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O martírio da jovem Nilda Carvalho Cunha, 17 anos, nos porões da ditadura

PODERIA TER SIDO SUA FILHA, SUA IRMÃ, SUA NAMORADA...

Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar o guerrilheiro Carlos Lamarca e seu grupo.

Nilda foi liberada no início de novembro do mesmo ano, profundamente debilitada em consequência das torturas sofridas. Morreu em 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Ela tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária na época em que passou a militar no MR-8 e a viver com Jaileno Sampaio.

[...] um pouco do que Nilda contou de sua prisão:

 

– Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. – Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada [...]. Dos que foram presos no apartamento do edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. – Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle. Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pôde abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio. No início de novembro, decidem libertá-la. [...] Na saída, descendo as escadas, ela grita: – Minha mãe, me segure que estou ficando cega. Foi levada num táxi, chorando, sentindo-se sufocada, não conseguia respirar. Daí para a frente foi perdendo o equilíbrio: depressões constantes, cegueiras repentinas, às vezes um riso desesperado, o olhar perdido. Não dormia, tinha medo de morrer dormindo, chorava e desmaiava. – Eles me acabaram, repetia sempre [...].

 

Em 4 de novembro, Nilda foi internada na clínica Amepe, em Salvador [...] No mesmo dia, os enfermeiros tentaram evitar a entrada do major Nilton de Albuquerque Cerqueira em seu quarto de hospital, mas não conseguiram. Na presença da mãe, ele ameaçou Nilda, disse que parasse com suas frescuras, senão voltaria para o lugar que sabia bem qual era. O estado de Nilda se agravou, e ela foi transferida para o sanatório Bahia, onde faleceu, em 14 de novembro. No seu prontuário, constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: “edema cerebral a esclarecer”.

(Trecho do livro Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo feminino Tatiana Merlino – São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.)

Nilda não foi violentada apenas por seus torturados. Foi violentada pelos donos dos meios de comunicação que apoiaram e sustentaram o regime militar. Foi violentada também por todos aqueles empresários e políticos reacionários que financiaram a repressão e lucraram com seu sangue, com suas lágrimas e com sua dor.

Nilda poderia ter sido uma adolescente comum, feliz, cheia de sonhos. Mas a ganância, o egoísmo e a brutalidade de uma elite privilegiada e sem compromisso com nosso país, deram esse trágico fim a sua vida. Esta elite jogou milhares de jovens na clandestinidade, os torturou e os matou.

Nilda ainda vive em cada um de nós, que acreditamos e lutamos pelos direitos humanos, pela vida, pela justiça e pela igualdade social. Mas ela continua sendo torturada nos dias de hoje. Ela está sendo torturada pela mídia que é contra os julgamentos dos criminosos da ditadura militar. E ela continuará sendo torturada enquanto políticos e empresários que apoiaram esse regime bárbaro continuarem livres. Ela foi torturada pelos atuais ministros do Supremo Tribunal Federal que recusaram o pedido de condenação dos praticantes de violações contra os direitos humanos nos porões do exército.

Não deixe que aqueles que tentaram apagar Nilda da História tenham êxito. Nosso país somente terá democracia plena quando acertar as contas com seu passado. Apóie a Comissão da Verdade e Reconciliação que irá julgar os crimes praticados pelos órgãos de repressão do regime militar. Crimes contra a humanidade não prescrevem!

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Raffaele Amazonas Novellino

A Democracia é justa?

A maioria dos militares brasileiros até conseguiu entender e assimilar o Estado de Direito estabelecido com a nossa Constitição de 1988.

Porém a direita feudal - que apoiou sem vergonha a ditadura iniciada dia 1o de abril de 1964 - nunca aceitou perder a hegemonia política que sempre lhe deu a sustentação econômica, pois jamais teve qualquer compromisso com a composição de um país pleno de justiça social, no qual a morte pela fome ou pela total ausência de assistência médica fosse apenas um registro na história.

A ação dessa direita feudal começou provocando o aborto do enorme movimento das Diretas, JÁ!

Desde então sempre impôs ao país um processo político que não altere o seu modo de enriquecer, em detrimento das outras pessoas que vão ficando cada vez mais pobres.

Esse tipo de "democracia" é barbaramente injusta!!

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que falem e condenem a

que falem e condenem a ditadura cubana com seus mortos e torturados

se nao fazem isso nao passem de um bando de abutres que usam historia da tragedia de um ser humano para destilar hipocrisia e mentiras

quantas Nildas ja nao houve , há e havera em Cuba?

 

se apoiam Cuba NAO TEM MORAL para falar um A de nada relativo a nossa ditadura!

simples assim...

