10 de junho de 2026

Futebol: propostas para equilibrar receitas dos clubes

Nos últimos cinco anos o endividamento dos clubes de futebol no Brasil cresceu 74%. Os dados, da organização Bom Senso F. C., apontam ainda que somente para o governo federal os clubes devem R$ 2,5 bilhões. Como melhorar a situação dessas entidades esportivas e, mais ainda, a vida dos atletas, visto que 16 mil dos 20 mil profissionais empregados no futebol brasileiro recebem menos de dois salários mínimos?
 
Para responder a essas questões a apresentador Luis Nassif recebeu no programa de debates Brasilianas.org (TV Brasil) o professor de gestão do esporte na USP, Ary José Rocco Junior e o jurista que colaborou na redação da Lei Pelé, Heraldo Panhoca. Cerca de 80% das receitas dos clubes de futebol vem da TV, enquanto que em outras partes do mundo as receitas dos clubes adquiridos com os direitos de transmissão não chegam a 25%.
 
“Em 2011 a [Rede] Globo comprou os direitos de transmissão dos campeonatos por R$ 380 milhões. A partir de 2013, com o aumento de interesse de outras redes de televisão, o valor da compra passou para R$ 1,5 bilhão”, explicou o jurista Panhoca. O professor Rocco Junior completou que a venda de ingressos, patrocínio, marketing, formação e venda de atletas compõe o resto da receita dos clubes, mas o fato é que essas entidades esportivas acabaram se tornando reféns da televisão. 
 
Na Espanha o modelo de aquisição de receita também gera desigualdades entre os clubes, pois cada entidade negocia os direitos de transmissão individualmente com as redes de TV. “Assim, Real Madrid e Barcelona acabam levando a maior parcela, que são os grandes times”, completou Rocco Junior. 
Na Alemanha os direitos de transmissão são geridos por uma liga que reúne todos os times oficializados no país, com isso a repartição de receitas é mais equilibrada. Já na Inglaterra é a Premier League que representa os times no país. Mas o modelo ideal, para o professor da USP, deveria ser espelhado na NBA, liga de basquete norte-americana. “Nos Estados Unidos as ligas esportivas são empresas. Então os times fecham um contrato de franquia com a NBA que regula, portanto, a repartição das receitas”, explicou o professor. 
 
O jurista Heraldo destacou que a primeira liga esportiva no Brasil foi criada há pouco tempo, mas no basquete. “Estamos entrando no sétimo ano. A Confederação [Brasileira de Basketball] ficou apenas com a Seleção Brasileira. Agora o campeonato nacional é feito pela liga e gerido pelos clubes através de um comitê. Dessa forma começamos a quebrar o modelo cartorial”, continuou. 
 
O triste desempenho da Seleção Brasileira, depois da goleada de sete a um que levou da Alemanha, e da derrota por três a zero para a Holanda, durante a Copa do Mundo, aumento o volume de críticas à gestão do futebol no Brasil e, em especial, a responsabilidade do governo em relação às políticas desportivas. 
 
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), responsável pela organização dos campeonatos e da Seleção Brasileira, é uma entidade de direito privado, criada através do do Artigo 217 da Constituição Federal que lhe dá autonomia de funcionamento e organização internos. Logo, o governo federal só teria condições de interferir sobre as decisões da CBF alterando a Constituição, destacou Panhoca. 
 
Assista a seguir ao programa Brasilianas.org completo. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=EA7_OQc0sbU width:700 height:394

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7 Comentários
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  1. evandro condé de lima

    7 de agosto de 2014 5:46 pm

    Qual ação governamental?

    eu vou ver o vídeo na esperança de encontrar a resposta para as perguntas: qual ação do governo para cobrar o que se deve, para impedir que se deva, para interromper o processo, etc.. 

  2. evandro condé de lima

    7 de agosto de 2014 6:07 pm

    Oque diz o Zico

    Relacionado ao tema, seria interessante ver (declarações de Zico sobre o que fez CBF escolhendo técnicos e auxiliares):

    http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/2014/08/1496938-para-zico-escolha-de-dunga-e-gilmar-desmoraliza-tecnicos-e-coordenadores.shtml

     

  3. implacavel

    7 de agosto de 2014 7:00 pm

    Pulo do gato

    Até a entrada de Ricardo Teixeira na presidência da CBF, a entidade recebia dinheiro do Governo Federal através da Loteria Esportiva. A grande sacada de R. Teixeira foi se livrar desse dinheiro. A partir deste momento a CBF deixou de ser fiscalizada pelo Governo Federal e se tornou uma entidade autonoma. Com a entrada da Nike (ISL) no mundo do futebol para fazer frente a Adidas, a CBF se tornou altamente lucrativa e passou a gerir o futebol brasileiro como negócio…

