5 de junho de 2026

Narrativa liberal ocidental, bloco atlanticista e russofobia, por J. Trefz

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Narrativa liberal ocidental, bloco atlanticista e russofobia

por J. Trefz

Tradução Vila Vudu/Tlaxcala

Hoje, muitos, ou pode-se dizer, a maioria dos leste-europeus acreditam na narrativa liberal ocidental, incansavelmente promovida pelo bloco atlanticista (que quer ‘integrar-se’ com o ‘ocidente’, a saber, com os EUA [1]). É narrativa caracterizada pela ideia de progresso ininterrupto, movido por ‘valores’, na direção de liberdade (liberal) cada vez maior, por um lado; e alimentada, por outro lado, por crescente russofobia – com a Rússia apresentada como antítese suposta autoevidente do que seria o progresso liberal. Narrativas, ideologias e ethos repousam na congruência, que tem de ser implícita, invisível, sem emendas, com os fatos; e num sólido alicerce econômico. Quando algum desses fundamentos começa a rachar, toda a correspondente visão de mundo também começa a ruir. Que características tem o liberalismo ocidental e quais suas ramificações para a Europa Oriental?

 

Na narrativa ocidental liberal, os EUA e seus aliados e vassalos mais próximos são pintados como faróis da liberdade, do progresso e da democracia; e a Rússia, como diametralmente oposta a tudo isso, como fonte de todo o atraso e de todo o mal, na encenação de imaculada moralidade dos Atlanticistas. As falhas, os fracassos e os crimes, dos quais os próprios Atlanticistas são responsáveis, são projetados sobre a Rússia: por exemplo, a incansável (e ilegal) intromissão em assuntos internos de outros países. As falhas da Rússia são amplificadas, e falhas iguais ou até piores dos próprios Atlanticistas são varridas para baixo do tapete. E apagam-se para sempre: Guantánamo, Abu Ghraib, ‘entregas especiais’ de prisioneiros para serem torturados fora dos EUA, revelações de Snowden e Assange, violência policial contra cidadãos, preconceitos e perseguição por motivos de religião ou etnia, julgamentos e execuções sumárias, oligopólios no campo da informação e comunicação, dívidas impagáveis que pesam sobre os jovens recém-formados, apoio ao apartheid israelense, apoio à disseminação global, pelos sauditas, do wahhabismo – para nem falar de apoio a ditaduras como as de Pinochet, Marcos e Suharto. 
Reza a narrativa liberal que os EUA e seu bloco Atlanticista creem, de todo o coração, em direitos humanos, liberdade e democracia. E todos os erros deles e todos os crimes deles, são ‘purgados’ pelo crime ‘dos russos’, que detiveram por algumas horas as militantes do grupo Bucetas em Tumulto (Pussy Riot).

A narrativa dos estados-vítimas do Leste Europeu, escapados da Rússia totalitária para os braços do bloco atlanticista movido a valores democráticos, é longa e bem conhecida. Mas, ante o Brexit, aascensão de Órban e do Partido Lei e Justiça da Polônia, e o fracasso do golpe de Maidan em Kiev orquestrado pelos Atlanticistas ucranianos, que só gerou mais e mais declínio, toda aquela narrativa começa a rachar, numa só e vasta confusão de dissonância cognitiva. E já se veem as fissuras em pelo menos um dos pilares da narrativa de autodefinição e autoafirmação liberal: a congruência com os fatos em campo.

Verdade é que as fissuras não são novas: sempre estiveram lá. O liberalismo clássico foi a ideologia da escravização de negros e índios, do genocídio de povos indígenas em toda a América e das condições de miséria Dickensianas das massas trabalhadoras. 

Os únicos princípios que esses liberais sempre preservaram são os que protegem a liberdade do proprietário para dispor de sua propriedade (inclusive os escravos, “bens semoventes”), sem que nenhum monarca pudesse impor-lhes qualquer restrição: é o direito à ampla, geral e irrestrita acumulação de capital. O voto universal, leis de proteção aos direitos civis e sociais, como educação para todos, assistência à saúde e horário limitado de trabalho são efeito, completamente, da luta dos oprimidos e perseguidos, que se organizam, lutam e muitas vezes morrem na luta de oposição ao liberalismo nu e cru. 

Vez ou outra, regimes liberais, mesmo que sob governo de facção conservadora do liberalismo, instituíram reformas preventivas, para evitar levantes violentos de grupos oprimidos e bem organizados.