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leonidas

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Marcelo de Sousa Nascimento

Leo é da turma do Brilhante Ustra

Entendi Leo sua preocupação com Cuba, cara o problema aconteceu no Brasil, ve se se manca troll

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Thaise Cunha

Nilda

Muito triste crescer escutando de minha família que não pude conhecer minha tia Nilda. O pior é ver o sofrimento da minha mãe logo depois que encontrou minha Vó enforcada em casa. Essa dor nunca vai passar...

 

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Tuany oliveira

Mulheres contra a Ditadura

Boa Tarde, Thaise!

Sou estudante de jornalismo e pretendo me aprofundar para conclusão do meu curso, sobre as mulher na ditadura militar, com o lugar de destaque que elas merecem e não somente como coadjuvantes, como me muitos momentos foram colocadas. Como parente de alguém que teve uma participação ativa no movimento contra a ditadura, será que podemos conversar?!  Segue meu e-mail para contato/ [email protected] grata pela atenção.

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Me lembrei de Frei Tito

Frei Tito teve os mesmos sintomas que Nilda,

http://www.adital.com.br/freitito/por/irmao_relatos_torturado.html

Um post aqui no blog sobre Frei Tito

http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/10-de-agosto-de-1974-morria-frei-tito-de-alencar

Há um flme, o Batismo de Sangue,..,,,

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tiao

E este filho da puta do

E este filho da puta do Cerqueira ainda está vivo ?

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semião

O general Nilton Cerqueira

O general Nilton Cerqueira vive tranquilo, com a família, no Rio de Janeiro.

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ailton c leite

Isenção aos torturadores

Nos governos SARNEY e FHC, fizeram vários "arrumados" para isentar os toturadores de possiveis punições.

Foram anistiados!!!!!!

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aliancaliberal

Quem vê o proselitismo

Quem vê o proselitismo esquerdista pensa que faziam parte da resistência francesa contra a invasão nazista, sendo que na realidade, eles (a esquerda) eram os nazistas derrotados antes do golpe do nazismo, tentando retomar o poder com uma guerrilha.

Quem não conhece a esquerda pode comprar esta mentira.

Desde a tentativa frustrada de tomar o poder pela força a chamada intentona comunista que as forças armadas estavam prontos para tirar este encosto(comunistas) do país.

Agora vamos passar a mão por cima do MR8 e usart  a inversão de causa e efeito para inocentar .

O MR 8 nunca lutou pela democracia assim como a intentona queriam implantar uma ditadura socialista no Brasil.

Fidel recebe um grupo de funcionários vindos do Brasil, também conhecidos como exilados...

 

 

 

 

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josé lima

Quem vê o proselitismo...

Você se imagina alguém que respeita a liberdade de opinião?

Que aceita padrões de pensamento ou de comportamento diversos dos seus?

Que respeita a liberdade de uma pessoa ou de um grupo ser e/ou agir de forma diversa da que você é, ou age?

Tais indagações advêm do fato de ser este um dos perfis de um indivíduo liberal.

Ao reverso, tudo o que exprime ou professa, credenciam-no, inexoravelmente, a ser visto sob a forma de um indivíduo conservador, moralista e retrógrado.

Mude o seu cognome!

Melhor seria: aliança vetusta, ou, aliança do mofo!

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JP

O pior

O pior é que era exatamente isso. Luta de idealistas contra o facismo. O pior é que entre os mais aguerridos combatentes da ocupação nazista estavam os comunistas - que, pouco antes, não queriam problema com a alemanha nazista por recomenação do Comintern. Entretanto, quando foi dada a ordem para o combate sem tréguas aos ocupantes nazistas, estavam em geral na linha de frente e não frequentando cafés parisienses lamentando entre um gole ou outro a ocupação. Mas não julguem a defesa da atrocidade, da bestialidade humana, da covardia extrema com uma maneira de pensar a sociedade. Acreditem, há liberais do bem. Chega a ser patética a forma como alguns autodenominados liberais se identificam com a atrocidade. Atrocidade humana. Haverá sempre os que a justificam, em todo lugar, sempre. No multifacetado espectro de personalidades humanas, sempre haverá os que justificam a atrocidade humana. Por mais bestial que ela seja. Sempre haverá quem defenda o ato mais covarde e vil. E isso não tem nada a ver com liberalismo, comunismo, socialismo ou qualquer opção ideológica. Mas, meu amigos, não confundam o preceitos do liberalismo, sua defesa de um estado menos opressor, mais eficiente com, mais uma vez, a defesa da bestialidade humana. Não aceitem provacações.

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Que coisa, heim, esse bando de "comunistas" do Madureira

 Há 50 anos, Madureira fazia visita inédita a Cuba e tirava foto com Che GuevaraEm 1963, Che Guevara recepcionou o time do Madureira em CubaEm 1963, Che Guevara recepcionou o time do Madureira em Cuba Foto: Arquivo pessoalRafael Oliveira 

Em maio de 1963, Cuba vivia um momento conturbado. Um ano antes, os Estados Unidos haviam decretado o embargo comercial que até hoje perdura. O Ocidente capitalista virara as costas para a ilha comunista. Menos o time do Madureira, que no dia 11 desembarcou por lá e se tornou o primeiro clube de futebol a pisar no país após a revolução de 1959.

