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Neymar diz que nunca sofreu racismo porque não é "preto"

Sugerido por gilson as
 
Medo da sua negritude. Neymar diz que não é preto.
 
 
 
O jogador de futebol Neymar, que tá quase entrando na Seleção Brasileira pra Copa, (esse rapaz da foto aí acima), deu uma declaração curiosa numa entrevista. "Já foi vítima de racismo?
 
Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?" 

http://olharbeheca.blogspot.com.br/2010/04/neymar-e-o-racismo.html
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175 comentários

Comentários

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veranis

Com toda a grana que ele tem

Com toda a grana que ele tem pode escolher a raça que quiser. Mas vai continuar sendo mestiço como quase todo mundo no Brasil. Sendo muito rico jamais será lembrado de suas origens africanas, a não ser claro que perca algum gol muito importante na Espanha, ou outro país europeu,  e aí será lembrado disso com alguma banana voando em sua direção.

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carmem alves

neymar

Tao crarinho o mininu.. Praticamente um viking.

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Branco Preto Pardo

Respeita o romário seu perna

Respeita o romário seu perna de pau! O cara cai tanto porque ele nasceu em marte. Como a gravidade é diferente ele ainda está aprendendo a equilibra os 3,711 m/s² de caída (na terra são 9,8 m/s²). O bicho não é preto é um autoflagelo da sua raça.

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LuizOP

Somos brasileiros plurais

Romário afirma que a pessoa escolhe a raça à qual quer pertencer. Ele, por exemplo, ele optou por se ver como negro. É uma forma de ver o mundo. Ao mesmo tempo, as outras pessoas também podem ter uma opinião a respeito do visual de uma dada pessoa. Na minha opinião, Neymar e Romário tem ambos os genes presentes em seu visual: os  genes das raças negra e branca. Significa que a meu ver, eles são ambas as coisas, negros e brancos. Precisa resumir tudo em uma palavra? Mestiço, mulato, moreno, há tantas. Mas prefiro a palavra "plural". Esses dois craques, como a grande maioria de nós, brasileiros, são o resultado de vários genes. E todos nós somos plurais. Talvez essa seja a nossa melhor designação.

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MALANDRO

INOCENTE

Malandro inocente! Jogador de futebol tem que ter carácter por causa das crianças e não so que são seus seguidores. Esse aí é um veneno contra a autoestima e autoaceitação dos povos...

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maria helena iack ximenes

Neymar

certamente não é brasileiro...lastimável negação de raça e origem.

 

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Damiana

Gente, chega a ser engraçado

Gente, chega a ser engraçado ver as pessoas aqui, ao saírem em defesa de Neymar, afirmarem que o mesmo é mulato. Talvez se soubessem a história por trás dessa palavrinha "inocente" que muitos acreditam que apenas designam os frutos do relacionamento entre brancos e negros, não ficariam tão contentes em se autodeclararem mulatos. Em tempos, ser negro ou branco não é uma questão de raça, o que já foi provado cientificamente que no que diz respeito a seres humanos não existe. Ser negro ou branco é uma questão política.

Ocorreu no Brasil, no século XIX.


"O mulato é a descendência de um negro com um branco. Inicialmente fazia menção ao filho ou filha de um africano com um europeu.

Os europeus que viviam no Brasil não queriam que seus filhos e filhas se casassem com africanos ou seus descendentes.

Mulato vem de mula, que é o resultado do cruzamento do jumento com a égua.

As mulas são estéreis, ou seja, não podem ter filhos*.

Com isso, os europeus e brasileiros que aderiram à tal postura estavam dizendo que se um branco se casasse com um negro eles não teriam filhos, logo os pais que permitissem que os filhos descumprissem essa regra seriam condenados a não serem avós."


* Raros foram os casos em que mulas geraram filhos. De 1.527 (data em que os casos começaram a ser arquivados) até os dias de hoje somente 60 mulas geraram filhos.

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Se ele se considera preto,

Se ele se considera preto, branco, amarelo ou verde o problema é dele. Não sei pra q ver polemica nisso. mCada um q se considere como melhor lhe couber e os outros q deixem de querer dizer o q acontece aquem de suas vidas. Até onde sei ele não está atacando ninguem para fazer tal afirmação.