No início do século 20, a sociedade industrial ainda engatinhava, e ainda não se conhecia bem o meio mais efetivo de administrá-la – e pode-se até dizer que pouco mudou até hoje. Com os governos liberais obcecados pela mais brutal exploração colonial, a grande depressão, a persistência de condições Dickensianas de miséria e a Grande Guerra inter-imperial (que só passou a ser chamada 1ª Guerra Mundial depois que houve a 2ª Guerra Mundial; antes, era “Grande Guerra”), é realmente difícil decidir qual, entre liberalismo, fascismo ou marxismo-leninismo, teria mais a oferecer, numa lista de custo-benefício. 

Mas uma coisa é clara: graças aos sistemas de exploração mantidos desde o colonialismo (até hoje!) e à enorme riqueza do Novo Mundo, o liberalismo impôs-se contra seus oponentes, em fundos e em recursos. Os EUA, especialmente, beneficiaram-se por ser país temperado, continental, a ser explorado, virgem, com segurança de Estado impecável, cercado de oceanos e vizinhos fracos. Para nem falar aqui da riqueza que os EUA extraíram da exploração neocolonial mediante, por exemplo, a Doutrina Monroe. Graças a tudo isso, os EUA sempre contaram com muito maior quantidade de recursos que a vasta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). E usaram esses recursos para intervir na 2ª Guerra Mundial, depois que ficou suficientemente claro que a aniquilação da URSS pelos exércitos de Hitler, que os EUA tanto esperavam que acontecesse, não aconteceria; e para estabelecer um império liberal na Europa. 

Estabelecer esse império envolveu gastar quantidade vastíssima de dinheiro no Plano Marshall de Ajuda, mas, também, criar instituições, como Bretton Woods, o Banco Internacional de Compensações, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e todas as instituições que adiante viriam a ser a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

Essas instituições, vastas transferências de fundos coloniais e do Novo Mundo (especialmente via o Plano Marshall de Ajuda), petróleo barato e estrutura específica da população permitiram que se estabelecessem generosos estados de bem-estar, necessário para evitar agitação social e o avanço do comunismo. Pela narrativa, instituições liberais sólidas produzem riqueza. Em vez disso, a verdade é que as instituições liberais é que são baseadas em riqueza adquirida numa longa história de capturar mercados e recursos mediante brutal colonialismo , escravidão e genocídio. 

Sociedades ricas seriam capazes de dividir essas vastas riquezas de modos pelos quais as várias elites e as massas ficariam satisfeitas com os pedaços que lhes caberiam respectivamente do bolo, criando um consenso social estável e níveis relativamente baixos de conflito e corrupção. Elas também permitiriam o desenvolvimento de métodos de controle social mais complexos, mais nuançados e mais indivisíveis, particularmente a distração, pelos veículos de comunicação de massa, e o consumismo. A grande vantagem na riqueza também permitiu que a ordem liberal tirasse de jogo o ‘Segundo Mundo”, relativamente mais pobre em recursos.

Apesar de uma elite que se apropriara, para si mesma, de relativamente pouca riqueza, a URSS não tinha recursos suficientes para prover simultaneamente, com facilidade, um consenso social estável, garantir a segurança do Estado e desenhar um regime nuançado e invisível de controle social. Com o fim da URSS, e Rússia tornou-se mais flexível em sua habilidade para abordar tais questões, mas permanece a desvantagem relativa no quesito recursos.

Contudo, mesmo ignorando a retórica do progressos liberal movido a valores, hoje, não é lógico que populações do leste europeu apoiem uma virada na direção do bloco atlanticista liberal, baseada só em haver riqueza disponível. O financiamento pela UE proveu vários estados do leste da Europa com muitas vantagens institucionais e infraestruturais. Mas a submissão ao bloco atlanticista, conduzida, no fundo, pelo velho impulso liberal a favor de explorar a propriedade e acumular capitais, tem seus próprios perigos. Absolutamente a viagem não foi sossegada, para o rico bloco liberal. 

Para manter o crescimento econômico depois da guerra e evitar o perigo real de uma repetição da Grande Depressão, ferrovias e trens foram desmontados e a produção do tempo de guerra foi encaminhada para a indústria automobilística. Desenvolveu-se o consumismo sob várias formas –marketing para tudo, na vida; necessidades artificiais de consumo; obsolescência planejada, técnicas refinadas de propaganda e anúncios, e, sobretudo, o indispensável crédito para que o consumidor… consumisse. Para poder arcar com o bem-estar social e o consumismo, os níveis de endividamento privado e soberano aumentaram sem parar, particularmente depois da crise do petróleo dos anos 70s. 