A aventura caribenha teve escalas na Venezuela, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México e El Salvador. Na ilha de Fidel, foram cinco jogos e cinco vitórias contra o Industriales (o campeão nacional), a seleção de Havana e combinados locais formados até por universitários. O último amistoso teve direito a encontro com o líder revolucionário Ernesto Che Guevara.

— Era uma simpatia. Os jogadores gostavam dele “pra burro” — disse Carlinhos Maracanã, presidente do clube na época.

 

Ex-presidente do Madureira, Carlinhos Maracana relembra encontro do time com Che GuevaraEx-presidente do Madureira, Carlinhos Maracana relembra encontro do time com Che Guevara Foto: Rafael Oliveira

 

Além de fotos com o Che, os jogadores trouxeram histórias. Foram assediados por moradores dispostos a comprar suas roupas, já que muitos produtos não eram vendidos por lá. Ficaram hospedados em hotéis com gravadores escondidos pelo governo local. Antes de deixar o Brasil, o técnico Samuel Lopes reuniu o grupo para passar recomendações. Entre elas, não falar sobre política.

O Madureira tinha relações estreitas com o samba e com o jogo do bicho através de Natal da Portela, então diretor de futebol, e de Carlinhos Maracanã. Com o comunismo, jamais. Mas negócios são negócios. E quando o governo cubano quis trazer um time estrangeiro, o clube não pensou duas vezes.

— Para o Madureira, era importante aquela excursão. Em Cuba, quem financiou foi o próprio governo socialista — contou o historiador Ronaldo Luiz-Martins, que irá escrever um livro sobre o centenário do clube, em 2014.

 

Che Guevara recebeu a bola das mãos do empresário Zé da GamaChe Guevara recebeu a bola das mãos do empresário Zé da Gama Foto: Arquivo pessoal

 

O responsável pela excursão foi o ex-presidente José da Gama. Com o mundo querendo ver de perto o futebol campeão em 1958 e 1962, ele negociou viagens de diversas equipes pelo planeta. O próprio Madureira já havia feito, em 1961, uma volta ao mundo de 144 dias que até hoje é recorde de permanência de um clube fora do Brasil.

— Ele (José da Gama) já tinha uma visão empresarial naquela época. Via mercado onde muita gente não via — disse Ronaldo.

Cinquenta anos depois, o clube guarda escassos registros dessa aventura. Dos jogadores ainda vivos, muito pouco se sabe. Mas a lembrança está lá, como diria o próprio Che, sem perder a ternura.

Um ano depois, grupo foi retido na China

Cuba não foi a única experiência comunista do Madureira. Em 1964, o time fez nova viagem pioneira. Desta vez, à China de Mao Tsé Tung. Detalhe: o Brasil já vivia sob ditadura militar, e a excursão foi feita sem a autorização da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, a CBF da época), que não liberava os clubes para jogar em território chinês.

— A viagem à China não estava programada. No meio da excursão, o Zé da Gama surgiu com essa novidade que pegou todo mundo de surpresa — lembrou o radialista Deni Menezes, que acompanhou a delegação.

 

O time do Madureira é recepcionado na China pelo vice-primeiro-ministro, em excursão de 1964.O time do Madureira é recepcionado na China pelo vice-primeiro-ministro, em excursão de 1964. Foto: Arquivo pessoal

 

Como o chefe da delegação, Jayme Teixeira, era militar, a excursão não criou nenhum mal-estar. Problema mesmo, só do outro lado do planeta:

— Justamente quando os jogadores estavam para retornar, 12 chineses foram presos no Brasil. Como retaliação, o governo chinês proibiu a delegação de deixar o país. E isso durou dez dias — contou Carlinhos Maracanã, que hoje lembra da história com bom humor. — Mas eles não ficaram presos. Foi só um susto.

 

Em 2014, comemoração do centenário

 

O cinquentenário da ida a Cuba acabou passando em branco no Madureira. Uma camisa comemorativa com a famosa foto do rosto de Che Guevara chegou a ser cogitada. Mas já não deve mais sair do papel. No entanto, outra data mais marcante não será esquecida: o centenário. Embora o clube tenha surgido nos moldes atuais em 1971, o ano de fundação adotado (1914) é o do Fidalgo Madureira Atlético Clube, embrião do Tricolor.

O time irá jogar em 2014 com um uniforme especial, idêntico ao primeiro usado pelo clube, que ao invés do grená atual usava o lilás. Embora ainda não haja uma data de lançamento definida, a promessa é de que a camisa seja usada no Estadual.

