Jornal GGN – Uma pesquisa realizada como tese de doutorado na FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp (Universidade de Campinas) concluiu que a espondilose cervical, popularmente conhecida como “bico-de-papagaio”, pode causar distúrbios auditivos ao promover uma diminuição significativa do fluxo da artéria vertebral. O trabalho, feito pela fisioterapeuta Elizângela dos Santos, mostrou que a relação acontece em pelo menos 81,4% dos casos avaliados, de uma amostra de 102 indivíduos que faziam parte de um grupo da terceira idade da Unifal (Universidade Federal de Alfenas), em Minas Gerais.
O grupo de pacientes avaliados apresentava hipoacusia (surdez), vertigens e zumbidos, em consequência da interrupção da circulação sanguínea na coluna – responsável por irrigar o sistema auditivo. Outro elemento observado no trabalho foi uma relação diretamente proporcional entre os dois problemas: quanto maior o bico-de-papagaio, maior a interrupção do fluxo sanguíneo. A hipótese se confirmou principalmente do lado direito da vértebra, coincidentemente o lado em que a artéria vertebral tem maior calibre em termos anatômicos.
O fluxo arterial vertebral direito foi menor em todos os casos estudados, apresentando uma diminuição de 15,76% em pacientes com a situação auditiva considerada deficitária contra 7,5% do lado esquerdo. Em pacientes que relatavam ouvir zumbidos, a diminuição do lado direito foi de 2,65% contra 0,72% do lado oposto. Em pacientes que relataram tontura, a diminuição do lado direito foi de 8,4% contra 5,86% do lado esquerdo. O estudo também apontou uma correlação mais frequente de tontura em pacientes com zumbido.
Bico-de-papagaio
A espondilose cervical está relacionada a alterações degenerativas da coluna vertebral, com ocorrência maior nas porções móveis, como as regiões cervical e lombar, e menr em áreas rígidas, como a região dorsal. Trata-se de um problema muito comum: 60% da população mundial com mais de 45 anos de idade é atingida pela enfermidade e 86% é acometida entre os 70 e 79 anos. O problema é de fácil diagnóstico quando ocorrem calcificações nas cartilagens que envolvem as vértebras e os ligamentos.
Entre outros problemas, o bico-de-papagaio pode resultar em estado de desequilíbrio. “Também enfatizamos a necessidade de apurar melhor os graus mais severos da doença, levando em conta sinais ou sintomas que possam ir além dos quadros de dor e de limitação da mobilidade”, afirmou Elizângela dos Santos. “Aproximadamente 70% a 80% da população sofre de alguma dor incapacitante na coluna ao longo da vida”, reitera a pesquisadora.
Com informações da Unicamp
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