Entrementes, grande parte da fonte de riqueza real – a produção de mercadorias reais – foi transferida da Europa e dos EUA, para países sem sindicatos organizados de trabalhadores ou leis de proteção ao meio ambiente. Assim, a elite liberal conseguiu negar ao trabalho organizado salários mais altos e melhores condições de trabalho, e só ofereceu aos trabalhadores produtos mais baratos e renda estagnada. Em vez da produção, as dívidas, privada e soberana, tornaram-se alavancas chave do crescimento em sociedades capitalistas avançadas, o que levou inevitavelmente à crise financeira de 2008. A ferramenta usada para dar jeito na crise – imprimir dinheiro em escala massiva – só foi possível porque Nixon, em 1971, abandonou o padrão ouro. Mas nem a impressão massiva de papel-dinheiro produziu qualquer efeito significativo. Há portanto, combinadas com a exaustão global de recursos de hidrocarbonos facilmente acessíveis, todas as razões para crer que se aproxima outra crise, maior que a de 2008. 

Entrementes, o fim da Guerra Fria trouxe o colapso da esquerda organizada no ocidente, fundamente maculada como estava, o que removeu qualquer ameaça de derrubada violenta da ordem liberal, por grupos sociais explorados e oprimidos. 

Assim se abriu o caminho para o desmonte de tudo que os movimentos sociais haviam obtido, e para um retorno gradual às condições Dickensianas do liberalismo clássico, a golpes de muita ‘austeridade’ [é ARROCHO] e neoliberalismo. E afinal começaram a aparecer fissuras num outro dos pilares da narrativa de autodefinição liberal: a base econômica.

A elite liberal Atlanticista insiste em ter controle completo e irrestrito sobre os mercados e todos os recursos que foram da União Soviética, pintando toda e qualquer oposição a essa aspiração como agressão antiliberal ultrajante. A OTAN vive de provocar a Rússia, forçando-a a ações defensivas, que imediatamente o aparelho ‘jornalístico’ ocidental converte em ação de agressão. O ataque de Saakashvili contra a Ossétia do Sul levou a Rússia a ter de derrotar completamente o pequeno país, mas, em vez de ocupar o país, a Rússia escolheu retirar-se das duas repúblicas. 

O ex-secretário de Estado dos EUA, Zbigniew Brzezinski, tinha já preparado planos para criar situação tal na Ucrânia, que a única reação possível para a Rússia levaria a perda considerável. O mundo conhece a gravação em que se ouve Victoria Nuland nomeando Yatseniuk ao cargo de primeiro-ministro da Ucrânia. Não há nem sombra de dúvida quanto ao envolvimento profundo dos Atlanticistas no Maidan. Apesar de Yanukovich ter anunciado eleições na Ucrânia, que a oposição com certeza teria vencido, os autores de extrema-direita, que celebram o genocídio de Volyn, organizaram o tiroteio em plena praça, contra os que protestavam; esse ataque foi atribuído às autoridades, o que abriu caminho para um golpe de Estado, absolutamente inconstitucional, claro. Dois dias adiante, em flagrante violação da lei internacional, as regiões perderam o direito de usar as línguas nativas, nas instituições de governo e na educação. 

O Donbass, falante de russo, levantou-se espontaneamente na defesa de seus direitos. O conflito é extremamente complexo, com elementos de guerra civil entre o leste e o oeste da Ucrânia, que não partilham nem poderiam partilhar a mesma narrativa fundadora; conflito entre elites dentro da Ucrânia e entre facções na Ucrânia e na Rússia; e um forte elemento de geopolítica, descrito na agressiva Doutrina Wolfowitz dos EUA. Esses pretextos, acrescidos de uma referência absolutamente sem sentido ao programa de mísseis do Irã, são usados para fazer escalar agressivamente as forças e sistemas de mísseis da OTAN na direção das fronteiras da Rússia, o que só aumenta o risco de acidente, erro de cálculo ou ação para intencionalmente iniciar um conflito. 