A diretoria contratou ainda os serviços de Ronaldo Luiz-Martins, historiador especialista em subúrbio do Rio, para se debruçar nos arquivos do clube e escrever o livro dos 100 anos, também ainda sem data para ser lançado.

Fonte: Extra

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MacCain

História horrível. Desgraça

História horrível. Desgraça de País!

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Silvio Luiz Morais

Conivência do STF

Crimes contra a humanidade não prescrevem. Será que o STF  sabe disso? A tortura de hoje é filha dos descalabros da ditadura. Até quando o Ministério Público também vai compartillhar com a conivência do STF com a ditadura?

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Tortura Nunca mais!

Chora a nossa Pátria, Mãe Gentil, choram Marias e Clarisses no solo do Brasil!

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"Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e plantas roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema e viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir". Cora Coralina

Esse é só um testemunho.

Esse é só um testemunho. Existem vários sobre as barbaridades cometidas por insanos covardes. Alguns ainda flanando por aí e fazendo pouco de suas vítimas. Uns vagabundos que noutras pairagens, como na Argentina, estariam amargando a prisão e o desprezo da população.

Revolta-me ouvir e assistir mentecaptos fazendo loas à ditaduras sanguinárias e, não satisfeitos, zombando das vítimas, a exemplo desse execrável Jair Bolsonaro que, se idade tivesse à época, decerto seria um dos torturadores que supliciaram seres humanos indefesos e frágeis como essa menina tema do post.

Brasil NUNCA MAIS, deve ser sempre o nosso lema. Nunca mais ditaduras. Seja por qual motivo for. 

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aliancaliberal

"Nunca mais ditaduras"

"Nunca mais ditaduras" depende qual não é.

Se for a Cubana, a Bolivariana, tem apoio amplo e irrestrito de vcs.

Moral relativa.

 

 

 

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Aristeu Alves Lima

ditadura

E os que "lutaram" contra a ditadura depois que chegaram ao poder fizeram o quê?

Tancredo - Sarney só conta na conta de Tancredo, o conciliador - Fernando Henrique, o principe socialista - Lula, o homem do povo -Dimla, a torturada. 

 

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E quantas outras histórias

E quantas outras histórias não temos assim??  Já passou da hora de condenar esses barbaros.....sádicos...bandidos fardados.  Que coisa horrível...terrorismo psicológico.....como pode uma coisa dessas ficar impune??  Esses torturadores eram verdadeiros psicopatas......como pode  fazer uma coisa dessas com pessoas, jovens,  com uma vida inteira pela frente??  Não há nada no mundo que explique um comportamento desses...nada!!

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Não há nada no mundo

Existe uma única explicação possível. A luta pelo poder a qualquer preço.

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Há muitas histórias sim

A torutura toda e qualquer ela é inaceitável mas me comove muito saber que estas mulheres passaram por isso:


Os testemunhos das mulheres que ousaram combater a Ditadura Militar, por Mariana Sanches, na Marie Clarie

A Comissão Nacional da Verdade, criada para elucidar crimes cometidos durante o período acaba de completar um ano. Antes de seu encerramento em 2014, tem como uma de suas principais missões contar o que sofreram as mulheres que foram contra o regime. São brasileiras hoje na faixa do 60 anos, como as ouvidas por Marie Claire: vítimas de estupros, choques nos mamilos, ameaças aos filhos, abortos... FABIO BRAGA E TADEU BRUNELLI)DA ESQ. PARA A DIR.: AMÉLIA TELES, ANA MARIA ARATANGY E CRIMÉIA DE ALMEIDA (FOTO: FABIO BRAGA E TADEU BRUNELLI)

Em pé sobre uma cadeira, nua, encapuzada e enrolada em fios, Ana Mércia Silva Roberts, então com 24 anos, esforçava-se para manter os braços abertos, sustentando uma folha de papel presa entre os dedos de cada mão. Ela estava naquela posição havia horas. A cada vez que o cansaço lhe fazia baixar minimamente os braços, um choque elétrico percorria todo seu corpo. E as gargalhadas preenchiam a pequena sala. Eram vários homens, talvez oito, talvez dez. Cada um com um rosto, uma história, uma vida. “Um dos meus torturadores poderia ser meu avô, um senhor de gravata-borboleta para quem eu daria lugar no ônibus; o outro era um loiro com chapéu de caubói. Havia um homem com jeito de pai compreensivo que chegou a me dar um chocolate, e um jovem bonito com longos cabelos escuros, que andava de peito nu, ostentando um crucifixo, de codinome Jesus Cristo”, afirma.