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AIDIL

Neymar

Preto, branco, amarelo ou vermelho são cores.

Raça mesmo é NEGRA.

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Pedro Ales

sério???

Raça só existe uma meu SR. RAÇA HUMANA!!!!!!!!!!!!!!! Não somos cachorros, gatos nem dinossauros... Parece q ninguém estudou isso...

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paulokarmo

Todos são iguais, desde que não sejam negros!

No mundo perfeito seremos todos iguais.

Tá na cara que o legado de uma escravidão e pós escravidão tão mal resolvida gerou a negação das raízes negras nas pessoas. Essa perversidade, cínica , enrustida e hipócrita faz com que milhões de negros, mulatos ou quase brancos rejeitarem suas origens, tendo medo até mesmo de discutir qualquer questão relativa a isso.

Ele faz parte desse contexto, tem um espelho que o mostra branco, nórdico.

Libertar do espírito do "sinhozinho" é o grande desafio brasileiro.

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MARIA NOGUEIRA

Neymar

Antes de ser mulato, Neymar é caiçara. A etnia dele é caiçara. Caiçara se vê como caiçara, e caiçara é tudo igual. E se a caiçarez e o fosfato do peixe lhe deram ginga, ligeireza, inteligência na cabeça e nos pés, que viva ele! Quem esculhamba tem inveja. 

 

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Esqueceram de dizer isso pra eles

http://odia.ig.com.br/esporte/2015-04-26/neymar-teria-sido-alvo-de-racis...

 

Neymar é alvo de racismo na última vitória do Barcelona pelo EspanholSons de macaco foram ouvidos no jogo do último domingo, contra o EspanyolO DIA

Espanha - A novela de jogadores vítimas de racismo na Europa ganhou mais um episódio no último sábado. Desta vez, o alvo dos xingamentos foi Neymar, na vitória por 2 a 0 do Barcelona sobre o Espanyol, pela Liga Espanhola. Um vídeo postado pelo canal de televisão "La Sexta" mostra que, no estádio, torcedores emitiam sons de macaco para o craque brasileiro.

Além de Neymar, Lionel Messi e Luis Suárez também foram alvos das críticas. Enquanto o argentino foi chamado de "anormal", o uruguaio foi xingado de coelho e cachorro, e cenouras foram atiradas no campo em direção ao jogador.

 

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JOEL BARCELLOS

GERAL DO PRECONCEITO

O GRANDE PRECONCEITO NO BRASIL, É ENTRE O MULATO E O NEGRO, TEM UMA QUADRINHA ESCRITA POR UM NEGRO QUE FALA DO MULATO

: " DO PORTUGUÊS BIGODUDO, ELE TEM O RETRATO NA SALA,

NA MÃE A NEGRA QUE O PARIU, NÃO TEM RETRATO NEM FALA"

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psicopata do bem

Negro pros racistas

Ser negeo para os brancos europeus é uma doença, se VC é negro seu filho com um branco será necessariamente negro, afinal VC com sua genética inferior africana de país pobre e dominado contaminou os genes limpos europeus. O q mais me intriga é um bando de mestiços como o Neymar tbm é se revoltarem e criticar uma pessoa por n se considerar negra, o q realmente n é, mas eles mesmos se consideram brancos, só q pela definição européia n são brancos porra nenhuma.

E só corrigindo o babaca pseudo intelectual q afirmou q anemia falsiforme é coisa de negro, anemia falsiforme tem maior incidência entre negros mas acontece em todos os paises com população caucasiana no mundo.

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Raffaella

Claro que ele e preto branco

Claro que ele e preto branco que nao è ne!

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Julianono

Na sombra todos somos negros!

Na sombra todos somos negros! Notícia absurda, e dai que ele não se acha negro! Isso é crime também? Sensacionalismo barato!

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vansan santos

Neymar é ou não é...?

Deve ser por isso que terminou com a Marquesa que o tratava carinhosamente como "meu preto"...!

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vansan santos

Neymar é ou não é...?

