerrogativa dos cidadãos brasileiros tomarem conhecimento da fraudulência folhetinesca. E também é prerrogativa dos estrangeiros saberem o que é a grande imprensa brasileira, graças ao trabalho de um jornalista de verdade, Glen Greenvald.
E por fim, é prerrogativa do cidadão não acreditar que a Falha é um jornal de rabo preso com o leitor. Mas claro, também é prerrogativa acreditar, com é o de ser ex-coxinha, ex-trouxinha e atual escondidinho
Celso Paulo da Silva
21 de julho de 2016 3:31 pmComo os midiotas só lêem
Como os midiotas só lêem manchetes, se é que lêem, o que vale é o impacto das letras garrafais no alto da matéria. feito isso, o estrago já está feito. Porque depois a correção vem no rodapé.Uma desculpa qualquer vale como reparo. Acabaram com qualquer chance de termos um país sério usando esse método. Pra que os americanos precisam invadir um país que já tem uma imprensa que sempre fez, faz e sempre fará assim quando há qualquer risco de emancipação desse mesmo país?Depois o otávio ( Que pensa que todo mundo é otário) dá aquele chilique lá em londres. Golpista, golpista, golpista. Foi, é e pelo jeito nunca vai deixar de ser. Essa é a real desse murdok dos trópicos
Luciano Prado
21 de julho de 2016 3:34 pmÉ bandidagem ou tem outro nome?
A imprensa deve ser tida como uma instituição do Estado Democrático. Quando passa a praticar atos que se confundem com banditismo, tendo em vista flagrantes ações fraudulentas com propósitos de manipular grande parte da população que, de boa-fé nela deposita confiança, então podemos concluir que a bandidagem tomou conta de parte das instituições do Estado Democrático. Não se rebelar contra isso é aceitar o cabresto e a certidão de imbecilidade. É negligenciar direitos elementares da cidadania.
edmorc
21 de julho de 2016 3:54 pmLivros de estatística
Vamos jogar na fogueira todos os nossos livros de iniciação à Estatística, pois mudaram os conceitos básicos e só agora que a Folha nos avisou. Se em uma amostra 62% se mostram favorável a determinado tema e isto não é estatisticamente relevante, então não sei mais o que é.
Aracy_
21 de julho de 2016 5:37 pmQue coisa. Uma porção de
Que coisa. Uma porção de gente também não vê relevância nenhuma na Folha. Por isso o jornal fica encalhado nas bancas.
taneamara
21 de julho de 2016 8:04 pmSe a credibilidade já era
Se a credibilidade já era pouca, que dirá agora?