SAIBA MAIS

O rosto desses algozes, integrantes da repressão militar, e as cenas do dia em que teve de ser estátua viva perante eles são parte das lembranças que Ana Mércia, hoje 66, guarda de quase três meses de prisão noDOI-Codi e no Dops, dois centros paulistanos de tortura e prisão de oposicionistas ao regime militar, instaurado sete anos antes. Integrante do Partido Operário Comunista, ela esteve nos porões da ditadura em 1971, mesma época em que o País vivia a prosperidade do“milagre econômico” e o ufanismo alimentado pela conquista da Copa de 70 e por slogans como “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Nos meses em que ficou encarcerada, seu corpo e mente foram massacrados de diversas formas. Mas não é ao descrevê-las que seus olhos ficam marejados. “Estranhamente, eu não me lembro de quase nada daquelas semanas, meses. Fiz terapia, mas não consigo recuperar esses trechos da minha vida. O que mais me dói é isso. Vários pedaços de mim e da minha existência não me pertencem, ficaram com eles (os militares)”. Ana Mércia é uma mulher com pouca memória das torturas daqueles porões. E é também uma metáfora do próprio Brasil, que segue desmemoriado das histórias do regime militar (1964 a 1985) quase 30 anos depois do fim da ditadura. A diferença entre Ana Mércia e o Brasil é que ao País foi dada a chance de recuperar e registrar os detalhes de sua história. É essa a missão da Comissão Nacional da Verdade, criada pela presidenta Dilma Rousseff (ela mesma vítima de torturas do Estado) e que tornou acessíveis uma série de papéis até então secretos. Desde maio de 2012, 19 milhões de páginas de documentos foram retirados de seus arquivos e estão em análise, e cerca de 350 pessoas foram ouvidas. É um movimento delicado e, para muitos, atrasado. Até então, o Brasil já havia debatido por anos como lidar com a violência da época.

 Gonçaves (CPDOCJB))INTEGRANTES DO GRUPO "TEATRO EM GREVE CONTRA A CENSURA" PROTESTAM NO RIO DE JANEIRO EM FEVEREIRO DE 1968 (FOTO: GONÇAVES (CPDOCJB))

A Ordem dos Advogados do Brasil chegou a pedir, em 2008, a revisão da Lei da Anistia, que perdoava todos os “crimes políticos” e beneficiava também torturadores, mas teve o pedido negado pela Justiça. Da sua parte, grupos militares se opunham à quebra de sigilo e à própria Comissão por temer uma caça às bruxas. Foi depois de muito diálogo que se chegou à fórmula de um grupo de trabalho com ênfase na transparência: a Comissão da Verdade pode acessar qualquer documento que considerar importante e tem o poder de convocar pessoas para depor, mas não de julgá-las. Do primeiro ano de trabalho, emergiram as conclusões de que a tortura começou em 1964, pouco depois do golpe, e ocorreu em pelo menos sete estados diferentes. Nesse pouco tempo, o Estado brasileiro admitiu que os assassinatos do deputado Rubens Paiva e do jornalista Vladimir Herzog foram obra de seus agentes, e descortinou o recrutamento e o extermínio de tribos indígenas da Amazônia pelos militares.

SAIBA MAIS

Tudo isso dá contornos mais nítidos à história recente do País, mas o grupo ainda tem muito a contar até dezembro de 2014, quando os trabalhos serão encerrados. Uma das principais incumbências da Comissão é esclarecer a participação das mulheres na resistência à ditadura e as torturas a que foram submetidas. “Acreditamos que as mulheres sofreram violências específicas, sexuais, motivadas também por machismo, que buscavam destruir a feminilidade e a maternidade delas”, afirma Glenda Mezarobba, uma das coordenadoras do grupo Ditadura e Gênero, que investiga o assunto na Comissão da Verdade. Os trabalhos ainda não possuem conclusões definitivas, mas há fortes indícios do que pode ter acontecido às brasileiras durante as duas décadas de regime militar. “Hoje, trabalhamos com um número de 500 mortos pela ditadura, 50 deles seriam mulheres. Mas sabemos que os dois números estão subestimados”, afirma Glenda, empenhada em refazer a estatística.

 Acervo Memorial da Resistência de São Paulo)CENA COMUM EM 1968: A CAVALARIA DS POLÍCIA MILITAR TOMA A AVENIDA SÃO JOÃO, NO CENTRO DE SÃO PAULO (FOTO: ACERVO MEMORIAL DA RESISTÊNCIA DE SÃO PAULO)

A quantidade de processos reclamando anistia sugere que esse número é muito maior. Desde 2001, o Ministério da Justiça recebe pedidos de indenização de brasileiros que, de alguma maneira, tiveram a vida marcada pelo regime militar. São parentes e vítimas de violência ou pessoas que, por motivo exclusivamente político, ficaram impedidas de trabalhar. Hoje, o órgão contabiliza mais de 73 mil pedidos. Mais de 40 mil já foram aceitos. As mulheres foram fundamentais no combate ao regime em todas as suas fases. Seu engajamento nos movimentos pela anistia dos presos políticos, que muitas vezes culminaram com passeatas exclusivamente femininas, são a parte mais conhecida dessa militância. Mas, nas organizações de esquerda Ditadura, elas também foram importantes.Guardavam armas e abrigavam militantes (aliás eram preferidas para essa função, pois levantavam menos suspeitas), traduziam jornais comunistas estrangeiros, participavam das aulas de doutrinas ideológicas, da elaboração dos planos de assaltos e sequestros, tinham aulas de tiro e muitas foram a Cuba fazer curso de guerrilha. Nas organizações clandestinas, chegaram a dirigentes.