Deve ser por isso que terminou com a Marquesa que o tratava carinhosamente como "meu preto"...!

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francisley

TODOS NOS TEMOS DEFEITOS

QUANTA PALHAÇADA JULGAR O COMENTARIO DE NEYMAR ACHO QUE SE FOSSE UMA PESSOA COMUM NÃO SOFRERIA TAL TIPO DE COMENTARIO COMO OS QUE ESTÃO AI ACIMA PASSOU DE NEGRO PQ A PALAVRA PRETO QUANDO DO QUE SE REFERE A ETINIA E PRECONCEITO SIM . NÃO VI MAL ALGUM POIS ELE QUIZ DIZER QUE ERA PARDO E OS PARDOS NÃO SÃO CHAMADOS DE PARDINHOS CERTO? POIS HE INDEPENDENTE DE COR PORQUE A RAÇA HUMANA HE A MESMA NÃO DEVEMOS SUBJULGAR NINGUEM MAS SIM RESPEITAR AS DIFERENÇAS .TOM DE PELE NÃO MOSTRA CARATER E CARATER QUEM TEM SABE ENTNDER O QUE O OUTRO DIZ !!!

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Lucas Dancer

Ele esta certissmo! Ele não é

Ele esta certissmo!

Ele não é preto. Ele é negro é diferente!

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ROSELI ALVES DA SILVA

Boa resposta  

Boa resposta

 

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jaceni

preconceito

Branco tambem ele nao eh. Pelo que entendi ele quis dizer que soh os negros sofrem preconceitos.

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Apanhar por ser negro?

Pra quem disse que negro leva tapa na cara da polícia por sua etnia: dispa-se dos SEUS preconceitos! Grande parte dos policiais são negros. Outra coisa: "ah, negros são mais presos do que brancos", dizem alguns. Não é culpa da justiça, mas um fator socioeconômico e histórico-cultural que deveria ter sido mudado pelos políticos deste país e, ouso dizer, pelos próprios afrodescendentes. Eu, como afrodescendente que sou, não me conformei com a situação e estudei para muda-la. Nós, brasileiros, temos o péssimo hábito de esperar tudo cair do céu ou colocar a culpa nos políticos.

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Albano Fonseca

Não entendi...

Não entendi,  Pai Tomás...

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Albano Fonseca

Não entendi...

Não entendi,  Pai Tomás...

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Albano Fonseca

Não entendi...

Não entendi,  Pai Tomás...

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Barbie

Estudou o quê Rita?

Estudou retórica? Não me parece. Tua fala é contraditória e, para não dizer, senso comum demais. Aprenda a escrever direito o que deseja falar, antes de postar comentários como este. Por favor!

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Kall

Apanhar por ser negro?

Bom... pelo visto, você não entende o que é ser negro em nosso país. Pois, mesmo tendo estudado e alcançado determinado patamar, continua sofrendo preconceito. O problema é que você fecha os olhos e tenta ignorar isso. Seria você uma pessoa negra vivendo em um mundo de brancos onde te toleram e você aceita passivamente a situação? Será que você mesmo não pratica o preconceito se achando melhor que os negros que não conseguiram tal ascenção e os condena chamando-os de preguiçosos, acomodados e auto-vitimados? Você vive em um país racista e fecha os olhos para isso... Como uma pessoa negra deveria se sentir envergonhada.

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Pedro Moraes Trindade

Esse comentário é típico do

Esse comentário é típico do afrodescendente vítima de uma mídia que tem cumprido o seu papel de dividir para alienar ou alienar para dividir. O Neymar, por exemplo, sofre do mesmo problema.

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Relativizemos

Hoje ele certamente já mudou sua forma de pensar. 

Dizem que viajar e viver em outros lugares areja as ideias. Na Espanha eles pensam outra coisa sobre a cor de Neymar. Certamente ele já entendeu isso.

Relativizemos o que dizem nossos antropólogos jogadores de futebol, portanto.

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"Chato: indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele." Millôr Fernandes

ele é cor de canela, jambo,

ele é cor de canela, jambo, sapoti, queimado do sol, sei lá, pode escolher.