Não há razão pela qual estadistas ocidentais mentalmente sãos, maduros e independentes não possam manter relações amistosas com a Rússia, como faz a Finlândia, desde a guerra. Mas os EUA, mediante ativa manipulação das elites e a promoção de uma ideologia liberal capengante, cuidam para que os leste-europeus mantenham-se o mais russofóbicos possível, contra os próprios interesses deles.

O leste da Europa está preso numa disputa entre duas eventualidades. A primeira é que continuem a deixar-se intoxicar pela narrativa liberal, em troca de continuar a se beneficiar do dinheiro, do prestígio que advém do consenso social e de instituições relativamente firmes, que a vasta riqueza do bloco Atlanticista vangloria-se de poder assegurar. Simultaneamente, têm de participar das provocações da OTAN, até que brote alguma oportunidade para que a OTAN assalte diretamente os mercados da Rússia e os recursos dos russos. Assim se terá inventado uma guerra, na qual o Leste Europeu estará na linha de frente. E também empurrará na direção de um mundo unipolar, sob a hegemonia triunfante de uma elite movida exclusivamente pela ânsia de acumular capital; ou levará ao inverno nuclear globalizado. 

A outra eventualidade é que sobrevenha uma grande crise no bloco capitalista saturado de dívidas e que vive de imprimir papel-dinheiro, antes de esse bloco ter meios e ocasião para subjugar a Rússia – a qual, por sua vez, só faz declarar que deseja cooperar com o ocidente, desde, é claro, que o ocidente retire as tropas da OTAN de onde estão hoje e ofereça garantias de segurança e soberania aos russos. Dado que os recursos não renováveis, especialmente o petróleo e derivados, já foram superexplorados, e que a degradação do meio ambiente vital do planeta já alcança estágios avançados, é mínima a possibilidade de que o mundo se recupere da crise que assim se gerará. 

Esse processo só levará a uma degradação crônica das instituições liberais e da fantasia de que marchariam movidas por valores, rumo a liberdade e progresso sempre maiores. 

A cada momento será mais difícil apresentar o bloco outrora liberal como institucionalmente superior aos estados ‘não liberais’ como a Rússia. Diferentes facções das elites ocidentais entrarão em confronto direto por recursos cada vez mais limitados, o que levará ao conflito, à ineficiência e à corrupção que hoje já se veem em todos os países que nunca se beneficiaram da exploração colonial e da exploração do novo mundo. 

Isso implica que já terá ruído também a terceira coluna que sustentava a narrativa de autodefinição dos liberais: a noção de que aquela narrativa permaneceria para sempre invisível, que jamais seria criticada, que sobreviveria eternamente, como se fosse um fato da natureza. Sem a proteção dessa narrativa ideológica, que terá sido desmascarada e já não servirá de ‘garantia’ para coisa alguma, os leste-europeus perderão afinal a certeza de que a aliança do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, seria garantia de alguma vantagem para eles, no jogo geopolítico.

NTs

[1] Sobre “atlanticistas” na Rússia contemporânea, ver 16/10/2013, “O longo (20 anos!) pas de deux de Rússia e EUA está chegando ao fim?”, Redecastorphoto: “(…) o primeiro grupo viria a ser o que chamo de “Soberanistas Eurasianos”; e os segundos converter-se-iam no que chamo de “Integracionistas Atlanticistas”. Podemos chamá-los de “turma de Putin” e “turma de Medvedev”.

 

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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3 Comentários
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  1. alexis

    20 de julho de 2016 12:13 pm

    Falando claro

    Não adianta apertar o cinto em casa quando o chefe da família está desempregado. Interessa arrumar emprego. O mesmo acontece com empresas de diversos tipos, desde as menores até as gigantes, sejam de produção ou apenas comercialização de produtos ou serviços. Há crise de Clientes. Não adianta enviarem um PhD em economia ou administração para minha empresa, se não houver contratos para executar.

    É impensável que um país com tudo a fazer e, pior ainda, com todos os recursos humanos e naturais na mão, com gente ansiosa para entrar no campo de jogo, fique paralisado assistindo a ajustes financeiros em planilhas globalizadas. Inacreditável fazer menos aço per capita que o Chile, por exemplo, e as mineradoras choram pelo preço que a China paga pelo nosso minério, enquanto compram trilhos, vagões e locomotivas no exterior.

    Existem infinitas possibilidades de atividade, com uso intensivo de mão de obra e utilizando matérias primas exclusivamente brasileiras. O dinheiro seria pago aqui em reais, e gasto aqui, retornando parcialmente em impostos, gerando uma pequena espiral positiva que geraria benefícios ao Brasil. Cada Bolsa Família, cada empréstimo do Plano Safra e cada obra pública reproduz esta espiral. A soma destas faz uma nação.