SAIBA MAIS

“Era preciso que houvesse uma mulher em cada esconderijo, para manter a aparência de uma casa normal”, afirma Glenda. Elas também agregavam uma faceta afetiva e familiar às organizações, muitas foram mães na clandestinidade ou na cadeia. Na descrição feita pela psicóloga argentina, naturalizada brasileira, Maria Cristina Ocariz, a mulher militante parece a expressão viva da frase do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara: “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. “Elas tinham a mesma garra que os homens. Perdiam companheiros, assassinados pelo regime, e ainda assim seguiam na luta, não por frieza, mas por convicção ideológica de poder construir um mundo melhor para seus filhos.” Cristina, que hoje coordena a Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo, um serviço que oferece espaço para reparação psicológica aos afetados por ditaduras, fez parte da resistência aos militares argentinos antes de se exilar no Brasil. Na juventude, na década de 70, ela deixava seu bebê de 1 mês nos braços da mãe, em Buenos Aires, ia a manifestações e corria para casa a tempo de amamentar seu filho. Quando eram presas, as mulheres tinham pela frente não apenas a tortura, mas também o sexismo e a violência sexual. “É claro que ser mulher fazia diferença. Porque ainda que os homens torturados também tivessem de ficar nus, eles tiravam as roupas na frente de outros homens. A mulher ficava nua diante dos olhos cobiçosos e jocosos daqueles homens, essa era a primeira violência”, afirmaTatiana Merlino, organizadora do livro "Luta, Substantivo Feminino", publicado em 2010 pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que descreve o assassinato de 45 mulheres militantes.

 Material Brasil Nunca Mais do Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp)MANIFESTAÇÃO DE MULHERES CONTRA A VISITA DO ATIRADOR ARGENTINO JORGE VIDELA A SÃO PAULO, EM 1980 (FOTO: MATERIAL BRASIL NUNCA MAIS DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH/UNICAMP)

NUDEZ E TORTURA
“A primeira coisa que eles fizeram quando entrei na sala de depoimento foi me mandar tirar a roupa, eu já fiquei apavorada”, afirma Ana Maria Aratangy, de 66 anos. “Eu não esperava por aquilo. Eu mesma fui tirando a roupa, achei que era melhor do que deixá-los arrancar. Acho que foi pior do que as torturas que vieram depois”. Ana Maria era membro do Partido Operário Comunista quando foi presa, aos 24 anos, e estava grávida de algumas semanas, mas não sabia. Estudante do sexto ano de medicina, ela afirma que sua militância era tímida:guardava duas armas em casa e tinha leituras consideradas
subversivas.
 Nem sequer conhecia os líderes do POC. Até por isso, não teve muito a dizer quando vieram os choques nos mamilos e os tapas no rosto. Tampouco pôde conter os gritos. Enquanto gritava, sua mãe, que havia sido presa junto com ela, ouvia da sala ao lado. Ana Maria só saiu da prisão aos cinco meses de gestação. Sua filha, hoje, tem 41 anos.

SAIBA MAIS

“Depois de nos colocarem nuas, eles comentavam a gordura ou a magreza dos nossos corpos. Zombavam da menstruação e do leite materno. Diziam ‘você é puta mesmo, vagabunda’”, afirma Ana Mércia. As violências que seguiam incluíam, em geral, choques nas genitálias, palmatórias no rosto, sessões de espancamento no pau de arara, afogamentos ou torturas na cadeira do dragão, cujo assento era uma placa de metal que dava descargas elétricas no corpo amarrado do prisioneiro. Mas com as mulheres era diferente. “Havia uma voracidade do torturador sobre o corpo da torturada”, afirma a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes, cuja tese de doutorado sobre tortura no Brasil será publicada este ano. “O corpo nu da mulher desencadeia reações no torturador, que quer fazer desse corpo um objeto de prazer.”