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ele é cor de canela, jambo,

ele é cor de canela, jambo, sapoti, queimado do sol, sei lá, pode escolher.

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Digam pra ele que, passou de

Digam pra ele que, passou de branco negro é!

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hadouken

Passou de negro branco

Passou de negro branco é...kkkkkkkkkk

 

 

 

 

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Ser negro no Brasil

Ser negro no Brasil hoje

Milton Santos

Publicado el: 2003-02-12

     

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil...

 

 

 


Ser negro no Brasil hoje 

Ética enviesada da sociedade branca desvia enfrentamento do problema negro 

Milton Santos

http://www.ige.unicamp.br/~lmelgaco/santos.htm

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito. 

500 anos de culpa 

Agora, chega o ano 2000 e a necessidade de celebrar conjuntamente a construção unitária da nação. Então é ao menos preciso renovar o discurso nacional racialista. Moral da história: 500 anos de culpa, 1 ano de desculpa. Mas as desculpas vêm apenas de um ator histórico do jogo do poder, a Igreja Católica! O próprio presidente da República considera-se quitado porque nomeou um bravo general negro para a sua Casa Militar e uma notável mulher negra para a sua Casa Cultural. Ele se esqueceu de que falta nomear todos os negros para a grande Casa Brasileira. Por enquanto, para o ministro da Educação, basta que continuem a frequentar as piores escolas e, para o ministro da Justiça, é suficiente manter reservas negras como se criam reservas indígenas. A questão não é tratada eticamente. Faltam muitas coisas para ultrapassar o palavrório retórico e os gestos cerimoniais e alcançar uma ação política consequente. Ou os negros deverão esperar mais outro século para obter o direito a uma participação plena na vida nacional? Que outras reflexões podem ser feitas, quando se aproxima o aniversário da Abolição da Escravatura, uma dessas datas nas quais os negros brasileiros são autorizados a fazer, de forma pública, mas quase solitária, sua catarse anual? 

Hipocrisia permanente 

No caso do Brasil, a marca predominante é a ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo. Desse modo, toda discussão ou enfrentamento do problema torna-se uma situação escorregadia, sobretudo quando o problema social e moral é substituído por referências ao dicionário. Veja-se o tempo politicamente jogado fora nas discussões semânticas sobre o que é preconceito, discriminação, racismo e quejandos, com os inevitáveis apelos à comparação com os norte-americanos e europeus. Às vezes, até parece que o essencial é fugir à questão verdadeira: ser negro no Brasil o que é? Talvez seja esse um dos traços marcantes dessa problemática: a hipocrisia permanente, resultado de uma ordem racial cuja definição é, desde a base, viciada. Ser negro no Brasil é frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo. Essa ambiguidade marca a convivência cotidiana, influi sobre o debate acadêmico e o discurso individualmente repetido é, também, utilizado por governos, partidos e instituições. Tais refrões cansativos tornam-se irritantes, sobretudo para os que nele se encontram como parte ativa, não apenas como testemunha. Há, sempre, o risco de cair na armadilha da emoção desbragada e não tratar do assunto de maneira adequada e sistêmica. 