  4. Gustavo Soares

    7 de agosto de 2014 7:56 pm

    Precisamos implodir esse sistema e criar algo novo

    Como me interesso bastante pelo tema, fiz um curso de pós-graduação em gestão e marketing esportivo. É incrível como somos amadores na gestão do esporte. Nossos clubes são verdadeiros feudos, dirigidos sem nenhum comprometimento por seus presidentes e sócios, uma vez que o modelo de gestão dos mesmos foi desenhado durante o amadorismo e continua o mesmo que o de 50, 80 anos atrás. Durante o curso, fomos apresentados a gestão de clubes como o Porto e o Benfica. Dá vergonha compará-los com nossos clubes. Em todos os aspectos. Posicionamento de mercado claro, planejamento de médio e longo prazo, gestão moderna de equipes, organograma e profissionais atualizados, gestão de riscos, gestão de capital humano, valorização dos seus recursos, programas de atendimento ao consumidor, entendimento da importância do clube em sua região, programas de renovação de torcedores. Estamos anos luz de tudo isso. Demorou bastante para tudo isso refletir em campo, e agora estamos atrasados nisso também. Fui assistir Porto e Rio Ave no estádio do Dragão em abril e a experiência foi superior em todos os pontos (organização, entretenimento, espetáculo), que os últimos jogos de meu time (no qual o treinador diz que quem quer ver espetáculo deve ir ao teatro… sem saber que é esse tipo de pensamento que mata nosso futebol). Na minha pós, que tinha muitos profissionais de outras áreas, que queriam ir mudar de ramo, vimos que esse meio continua restrito e tem grandes barreiras à entrada de gente bem-intencionada. Precisamos mudar o modelo como um todo. Para isso deveríamos mudar a estrutura, acabando com esse sistema semi-amador, obrigando os clubes a serem organizados como empresas. O tempo romantico ficou para trás. Para não perdermos o bonde da história estas mudanças são mandatórias. Devemos buscar as raízes dos problemas e não apenas continuar resolvendo apenas problemas de perfumaria… aliás coisa que ocorre em muitas áreas nesse nosso Brasil.

  5. Régis Paiva

    8 de agosto de 2014 1:09 am

    Proposta que aumenta a arrecadação

    Há anos tenho defendido uma proposta de aumentar a arrecadação e o interesse pelo futebol, que se aliada a responsabilidade proposta pelo Bom Senso FC, pode ser a peça que faltava no futebol brasileiro – sem falar que aumentaria a geração de empregos no setor:

    Abrir uma licitação onde todos os canais de tv aberta. Abertas as propostas, a vencedora poderá escolher os jogos que irá transmitir, mas terá de avisar com 15/20 dias de antecedência do jogo, podendo escolher os horários dos jogos com a conveniência e aquiescência dos times. A segunda colocada poderá transmitir qualquer outro jogo, desde que não seja o jogo escolhido pela vencedora; a terceira colocada poderá transmitir qualquer jogo que não seja os escolhidos pelas outras duas. E assim sucessivamente. Assim, a Globo poderá transmitir à vontade os jogos do Corinthians e Flamengo, mas cederá espaço e horários para que as outras transmitam o que quiserem e no horário que quiserem. Ou seja, quer os jogos melhores, paga por eles. Ah, os valores partiriam de um mínimo estipulado pela Liga (LIGADE CLUBES PROFISSIONAIS, onde os clubes da primeira divisão teriam 50% dos votos, a segunda 25%, 12,5% para ‘C’ e outro tanto para ‘D’).

    E valeria para os jogos da segunda divisão, mas esta com leilão próprio.

    Um outro detalhe: 50% dos recursos são destinados de forma igualitária entre os clubes. 30% são destinados de forma inversamente proporcional a colocação no último campeonato: o campeão ganha menos. 20% seriam destinados para as séries ‘C’ e ‘D’ (se precisar, um tanto para a ‘B’), cujos campeonatos seria regionalizados. É mais ou menos assim na NFL, mas aqui o ingresso não se dá pelas Universidades, mas pelos formadores nas séries menores. 

    Isso iria aquecer o mercado publicitário, injetaria mais dinheiro nos clubes e fomentaria a base geradora nos mais distantes rincões do país. Imagine que em cada Estado voltaria a ter pelo menos dois clubes de ‘porte’ e um monte de pequenos querendo crescer. Seriam jogadores, massagistas, médicos, nutricionistas, preparadores físicos, serviços de limpeza e manutenção de estádios, praças de alimentação movimentadas. Ah, com mais jogos durante o dia, para economizar os gastos com energia elétrica – e reduzir os custos nos estádios e gerando mais lucros.

    Essa é a minha proposta.

  6. Carioca

    8 de agosto de 2014 2:00 am

    Simples: Os clubes vendem

    Simples: Os clubes vendem seus patrimônios e pagam suas dividas trabalhistas, impostos federais, estaduais e municipais. Sobrou algum ? Comprem um terreno e comecem tudo de novo. Não sobrou? A rapaziada se reune e pega um financiamento como qualquer um que quer começar um negócio.

    O que não pode é colocar um centavo de dinheiro público seja lá de que forma transversa, oblíqua, perpendicular, ou que nome possam arranjar.

     

  7. Frank

    8 de agosto de 2014 1:02 pm

    “Logo, o governo federal só

    “Logo, o governo federal só teria condições de interferir sobre as decisões da CBF alterando a Constituição, destacou Panhoca.”

    ERRADO. Seria bom ter, mas o Governo não precisa do poder constitucional sobre a CBF para fazer as coisas acontecerem. Estão devendo uma enormidade de dinheiro ao Governo? Então, cambada, as regras para ajudarmos vocês a nos pagarem são estas, estas e estas. 

    – Edital publico e aberto para a venda dos direitos de transmissão

    – Tantos porcento de ganho têm que ser investidos na base e em diversos lugares físicos

    – Horário dos jogos não pode passar de tal hora

    – 10% dos jogos, à escolha da liga  têm que ter transmissão aberta na TV Brasil (assim os piores times, menos populares, terão seus  jogos transmitidos gerando renda para eles)

    – …

     

    Do contrário, abram concordata, abram falência ou vendam suas empresas para quem possa as gerir corretamente.

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