
Simplício voltou dos Estados Unidos muito penalizado com a situação do Capitão América, que foi levado à extrema necessidade em razão da decisão do Partido Republicano de cortar os salários dos funcionários públicos para forçar Obama a cancelar o seguro de saúde dos pobres. Pensou seriamente em procurar a Presidenta Dilma para que ela propusesse ao Congresso, em regime de urgência, uma bolsa família especial para o herói americano, mas desistiu por causa do problema da espionagem, que a Presidenta ainda não deglutiu inteiramente.
— Estamos diante de uma grande comédia, Angeline. As besteiras que os políticos brasileiros fazem em matéria de governança são fixinha perto do que os Republicanos estão fazendo nos Estados Unidos. Mandaram às calendas a credibilidade do país. Daqui a dois dias ameaçam acrescentar ao bloqueio do orçamento o congelamento do teto da dívida pública. Ou seja, estão botando fogo no próprio rabo, pois se houver calote da dívida os primeiros prejudicados são os ricos, donos dos títulos da dívida pública.
— Será por isso que andei lendo no “Wall Street Journal”, representante dos mega-empresários do país, que os grandes banqueiros correram para o Congresso americano a fim de convencer seus representantes, que são principalmente gente do Partido Republicano ligada ao Tea Party, a buscar a qualquer custo um acordo com Obama para evitar o calote da dívida?, perguntou Angeline?
— Não é só isso, respondeu Simplício. Os jornalistas de direita no Brasil, como os comentaristas Sardenberg e Jabor, da Globo, também resolveram atacar os republicanos, esquecendo-se das afinidades ideológicas. Sardenberg só faltou insultar a mãe deles pela CBN. Jabor desfilou um rosário de impropérios contra eles na TV. Chegou ao cúmulo de apresentar-se como uma espécie de defensor dos pobres…
— Para acobertar a defesa dos ricos, comentou Angeline. A gente está acostumado com isso: quando querem aumentar a taxa de juros não falam nas aplicações milionárias dos financistas que rendem juros estratosféricos; falam na caderneta de poupança da pobre viúva! Agora, como você acha que essa pantomima americana vai acabar?
— Não sei. Talvez o professor Daniel, que é historiador, saiba. Vamos ligar para ele, sugeriu Simplício.
— Tanto o bloqueio do orçamento quanto o congelamento do teto da dívida já aconteceram, sempre sem deixar grandes seqüelas, disse Daniel. Acabaram em acordo, entrando logo para o anedotário da política americana. A novidade agora é que os donos da dívida pública americana são principalmente governos estrangeiros, como os de China, Japão e mesmo Brasil. Ninguém sabe exatamente o que pode acontecer se o país mais rico do mundo deixar de pagar os juros de sua dívida a outros paises.
— A Argentina parou de pagar e reestruturou sua dívida, provocou Angeline.
— Mas atacaram a Argentina como a maior caloteira do mundo. Se o país mais rico (e endividado) do planeta der um calote numa dívida de 14 trilhões de dólares, o alto capitalismo sifu!
Simplício escreveu na agenda vermelha: Confúcio disse: Diante do calote iminente, é melhor ser pobre com saúde do que rico em metástase financeira!
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