 Almir Veiga (CPDOCJB))PASSEATA DE MULHERES NO LARGO CARIOCA À CINELÂNDIA, NO RIO DE JANEIRO EM 1983 (FOTO: ALMIR VEIGA (CPDOCJB))

Foi exatamente o que viveu Ieda Seixas, de 65 anos. Aos 23, ela foi presa por causa da militância do pai, operário. Demorou muito tempo para ser capaz de relatar o que passou. E, quase 40 anos depois, não consegue conter as lágrimas ao descrever: “Levaram-me para um banheiro durante a noite, no DOI-Codi, eram uns dez homens. Fiquei sentada em um banco com dois deles me comprimindo, um de cada lado. Na minha frente, em uma cadeira, sentou um cara que chamavam de Bucéfalo. Ele me dava muito tapa na cara, a minha cabeça virava de um lado para o outro, mas eu nem sentia, porque um dos homens que estava sentado ao meu lado não parava de passar a mão em mim, colocou os dedos em todos os meus orifícios. Era tão terrível que eu pedia: ‘Coloquem-me no pau de arara’. Mas aquele homem dizia: ‘Não, gente. Não precisa levar essa aqui para o pau de arara. Comigo ela vai gozar e vai falar’.

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Todos riam. Naquela noite, se eu tivesse tido meios, teria tentado me matar.” O suicídio pode ter sido o destino de outras mulheres que não conseguiram suportaram a violência sexual. Segundo Luci Buff, da Comissão da Verdade, começam a aparecer informações de que até mesmo freiras teriam sido estupradas por militares. Amélia Teles, de 68 anos, relata que não foi capaz de conter o vômito ao ver que o torturador ejaculava sobre seu corpo nu e ferido, depois de masturbar-se olhando para a vítima, amarrada na cadeira do dragão. Militante do Partido Comunista, ela tinha dois filhos, de 5 e 4 anos, quando foi presa, em 1972. O assédio sexual do torturador não foi a pior parte. Em um dos dias na prisão, depois de ser exaustivamente torturada Amélia viu a porta da sala se abrir e seus dois filhos entrarem. “Foi a pior coisa do mundo. Eu, amarrada (nua) na cadeira do dragão, sem nem poder abraçá-los. A minha filha me perguntou: ‘Mãe, por que você está azul?’. Eram as marcas dos hematomas, do sangue pisado, espalhados pelo meu corpo”, afirma Amélia. “Eles foram claros comigo: para manter meus filhos vivos, eu teria que colaborar com eles.” Os dois filhos hoje são adultos. Passaram por terapia e guardam apenas fragmentos de memória de sua visita ao DOI-Codi. Nenhum quis ter filhos. Amélia credita esse fato ao trauma na infância.

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Agredir crianças para atingir a mãe não era um recurso excepcional. Nem sequer as mulheres grávidas eram poupadas. Em 1974, com uma barriga de seis meses de gestação, a militante do grupo revolucionário MR-8 Nádia Nascimento foi presa, junto com o seu companheiro, em São Paulo. “Já foram logo me dizendo que filho  de comunista não merecia nascer. Arrancaram minha roupa na frente do meu companheiro, que já estava muito machucado pela tortura, e perguntavam se ele queria que me torturassem, diziam que dependia dele. Ameaçaram me estuprar na frente dele, mesmo grávida. Até que,em um dado momento, me colocaram na cadeira do dragão. Ali, comecei a sangrar por causa dos choques e perdi meu filho”, conta Nádia, que teve uma série de complicações médicas decorrentes do aborto provocado e da falta de cuidados hospitalares. A criança se chamaria Lucas e hoje teria 39 anos de idade.

 Jesus Carlos (Imagem Global))A LÍDER ESTUDANTIL CATARINA MELONI EM PASSEATA. MAIS TARDE, ELA ESCREVERIA O LIVRO"1968: O TEMPO DAS ESCOLHAS" (FOTO: JESUS CARLOS (IMAGEM GLOBAL))

Também presa aos seis meses de gestação, Criméia de Almeida, de 67 anos, conseguiu manter seu filho na barriga, a despeito das torturas. Quando a bolsa estourou, na cela solitária que ela ocupava em uma carceragem do exército em Brasília, dezenas de baratas que habitavam o lugar começaram a subir por suas pernas, alvoroçadas por se alimentar do líquido amniótico. Embora pedisse ajuda, teve de esperar horas até ser transferida a um hospital. Lá, a ex-guerrilheira do Araguaia, que havia trabalhado como parteira na Amazônia,teve as pernas e os braços amarrados. “Quando o bebê nasceu, já o levaram para longe de mim. E o médico me costurou sem anestesia, eu gritava de dor. Daí passaram a usar meu filho para me torturar. Passavam dois dias sem trazê-lo para mamar. Quando ele vinha, estava com soluço, magro, morto de fome. Ele nasceu com quase 3,2 kg. Mas com um mês de vida pesava apenas 2,7 kg. Na infância, ele tinha muitos pesadelos, chegou a ter convulsões. É claro que ficaram traumas em todos nós. Quando eu estava presa e ouvia o tilintar de chaves na carceragem, que significava que alguém seria torturado, o bebê começava a soluçar dentro do útero. Hoje, aos 40 anos, João Carlos ainda soluça toda vez que fica estressado”, afirma Criméia.