Marcas visíveis 

Que fazer? Cremos que a discussão desse problema poderia partir de três dados de base: a corporeidade, a individualidade e a cidadania. A corporeidade implica dados objetivos, ainda que sua interpretação possa ser subjetiva; a individualidade inclui dados subjetivos, ainda que possa ser discutida objetivamente. Com a verdadeira cidadania, cada qual é o igual de todos os outros e a força do indivíduo, seja ele quem for, iguala-se à força do Estado ou de outra qualquer forma de poder: a cidadania define-se teoricamente por franquias políticas, de que se pode efetivamente dispor, acima e além da corporeidade e da individualidade, mas, na prática brasileira, ela se exerce em função da posição relativa de cada um na esfera social. 
Costuma-se dizer que uma diferença entre os Estados Unidos e o Brasil é que lá existe uma linha de cor e aqui não. Em si mesma, essa distinção é pouco mais do que alegórica, pois não podemos aqui inventar essa famosa linha de cor. Mas a verdade é que, no caso brasileiro, o corpo da pessoa também se impõe como uma marca visível e é frequente privilegiar a aparência como condição primeira de objetivação e de julgamento, criando uma linha demarcatória, que identifica e separa, a despeito das pretensões de individualidade e de cidadania do outro. Então, a própria subjetividade e a dos demais esbarram no dado ostensivo da corporeidade cuja avaliação, no entanto, é preconceituosa.
A individualidade é uma conquista demorada e sofrida, formada de heranças e aquisições culturais, de atitudes aprendidas e inventadas e de formas de agir e de reagir, uma construção que, ao mesmo tempo, é social, emocional e intelectual, mas constitui um patrimônio privado, cujo valor intrínseco não muda a avaliação extrínseca, nem a valoração objetiva da pessoa, diante de outro olhar. No Brasil, onde a cidadania é, geralmente, mutilada, o caso dos negros é emblemático. Os interesses cristalizados, que produziram convicções escravocratas arraigadas, mantêm os estereótipos, que não ficam no limite do simbólico, incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Na esfera pública, o corpo acaba por ter um peso maior do que o espírito na formação da socialidade e da sociabilidade. 
Peço desculpas pela deriva autobiográfica. Mas quantas vezes tive, sobretudo neste ano de comemorações, de vigorosamente recusar a participação em atos públicos e programas de mídia ao sentir que o objetivo do produtor de eventos era a utilização do meu corpo como negro -imagem fácil- e não as minhas aquisições intelectuais, após uma vida longa e produtiva. Sem dúvida, o homem é o seu corpo, a sua consciência, a sua socialidade, o que inclui sua cidadania. Mas a conquista, por cada um, da consciência não suprime a realidade social de seu corpo nem lhe amplia a efetividade da cidadania. Talvez seja essa uma das razões pelas quais, no Brasil, o debate sobre os negros é prisioneiro de uma ética enviesada. E esta seria mais uma manifestação da ambiguidade a que já nos referimos, cuja primeira consequência é esvaziar o debate de sua gravidade e de seu conteúdo nacional. 

Olhar enviesado 

Enfrentar a questão seria, então, em primeiro lugar, criar a possibilidade de reequacioná-la diante da opinião, e aqui entra o papel da escola e, também, certamente, muito mais, o papel frequentemente negativo da mídia, conduzida a tudo transformar em "faits-divers", em lugar de aprofundar as análises. A coisa fica pior com a preferência atual pelos chamados temas de comportamento, o que limita, ainda mais, o enfrentamento do tema no seu âmago. E há, também, a displicência deliberada dos governos e partidos, no geral desinteressados do problema, tratado muito mais em termos eleitorais que propriamente em termos políticos. Desse modo, o assunto é empurrado para um amanhã que nunca chega. 
Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida". 
Pode-se dizer, como fazem os que se deliciam com jogos de palavras, que aqui não há racismo (à moda sul-africana ou americana) ou preconceito ou discriminação, mas não se pode esconder que há diferenças sociais e econômicas estruturais e seculares, para as quais não se buscam remédios. A naturalidade com que os responsáveis encaram tais situações é indecente, mas raramente é adjetivada dessa maneira. Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil. 



Artigo escrito por Milton Santos, geógrafo, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP 
Fonte: Folha de S.Paulo - Mais - brasil 501 d.c. - 07 de maio de 2000 http://antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=527

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Como diz Arnaldo

Como diz Arnaldo Antunes: “aqui somos mestiços mulatoscafuzos pardos mamelucos sararáscrilouros guaranisseis e judárabes”

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O Ronaldo fenômeno também deu

O Ronaldo fenômeno também deu uma dessa e levou uma porrada do próprio pai.

A grande maioria dos brasileiros é miscigenada. Aqui há loiros de olhos azuis com anemia falciforme e muitos brancos com gota, doenças típicas de negros ou descendentes deles, que se incomodam de se assumir como afrodescendentes, e sem essa de dizer que somos todos africanos, pois a terminologia é explicita.