    Quem conhece o jogo de dados e tabuleiro com propriedades e companhias chamado de “Mercado Imobiliário”? Pois bem, o jogo apenas “anda” por conta de que, a cada volta no tabuleiro o Banco Central entrega dinheiro fresco a cada participante. Sem isso o jogo não funciona. Esse é o “x” do assunto, o dinheiro é colocado nas mãos dos jogadores para investir dentro daquele tabuleiro. Mas, ocorre que coxinha some com ele para Miami.

    O problema principal é quando entra coxinha na jogada que, estrategicamente na cadeia de produção e consumo, capta grande parte desse dinheiro e leva para o exterior, de diversas formas (meninos a Disney, depósitos em paraísos fiscais, corrupção, casa em Miami, e outras) caracterizando parte das perdas internacionais (Brizola). Os pobres vão salvar o Brasil, como diz o Lula, talvez em forma intuitiva. Ocorre que ele tem razão: dinheiro na mão de pobre é garantia de atividade econômica no Brasil. Depois, é seguir o fluxo e coibir coxinha para reinvestir e não tirar esse dinheiro fora. Ah!!, mas ele quer liberdade!!

    Esse é exatamente o maior problema do Brasil, que, por culpa das suas elites alienadas, não consiga reter em casa o fruto do seu suor e produção. China conseguiu criar a espiral de crescimento para dentro de sim mesma. Cuba e Coreia do Norte avançaram na direção que quiseram (embora discutível), sem FMI nem taxa CELIC, mas, principalmente, sem coxinhas sugadores (os “gusanos” cubanos estão todos em Miami, lutando pela “democracia”).

    Ah! Mas isso não constitui “democracia” nem “liberdade”, no padrão ocidental!. Tudo bem, que seja então uma espécie de “serviço cívico-militar” por alguns anos e depois voltamos a jogar o jogo “democrático”, mas com maiores chances de equilibrar, assim como China, que sai gradativamente do comunismo para entrar ao “mercado”.

    O problema do Brasil está na internacionalização conceitual da economia por parte das elites. A solução está na nacionalização dos recursos por parte da população mais pobre, que nasce, vive e morre aqui mesmo, no Brasil. A solução está em casa, em nossas mãos. Aliás, é por isso mesmo que agora querem “escola sem política”, para aumentar a safra de coxinhas.

  2. Ruben Bauer Naveira

    20 de julho de 2016 1:17 pm

    Em marcha rumo à Terceira Guerra Mundial

    Fico feliz por o GGN dar espaço a artigos assim. Já fazem oito anos (desde a guerra da Ossétia em 2008) que a Rússia assumiu que seguiria caminho próprio, independente do (e contra) o ordenamento americano para a totalidade do globo. De lá para cá, Kosovo, Donbass, Criméia, Nagorno-Karabakh, Síria… multiplicam-se como coelhos os focos do conflito EUA-Rússia.

    A resposta americana tem sido pesada, tanto no campo econômico (derrubada dos preços do petróleo, para quebrar a Rússia, afora as sanções como punição pela anexação da Criméia) quanto militar (instalação de mísseis na Romênia e na Polônia, junto às fronteiras da Rússia, supostamente defensivos, mas com capacidade para desfechar o chamado First Strike: a vitória na guerra nuclear pela destruição dos mísseis balísticos russos ainda em solo, antes que possam ser disparados).

    O exemplo mais recente é a proposição pela agência internacional anti-doping do banimento completo da Rússia dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro: demonização total da Rússia no Ocidente, o bem contra o mal.

    Estados Unidos e Rússia caminham para a guerra, que será nuclear. E, ao contrário dos tempos da Guerra Fria, desta vez as populações ocidentais estão sendo deliberadamente mantidas na ignorância quanto a esse desfecho, pelo trabalho sujo da grande mídia (claro, porque do contrário as pessoas se insurgiriam contra o risco de serem exterminadas).

    Venho há tempos traduzindo artigos alertando a esse respeito, o acervo dessas traduções está disponível em minha conta no Twitter @ruben_bauer

  3. Jorge L. Pinto

    20 de julho de 2016 3:15 pm

    Análise “alto

    Análise “alto nivel”.

    Obrigado GGN.

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