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Ele não conheceu o pai, André Grabois,que até hoje é considerado desaparecido político. Criméia não teve a chance de enterrar seu companheiro. É provável que André tenha sido assassinado pelos militares durante a guerrilha do Araguaia – movimento comunista na região amazônica combatido pelo governo entre 1972 e 1974, no qual acredita-se que os militares tenham lançado bombas de Napalm, o mesmo químico usado no Vietnã, de acordo com mais uma revelação recente da Comissão da Verdade. Sorridente até ali, em um evento sobre educação internacional para mulheres, a ministra das mulheres, Eleonora Menicucci, ganhou um semblante pesado ao ser indagada por Marie Claire sobre sua história na ditadura. Quando foi presa, em 1971, tinha apenas 22 anos e uma filha de 1 ano e 10 meses. Para forçála a dar informações de sua atividade política, os militares colocaram a menina, Maria,  apenas de fralda, no frio. A criança chorava e os torturadores ameaçavam dar choques nela. Ieda Seixas, que foi aprisionada na mesma cela que a atual ministra logo depois dessa sessão de tortura, afirma: “A Eleonora andava como um animal enjaulado, de um lado para o outro, e dizia ‘minha filha, minha filha’. Tinha os olhos esbugalhados, passava a mão pelos cabelos com desespero, parecia que ia explodir. Era mais do que estar transtornada, ela estava em estado de choque”.

Sobre a experiência, a ministra diz: “A Maria superou tudo e hoje é uma vencedora. Eu também superei. Tive outro filho que me deu a certeza de que o que fiz foi correto e me mostrou que eu ainda era capaz de ser mãe mesmo depois de todas as torturas que sofri. Mas, ainda assim, relembrar isso é muito sofrido. Acho que cada um resolve à sua maneira. A Maria aprendeu a lidar com isso com mais liberdade e menos sofrimento. Eu, tudo o que tinha de falar, eu falei. Porque o pior não é a tortura física, mas a psicológica, a ameaça. As ameaças que faziam comigo de torturar a Maria na minha frente eram tão pesadas que talvez fossem mais fortes do que a própria tortura em si”.

  Material Brasil Nunca Mais do Arquivo Edgard Leuenroth/Unicamp)AS GRADES DO DOPS (FOTO: MATERIAL BRASIL NUNCA MAIS DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH/UNICAMP)

O FUTURO
É com essa mesma memória que o Brasil tenta aos poucos lidar. A abertura dos arquivos e os depoimentos, que pode resultar em processos contra os torturadores, não são as únicas manifestações. No cinema, "Hoje", filme da diretora Tata Amaral, mostra o quão atual é nossa dívida com a história. A protagonista do longa, vivida pela atriz Denise Fraga, é uma ex-militante de esquerda cujo marido foi morto pelos militares. Ela recebe uma indenização pela morte dele e compra um apartamento, mas, no dia da mudança, o desaparecido ressurge. A figura do retorno mostra como é difícil seguir em frente sem resolver o passado. É assim no filme e na vida de Criméia, Amélia, Ieda, Ana Mércia e Ana Maria. “Ao fazer "Hoje", me deparo com uma sociedade que permite que sua memória seja roubada. E que aceita que, neste momento, alguém esteja sendo torturado numa prisão brasileira. Será que em algum momento a gente vai dizer: ‘Chega!’?”

 

 

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O testemunho de mulheres que foram vítimas da ditadura

Dá prá ver a crueldade contra as mulheres, parece que havia uma mistura de sadismo, tara e misoginia, sei lá

http://www.jornalggn.com.br/blog/iv-avatar/o-testemunho-de-mulheres-que-foram-vitimas-da-ditadura-militar-0

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Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas pela ditadura

Cada vez mais que vc busca mais se depara com o horror nesse recorte sobre o martírio dessas mulheres naquele período

http://www.jornalggn.com.br/blog/iv-avatar/mulheres-presas-torturadas-desaparecidas-ou-assassinadas-pela-ditadura-militar

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Da autoria do post

Não consegui identificar a autoria do post mas tudo leva-me a crer que se trata de Eduardo Lima, caso o mesmo apareça por aqui favor se manifestar

http://www.comunistas.spruz.com/blog.htm?b=&tagged=Nilda+Carvalho+Cunha

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Poderia ter sido sua filha, sua irmã, sua namorada...

Posted by eduardolm17 Aug 19th 2010 já no meio do post aparece:Trecho do livro Direito à memória e à verdade: Luta, substantivo feminino Tatiana Merlino – São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010.)

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