Tenho amiga negra, que se casou com italiano e a filha é morena clara, de olhos amendoadas, parecendo mestiça de japonês. Isto deve-se aos vários cruzamentos interraciais. Não é que ela diz que a menina não tem porque se declarar afrodescendente porque é filha de italiano? Minha resposta foi que ela é afrodescendente porque a mãe é negra.

Aliás, a maioria dos mulatos, pardos, sempre que se fala em ancestrais lembra dos avós italianos e jamais dos negros. Assumiram a ideologia branca e introjetaram que ser negro, ou pelo menos descendente desses, é ser inferior.

Onde que o Neymar não é negro? Então vamos criar uma palavra específica para designar os brasileiros já que a grande maioria é miscigenada, mestiça.

Tenho sobrinhos, irmãos de pai e mãe e alguns são brancos (fenótipo), outros mulatos escuros e outros negrões. E daí? Tenho amigas gêmeas onde uma é loira (puxou pra mãe) e outra mulata escura (pai).

Todos os meus sobrinhos e parentes, independentemente da cor que ostentam sabem que são mulatos, mestiços e quando tentam fazer graça levam porrada, mesmo assim é um sacrifício para que eles não discriminem os negros, mulatos, seus iguais, porque acham mais fácil de serem aceitos na sociedade racista.

Já contei aqui e repito. Na questão das cotas raciais para universidades, dois sobrinhos, irmãos do mesmo pai e mesma mãe se autodeclararam afrodescendentes. Prestaram o vestibular e pasmem, aquela que fenotipicamente é branca, cabelos, traços, cor clara, que puxou ao pai, seria contemplada, quando seu irmão, mulato, cabelo mais ondulado, não. Só que ambos abriram mão das cotas. Ou seja, o racismo no Brasil é tamanho que até na questão das cotas, dependendo do /da atendente, contempla-se o de tez mais clara.

 

"A branquitude é um lugar de fala. É um espaço social ocupado por pessoas que cumprem certos requisitos de aparência, mas isso não é muito exclusivo no Brasil. A questão de ser branco é uma função social que dá uma expectativa de autoridade para a pessoa branca e isso se reforça na sociedade." 

Liv Sovik, professora da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ

 

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jayme

mas pros padroes brasileiros

mas pros padroes brasileiros ele nao é negro ..

 

alias, existe negro no brasil ???

conheco muitos morenos e pardos.. 

negros.. nunca ouvi falar.. 

 

chama aquele moreno escuro la.. 

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leandro santos de jesus

eu sou negão, e não gosto de

eu sou negão, e não gosto de ser chamado de mareno ou sei lá o que , sou nego e pronto....................

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Rogério Kanza

42

Eu não acredito nessa história nem um pouco. Toda minha negada é mais clarinho que ele e são todos BLK MNDS (Tipo Chris Brown, Drake, Tyga, entre outros) vocês sabem que isso é mentira e ele não disse nada disso. Na europa quando o racismo quer te pegar, eles não se importam se você é mulato tipo "Chris Brown"ou preto tipo "Akon" eles vêm isso "Coloridos X Brancos". Dica: Assistam "Movie 42". 

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Iris R

     Seria muito bom se todos

     Seria muito bom se todos se ligassem que na verdade somos todos africanos. Todos se ligasem mesmo, principalmente a polícia, o governo e babacas que jogam banana. Mas vai demora, então não me venham com essa "caixa de lapis de cor" (v6 sabem a origem da palavra mulato?), e negócio de democracia racial, que essa mentira é velha.

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mucio

Vc sabe a origem da palavra

Vc sabe a origem da palavra negro? Ela vem de NEKROS que significa que significa sem, cadáver, morte, necrofilia, o que não tem luz própria. Criada pelos racistas no século XVIII, no edito do índio de 1755 o Marques de Pombal dizia que ela deveria ser empregada para referir-se aos PRETOS da costa da África por ser uma palavra infamante e não mais com relação aos índios já que o edito proibia sua escravização e como tal não deveriam ser mais chamados pela INFAMANTE palavra de NEGROS da terra, que era então usada para referir-se a índios escravizados.

Negro palavra que era usada para definir ESCRAVOS em geral de qualquer etnia.

Neymar está corretíssimo, para o brasileiro preto é sinônimo de negro.

Vc não vai querer me dizer que Neymar é de cor preta vai?

 

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Se fosse um estudante de

Se fosse um estudante de etimologia vc estaria reprovado. Cometeu o erro mais comum de quem tenta inferir a origem histórica de uma palavra. Apostou tudo na semelhanço grafico-fonética. Negro vem do latim nigrum, niger, que signica... escuro, a cor negra ou quem tem a pele escura.

A palavra nekrós tem origem grega mas só é utilizada em nossa língua como antepositivo em palavras compostas como necromancia (nekromanteía), necromante (nekrómantis), necrópole (nekrópolis) e necrose (nékrósis) e em cultismo como necrólatra, necrolatria, necrolátrico, necrologia, necrológico, necrológio, necrologista, necrólogo, necromântico, necropatia, necropse, necropsia, necrópsico. 

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alexandre vieira indi

Neymar proferiu uma declracao

Neymar proferiu uma declracao muito infantil nao como um profissional de futebol, ate ao ponto de recuzar que nao e negro, bm nao lembrou da historia do comercio triangular que ligava tres continente!!!??? ou pode ser que ele nao conheceu bm a historia, de onde vem escravos que passavam pelo Brasil i muitos ficavam ali comecaram a gerar filhos, por isso hoje em dia tem uma vasta diversidade de cores de pessoas em Brasil,,, nos da Africa temos uma historia muito semelhante com os povos Brasileiros , vcs sao nossos irmaos como disse Dilma , Neymar nao sabe dos grandes Estrelas Brasileiros que passavam este discriminacao em Espanha!!!????? quer no Real Madrid e Barcelona, mas estas polemicas e mais frequente em Barcelona. tem que solidarizar-se mais com o teu colega da equipa e ser muito atencioso nas entrevistas para nao repetirem actos como essa... opeco um Bom compriensao a todos queridos irmaos Brasileiros se por ventura alguem sentir-se ofendido de forma que tento corrigir erros do Neymar.

 

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Raquel Carneiro

Ele sofre com o racismo dele

Ele sofre com o racismo dele mesmo!

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Tibério César

Mistura de raça

Se um Pit Bull Cruzar com um poodle. Qual a raça do Cão que Nascerá? Depois Esse mesmo cão que nasceu cruzar com Um Aquita(ou outro Qualquer) e gerar um Filhote? Esse Filhote Será Um Pit Bull, um poodle, um aquita ou o que?

Até onde eu sei, ele será mestiço!

 

(Detalhe: Os Brancos, também são descendentes de negros.) 

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Jade Amorim

Exato! Será que não é racismo

Exato! Será que não é racismo também classificar as pessoas mestiças de negras somente porque não têm a pele branca da cor de leite? Afinal, elas têm tanto uma como outra origem e características. Neymar de fato não é preto. Ele é moreno. A mãe dele se aproximaria mais de uma branca e o próprio pai é mulato (branco+negro). Então, por que Neymar é negro? Porque tem alguma origem ou alguns traços negróides (sendo que também tem características caucasianas)? Então podemos chama-lo da mesma forma de branco, não? Se não, por que não? Pra ser branco tem que ser puro, pra ser negro, basta não ser totalmente branco? É claro que Neymar errou ao negar que pudesse ser vítima do racismo, pois os racistas pensam justamente dessa forma: separam e discriminam as pessoas em raças de acordo com um purismo de aparência, uma burrice seletiva que escolhe apenas o superficial para etiquetar as pessoas e as coisas. Por fim, Neymar não é preto, nem branco. Ele é mestiço. Ele é brasileiro. Ponto.

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Alana

O negro brasileiro não aceita

O negro brasileiro não aceita ser negro, aliás tem vergonha de ser negro, o Neymar é negro sim, ele é branco por um acaso??Para a menina q postou q a família do pai é negra e da mãe é branca, vc é negra sim querida, ou parda, não adianta negarmos nossas origens.

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Laruska1976

Não estará você a negar a

Não estará você a negar a origem branca da menina??

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